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11 dezembro 2023

Pensamento e Vontade

Pensamento. Do latim pensare, pensar, refletir.  Atividade da mente através da qual esta tematiza objetos ou toma decisões sobre a realização de uma ação. Palavra fácil de ser intuída, mas difícil de ser explicada com palavras. Vontade. É a faculdade de perseguir o bem conhecido pela razão. Disciplina. Submissão da vontade e da inteligência a normas de pensamento, da ação, de conduta, sob os vários aspectos que apresenta a vida humana.

Dificuldade de descrever o pensamento. A cultura grega deu ênfase à razão. A razão fazia o indivíduo raciocinar e aplicar-se ao conhecimento das virtudes. Acontece que o pensamento dos pré-socráticos e dos orientais não são interrogativos, mas poéticos-noemáticos, em que o racional é deixado em segundo plano. Mesmo assim, esses pensamentos poéticos-noemáticos não são superficiais, mas essenciais à própria elaboração do pensável.

Conceito de vontade no curso da história. Na história da filosofia, foi tratado da seguinte forma: 1) Psicologicamente (ou antropologicamente), falou-se da vontade como de uma certa faculdade humana, como expressão de um certo tipo de atos; 2) moralmente, tratou-se da vontade em relação com os problemas da intenção e com as questões concernentes às condições requeridas para alcançar o Bem; 3) teologicamente, o conceito de vontade foi usado para caracterizar um aspecto fundamental e, segundo alguns autores, o aspecto básico da realidade, ou personalidade, divina; 4) metafisicamente, considerou-se às vezes a vontade como um princípio das realidades e como motor de todas as mudanças. Das quatro abordagens a que mais predominou foi a psicológica. (1)

Relação entre pensamento e vontade. Dizemos com razão que um homem de força de vontade é aquele que persegue com firmeza alguma coisa. É a vontade que nos leva à ação. Os atos dependem da vontade e a vontade da ideia. Para que o ato seja moral, o indivíduo precisa distinguir entre o bem e o mal. A pessoa que rouba parte de uma ideia, ou seja, que ele consegue com mais facilidade aquilo que deseja. (2)

Relação entre ideia e ação. Observe a frase de Karl Marx: "Até hoje, os filósofos só fizeram interpretar o mundo; devemos, agora, transformá-lo". Não são poucos os que creem firmemente nessa ideia tendo, como consequência, um total desprezo pela teoria. Muitos preconizam a excelência da ação, como a única solução a ser procurada, a única verdadeiramente eficaz. A ideia assemelha-se a uma semente. Passa por diversos tratamentos até dar o fruto esperado. (2)

A vontade pode ser fortalecida no indivíduo através da educação esclarecedora e, principalmente, através do combate ao capricho e à obediência passiva, bem como pela formação do hábito de propor a si mesmo tarefas difíceis e de trabalhar até conseguir alcançar o objetivo.

(1) MORA, J. Ferrater. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Loyola, 2004.

(2) MENDONÇA, Eduardo Prado de. O Mundo Precisa de FilosofiaRio de Janeiro: Agir, 1988.


 

08 abril 2020

Pensamento

Pensamento. Do latim pensare, pensar, refletir. Atividade intelectual através da qual o espírito humano forma conceitos e formula juízos. 

Os pensamentos estão em tudo, mas o ato de pensar é que os capta. Por isso, precisamos distinguir pensamento, quando é aspecto, relação, dos fatos, e pensamento quando é ato de pensar. O primeiro é sempre o mesmo; mas o ato de pensar pode ser diferente. Nesse caso, há razões para dizer: "Você teve o mesmo pensamento que eu". O pensamento era o mesmo, mas o ato de pensar era diferente.

Observação: a distinção entre esses dois tipos de pensamento nos ajudaria a compreender melhor as coisas, e muitas dificuldades desapareceriam.

Nós mentamos pensamentos. Mente vem de man radical indo-germânico, que significa medir, pesar, daí man (homem em inglês). Mente, menção, mentar e comentar são palavras derivadas. A palavra pensamento vem daí, e indica o que é medido, pesado, valorado. Tudo o que pode ser medido, pesado, valorado pela mente, órgão que mede, é pensamento.

"A natureza está cheia de pensamentos que o homem pode mentar, por isso a Filosofia, sob o seu aspecto dinâmico, é esse invadir a Natureza na cata dos pensamentos que estão nela, buscando-lhe os porquês, os nexos, as relações". (1)

(1) SANTOS, M. F. dos. Convite à Filosofia e à História da Filosofia. 6. Ed., São Paulo: Logos., item "Definição". 




28 julho 2015

Pensamento Precede a Ação

Folheando alguns livros que tratam do poder do pensamento positivo, deparamo-nos com termos, tais como, o poder da mente cósmica, o poder do subconsciente, o universo do poder mental etc. Há muitos ensinamentos úteis que podemos extrair de uma simples leitura verticalizada. Vejamos.

