10 agosto 2016

Antroposofia

Antroposofia. Corpo da doutrina espiritualista estabelecido pelo austríaco Rudolfo Steiner (1861-1925). Steiner foi filósofo, educador, artista e esoterista. Ex-secretário da seção teosófica alemã, repensou, a partir de 1913, o sistema esotérico de Miss Blavatsky e Annie Besant.

Rudolf Lanz, em Noções Básicas de Antroposofia, diz que a antroposofia é ciência, mas uma ciência que ultrapassa os limites com os quais até agora esbarrou a ciência “comum”. Usa o método científico, ou seja, observa, descreve e interpreta os fatos, mas acrescenta o supra-sensível.

Algumas observações a respeito de sua doutrina.

Finalidade. Tinha em mente libertar gradativamente o ser humano da “personalidade contingente” e torná-lo capaz de fruir da clarividência e de outras experiências interiores.

Ponto de partida. Segundo Steiner, a humanidade primitiva estabelecia contato direto com mundos espirituais por visão imediata supra-sensível. Ao longo do tempo, porém, deixou atrofiar esse dom, adquirindo a capacidade lógica.

Problema prático. Recuperar esses valores espirituais perdidos, indicando os caminhos a seguir, os exercícios a realizar e a técnica necessária para atingir o objetivo.

Ascética católica. Simultaneamente à ascética católica, recorre a práticas de inspiração oriental e budista, como a de concentrar o pensamento num determinado ponto, o qual desperta insuspeitas energias.

Funcionamento do  sistema. Para Steiner, o Cosmos, cujo “espírito central é Cristo, é regido por leis "divinas", por "necessidades eternas" e pelo jugo do Karma. A evolução do espírito se dá através de várias existências.

O ser humano. No homem, distingue o corpo físico, o etéreo ou vital, o astral, o "eu espiritual", o "eu vital" e o homem-espírito. O "eu inferior", fundamento da sua existência atual, não é mais do que uma forma do "eu superior", não passando o "eu pessoal" de mera ilusão.

Momento da morte. Durante o sono, o eu e o corpo astral abandonam o corpo físico, deixando dentro deste apenas o corpo etérico; em consequência disso, o corpo físico permanece vivo. No momento da morte, o eu, o corpo astral e o corpo etérico separam-se do envoltório físico. O corpo torna-se cadáver.

Crítica à antroposofia. Diz-se que, apesar de se professar espiritualista, os fenômenos não vão além de experiências sensíveis. Na sua teodiceia, por exemplo, a natureza da divindade não transcende a das realidades contingentes, que dela emanam e a ela tornam. 

Fonte de Consulta

ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.] 

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]. 

LANZ, Rudolf. Noções Básicas de Antroposofia. 4. ed., São Paulo: Antroposófica, 1997. 



13 maio 2016

Albert Einstein

Albert Einstein (1879-1955) é considerado o maior cientista do século XX. Nele se consolidou a teoria da relatividade. 

Na Física, a teoria da relatividade foi proposta por Albert Einstein e teve como incumbência a ampliação dos conceitos de tempo, espaço e movimento, revolucionando a física clássica. Sinteticamente: de Galileu a Newton, a física clássica considerava o movimento como relação determinada por sua referência a parâmetros julgados absolutos, o espaço e o tempo. Para Einstein, ao contrário, o espaço e o tempo se concebem em função do movimento, que se torna, assim, o absoluto.

As consequências da teoria da relatividade podem ser resumidas: a) em termos de espaço-tempo, alteração radical das noções de distância e duração; b) quanto à concepção da matéria, a física declara que esta constitui uma cadeia de entidades, sujeitas a uma determinada duração de modo algum absoluta; c) quanto à generalização da teoria, a força de gravidade, que unifica todo o sistema newtoniano, fica reduzida a um movimento particular de um corpo num espaço determinado por massas de matéria.

