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11 dezembro 2014

Mentalidade

Tese: Para se formar um caráter superior há necessidade de se desenvolver a mentalidade. 

Mentalidade. Estado de espírito, maneira de pensar, modo de julgar, qualidade mental de um certo indivíduo. Mentalidade superior é aquela que pensa naquilo que quer executar, sem dar atenção ao que as circunstâncias, o ambiente ou os companheiros podem sugerir-lhe. 

Questões: Como se apresenta o estado mental da humanidade? É possível desenvolver a mentalidade? Como? Será combatendo as trevas?

Lourenço Prado, em Forças Invisíveis, lembra-nos de alguns aspectos importantes sobre este tema. Ele diz:

Não podemos produzir luz agindo sobre as trevas, nem produzir a perfeição agindo sobre coisas que não trazem em si a possibilidade de perfeição.

Desenvolver é expressar aquilo que já existe no íntimo. Porém, se nada houvesse em nosso íntimo, por mais que nos esforcemos, nada conseguiríamos.

Não é possível iluminar um lugar escuro espancando as trevas.

O imperfeito tem falta de alguma coisa e é por isso que é imperfeito. Ora, o que falta deve ser fornecido por alguma outra fonte, antes de poder produzir-se a melhora ou o aperfeiçoamento esperado.

Ampliar as qualidades que já existem em nós e não combater o que é externo.

Enquanto pensamos em nossas imperfeições, estamos criando pensamentos imperfeitos, os quais só produzirão imperfeições em nossa vida.

Concentremos nossa atenção na Harmonia, e os desequilíbrios desaparecerão de nossa vida; cultivemos o Amor e receberemos amor dos que nos rodeiam.

Fonte de Consulta

PRADO, Lourenço (Rosabis Camaysar). Forças Invisíveis. São Paulo: Editora Francisco Valdomiro Lorenz (Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento), 2000. 

 

 

 

02 julho 2008

Renovação Mental

Somos o resultado de todas as nossas ações do passado. Alguns psicólogos identificam este resultado como sendo o inconsciente; outros falam de um inconsciente coletivo. As religiões dogmáticas classificam-no como pecado original. Concomitantemente, a cada dia que passa vamos acrescentando experiência ao nosso passivo espiritual. Assim, a mente atual nada mais é do que a soma de tudo o que fizemos ao longo de todo esse tempo. Pergunta-se: é possível uma transformação radical da mente, mesmo estando presa aos paradigmas do passado?

O inconsciente é o nome que damos à soma das experiências. Porém, a inconsciência não existe, mas sim a consciência. Por quê? Porque tudo está na consciência, embora tenhamos percepção limitada da mesma. De acordo com a Doutrina Espírita, poder-se-ia dizer que o nosso cérebro físico, sendo limitado ao corpo físico, não é capaz de absorver todas as informações registradas em nosso cérebro espiritual. Há muitas informações que ficam apenas no corpo espiritual.

A renovação mental exige experiência. Observe que precisamos de ação para dar respaldo àquilo julgamos ser. A salvação da alma, para muitas religiões, está atrelada ao bem que se faz ao próximo. Contudo, se fizermos o bem com o intuito de receber uma recompensa, a salvação já estará comprometida. A virtude, por exemplo, não conta com nenhuma autoridade. Krishnamurti diz: "A mente que segue uma fórmula, disciplinando-se para alcançar a virtude, cria para si própria os problemas de imoralidade".

Como surgem os problemas? Por que eles perduram ao longo do tempo? Problema pode ser definido como um desafio não resolvido. Por isso, tudo o que nos chegar deve imediatamente ser resolvido, para que deixe livre o nosso estado mental. A mente aberta é aquela que dá uma resposta imediata ao que lhe foi solicitado. O hábito de adiar os nossos compromissos cria para nós um desânimo mental que pode ser nefasto para o resto de nossa existência.

