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11 setembro 2015

Utopia

"Pense bem! A boa realização seguir-se-á ao pensamento." (Alfred Tennyson)

A utopia é todo o projeto de uma sociedade perfeita. Pejorativamente, considera-se esse ideal fantasioso e irrealizável. No sentido positivo, esse ideal contém o germe do progresso e da transformação da sociedade. 

Um "enunciado congelado" é a persistência de um conceito que, na sua origem, estava equivocado. Para entendê-lo, temos que descongelá-lo. Vejamos: o termo “utopia” foi cunhado por Thomas Morus (1478-1535) em seu livro Utopia, publicado em 1516. Partiu do latim nusquama (lugar nenhum) para criar o vocábulo grego ainda inexistente; tomou o prefixo de negação ou + topos, lugar, formando utopia. O correto seria usarmos "lugar outro" em vez de "nenhum lugar". (1)

27 maio 2015

Crise

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Crise. Do grego krisis, do mesmo étimo do verbo krino, separar, depurar, como se faz com o ouro. O primeiro sentido da etimologia corresponde à fase decisiva de uma doença. Mais especificamente, um momento de desequilíbrio sensível. O consenso entre os pesquisadores é que a crise leva à ruptura com o estado anterior. O novo rumo pode ser de melhora ou de piora.

Tanto na medicina como na ciência militar, crise exprime o momento de viragem, dificilmente situável, em que se tem lugar a decisão sobre a vida ou a morte, sobre a vitória ou sobre a derrota. Em economia, a crise está ligada aos ciclos econômicos, que se fundamentam na insuficiência de produção ou na superprodução, como a que ocorreu em 1929.

Saint-Simon em L'introduction aux travaux scientifiques du XIXe siècle (1807), distingue entre épocas orgânicas e épocas críticas. As épocas orgânicas repousam em crenças bem estabelecidas; as épocas críticas dão início à ruptura das crenças estabelecidas. Exemplo: a crise renascentista é a passagem da época medieval para a época moderna.

Cuidado: a época orgânica pode se transformar em utopia. Muitas pessoas pressupõem que, como um passe de mágica, as incertezas, as tensões e as injustiças se dissiparão e se transformarão no mito da Idade de Ouro, onde tudo se resolverá com facilidade. É a ideologia dos povos oprimidos.

O Espírito Emmanuel, na lição 59 "Crises", do livro Vinha de Luz, psicografado por Francisco Xavier, diz-nos que "Toda crise é fonte sublime de espírito renovador para os que sabem ter esperança". 

Fonte de Consulta

LOGOS – ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE FILOSOFIA. Rio de Janeiro: Verbo, 1990.




15 fevereiro 2015

O Problema Está em Nós

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O problema não está nos outros, mas em nós. Que ilações podemos tirar dessa frase? Em nosso cotidiano, passamos por diversas dificuldades; quando não conseguimos resolvê-las, colocamos a culpa no outro. É a atitude mais cômoda. Porém, o problema não fica resolvido. 

Suponha que um vizinho esteja exagerando o volume do som. Achamos que ele está errado e, para tal, pedimos para diminuí-lo. Isso se repete uma, duas, três vezes. Depois da terceira vez, achamos que ele está fazendo pouco caso de nós. Poderíamos perfeitamente registrar queixa no órgão público. Em vez disso, tentemos administrar essa dificuldade dentro de nós mesmos. Nesse caso, lembremo-nos da frase: "Se com uma ou duas repreensões o próximo não se emendar, deixe tudo por conta de Deus". Ou seja, deixemos que o tempo se encarregue dessa solução. 

Há certas situações que perduram por longo tempo. Por mais que façamos, o problema continua, exigindo de nós alta dose de paciência, de força de vontade, do perdão, entre outros. Podemos, também, encarar essa dificuldade como um teste para o nosso equilíbrio mental e espiritual. Um exercício interessante é comparar o barulho a uma bomba: mesmo explodindo ao nosso lado, não pode ser capaz de tirar o nosso poder de concentração. 