A importância de Einstein no campo da filosofia. Em seu livro Como Vejo o Mundo, Einstein inaugura uma espécie de metafísica do cientista. Achava que os sentidos constituem a fonte do conhecimento. Contudo, "as noções presentes em nosso pensamento e em nossas expressões da linguagem são todas, do ponto de vista lógico, criações livres do pensamento e não podem ser obtidas das experiências sensíveis por via indutiva". 

Algumas notas extraídas do livro Como Vejo o Mundo:

Recusava-se a crer na liberdade. Não se achava livre, mas constrangido por pressões estranhas a ele mesmo, outras vezes por convicções íntimas. Para tanto, gostava de citar Schopenhauer: "O homem pode, é certo, fazer o que quer, mas não pode querer o que quer".

Em se tratando do sentido da vida. Aquele que considera sua vida e a dos outros sem qualquer sentido é fundamentalmente infeliz, pois não tem motivo algum para viver. 

O julgamento do ser humano. Einstein determinava o autêntico valor de um homem com uma única pergunta: em que grau e com que finalidade o homem se liberta de seu Eu? 

Acerca das crenças de Einstein. Acha que construir o pensamento somente pela reflexão pode nos levar à ilusão e ao preconceito. A experimentação também nos fornece informações filosóficas muito importantes. 

Opinando sobre o judaísmo e o cristianismo. Se se separa o judaísmo dos profetas, e o cristianismo tal como foi ensinado por Jesus Cristo de todos os acréscimos posteriores, em particular aqueles dos padres, subsiste uma doutrina capaz de curar a humanidade de todas as moléstias sociais.

Alguns pensamentos de Einstein. "Aprendo a tolerar aquilo que me faz sofrer". "A violência fascina os seres moralmente mais fracos". "Estou em Princeton apenas para a pesquisa científica e não para a pedagogia". "Recuso-me a permanecer em um país onde a liberdade política, a tolerância e a igualdade não são garantidas pela lei". "O espírito científico, fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica". "Há muitas cátedras, mas poucos professores prudentes". "Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se tornará assim uma máquina utilizável, mas não uma personalidade". 

Fonte de Consulta

EINSTEIN, Albert. Como Vejo o Mundo.

TEMÁTICA BARSA - FILOSOFIA.

06 abril 2016

O Iluminismo

O iluminismo tem origem na Inglaterra, por volta de 1688, e se expande para França, Alemanha e demais países europeus. É um período histórico (1688-1789) que aspira à emancipação do ser humano por intermédio das luzes da razão. Até então o indivíduo vivia sob as forças da irracionalidade. A razão torna-se a nova divindade e, segundo o enciclopedista D'Alembert, teve a incumbência de destruir, analisar e mexer em tudo. 

No iluminismo francês, Voltaire e Montesquieu são os seus principais representantes. O que há em comum entre eles? Confiança na razão e repúdio à religião. Voltaire fundamenta-se nos ideais da tolerância religiosa e da liberdade política, tais como se verificavam na monarquia inglesa. Montesquieu desenvolve o seu pensamento político segundo o constitucionalismo inglês. É dele a famosa divisão dos poderes: o poder legislativo, o poder executivo e o poder judiciário devem ser independentes uns dos outros, mas equilibrados entre si. 

No iluminismo francês, podemos distinguir duas posições: 1) Voltaire e Montesquieu; 2) Diderot e os enciclopedistas. A primeira geração é deísta e defende a religião natural; a segunda, considera que a matéria e o movimento são eternos. Jean-Jacques Rousseau é o expoente mais radical do iluminismo francês. Ele acredita na bondade natural do ser humano, que foi pervertida pela sociedade. No Contrato Social, escreve: "O homem nasce livre e por toda parte se encontra acorrentado."

No iluminismo alemão, Immanuel Kant (1724-1804) é o seu representante máximo. Dizia: "O iluminismo é a saída do homem do estado de minoridade devido a eles mesmos. Minoridade é a incapacidade de utilizar o próprio intelecto sem a orientação de outro. 'Sapere aude!' Tem coragem de usar o teu intelecto" é o lema do iluminismo. Em Fundamentação da metafísica dos costumes, afirma: "Aja somente de acordo com um princípio que desejaria que fosse ao mesmo tempo uma lei universal."