O apego ao passado dificulta sobremaneira a nossa renovação mental. Estamos ainda excessivamente presos às tradições, à autoridade e às crenças religiosas. Para nos libertar do passado, temos que nos libertar dos paradigmas que o construíram. Muitos dizem que dever haver um choque externo, pois olhando as coisas com os mesmos olhos, não saímos do lugar, ou seja, voltamos a ponto de partida. Nesse sentido, a virtude não deve ser cultivada, mas fazer parte do próprio ser.

Estejamos abertos aos apelos do alto. Reflitamos sobre tudo o que se nos apresenta. Nada de preguiça, quando o assunto é a nossa renovação espiritual.

Fonte de Consulta

KRISHNAMURTI, Jidu. A Importância da Transformação. Tradução de Hugo Veloso. São Paulo: Cultrix, 1972.

 

27 junho 2008

Ciência Cognitiva e Mudança de Mentalidade

A ciência cognitiva diz respeito, entre outros aspectos, à mente e à mentalidade. Como nos dias que correm, cresce o número de pessoas que acreditam que a sobrevivência do ser humano neste planeta depende de uma profunda mudança em sua mentalidade, Humberto Mariotti, médico psicoterapeuta, procura mostrar, em artigo à Revista Eccos, uma epistemologia diferente da atualmente dominante, no sentido de produzir mudanças políticas, científicas, filosóficas e práticas cotidianas.

Em sua análise, estabelece alguns pontos de partida: a) nossa ideia de mundo vem de nossa cognição; b) conhecemos o mundo segundo nossa estrutura; c) esta estrutura cognitiva implica um determinado modo de elaborar o que foi percebido; d) os resultados dessa elaboração orientam nossas ações; e) tais ações têm consequências éticas; f) logo, para mudá-las, é preciso modificar nossas ideias sobre a cognição, o que, por sua vez, alteraria a nossa estrutura cognitiva.

Observando o mundo que nos rodeia, ele constata o fenômeno da McDonaldização da sociedade. O que significa? Condicionamento à pressa, ao imediatismo, ao desejo da saciedade instantânea e, principalmente, à padronização dos movimentos e do consumo. Nesse sentido, o indivíduo se defronta com um mundo pronto, acabado, igual para todos. Esse fato, segundo Humberto Mariotti, impede o ser humano de pensar, de refletir. Em outras palavras, a sociedade condicionando-o a uma estrutura globalizante e alienante, rouba-lhe a estrutura própria. Se pensar diferente é "excêntrico", "subjetivo", posto à margem da sociedade.

Se o mundo é igual para todos, para que refletir, para que pensar? Esta é a situação marcante de uma sociedade que prega o consumo de massa, especialmente, através da mídia televisiva. Manipulando o pensamento, produz uma sociedade conformada, que simplesmente atende à ordenação do emissor, aquele que diz o que é e o que não é importante. Observe, por exemplo, o trabalho dos marqueteiros políticos: eles conseguem transformar a postura de um candidato, fazendo-o parecer um "salvador da pátria" diante do público.

Ao nos depararmos com este texto, lembramo-nos de um eminente filósofo brasileiro, Mário Ferreira dos Santos que, na década de 50, desenvolveu um método próprio para aprender e ensinar filosofia, contrariando todos os que o desestimulavam. Dizia que todo o homem deve viver e morrer como um guerreiro. O ser guerreiro, aqui, é lutar contra o "status quo" estabelecido, no sentido de primeiro nos alertarmos, e depois todos aqueles que estiverem ao nosso derredor.

O pensamento de Mariotti, embora com outra roupagem, leva-nos ao conhece-te a ti mesmo de Sócrates, quando este nos diz que uma vida sem reflexão não merece ser vivida. Neste artigo, o autor explicita que a "reflexão confere à consciência a dimensão humana".

Fonte de Consulta

MARIOTTI, Humberto. Cognição, Sociedade e o Novo Autoritarismo: Uma Análise de Algumas Abordagens Científicas e suas Consequências Éticas. Eccos Revista Científica, São Paulo: Centro Universitário Nove de Julho, v. 2, n.º 1, p. 27-43, junho de 2000.