01 julho 2008

Hermenêutica

O termo hermenêutica provém do verbo grego h r m h n e u e i n (bem como de seus derivados h r m h n e u d e h r m h n e u i a ); significa declarar, anunciar, interpretar ou esclarecer e, por último, traduzir. Apresenta, pois, uma multiplicidade de acepções, as quais, entretanto, coincidem em significar que alguma coisa é "tornada compreensível" ou "levada à compreensão". É a tentativa de esclarecer um enunciado obscuro.

Não há certeza filológica que a hermenêutica deriva de Hermes, o mensageiro dos deuses, a quem se atribui a origem da linguagem e da escrita. É apenas uma hipótese, uma possibilidade. De qualquer maneira, o teor de suas origens está nos textos religiosos, principalmente os da Bíblia. A função da hermenêutica é levar à compreensão o texto que possa parecer obscuro. É como que trazer à luz os anúncios do Apolo de Delfos. Em síntese: refere-se a uma dimensão sacra: a compreensão e interpretação da palavra divina.

A compreensão pode ser divinatória e comparativa. A compreensão divinatória significa uma apreensão imediata do sentido, uma espécie de precompreensão; a compreensão comparativa, uma elaboração da compreensão por meio de múltiplos dados particulares. Foi por isso que Scheleiermacher definiu a hermenêutica como a "reconstrução histórica e divinatória, objetiva e subjetiva, de um dado discurso".

O problema da hermenêutica é o problema da compreensão? Mas o que significa compreensão? "Compreensão" vem de "compreender", que quer dizer "tomar junto", "abranger com". Toda a compreensão é apreensão de um sentido. De acordo com Dilthey "A compreensão pressupõe uma vivência". Na raiz da compreensão está implícita a relação entre razão e intelecto. A razão é discursiva enquanto o intelecto é intuitivo. A razão é mediata, o intelecto imediato,

A hermenêutica é um problema fundamental da Filosofia porque tenta buscar a compreensão em cada um dos termos apresentados. Todo o esforço de compreensão é uma atividade em que o Espírito vai ampliando a sua visão e entendimento de tudo o que por ele passa. É a explicação detalhada em que o texto e o contexto estão irmanados num todo harmônico. É a apreensão pelas suas causas primeiras, não aceitando idéias inconclusivas, indo de etapa em etapa até a perfeita compreensão relativa de que cada um é capaz.

Partamos sempre de um todo, a fim de melhor compreender a parte. Este exercício deve ser constante, pois quanto mais nos robustecemos melhor teremos ocasião de compreender as verdades eternas e por elas sermos libertos de todo o mal.

Fonte de Consulta

CORETH, E. Questões Fundamentais de Hermenêutica. São Paulo, EPU, Ed. da USP, 1973.

São Paulo, 10/10/1998

2 comentários:

Francisco Alexandre disse...

Parabens pela explicação mestre. Otima ajuda.

Sérgio Biagi Gregório disse...

Obrigado pelo incentivo.