As ideias científicas do iluminismo culminam com o nascimento da química racional e o aparecimento da economia científica. O impulso dado à revolução industrial provocará profundas transformações das sociedades ocidentais. A revolução científica, iniciada no Renascimento, foi uma revolução do saber; a revolução industrial, iniciada no século XVIII, foi uma revolução da energia. Em termos econômicos, Adam Smith (1723-1790) escreveu Uma investigação sobre a natureza e causas da riqueza das nações (1776). Nessa obra, considerou que o interesse pessoal, motor básico da economia, conciliava-se harmonicamente com os interesses coletivos em virtude da oferta e da procura do mercado.

Fonte de Consulta

Temática Barsa - Filosofia. Rio de Janeiro: Barsa Planeta, 2005.


09 março 2016

O Empirismo e seus Representantes

Para o empirismo, todo conhecimento é baseado na experiência que provém dos sentidos.  É uma corrente filosófica para o qual a experiência é critério ou norma de verdade. Em geral, essa corrente caracteriza-se: 1) negação do caráter absoluto da verdade; 2) reconhecimento de que toda verdade pode e deve ser posta à prova, no sentido de corrigi-la ou abandoná-la. Nesse caso, o empirismo não se opõe à razão, a não ser a cega. (Abbagnano, 1970)

John Locke (1632-1704) foi quem formulou os fundamentos dessa filosofia. Ele dizia que "[...] nosso conhecimento nunca pode ir mais longe do que nossas ideias". Para Locke, “A mente limita-se a reelaborar sob forma de abstração crescente dados e observações que recebe do exterior, segundo a fórmula empirista nada existe no intelecto que não tenha antes passado pela percepção”. Resumo do seu pensamento: Os racionalistas acreditam que nascemos com algumas ideias e conceitos: os que são "inatos". ==> Mas isso não é confirmado pelo fato... ==> ... de que não há verdades encontradas em todos nós no nascimento. ==> ... de que não há ideias universais encontradas em pessoas de todas as culturas, em todos os tempos. ==> Tudo o que sabemos é adquirido a partir da experiência.

George Berkeley (1685-1753) é considerado idealista e se baseia numa filosofia imaterialista. Para ele, o conhecimento empírico não assegura que fora de nossas percepções exista uma realidade material. "Os objetos existem na medida em que os percebemos, mas não possuem qualidades independentes dessa percepção". Resumo do seu pensamentoTodo conhecimento vem da percepção. ==> O que percebemos são ideias, não coisas em si. ==> Uma coisa em si deve estar fora da experiência. ==> Então o mundo consiste apenas em ideias... ==> ... e mentes que percebem essas ideias. ==> Uma coisa só existe na medida em que ela percebe ou é percebida.

David Hume (1711-1776) vai mais longe em sua radicalização do empirismo e aproxima-se do ceticismo, pois critica os objetivos das relações de causa e efeito. "Essas relações derivam do costume e o conhecimento empírico não pode garantir no fundo a existência do mundo exterior, embora estejamos obrigados a acreditar nele". Resumo de seu pensamento: Vejo o sol nascer toda manhã. ==> Adquiro o hábito de esperar o sol nascer toda manhã. ==> Aprimoro isso no julgamento "o sol nasce toda manhã". ==> Esse julgamento não pode ser uma verdade de lógica, pois é concebível que o sol não nasça (ainda que altamente improvável). ==> O julgamento não pode ser empírico porque não posso observar o nascer futuro do sol. ==> Não tenho fundamento racional para minha crença, mas o hábito me diz que ela é provável.==> O hábito é o grande guia da vida.

Thomas Hobbes (1588-1679) defende que a origem do conhecimento está na experiência. Sua teoria sobre a origem do estado baseia-se no contrato social e não no direito divino. Seu pensamento não é apenas político; tem também uma vertente lógica e gnosiológica que dá sustentação à ciência moderna. A filosofia política de Hobbes tornou-se famosa pela sua obra Leviatã, ou a matéria, a forma e o poder de um estado eclesiástico e civil (1651). Enquanto na Bíblia, o Leviatã é um monstro que convém não despertar, na obra de Hobbes, o Leviatã é o estado, o "deus mortal" que evita a guerra civil. Resumo de seu pensamento: Nada sem substância pode existir. ==> Então tudo no universo é físico. ==> Um ser humano é, portanto, inteiramente físico. ==> O homem é uma máquina.