O indivíduo só experimenta aquilo que pensa. Tem, no entanto, o direito de escolher, de pensar por si. Nesse caso, as pessoas que vivem no negativo, vivem-no porque assim escolheram viver. É um hábito como fumar, beber, drogar-se. Quando perguntamos ao outro o que devo fazer, estamos transferindo a responsabilidade daquela ação para um terceiro, que decide por nós. Se der errado, jogamos a culpa nele. 

As atitudes são contagiosas. Se expressarmos alegria, criatividade e jovialidade, os outros receberão essa influência de nós. Se estamos constantemente nos queixando, criticando e sendo maledicentes, é assim mesmo que os outros nos veem. Repórter pergunta à esposa de Winston Churchill se os dois concordavam em todos os assuntos. Ela responde: "meu senhor, se nós pensássemos exatamente do mesmo modo, um de nós seria desnecessário". 

A fé nada mais é do que a confiança em alguém ou alguma coisa. A fé é um poder da mente, da mente cósmica. Jesus foi o responsável por efetuar milagres, mas foram os próprios indivíduos que fizeram os milagres acontecer. É um fato: as doenças curam-se mais frequentemente pelos pacientes do que pelos médicos. Quando a cura parece impossível, falamos que foi um milagre. 

Ofereçamos consolo e tranquilidade, mas nunca tenhamos pena dos outros. 

 




13 novembro 2013

Pensamento Helenístico

helenismo ganha força a partir das expedições de Alexandre Magno ao Oriente que, após realizar grandes conquistas, põe em cheque o status quo da Pólis (Cidade-Estado). O ideal da Pólis é substituído pela ideal “cosmopolita”, em que o mundo inteiro é uma Pólis e não somente a Cidade-Estado.  O homem-citadino perde a sua capacidade de intervenção na vida política e é substituído pelo homem-indivíduo, aquele que cuida apenas da vida privada, apenas de si mesmo.  

As filosofias platônicas e aristotélicas tornaram-se desatualizadas. A exceção estava na filosofia socrática, que incentiva o ser humano a voltar-se para si mesmo. Exigiam-se novas filosofias, as quais deveriam ter um cunho prático. Estas, ao se formarem, difundiram-se em vários lugares, transformando-se em cultura helenística. O centro da cultura passou de Atenas para Alexandria. O epicurismo, o estoicismo e o ceticismo surgem dentro desse novo contexto.

Para Epicuro (341-270 a.C.), materialista e fundador do epicurismo, não existe nem imortalidade nem um “mais além”. A morte do indivíduo é morte do corpo e da alma. Apesar do seu materialismo, pregava que não se devia temer a morte. O importante é a vida, que se fundamenta na busca do prazer, não do prazer hedonista. O ideal é alcançar a ataraxia — “a tranquilidade do espírito que evita cair na dor decorrente da carência ou do excesso de prazeres — e a autarquia — auto-suficiência, não depender de nada a não ser de si mesmo, encontrar satisfação com pouco, uma vez que o desejo de abundância nos torna dependentes do objeto”.

Zenão de Cicia (335-264 a.C.) foi o fundador do estoicismo. Para o estoicismo, o mundo é regido por uma lei universal, o logos, a razão. O ser humano, sendo parte desse mundo, deve se submeter à lei universal. A vida, de acordo com a razão, é a vida do sábio, mas também do virtuoso. Em virtude dessa lei, que é inexorável, o sábio só pode aspirar à ataraxia, ou seja, à serenidade e imperturbabilidade do espírito.

Pirro de Élida (365-275 a.C.) é o iniciador do ceticismo. A tranquilidade de espírito aqui está na recusa de qualquer doutrina, pois ele considera que a razão não pode penetrar na essência das coisas e prega a dúvida diante de todas as questões. Pirro diz: já que nada sabemos com certeza sobre as coisas do mundo, tudo deve nos deixar em absoluta indiferença — e que nada perturbe nosso espírito. Esta é a sua ataraxia.

Fonte de Consulta

Temática Barsa - Filosofia 

 

23 outubro 2012

Reflexão

reflexão, fenomenologicamente observada, manifesta-se como um segundo ato de conhecimento (o primeiro é a intenção direta).

Ao evocarmos a intenção direta e o segundo ato, verificaremos que uma noção ampla do juízo em geral e do juízo reflexivo em especial influencia notoriamente o comportamento de um crítico do conhecimento. Sem elo, poder-se-ia perder em afirmações frouxas e superficiais, por ausência de um eixo diretor.

Há, assim, a intenção direta e o segundo ato. A reflexão, propriamente dita, diz respeito ao segundo ato. Mas, se o segundo ato, é uma espécie de repetição da intenção direta, reduziríamos a visão reflexa a uma outra face do mesmo ato. Uma simples abstração nos faria ver separadamente as duas intenções, conduzindo-nos à ilusão final das dualidades dos atos.  

