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17 fevereiro 2020

Dewey, John

"Somente pensamos quando confrontados com um problema." (John Dewey)

John Dewey (1859-1952) foi um filósofo e educador norte-americano que ajudou a fundar o pragmatismo, uma escola filosófica no início do século XX. Acreditava que a melhor educação envolve o ‘aprender fazendo’. Desenvolveu o pragmatismo formulado por Peirce e William James, aplicando essa doutrina à lógica e à ética, e defendendo o instrumentalismo ou o experimentalismo em teoria da ciência. Tornou-se célebre por ter fundado a chamada escola ativa. A didática se resume no famoso método "do problema", que se desenvolve em cinco fases: a) a criança traz um problema (um objeto, uma preocupação etc. relacionados com sua vida); b) definição em comum do problema; c) inspeção dos dados disponíveis; d) formação de uma hipótese de trabalho; e) comprovação da experiência (da validade das informações, dos meios e dos raciocínios). (1)

Resumo do seu pensamento: Os problemas surgem porque estamos tentando apreender o sentido... ==> ...das tradições que herdamos. ==> ...dos desafios de viver em um mundo em transformação. ==> A filosofia não trata de obter um retrato verdadeiro do mundo, mas de solucionar problemas práticos. ==> Somente pensamos quando confrontados com problemas. (2)

03 julho 2008

Wittgenstein, Heidegger e Dewey

No século XVII, a noção de uma "teoria do conhecimento" baseada na compreensão dos "processos mentais" é atribuída a Locke; a noção de "mente" como entidade distinta em que ocorrem "processos", a Descartes; a noção da filosofia como tribunal da razão pura, a Kant. No século XIX, a noção de filosofia como uma disciplina fundamental que "funda" as pretensões do conhecimento foi consolidada nos escritos neokantianos. Dessa forma, a Filosofia torna-se, para os intelectuais, um substituto da religião, pois preocupavam-se em mantê-la "rigorosa e científica".

Essa aparente predominância da Filosofia entra em crise devido a dois fatores: 1º), a esta altura era quase completo o triunfo dos laicos sobre as pretensões religiosas; 2º), surge uma nova forma de cultura, que eram os escritores de poemas, romances, novelas e tratados políticos. O discurso laico, que se populariza, desvia-se da lógica racional que os filósofos intentavam com as suas teorias do conhecimento. O espaço cultural fica dividido, e os escritos filosóficos perdem terreno para esses outros gêneros literários.

No início do nosso século, nomeadamente Russell e Husserl, preocupavam-se em retomar a Filosofia como "científica e rigorosa". Mas havia uma nota de desespero em suas vozes, porque a cultura laica monopolizava cada vez mais a atenção dos leitores. Em resultado, quanto mais "científica e rigorosa" se tornava a filosofia, menos ela tinha a ver com o resto da cultura e mais absurdas pareciam as suas pretensões tradicionais.

É de encontro a este fundo que surgiram Wittgenstein, Heidegger e Dewey. Cada um deles tentou uma nova maneira de tornar a Filosofia "fundamental" — uma nova maneira de formular um contexto último para o pensamento. Wittgenstein procurou construir uma nova teoria da representação que nada teria a ver com o mentalismo. Heidegger tentou construir um novo conjunto de categorias filosóficas que nada teriam a ver com a ciência, a epistemologia, ou a busca cartesiana da certeza, e Dewey tentou constuir uma versão naturalizada da visão hegeliana da história.

Todos os três vieram a achar auto-ilusório o seu esforço inicial, uma tentativa de conservar uma certa concepção de filosofia após terem sido abandonadas as noções necessárias para dar corpo a essa concepção (as noções seiscentistas de conhecimento e mente). Todos os três, nas suas últimas obras, se libertaram da concepção kantiana da filosofia como fundamento e dedicaram o seu tempo a prevenir-nos contra aquelas mesmas tentações a que eles próprios haviam sucumbido.

Assim sendo, essas últimas obras são mais terapêuticas do que construtivas, mais edificantes do que sistemáticas, concebidas de modo que o leitor questione o seu próprio motivos para filosofar, em vez de lhe fornecerem um novo programa filosófico.

Fonte de Consulta

RORTY, R. A Filosofia e o Espelho da Natureza. Lisboa, Dom Quixote, 1988.

São Paulo, 12/04/1998

02 julho 2008

Como Pensar

O pensamento pode ser visto sob vários aspectos: em sentido amplo, é resultado de tudo o que se passa na nossa mente, sem lógica ou veracidade: sonhos, devaneios, imaginação, intelectualidade etc.; em sentido restrito, são as escolhas que o nosso espírito faz para a análise de algumas questões; em sentido mais restrito é aplicação de nossas potencialidades para a resolução de um problema, de uma dificuldade.

Para um desenvolvimento integral da pessoa humana, interessa-nos desenvolver o pensamento reflexivo, que é o pensamento ativo, prolongado e cuidadoso de tudo o que nos vem à mente. Nesse sentido, são elementos do pensamento reflexivo: a) um estado de perplexidade, hesitação ou dúvida; b) atos de pesquisa ou investigação tendo o fim imediato de descobrir outros fatos que sirvam para corroborar ou destruir a convicção sugerida. Em outras palavras, todas as vezes que nos debruçarmos sobre uma questão — de interesse vital para a nossa alma —, a fim de buscar soluções, conexões, ilações, estaremos de posse do pensamento reflexivo.

John Locke (1632-1704) aponta-nos algumas características das convicções errôneas: a) a dependência dos outros — são os que pensam pela cabeça dos outros; b) interesse pessoal — são os que colocam a emoção na frente da razão, sem exame lógico das coisas; c) experiência limitada — são os que se utilizam da razão, mas com uma visão tacanha. Nesta classe estão agrupados os indivíduos que se relacionam apenas com uma casta limitada de homens, leem livros de determinada espécie e querem apenas conhecer determinadas opiniões: não se aventuram no mar alto dos grandes conhecimentos.

O ato de pensar deve ser enérgico e profundo. Procurando resposta para uma necessidade, uma curiosidade, uma dúvida, um anseio, o pensamento deve ir até as últimas consequências, a fim de obter a verdade dos fatos. Quem assim procede vai adquirindo um vasto conhecimento, porque em cada etapa observa, para, pensa, pondera e deixa que os novos ensinamentos se acrescentem aos já adquiridos, de modo que o estoque de conhecimentos vá crescendo de forma suave, mas sempre progressiva.

O tipo de pergunta é bastante importante na relação ensino-aprendizagem. Não são poucos os que perguntam por perguntar, acreditando que estão desenvolvendo o diálogo socrático. Muitas vezes não passa de tagarelice mental. É necessário que as perguntas promovam o aprofundamento do estudo, pois o simples ato de perguntar acaba desviando-nos do tema em questão. É fácil de se observar, quando numa discussão em grupo, deixamos seus componentes à vontade; em pouco tempo, a conversa toma rumo totalmente distinto daquele que foi anunciado anteriormente.

Quer queiramos ou não, estamos sempre envoltos com as sugestões dos jornais, da TV, dos amigos etc. O pensamento enérgico exige renúncia ao comodismo, esforço ao raciocínio e certa solidão interior.

Fonte de Consulta

DEWEY, J. Como Pensamos. São Paulo, Editora Nacional, 1933.