Bibliografia Consultada

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

Temática Barsa - Filosofia. Rio de Janeiro: Barsa Planeta, 2005.

VÁRIOS COLABORADORES. O Livro da Filosofia. Tradução de Rosemarie Ziegelmaier. São Paulo: Globo, 2011.


O Racionalismo

Racionalismo. Doutrina que privilegia a razão como fundamento de todo conhecimento possível. Segundo Hegel: "Aquilo que é racional é real, e o que é real é racional". Contrário ao empirismo, que valoriza a experiência, e ao fideísmo, que valoriza a revelação religiosa. Filosoficamente, pode ser uma visão de mundo quando afirma o acordo entre o racional e a realidade do universo quanto uma ética que afirma que as ações dos seres humanos são racionais em seu princípio, em sua conduta e em sua finalidade.

O racionalismo começa com Descartes (1596-1650). Será desenvolvido mais tarde por Spinoza e Leibniz. Descartes ficou famoso pelo "penso, logo, existo", conclusão sintética da aplicação do seu método, denominado dúvida hiperbólica. Primeiramente, nega qualquer conhecimento anterior (tradição). Depois, fazendo uso de sua razão, busca alguma coisa fora da tradição, qualquer coisa que resista a todas as dúvidas. Quer assentar o seu método numa verdade contra a qual nenhuma dúvida, a mínima que seja, possa pairar.

Baruch Spinoza (1632-1677) dá prosseguimento ao racionalismo. Partindo do dualismo da mente e da matéria concebido por Descartes, formula o seu panteísmo pelo qual se postula uma única ordem racional, uma identificação entre o ser de Deus e o ser do mundo. Resumo do seu pensamento: Há apenas uma única substância. ==> Tudo que existe é constituído dessa substância única. ==> Essa substância é "Deus" ou "natureza". ==> Ela fornece tudo em nosso Universo com seu... ==> ... processo de formação. ==> ... seu propósito. ==> ... sua forma. ==> ... e sua matéria. ==> Desses quatro modos, Deus é a "causa" de tudo.

Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) é outro representante do racionalismo. Em carta a Samuel Clark, ele diz: "Nada acontece sem que haja uma razão suficiente para ser assim e não de outro modo". É dele a teoria da mônadas, substâncias sem extensão. De acordo com o seu pensamento, "não há dualismo da mente e da matéria, mas antes uma escala (quase evolutiva) entre os seres da natureza, coroada por Deus, mônada das mônadas, no padrão de uma harmonia preestabelecida". Resumo do seu pensamentoToda coisa no mundo tem uma noção distinta. ==> Essa noção contém toda verdade sobre essa coisa, incluindo sua conexão com outras coisas. ==> Podemos analisar essas conexões por meio da reflexão racional. ==> Quando a análise é finita, podemos alcançar a verdade final. ==> Essas são as verdades da razão. ==> Quando a análise é infinita, não podemos alcançar a verdade final pela razão, somente pela experiência. ==> Essas são as de fato.

Blaise Pascal (1623-1662) é também arrolado dentro do racionalismo. No entanto, ele diz: "O coração tem razões que a razão desconhece". Pascal contesta a tese de que a razão filosófica possa alcançar uma certeza total. Segundo seu ponto de vista, "Há dois excessos: excluir a razão, não admitir mais do que razão". Resumo do seu pensamentoA imaginação é uma força poderosa no ser humano. ==> Ela pode ultrapassar nossa razão. ==> Mas pode levar a verdades ou falsidades. ==> Podemos ver beleza, justiça ou felicidade onde elas não existem realmente. ==> A imaginação nos desvia do caminho.