Para que haja a verdadeira reflexão, a intenção direta deve opor-se à reflexão, no sentido de se distinguirem como dois atos efetivamente distintos e não apenas como intensificação um do outro. A simultaneidade proporciona a aparente impressão de que um ato seja a intensificação do outro; a observação cuidadosa nos liberta deste equívoco, conduzindo-nos à consciência de nós mesmos e enaltecendo a nossa racionalidade.

Fonte de Consulta

PAULI, Evaldo. Que é Pensar? Teoria Fundamental do Conhecimento. Santa Catarina: Biblioteca Superior de Cultura, 1964.

 

16 maio 2012

Blablablá e Pensamento

De vez em quando, é muito útil verificarmos se a nossa escrita ou os nossos pensamentos não passam de um blábláblá sem fim. Por blablablá, entende-se a conversa sem importância, a conversa fiada ou os “ditos verborrágicos destinados a engabelar a desconfiança”. O blablablá é encontrado, muitas vezes, nos políticos, nos demagogos e nos sedutores.

Para evitar o blablablá, convém fazer como o filósofo amador, que transforma o cogito ergo sum, de Descartes, em “escrevo, logo penso”. Pensar, escrever e ler permite-nos descobrir se aquilo que pensamos é “bem pensado”. Embora não haja um pensamento original, pois tudo o que pensamos já foi pensado antes, a apropriação do pensamento alheio, transformando-o em pensamento próprio, é de grande valia para o nosso exercício filosófico.

Ao escrevermos, não podemos ser tão radicais como os moralistas que, segundo Joubert, são atormentados pela “maldita ambição de por um livro inteiro numa página, uma página inteira numa frase e essa frase numa palavra”. Há casos em que, para nos fazermos entender, o nosso pensamento tem que ser obrigatoriamente prolixo. O que atrapalha a compreensão de um texto não é quantidade de palavras, mas a verborragia das palavras vãs que nada acrescentam ao entendimento de uma questão.

Esses pensamentos foram trabalhados em função do livro: “Sobre o Blablablá e o Mas-Mas dos Filósofos”, de Fredric Schiffer que, na Internet, tem o seguinte marketing de venda: “Este ensaio, escrito com pena ágil e petulante, surpreende os filósofos em alguns de seus pecados mais comuns: o palavrório e o pedantismo. Armado com o desiludido humor cioraciano, e aguçado por uma lucidez cara a Clément Rosset (que, aliás, assina o prefácio), Frédéric Schiffer investe contra os que denigrem as aparências e preferem refugiar-se em alguma zona inabordável. Ao longo de suas divagações provocativas, reencontramos os ridicularizados sofistas, o diletante Montaigne, o agudo Baltasar Gracián e assistimos ao encontro (feliz) de um pensamento e de um estilo”.

Schiffer explica-nos que o blablablá concerne ao campo dos discursos destinados a entorpecer a desconfiança e o espírito crítico; o mas-mas (ou afetação), ao campo dos discursos que têm por vocaçao desvalorizar a vida real em prol da essência. O homem do blablablá enaltece o irreal, é um charlatão. O homem do mas-mas deprecia o real: é um pedante afetado.

Em vista do exposto, a quantas andam o nosso pensamento? Estamos buscando uma certa profundidade ou permanecemos na sua superficialidade?

 

25 novembro 2011

Novo Pensamento e Movimento do Novo Pensamento

A metafísica do Novo Pensamento ou Movimento do Novo Pensamento surgiu no século XIX, nos Estados Unidos. O seu idealizador foi Phineas Parkhurst Quimby. Na sua estrutura organizacional, há uma mescla de várias correntes filosóficas e religiosas: Deus, energia criadora, pensamento positivo, lei de atração, meditação, oração etc. Para os adeptos desta nova “religião”, o pensamento evolui e desabrocha e, com isso, modifica a nossa experiência neste mundo.

A essência do novo pensamento é estar sempre em perpetua modificação, porque se for finito, ele se encerra em si. A mente em crescimento constante não está no passado ou no que já tem; não aceita dogmas, ideias preconcebidas. Ela quer se transformar, subir ao mais alto grau de evolução que possa alcançar. Por isso, o esforço despendido no progresso do ser humano e da humanidade é uma constante.

O Novo Pensamento fundamenta-se na mente (e principalmente na sua modificação). Por isso, o Novo Pensamento tem sido difundido como a última invenção em como progredir a mente. É uma atitude da própria mente e não da filosofia ou da religião. Parte do princípio de que somos seres em evolução: física, mental e espiritual. A mudança e crescimento são as chaves para alcançar a perfeição.

O Novo Pensamento distingue-se do movimento New Age. O movimento New Age, iniciado por Marilyn Ferguson, com o seu livro Conspiração Aquariana, em 1989, tinha por objetivo juntar grupos díspares, tais como, a homeopatia, a gnose, a medicina alternativa, o esoterismo e as técnicas de meditação oriental. O novo pensamento baseia-se exclusivamente na mente. Ele não está interessado com os dogmas e nem o que acontece depois da morte. Simplesmente quer que a mente cresça para o grau de perfeição que possa alcançar.

