02 julho 2008

Leitura e Compreensão do Texto

O que é um texto? Há duas dimensões a considerar: a da produção; a da leitura. Na produção do texto, passa-se da forma lógica para a literária; na leitura, o processo se inverte e passamos da forma literária para a lógica. Todo o texto, quando é escrito, é escrito num determinado contexto, pois o leitor universal é uma utopia. Assim, um texto filosófico é escrito para os filósofos; um texto matemático, para os matemáticos; um texto histórico, para os historiadores.

Como sabemos se o texto foi entendido? Para tal, é preciso fazer uma análise dele. E na análise, que é a decomposição das partes, não se deve esquecer da gramática. A mesma preocupação se deve ter quando se escreve. Nesse sentido, convém verificar a concordância entre as partes de uma oração, a colocação de pronomes, a conjugação do verbo etc. Depois de escrito, deve-se esperar algum tempo e ler como se fosse uma pessoa estranha, ou seja, fazer de conta que o texto foi escrito por outra pessoa e não nós mesmos.

O entendimento do texto pressupõe a repetição, a paráfrase e a imitação. Contudo, o produto final não deve ser nenhuma dessas operações, mas algo que se mostra novo. Quer dizer, quando apenas parafraseamos, não conseguimos sair da superfície do aprendizado. É preciso focalizar bem a questão, para que se faça concomitantemente um exercício de reconstrução. A filosofia não consiste em saber muitas coisas, mas em saber se aprofundar, focalizar e buscar a essência daquilo que se está estudando.

Para uma boa compreensão da filosofia, convém nos lembrarmos do philosophical way of thinking. O que isto significa? Significa buscar o status quaestionis, ou seja, o estado da questão, que é tudo aquilo que já foi escrito sobre o tema. É buscar a sua bibliografia, mas não qualquer bibliografia e sim aquela que forma uma linha hierárquica dos seus pensadores. Nesse mister, os pensamentos de Platão, Aristóteles, Descartes, Kant, Hegel e outros seriam de inestimável valor.

A leitura eficaz de um texto consiste em procurar a pergunta que o autor fez a si mesmo, pois um texto filosófico não é contar histórias, mas processar o pensamento através dos argumentos, da tese e da questão. Quando soubermos formular boas questões, estaremos bem próximo de desenvolver a capacidade de aprender, pois o conhecimento construído vai depender, não só do interesse pelo assunto, como também pelo tipo de pergunta que se fizer a seu respeito. Lembremo-nos de que o sábio é aquele que tem a capacidade de transformar uma simples pergunta num processo profundo de reflexão.

Estejamos com o nosso pensamento sempre em atividade. Uns ruminam aqui; outros procuram flertar adiante. Quanto a nós, saibamos edificar o pensamento na luz radiosa da verdade.

Fonte de Consulta

PORTA, Mario Ariel Gonzalez. A Filosofia a Partir de seus Problemas. São Paulo: Loyola, 2002.

São Paulo, 13/08/2004

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