A razão deve sempre ser ativada, pois sem ela seríamos marionetes nas mãos dos outros. Convém, contudo, colocá-la dentro dos seus estritos limites, para não cairmos nos desmandos da inteligência.  

Fonte de Consulta

Temática Barsa - Filosofia. Rio de Janeiro: Barsa Planeta, 2005.

VÁRIOS COLABORADORES. O Livro da Filosofia. Tradução de Rosemarie Ziegelmaier. São Paulo: Globo, 2011.

02 março 2016

O Renascimento

O Renascimento é o período da história que vem depois da Idade Média. É uma tentativa de voltar aos clássicos da Antiguidade, ou seja, a Sócrates, Platão, Aristóteles e outros. O humanismo, um dos fenômenos mais importantes desse novo pensamento, significa uma rebelião contra a escolástica e a tudo o que era ensinado nas universidades da época. Esse movimento intelectual visou essencialmente à reforma da teologia e da religião cristã. Quanto ao ser humano, desprezaram o sobrenatural e deram ênfase ao natural.

A vinda do Renascimento recobrou a filosofia platônica, mas de um Platão reinterpretado de modo diferente daquele que era feito pela tradição agostiniana e neoplatônica da Idade Média. Os pensadores dessa época querem conciliar a filosofia platônica e o cristianismo, mas essa conciliação se torna ambígua, pois o cristianismo depende de uma revelação, em que o homem é um ser corrompido que necessita de redenção da graça para se libertar de sua natureza abjeta. Como fazê-lo somente pela razão? Além disso, "os platônicos do Renascimento exaltam também a natureza como uma fonte de conhecimento autêntico de Deus. Esse anseio contemplativo, no entanto, está mais próximo do misticismo teosófico do que da filosofia natural ou da ciência da natureza que se desenvolverá posteriormente".

Erasmo de Rotterdam (1460-1536), o humanista de maior prestígio em toda a Europa, diante dos grandes descobrimento geográficos e os notáveis avanços técnico-científicos, exprime, em 1517, o seguinte pensamento: "vejo uma idade de ouro no futuro próximo". Quer dizer, os referidos avanços promoveriam os ideais de tolerância e concórdia entre todos os seres humanos autônomos. Este sonho não se torna real, pois o que se vê são as frequentes guerras entre os adeptos da várias religiões.

Franscesco Petrarca (1304-1374), considerado o pai do "iluminismo", que proclama o conhecimento rigoroso como um ideal, Thomas More (1478-1535), que pede uma volta à cristandade, Erasmo de Rotterdam (1469-1536), com o seu sonho da idade de ouro, Martinho Lutero (1483-1546), João Calvino (1509-1564) e Ulrich Zwingli (1484-1531), que separam definitivamente os âmbitos da razão e da fé e Montaigne (1533-1592), com o seu "que sais-je?" ("o que é que eu sei?") são alguns dos representantes do período renascentista.

O humanismo, que considera o homem um ser autônomo, faz uma crítica ao duplo poder temporal e espiritual do papado. Quem melhor compreende e teoriza esse estado de coisas é Maquiavel que, no seu livro O Príncipe, descreve as várias atuações dos governantes. Daí, o termo pejorativo "maquiavélico", aquele que está sempre disposto a levar vantagem em tudo o que faz, não importando por quais meios. Resumindo: O sucesso de um Estado ou de uma nação é o fim supremo. ==> Quem quer que governe o Estado ou nação deve lutar para assegurar ==> sua própria glória ==> e o sucesso do Estado. ==> A fim de realizar isso, ele não pode ser limitado pela moralidade. ==> Os fins justificam os meios.

O Renascimento foi, nada mais nada menos, do que o desabrochar de uma cultura que estava incubada, a cultura greco-romana.

Fonte de Consulta

Temática Barsa - Filosofia. Rio de Janeiro: Barsa Planeta, 2005.