Sintetizando: o Movimento do Novo Pensamento é composto de diversas denominações religiosas, organizações seculares, autores, filósofos, e indivíduos que compartilham um conjunto de crenças metafísicas referentes aos efeitos do pensamento positivo, Lei da atração, cura, força vital, visualização criativa e poder pessoal.


05 agosto 2011

Cérebro e Pensamento

"Um cérebro bem nutrido produz pensamentos robustos."

Para que o cérebro esteja sempre leve, plástico e maleável, ele precisa de novidade, dificuldade, regularidade e, também, de bons alimentos. Pense em algo rotineiro: que tipo de sensação advém? Que tal coisa é simples; que somos levados a ajustar nosso comportamento ao mais prático, àquilo que não exige muito esforço. A coisa difícil requer mais tempo, mais dedicação do intelecto, do pensamento.

Sem uma boa dose de motivação, o cérebro tem muita dificuldade de experimentar o novo. Como, porém, ter motivação, se nossas emoções são negativas, se estamos cheios de ódio no coração? Urge renovarmos o nosso interior, as nossas atitudes e os nossos comportamentos. Faltando motivação, o cérebro enfraquece e estiola. O cérebro precisa de dificuldade, mas não tão exagerada, porque pode se transformar em desânimo, que nos leva à angústia e ao estresse.

Suponha uma pessoa tentando preparar uma palestra, com informações excessivamente mais difíceis do que a sua capacidade de expor. O que pode acontecer? Ele pode pesquisar, anotar dados e dispor tudo numa transparência de PowerPoint. No fundo, entretanto, o assunto não foi aclimatado em sua personalidade, em seu caráter. Procede como o papagaio que recita o que os outros lhe disseram. O seu cérebro não está recebendo a dose correta para o seu perfeito desenvolvimento.

O cérebro não tem necessidade de muita informação. Para ele, o que vale é a justa medida, aquela que fornece matéria prima para o seu dono, o espírito, se expressar. O cérebro é um meio, uma ferramenta de trabalho, por onde o Espírito se comunica, entra em contato com os demais seres humanos. Um cérebro oco, sem conteúdo, comunicará nada mais do que a aquilo que possui em si mesmo, que são os pensamentos superficiais, pensamentos fracos ou inautênticos, como diriam os filósofos.

Se, mesmo com pouca informação, o alimentarmos com dificuldade, com regularidade, ele vai se fortalecendo para, em pouco tempo, produzir frutos a cento por um. Observe as pessoas de idade que estão envoltas com atividades lúdicas, leitura, conversações, estudos e cursos. Elas alimentam o cérebro e retardam o aparecimento dos problemas neurodegenerativos.

Ofereçamos sempre dificuldade ao nosso cérebro. A resolução de problemas tem a sua compensação: felicidade de percebermos que somos capazes de muitas coisas nesta vida.

 

04 maio 2011

Concentração e Barulho Externo

Tese: o barulho externo tem aumentado significativamente.

É o vizinho com seu aparelho de som em volume alto, o vozeirão das pessoas ao nosso derredor, o ruído dos motores das máquinas...

As pessoas quando falam ao celular, em ônibus ou metrô, têm a impressão que estão em suas próprias casas: o volume de voz é tão alto que todos os passageiros tomam conhecimento de suas conversas.

Há lugares, como as bibliotecas públicas, em que é proibido falar ao telefone. Mesmo assim, elas arrumam um jeito de falar.

Pergunta-se: como evitar a irritação com o barulho externo?

A tarefa não é fácil, mas se exercitarmos a nossa concentração mental, quem sabe não amenizaríamos esse tipo de estresse? A concentração diz respeito ao seguinte: “mesmo com uma bomba ao lado, não deveríamos desviar o nosso pensamento do objetivo proposto”.

Se pudéssemos, a cada instante do nosso dia, focalizar o nosso próprio pensamento, as nossas criações mentais e o nosso trabalho intelectual, talvez diminuíssemos o nosso nervosismo com o que é externo.

Aprendamos com as crianças. Elas não ligam para o barulho externo, porque não lhes veem à mente que devem repreender os outros. Ainda mais: a irritação do barulho externo pode ser fruto simplesmente de nossa imaginação. Queremos que as coisas sejam do nosso modo. A realidade, porém, é outra. Assim sendo, concentremos em nossos objetivos de vida e deixemos que o barulho externo se esvaia por si mesmo.

