13 agosto 2019

Mentira

Há duas acepções sobre a verdade: 1) acepção epistemológica, pela qual a verdade é a adequação entre a inteligência e a coisa observada, e se opõe ao erro; 2) acepção moral, pela qual a verdade é a adequação entre a inteligência e a sua expressão manifestativa e, nesse sentido, se opõe à mentira. Daí, verificamos que a verdade moral é a adequação entre aquilo que se percebe da coisa, do fato em si, e aquilo que a respeito dele, se manifesta por qualquer sinal expressivo: o gesto, a palavra escrita ou oral.

Mentira. Ato pelo qual um emissor altera aquilo que ele reconhece como verdadeiro. Na distinção entre erro e mentira, verificamos que o erro é um engano, um julgamento em desacordo com a realidade observada. Em se tratando da mentira, supõe a intenção de dizer o falso. A mentira pressupõe sempre uma verdade, ou a ideia de verdade, pois caso contrário não seria mentira. Ainda: o paradoxo do mentiroso consiste em afirmar que se está mentindo; nesse caso, quando se diz a verdade, mente-se, e quando se mente, diz a verdade.


Mentir é condenado, mas muito praticado. Alguns acham que mentir é sempre condenado, independentemente dos benefícios que a mentira possa oferecer. Acontece que, em algumas circunstâncias, os efeitos prejudiciais podem ser compensados pelo benefícios que a mentira promove. Suponha que uma pessoa esteja muito doente. Mentir-lhe sobre sua expectativa de vida pode ser útil, pois ele poderia viver melhor e distante de uma depressão, que debilitaria ainda mais a sua resistência orgânica.

A mentira retarda o desenvolvimento do espírito? (Questão 192 de O Consolador, pelo Espírito Emmanuel). Resposta: "A mentira é a ação capciosa que visa o proveito imediato de si mesmo, em detrimento dos interesses alheios em sua feição legítima e sagrada; e essa atitude mental da criatura é das que mais humilham a personalidade humana, retardando, por todos os modos, a evolução divina do Espírito".


Jesus coloca-nos uma frase emblemática: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Pergunta-se: Como nos libertarmos da mentira e do erro da ideologia vigente, do pragmatismo e da ascendência da ciência sobre a metafísica? Refletindo sobre a totalidade do ser e o sentido da vida do ser humano sobre a Terra. Cada um de nós tem uma percepção particular da lei natural, uma espécie de sexto sentido que nos faz desviar do mal. Só se chafurdam no erro e na mentira, aqueles que se descuidam do "vigiar e orar".

F. B. Ávila, em sua Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo, enfatiza o esforço do ser humano pela descoberta da verdade. Ele diz: "Na dispersão das atividades que absorvem o nosso dinamismo vital, um dia o homem percebe que o tempo passa, e que ele está embarcado num movimento irreversível que o aproxima irremediavelmente de um fim. Neste momento, ele se interroga sobre o sentido fundamental da vida. Se ele não descobre esse sentido, será cada vez mais abatido pelo tédio ou amargurado pelas decepções. Descobrir a verdade é entender esse sentido, pelo qual ele adquire a certeza inabalável de que a vida vale a pena de ser vivida, e a segurança de que poderá enfrentar o fim com serenidade".