28 fevereiro 2016

Filosofia Clássica e o Helenismo


"A vida sem reflexão não vale a pena ser vivida."
Citado por Platão, em Apologia a Sócrates

No século V a.C., a democracia triunfou na Grécia e trouxe como consequência uma maior participação das pessoas na pólis. Surge, então, os sofistas (Protágoras, Górgias, Hípias...) um conjunto de pensadores que tinham em comum o fato de serem os primeiros educadores profissionais, pois cobravam por suas aulas. Ensinavam fundamentalmente retórica e humanismo, como moral e politica. No princípio, sofista significava "sábio" (sophos); depois, pejorativamente, ganhou o sentido de hábil enganador. 

Quando falamos em filosofia clássica grega, lembramo-nos imediatamente de Sócrates, Platão e Aristóteles. Cabe destacar que as suas teses, em grande parte, tinham por objetivo demonstrar o erro dos sofistas, que eram considerados perigosos. Sócrates ficou famoso pelo "conhece-te a ti mesmo"; Platão, pela "Teoria das Ideias"; Aristóteles, pela "elaboração da lógica". Para Sócrates, por exemplo, a Filosofia era uma missão sagrada, que deve ser cumprida com risco da própria vida. Com essa atitude, opunha-se aos sofistas, para quem a educação era puramente uma arte, uma função utilitária.

Quando falamos da filosofia clássica grega, reportamo-nos a Platão e Aristóteles. Na época helenística, quando Alexandre o Grande  chega ao Poder (336 a.C.), outras escolas filosóficas surgiram: o epicurismo, o estoicismo e o ceticismo. O que essas escolas tinham em comum? Um sistema ético centrado no individualismo. Consequência: busca-se a felicidade a todo custo. "O indivíduo perde sua capacidade de intervenção na vida política e se retrai a uma esfera privada, na qual aspira apenas a cultivar a si mesmo".

Como dissemos anteriormente, os sofistas surgiram na Atenas do século V a.C., cuja filosofia cética enfatiza o espírito trágico, o qual é fundamentado na experiência universal dos seres humanos, isto é, na morte, na dor e no sofrimento. Observe a experiência da culpa: diante de qualquer conflito, a situação é ambígua. Isto é exemplificado nos personagens das tragédias: são culpados e inocentes ao mesmo tempo; agiram mal, mas provavelmente não teriam como agir diferente.

A ciência grega surgiu a partir de 600 a.C., mas inseparável do pensamento filosófico. Os gregos distinguiam dois tipos de saber: conhecimento puro e conhecimento que leva à transformação da natureza, próprio da ciência aplicada. O mais importante é o conhecimento puro; o fazer é secundário. Essa distinção explica a ausência do termo "científico" no mundo grego. Embora tivesse o termo episteme para se referir à ciência, este se referia ao conhecimento acima de qualquer dúvida, totalizante, que se adquire na filosofia.

Como vemos, os sofistas tiveram um papel relevante na história da filosofia, pois a todo momento estavam criando problemas para serem pensados.  

Fonte de Consulta

TEMÁTICA BARSA (Filosofia). Rio de Janeiro: Barsa Planeta, 2005. 

25 fevereiro 2016

O Advento do Cristianismo

"Dai-me castidade e continência, mas não agora."
Confissões

O pensamento grego e o cristianismo são fundamentais na formação da civilização ocidental. Sem o cristianismo, não teríamos condições de compreender os aspectos relevantes da cultura europeia. A relação do cristianismo com a cultura grega inclui uma oposição, ou seja, a verdade revelada perante a verdade racional, e um esforço de sintetizar razão e fé, que são duas opostas de se propor a compreensão do mundo.

A cultura grega é uma cultura politeísta, adora muitos deuses; a cultura cristã é monoteísta, adora um único Deus. A imagem de Deus no cristianismo é a de um único Deus, criador do mundo, onipotente, infinitamente bom e justo, transcendente (está fora do mundo). Por ser infinitamente superior, a divindade forma uma realidade totalmente distinta da criatura, que lhe é inferior. Os antropomórficos deuses gregos não estão fora do mundo, nem encarnam o absoluto e o infinito. 