 

 

 


09 junho 2010

Pensamento e Fisiologia do Pensamento

Pensamento. A palavra pensamento é fácil de ser intuída, mas difícil de ser explicada com palavras. O pensamento é definido em termos das atividades mentais, como inteligência ou razão, em que são descartados os sentimentos e as volições. Liga-se também à atividade discursiva ou intuitiva. Fisiologia. Ciência que trata dos fenômenos vitais e das funções pelas quais se manifesta a vida. Parte da biologia cujo objeto é o estudo das funções dos organismos vivos, vegetais e animais.

fisiologia do pensar diz respeito às relações matéria-espírito, corpo-alma, corpo-mente, matéria-consciência, físico-químico e, atualmente, mente-cérebro. Para Kant, a fisiologia do pensar resume-se em passar da sensação (estímulo desorganizado), para a percepção (sensação organizada), para concepção (percepção organizada) e para a ciência (conhecimento organizado).

A cultura grega deu ênfase à razão. A razão fazia o indivíduo raciocinar e aplicar-se ao conhecimento das virtudes. Acontece que o pensamento dos pré-socráticos e dos orientais não são interrogativos, mas poéticos-noemáticos, em que o racional é deixado em segundo plano. Mesmo assim, esses pensamentos poéticos-noemáticos não são superficiais, mas essenciais à própria elaboração do pensável.

A mente é vista como atividade ou processos mentais, em que estão presentes a consciência, a intencionalidade, a subjetividade e o caráter representacional. Para explicar a estrutura da mente há a teoria clássica das faculdades, em que se pressupõe hierarquia de poderes, ou seja, a inteligência e a vontade são superiores à imaginação, por exemplo. Presentemente, temos o construtivismo e o inatismo. No construtivismo, todas as estruturas mentais são construídas pelo sujeito com relação ao seu meio ambiente. No inatismo, a mente possui estruturas inatas que são ativadas em contato com o meio ambiente.

A ciência moderna tenta relacionar computador e cérebro. No computador, há a máquina (hardware), os programas (softwares).e a informação. Os programas usam a máquina para processar a informação. Analogamente, o cérebro é o hardware; as estruturas mentais, o software. O processamento das informações se dá de duas maneiras: modularidade e conexionismo. A tese da modularidade pressupõe que o cérebro funcione por “módulos independentes” e pelos “sistemas centrais”, tais como as relações entre os computadores independentes e o computador central. O conexionismo é a interpretação mais recente do funcionamento do cérebro. De acordo com esta teoria, o cérebro não processa a sua informação em série (uma operação depois da outra), mas simultaneamente, em paralelo.

Para o Espiritismo, o pensamento, como essência, é um atributo do Espírito, sinônimo de inteligência. Nesse caso, ele não pode ser considerado matéria. Acontece que também é usado no sentido material. Daí, alguma confusão. Os processos mentais entram em cena. Em vez de conceituá-los adequadamente, simplesmente dizemos que o pensamento é matéria e vamos tocando o barco. Sócrates, na antiguidade, já nos alertava sobre a necessidade bem definirmos os termos antes de iniciarmos uma discussão.

O pensamento, como inteligência, raciocínio e informação não é matéria. É simplesmente um atributo do Espírito, que é imaterial ou composto de alguma matéria ainda desconhecida por nós. Os processos mentais, que ocorrem no cérebro, possibilitam-nos o uso do termo fisiologia do pensamento, em que são considerados as vibrações, as radiações, os passes, a fotografia do pensamento e as emanações fluídicas.




25 agosto 2009

Memória e Repetição

A repetição tem uma função primordial: ajuda a memorizar aquilo que temos necessidade de aprender ou de saber. Em filosofia, costuma-se repetir o modelo de um grande autor: Kant, Hegel, Descartes. Diz-se que a filosofia é histórica, porque cada filósofo parte de onde terminou o seu antecessor. Aproveita-se do que outro fez, segue alguns de seus passos e critica outros, podendo até formular novos sistemas, novas teorias.

Como repetir sem mecanizar? Esta é a grande dificuldade do aprendizado. O ser humano não tem o hábito de pensar por si mesmo, já afirmava Kant. É mais fácil repetir o que o outro disse. Em realidade, o aprendizado não é uma repetição automática, mas uma re-conceituação feita com as próprias palavras. Um pensamento alheio tem que ser captado e trabalhado segundo o entendimento e interesse do aprendiz. De nada adianta ficarmos repetindo frases alheias; elas têm que fazer parte do nosso ser.

“Pensar é pensar junto é co-pensar”. Não existe o pensador genuíno, original. Precisamos de informações alheias. Estas nos veem por intermédio daquilo que já foi pensado pelos outros; é uma espécie de estímulo para o nosso pensar. Surge, assim, a repetição como aprendizado. Esta, porém, não pode ser feita como uma máquina ou como o papagaio que simplesmente repete o que ouviu. Ao ler ou ouvir, o aprendiz deve fazer o esforço de compreensão, de expressar aquele pensamento com suas próprias palavras.

 

02 julho 2008

Sobre o Pensamento Positivo

A propagação do pensamento positivo vem se acentuando nos últimos tempos. Os livros de autoajuda se multiplicam nas prateleiras das livrarias. Recentemente, a australiana Rhonda Byrne de 55 anos, com 50 anos, sem marido, as filhas crescidas e seu negócio (produzir séries para a TV australiana) afundado em dívidas, teve um insight ao ler, por acaso, o livro A Ciência de Enriquecer, publicado em 1910. A partir daí escreveu O Segredo, livro que virou filme e foi produzido em DVD.