O ser humano ainda está muito longe do respeito que deve ter para com o próximo. Falta-lhe educação. A maioria não divisa os limites de sua ação. Não sabem que o direito de um termina quando começa o direito do outro. Isso denota também o egoísmo que ainda nos domina. A pessoa diz: quero saciar os meus desejos, mesmo que seja em detrimento próximo.  

Pensando sensatamente: o barulho nos prejudica? Não. Quando tivermos um objetivo claro em mente, o volume do som não tem capacidade de tirar o foco que temos em mira. É mais uma opinião de que o outro está errado e que não devia agir daquela maneira, porque é da lei que um deve respeitar o outro. E se o outro não se inteirou, ou não quis tomar consciência dessa lei, o que podemos fazer? 

Do mesmo modo que hoje somos consequência de ontem, tudo o que estivermos pensando ou fazendo hoje tem a sua respectiva consequência no futuro. A nossa atitude mental tem um poder extraordinário. Num átimo de segundo podemos mudar o nosso ânimo, a nossa disposição. 

Treinemos uma atitude mental positiva, sempre pensando no bem, apesar da visita contínua do mal. 



17 setembro 2014

Atitude

Atitude é uma reação avaliativa quanto ao posicionamento do indivíduo diante de um objeto. É um dos conceitos básicos da Psicologia Social. Segundo Jean Meynard, “É uma disposição ou ainda uma preparação para agir de uma maneira de preferência a outra. As atitudes de um sujeito dependem da experiência que tem da situação à qual deve fazer face”. É a “Predisposição a reagir a um estímulo de maneira positiva ou negativa”.

O parecer de alguns pensadores sobre a atitude: Dewey, em Conduta e Natureza Humana, considera essa palavra um sinônimo de hábito e de disposição. Lewis, em Uma Análise do Conhecimento e Valor, diz que na atitude o que está presente é captado em seu significado prático e antecipador, como um indício daquilo que está além, no futuro. Stevenson, em Ética e Linguagem, chama de atitude o impulso para a ação que, não se sabe por que, é qualificada de "emotiva", mas acha difícil demais definir precisamente a atitude e, por isso, assume-a no significado mais genérico de disposição para a ação. 

Um estudo das atitudes inclui:

Características fundamentais: 1) intensidade – a mesma atitude favorável a um determinado objeto varia de intensidade, de indivíduo para indivíduo; 2) conteúdo cognitivo – pessoas com atitudes de rejeição a um determinado objeto podem ter conhecimentos distintos sobre o objeto; 3) Diferenciação – uma atitude frente a um objeto pode ser clara (ou nebulosa) para o seu possuidor; 4) Isolamento – uma atitude tomada pelo indivíduo pode estar conectada (ou isolada) das demais atitudes do sujeito. 

Fatores que atuam sobre o desenvolvimento das atitudes: 1) Determinantes culturais - a cultura marca os limites para a atitude se desenvolver, mas dentro desses limites há muito espaço para a diversidade individual. 2) Influência dos pais e dos familiares - contribuem com a orientação e o exemplo. 3) Personalidade - uma personalidade autoritária poderá descambar para as atitudes extremas. 

A mudança das atitudes pode ser feita: 1) Pela mudança de posição do indivíduo dentro do grupo. 2) Pela mudança da situação social do indivíduo. 3) Pelo maior contato com o objeto da atitude. 4) Pelo maior conhecimento do objeto através de informações de outros. 

A preservação das atitudes pode ser feita: 1) Afastamento - evitar toda a informação contrária à opinião já estabelecida, através do afastamento físico. 2) Seletividade da percepção - quando o afastamento não é possível, o indivíduo pode passar a só perceber a informação que confirma sua atitude prévia. 3) Reinterpretação dos dados - a informação será reinterpretada de modo a tornar-se favorável à atitude já estabelecida. 

Fonte de Consulta

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M.E.C., 1967.

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/atitude-e-comportamento