Desde o começo da era cristão, o pensamento filosófico tenta solucionar o problema do Bem e do Mal, cuja unidade grega entre o cosmos e Deus se rompeu, e que se polariza na antítese Deus e Mundo. O Mal se identifica com a matéria do mundo provém da experiência da dor, da doença e da morte. A gnose, daí gnosticismo, é o tipo de conhecimento que pode levar à compreensão da união desses dois extremos separados pela matéria. 

Um dos fatos marcantes ocorridos no inicio da história do pensamento ocidental é o uso que o cristianismo faz da filosofia grega. O resultado é o aparecimento da patrística, ou seja, o esforço dos padres da igreja para elaborar uma doutrina que estabelecesse a continuidade com o mundo antigo pela via da razão e com o mundo cristão pela via da revelação. 

O grande representante da patrística é, sem dúvida, santo Agostinho (354-430) que, em Confissões, diz: "Dai-me castidade e continência, mas não agora". Para ele, como as verdades não podem nascer na alma, que é mutável, só podem se explicar por iluminação divina. Como saberíamos, não fosse a iluminação divina, o que é justo e o que é injusto? Se o sabemos é porque daquela verdade se "copia" toda lei justa. As duas principais obras deixadas por santo Agostinho são: Confissões e Cidade de Deus.

Deixou formulado indicando o caminho para a sua solução – o problema das relações entre a Razão e Fé, que será o problema fundamental da escolástica medieval. Ao mesmo tempo demonstra claramente sua vocação filosófica na medida em que, ao lado da fé na revelação, deseja ardentemente penetrar e compreender com a razão o conteúdo da mesma. Entretanto, defronta-se com um primeiro obstáculo no caminho da verdade: a dúvida cética, largamente explorada pelos acadêmicos. Como a superação dessa dúvida é condição fundamental para o estabelecimento de bases sólidas para o conhecimento racional, Santo Agostinho, antecipando o cogito cartesiano, apelará para as evidências primeiras do sujeito que existe, vive, pensa e duvida.


Bibliografia Consultada

TEMÁTICA BARSA - Filosofia. Rio de Janeiro: Barsa Planeta, 2005. 



24 fevereiro 2016

Filosofia Medieval

"[...] para o conhecimento de absolutamente qualquer verdade o homem precisa de ajuda divina."
Suma teológica

A Idade Média começa no século V (dissolução do Império Romano) e termina no século XV (Renascimento). É considerado um período obscuro da história ocidental em que o pensamento se fixou num primitivismo sem conta, com a Igreja mantendo uma grande autoridade, tanto em política como na própria filosofia.

As discussões em torno da razão e fé predominaram por todo esse período. Em se tratando de filosofia, há uma grande oposição em relação à fé, pois enquanto a fé é objeto da revelação, a razão é objeto dos raciocínios argumentativos. A filosofia é considerada ancilla theologiae, serva da teologia, e os medievais são mais teólogos do que filósofos. Há grande esforço de se encontrar uma síntese entre fé e razão, que se rompe no final da Idade Média. 

O pensamento da Idade Média está centrado na escolástica. Escolástica vem de schola e significa o movimento religioso e teológico (século IX-XV) que se encarregava de conservar e transmitir a cultura. O seu método é a disputatio, a especulação, que busca a conciliação das verdades da fé e da razão, mas com a filosofia subordinada à teologia. Santo Anselmo pode ser considerado o primeiro expoente da escolástica. Seu objetivo é conciliar razão e fé, pois embora a razão não substitua a fé, ela poderia ajudar a compreender aquilo que fora aceito pela fé. 

O apogeu da escolástica encontra-se em Santo Tomás de Aquino (1227-1274), no século XIII, período em que o papado alcança grande poder sobre a política e a "revolução comercial" estimula as trocas econômicas. A escolástica é o método de raciocínio e discussão. O autor dessa complexa operação é Santo Tomás de Aquino e tem como resultado o tomismo, que a igreja adotará como norma. Sobre a questão da razão versus fé, Aquino acreditava se tratar de elementos separados mas complementares, ou seja, a razão era subserviente sem ser subordinada à fé.