A tese central de O Segredo é a lei de atração, em que o pensamento funciona como um verdadeiro ímã, atraindo para si tudo o que elabora. Basta pensar em algo que aquilo se expande. Por isso, é proibido pensar negativamente. Pense no ganho monetário, no êxito, na cura de uma doença, no perfeito relacionamento entre os seres humanos e tudo se consumará como um passe de mágica. Há o caso da mulher que tinha detectado um câncer no seio. Não lhe deu atenção, reagiu como se não tivesse o câncer. Resultado: o câncer foi curado.

A teoria do pensamento positivo usa princípios da ciência para lhe dar autoridade. Contudo, mudam a conceituação científica. Observe a palavra energia. Para a física, energia é a capacidade de um corpo executar um trabalho ou realizar um movimento. Em se tratando de autoajuda, é uma força que anima todas as coisas. Outro exemplo: o magnetismo. Para a física, é capacidade de alguns materiais se atraírem ou se repelirem. Para a autoajuda, a mente atua como um ímã, sendo capaz de atrair objetos e acontecimentos que estiverem na mesma sintonia.

A física e a neurociência veem o assunto com desconfiança. Para esses cientistas, a influência do pensamento como energia, como uma espécie de campo que age a distância, ainda não foi comprovada cientificamente: há necessidade de muitos anos de observações e testes, para se chegar a uma conclusão. Concordam, contudo, com o estado de ânimo que pode influenciar o nosso organismo de muitas maneiras. Dizem: os hormônios associados ao estresse têm grande influência na consolidação da memória. Por mais que se pense positivamente, os níveis de colesterol no sangue não irão se modificar. Há necessidade de dietas e exercícios.

Será que o pensamento positivo é bom e o pensamento negativo é mau? Depende das circunstâncias. O pensamento positivo será bom quando, em vez de pensarmos na desgraça, pensamos no bom êxito. Isso ajudaria o nosso estado de ânimo, o nosso relacionamento. O pensamento negativo, por exemplo, é sumamente bom para a filosofia, pois exige um pensar robusto. Em profissões que envolvem previsão de riscos, a desconfiança com relação ao acontecimento futuro é sumamente benéfica. Exemplo: operadores da Bolsa de Valores.

Não só Ronda Byrne, como também outros escritores de autoajuda, ficaram ricos com a venda de seus livros. Para eles, o poder do pensamento positivo funcionou. E para nós outros que compramos as suas obras? Teremos o mesmo desfecho?

Fonte de Consulta

ABRIL. Super Interessante. São Paulo: Abril, agosto de 2007, edição 242, p. 55 a 63.

01 julho 2008

Mente Criadora

O poder do pensamento criador acaba, com o tempo, sendo corroído pelo hábito. Muitas pessoas de idade perdem o ímpeto de tentar o desconhecido, de se arriscar em novos empreendimentos, de enfrentar a complexidade da vida. Condicionam-se sem o saber. Levantam-se sempre num determinado horário, tomam o seu café meia hora depois e leem o jornal durante 15 minutos. Depois disso, arrumam-se e vão para as suas atividades habituais. Repetem o processo no dia seguinte, e assim sucessivamente. O improviso não faz parte de suas agendas diárias.

O hábito cria em nós a "fixação funcional", a "rigidez na solução do problema" e a "mecanização da vida". Essas atitudes comportamentais ficam de tal maneira impregnadas em nosso subconsciente que, somente a muito custo e pela aplicação incessante da vontade, é que conseguimos algum progresso em sua ruptura. Alguns espiritualistas emprestam a essas atitudes o termo "cascões mentais"; acrescentam, ainda, que esses cascões mentais são sumamente prejudiciais à educação das crianças, porque estas, em tenra idade, são obrigadas a aceitar ordens pouco racionais dos adultos, baseadas mais no preconceito do que no bom senso.

Para obter bom êxito no des-condicionamento, Osborn sugere a aplicação do brainstorm (tempestade de cérebros), método criado por ele, em que há uma separação entre o pensamento crítico e o pensamento ideador. Um dos princípios relevantes deste método é o de permitir que todos os participantes de uma reunião possam falar livremente sobre um determinado tema, sem que haja reproche por parte de qualquer outro membro do grupo. Com isso, acha ele, liberamos o espírito criador que existe dentro de cada um de nós.

desânimo próprio não deixa de ser um fator limitativo da criatividade. Ao elaborarmos ideias que não são de toda a gente, quase sempre sofremos as investidas adversas, que procuram esfriar o nosso entusiasmo. Suponha que apresentemos um projeto arrojado para um determinado grupo de pessoas, e ele seja vetado. Qual é a nossa reação? Ficamos desanimados. Mas o que é pior? Parecermos absurdos a nós mesmos ou aos outros? Todos temos uma luz interior. É melhor segui-la do que nos desviarmos para os caminhos que não deveríamos percorrer.

timidez também é um entrave ao pensamento criador. A timidez pode ser entendida como uma espécie de orgulho que nos faz ficar escondido quando, com muita boa razão, deveríamos estar em público. Voltamo-nos para a nossa limitação, achando que os outros sabem mais do que nós e que não é preciso nos expressar. Essa postura, porém, cria em nós um círculo vicioso, porque coibindo um pensamento, um ato, os outros pensamentos e atos que daí pudessem advir ficam parados, de modo que em pouco tempo vemos o total embotamento de nossa inteligência.

Liberemos o nosso poder criador. Ele nos foi oferecido por Deus não somente para o nosso proveito pessoal, mas também para servir de estímulo a toda a humanidade.

 

A Filosofia e seu Ensino

Filosofia e seu ensino é o título de um livro que reúne os trabalhos de cinco renomados pensadores de filosofia no Brasil. São eles: Paulo Eduardo Arantes, Franklin Leopoldo e Silva, Celso Fernando Favaretto, Ricardo Nascimento Fabbrini e Salma Tannus Muchail. As palestras foram proferidas durante a "Semana de Filosofia", promovida pelo Departamento de Filosofia da PUC-SP, realizada entre 24 e 27 de setembro de 1991, cujo tema central foi o mesmo que enfeixa o livro.

Franklin Leopoldo e Silva, do Departamento de Filosofia da USP, falou sobre a "Função Social do Filósofo". Em sua análise, perpassa toda a história da filosofia, salientando as contribuições de Platão, Descartes, Pascal e outros. No Mito da Caverna de Platão, elabora sobre a volta para a caverna daquele que obteve a luz do conhecimento. Em Descartes, enaltece o racionalismo que propiciou todo desenvolvimento técnico-científico posterior. Em Pascal, discorre sobre a transcendência de Deus e a forma religiosa de impor um comportamento ao ser humano.

Paulo Eduardo Arantes, com o tema "Cruz Costa, Bento Prado Jr. e o Problema da Filosofia no Brasil — uma Digressão", trata da cultura importada. Parte da frase "No Brasil, a falta de assunto em filosofia é quase uma fatalidade" para nos mostrar que somos dependentes do exterior em matéria de pensamento filosófico. A sua palestra teve como objetivo principal fazer uma crítica à inflação de obras literárias em contraste com as minguadas em filosofia. Para ele, os filósofos brasileiros deveriam deixar de ser tímidos, pois esta postura impede a produção de obras de grande alcance para cultura filosófica brasileira.

Salma Tannus Muchail, do Departamento de Filosofia – PUC-SP, com o tema "Ler, Escrever, Pensar (Notas sobre o ensino da filosofia)" trata da organização dos cursos de graduação em Filosofia e as dificuldades de consenso entre posturas muitas vezes controversas. Tendo como ponto de referência a USP, a UNICAMP, a PUC-SP e a UFRJ, destaca os vários pontos concernentes a essa dificuldade inicial. Lembra-nos do princípio da flexibilidade e da diversidade, dos objetivos da formação de professores para o 2.º grau, do adestramento para as pesquisas e o do quadro curricular mínimo.

Celso F. Favaretto, da Faculdade da Educação  USP, com o tema "Notas sobre o Ensino de Filosofia" e Ricardo N. Fabbrini, do Departamento de Filosofia  PUC-SP, com o tema "Ensino de Filosofia no 2.º Grau: uma "Língua de Segurança"", destacam a dinâmica no ensino de filosofia, em que a desconstrução e reconstrução do saber assumem papel relevante, pois em Filosofia não há progresso, no sentido linear e ascendente do termo, mas um revisitar e problematizar constantemente os temas escolhidos

Exercitemos o pensamento filosófico, pois é dele que recebemos a força necessária para a edificação de uma atitude mais aberta e mais de acordo com a realidade que nos circunscreve.

Fonte de Consulta

ARANTES, P. (et all). Filosofia e seu Ensino. 2. ed., Petrópolis, RJ; São Paulo: EDUC, 1995. (Série eventos)

 

27 junho 2008

Análise Filosófica

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é exercitar o pensamento, no sentido torná-lo mais racional e lógico. Para tanto, vamos tratar da análise filosófica, da análise dos conceitos e dos exercícios filosóficos.

2. CONCEITO

Analisar é decompor e discernir as diferentes partes de um todo, mas também reconhecer as diferentes relações que elas mantêm, quer entre si, quer com o todo. Pode-se dizer que é a quebra de um todo em seus componentes e suas mútuas relações.

Análise Conceitual distingue sem desmantelar. Refere-se às ideias. 

Análise empírica consiste em separar os componentes de um todo concreto.