Além do racionalismo escolástico, há uma corrente de pensamento místico. Herdeira das doutrinas de Dionísio Areopagita, essa corrente recebe a influência das ideias platônicas e do pensamento de santo Agostinho e se expressa por meio de símbolos e visões. "O misticismo medieval é, mais do que a expressão de um pensamento, a confissão de uma experiência religiosa que tem por objetivo limpar o caminho que conduz a Deus, elevando o homem do profano ao sagrado". Johannes Eckhart, dito Mestre (1260-1327) é o principal representante. 

Desde a queda do Império Romano, o pensamento se desenvolve muito lentamente. A ciência medieval é muito mais uma adaptação à ciência na época helenística do que algo original. Como tudo estava subordinado à teologia, a ciência servia apenas para confirmar experimentalmente as verdades religiosas estabelecidas pela igreja. Há, porém, as contribuições dos muçulmanos sobre a astronomia, a matemática, a medicina e a química). A maior contribuição, entretanto, está na química, graças ao domínio das técnicas de destilação.

Bibliografia Consultada

TEMÁTICA BARSA - FILOSOFIA. Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005. 

14 fevereiro 2016

Origem da Filosofia: Do Mito à Razão

A passagem do conhecimento mítico ao conhecimento racional deu-se no começo do século VI a.C. na Grécia. Ocorreu primeiramente nas colônias gregas localizadas na Jônia, na costa da Anatólia. Esta revolução do conhecimento se reproduziu na Sicília e no sul da Itália e, depois, chegou a Atenas. Em Mileto de Éfeso, houve uma verdadeira transferência de conhecimentos astronômicos e matemáticos, que estimulou a investigação direta dos mistérios do Universo. 

Desde o começo da história, o desconhecimento das coisas deixa o ser humano desnorteado e, com isso, apodera-se dele o medo e a incerteza. A necessidade de superar essa incerteza levou o indivíduo a buscar algum domínio da natureza e, consequentemente, ter alguma tranquilidade. Isso quer dizer conhecer. O mito constitui a primeira tentativa da humanidade de interpretar os mistérios do Universo. Ele tem a forma de uma narrativa e se refere sempre a uma criação, conta a forma como alguma coisa começou a existir. 

Physis é a palavra-chave para a compreensão do início da filosofia, mais especificamente a filosofia pré-socrática. Geralmente, traduzida por Natureza, o que não espelha o seu verdadeiro sentido. Para os antigos filósofos, a physis refere-se a tudo o que se pode imaginar: os rios, as estradas, o planeta, o tempo, o ódio, o amor. Martin Heidegger assim se expressou: “À physis pertencem o céu e a terra, a pedra e a planta, o animal e o homem, o acontecer humano como obra do homem e dos deuses, e, sobretudo, pertencem à physis os próprios deuses”.

O nascimento do pensamento racional está ligado ao aparecimento da pólis. Na polis grega, os pensadores dispensaram a influência de agentes e forças sobrenaturais, ficando apenas com a razão e a experiência. Em seus debates sobre a ordem necessária, as formas de governo e o modo de agir deram também origem à filosofia, que é antes de tudo o amor ao saber, e mais precisamente conhecer a verdade, não pela fantasia, pela narrativa, mas pelo uso da razão, no sentido de o ser humano construir o seu próprio destino.

Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Xenófanes de Cólofon, Heráclito de Éfeso, Pitágoras de Samos, Parmênides de Eléia, Zenão de Eléia, Empédocles de Agrigento, Filolau de Cróton, Anaxágoras de Clazomena, Diógenes de Apolônia, Leucipo de Abdera e Demócrito de Abdera são os representantes da filosofia pré-socrática. Nos seus fragmentos e nas suas poesias estão todo o conteúdo filosófico. Tales de Mileto, por exemplo, trouxe-nos a ideia de a água ser a substância primeira da matéria.

Vasculhemos as ideias desses filósofos, pois elas nos retratarão com perfeição como o pensamento passou do mito à razão. 

Fonte de Consulta

TEMÁTICA BARSA - FILOSOFIA. Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005.