Ação Livre

Um dos maiores problemas enfrentados pelo ser humano e também pela filosofia é a questão da liberdade e sua relação com a responsabilidade. Pergunta-se: O que se entende por uma ação livre? Todos os nossos atos são livres ou apenas alguns? No que se fundamenta uma ação livre? Elaboremos alguns raciocínios sobre este assunto.

À pergunta, que é uma ação livre, responderíamos, de imediato, que uma ação é livre quando nada se lhe oferece obstáculo. Esta, porém, não é uma resposta convincente. De acordo com os escritos enciclopédicos, uma ação, para ser dita livre, é a ação pela qual o agente pode responder. Ser livre é poder agir no mundo numa determinada situação, o que implica a existência do sujeito agente em relação com o objeto agido.

Assim pensando, quando uma pessoa prejudica a outra, sem intenção de o fazer, ela não se sente responsável. Quando o faz intencionalmente, ela age de livre e espontânea vontade, devendo responder por isso. No mesmo móvel encontra-se a desculpa, que é uma forma indireta de ação livre, porque o sujeito que se desculpa é porque se reconhece responsável por aquilo que fez.

As três dimensões do tempo, passado, presente e futuro, equivalem, respectivamente na consciência, à memória, à percepção e à preocupação. Porque é livre, e não determinado, o ser humano se acha compelido a projetar a sua vida. Esta projeção diz respeito ao futuro, que é aonde o projeto de sua vida irá se realizar. Nesse sentido, vivemos a nossa vida antecipadamente em forma de projeto e somente depois é que ela se concretiza efetivamente como realização do projeto.

Um homem é tanto mais livre quanto mais responsável for. A liberdade é tanto maior quanto mais império da lei e da justiça houver. De acordo com São Tomás de Aquino "a raiz última da liberdade é a razão". Assim como o pensamento se realiza e se manifesta na palavra, a liberdade manifesta-se e realiza-se na ação. Dentro desse quadro de análise, não é possível, por exemplo, instaurar a liberdade implantando a tirania, promover a paz desencadeando a guerra.

Vimos que a liberdade tem íntima relação com a responsabilidade. Esforcemo-nos, assim, por descobrir verdades, porque quanto mais verdades descobrirmos mais livres seremos. Consequentemente, mais responsáveis.

Fonte de Consulta

POLIS - ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.
CORBISIER, R. Enciclopédia Filosófica. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1987.

18 junho 2008

Ideologia

O termo ideologia foi criado por Destut de Tracy, em seu livro Ideólogie, de 1801, para designar “A análise das sensações e das ideias”, segundo o modelo de Condillac. Floresceu na primeira metade do século XIX e marca a transição do empirismo iluminista para o espiritualismo tradicionalista. O sentido depreciativo surgiu em virtude das hostilidades entre alguns ideologistas franceses e Napoleão. Este os identificou como “sectários” ou “dogmáticos”, pessoas carecedoras de senso político e, em geral, sem contato com a realidade.

A partir de fins de 1800, começa a surgir o significado moderno da ideologia. Quer se mostrar que uma análise filosófica é destituída de validade objetiva, mas mantida pelos interesses de quem as professa. Pareto, por exemplo, afirma que a ideologia corresponde à noção de teoria não-científica, entendendo-a como qualquer teoria que não fosse lógico-experimental. Acha ele que uma teoria científica não tem o objetivo de persuadir, mas de ser objetiva, ou seja, de retratar o que a coisa é e não o que deve ser.

persuasão, a utopia e a lógica se entrelaçam na distinção entre ciência e ideologia. A persuasão visa ganhar adeptos para uma dada causa, quer seja justa ou não. A utopia procura vislumbrar um cenário futuro, destituído de cunho científico. A lógica fornece as leis ideais do bem pensar. A ciência pertence ao campo da observação e do raciocínio; a ideologia ao campo do sentimento e da fé. Desta forma, torna-se impossível conciliar a verdade com a persuasão.

Em geral, a ideologia é toda crença usada para controle dos comportamentos coletivos. A crença aqui é usada como sinônimo de compromisso de conduta, que pode ter ou não validade objetiva. O que transforma uma crença em ideologia não é a sua validade ou falta de validade, mas unicamente sua capacidade de controlar comportamentos em determinadas situações. Para tanto, as repetições de estímulos através dos slogans, como acontece nas campanhas políticas, pode ser muito utilizado pelos ideólogos.

Em meados do século XIX, a ideologia passou a ser fundamental no marxismo, sendo um dos postulados básicos na sua teoria sobre a luta de classes. Em a Sagrada Família (1845) e a Miséria da Filosofia (1847), Marx afirma que as crenças religiosas, filosóficas, políticas e morais dependiam das relações dos meios de produção, principalmente do fator trabalho. Esta é a tese central encontrada no materialismo histórico, desenvolvido por Marx e Engels no livro O Capital, cujo primeiro volume surgiu em 1867.

Presentemente, por ideologia entende-se o conjunto dessas crenças, sempre no sentido depreciativo e não mais como “a análise das sensações e das ideias”.

Fonte de Consulta

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.