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06 janeiro 2026

O ChatGPT e o Pensar

Questão: o ChatGPT ajuda-nos a pensar ou pensa por nós?

Em sua resposta, o ChatGPT procurou explicar o significado do pensar no sentido humano, esclarecendo-nos que envolve coisas como dar sentido à experiência, fazer julgamento de valor, decidir o que é importante, ter intuição, criatividade, emoções e intenções. Esses elementos não existem em um modelo de linguagem. Nesse sentido, o ChatGPT ajuda-nos a pensar, mas não pensa por nós.

O que o ChatGPT faz, então? Reconhece padrões em textos, combina informações, propõe possibilidades, organiza ideias e caminhos, oferece contrapontos e alternativas. Consequentemente, isso pode acelerar o nosso raciocínio, ampliar nossas perspectivas, estruturar nossos argumentos e sugerir-nos outros ângulos de análise. Em outras palavras, funciona como uma ferramenta de pensamento, não um substituto do pensar.

Quando o ChatGPT “parece” estar pensando por nós? Isso acontece quando aceitamos as respostas sem questionar, usamos o modelo como autoridade final e delegamos o julgamento crítico. Nesse caso, o risco não é a IA “pensar demais” — é nós pensarmos de menos. Lembremo-nos de que toda ferramenta forte exige uso crítico. Qual o melhor modo de atuação? Termos sempre a IA como parceira do raciocínio, no sentido de explorar ideias, testar hipóteses, pedir contra-argumentos, organizar pensamentos e aprender a revisar conceitos.

Em termos filosóficos, o ChatGPT não tem consciência, quer dizer, não pensa no sentido forte, não compreende, apenas manipula linguagem. Logo, não produz sentido existencial. Mas, pode funcionar como extensão do pensamento humano, ampliando possibilidades de reflexão e diálogo. Assim, numa leitura filosófica, ele não pensa por nós, contudo pode modificar a maneira como pensamos.

Ética e responsabilidade moral. Do ponto de vista moral, a IA não pensa no sentido responsável do termo, pois pensar exige consciência, valores e decisão. Logo, não há transferência de responsabilidade. O risco ético não é a IA “pensar por nós”, mas nós deixarmos de pensar por nós mesmos. Dessa forma, o uso eticamente maduro é utilizar a IA como apoio ao raciocínio, mantendo a autonomia, o julgamento e a responsabilidade humanos.

Autoria e criatividade. A dúvida que surge: quem é o autor? quem cria? onde está a originalidade? De acordo com o ChatGPT, em termos éticos e filosóficos, a IA não é autora, não cria com intenção ou experiência, não produz sentido próprio. Ela pode ampliar o processo criativo, enriquecer a reflexão e estimular novas formas de expressão. Mas, a autenticidade, a decisão estética e a responsabilidade criadora permanecem humanas.

Fonte de Consulta

ChatGPT

 

12 fevereiro 2012

O Significado de Pensar Segundo Alguns Filósofos

Para Heráclito, todos têm o logos, mas só os despertos o sabem. O logos é o pensamento, a razão, a inteligência, o discurso; é, também, o princípio de tudo, a lei que regula o funcionamento do cosmo. Todos participam do logos universal. “Alguns, os adormecidos, limitam-se às percepções imediatas, vivem como que num sonho e desenvolvem opiniões subjetivas; outros — os filósofos ou os despertos — utilizam o logos de modo consciente e conseguem penetrar profundamente na verdade da natureza”.

Para Parmênides, somente a razão vê o real. Os cinco sentidos testemunham toda a transformação da realidade. “É verdade que a vida cotidiana requer o uso dos órgãos dos sentidos, mas por meio deles não se chega à verdade. A razão, não o olho, vê o real”.

Para Sócrates, o fundamental é saber que não se sabe. A presunção do saber é o maior empecilho para a descoberta da verdade. “Sócrates defende esses argumentos com uma abordagem irônica e intencionalmente paradoxal: invertendo os valores do bom senso, o elogio socrático do não-saber provoca no interlocutor uma benéfica sacudida intelectual”.

Para Platão, o conhecimento é fruto da recordação. Para ele, “A alma conhece as coisas recuperando a lembrança adormecida daquilo que viu no mundo extraterreno antes de reencarnar”.

Para Cusa, o conhecimento assenta-se na douta ignorância. “Em relação a Deus, tudo o que se pode fazer é confessar a total impossibilidade de entender: o homem é como um caçador sempre em busca de uma presa em fuga, porque a sua mente, se de um lado pode conceber Deus como perfeição absoluta, do outro, é totalmente incapaz de preencher com conteúdos positivos essa ideia de perfeição”.

Para Descartes, deve-se usar o método para raciocinar corretamente. O pensamento científico deve se estruturar de forma diferente da do pensamento cotidiano. Acha que “a investigação científica deve ser absolutamente desinteressada, ou seja, indiferente a qualquer utilidade ou interesse social”.

Para Condillac, todo conhecimento deriva da experiência. Formula “uma doutrina completamente materialista e voltada para os sentidos: nada existe na mente humana senão as percepções que ela recebe do exterior a cada momento”.

Para Locke, a mente não inventa ideias. “A mente limita-se a reelaborar sob forma de abstração crescente dados e observações que recebe do exterior, segundo a fórmula empirista nada existe no intelecto que não tenha antes passado pela percepção”.

Para Kant, em toda a sensação existe um a priori. “A vista não funciona como uma máquina fotográfica: uma parte da percepção (a sua forma) depende exclusivamente do sujeito, dos esquemas a priori (espaço-temporais) que estruturam a sua psique”.

Para Hegel, tudo aquilo que dizemos finito não existe. O finito deve ser estudado como parte de um todo. “O finito existe unicamente como parte do infinito e em cada coisa existente se pode perceber o desenvolvimento necessário do espírito”.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

 

19 agosto 2011

Que é Pensar?

1. INTRODUÇÃO

O que se entende por bem pensar? Será que sabemos pensar? Há alguma diferença entre pensar e ruminar pensamentos? É possível melhorar o nosso pensamento? Existe alguma técnica? Com essas perguntas introdutórias, damos início à nossa análise do tema. Nele verificaremos os princípios de aprendizagem, ferramentas utilizadas para o bem pensar e algumas anotações sobre o pensar por nós mesmos.

2. CONCEITO

Pensar, na significação etimológica do termo, quer dizer sopesar, pôr na balança para avaliar o peso de alguma coisa, ponderar.

A Filosofia e o Filosofar

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Considerações Iniciais. 3. Conceito de Filosofia: 3.1. Antiguidade; 3.2. Idade Média; 3.3. Idade Moderna. 4. O Filosofar: 4.1. Atitude Filosófica; 4.2. Os Questionamentos; 4.3. Espírito Crítico. 5. A Filosofia Espírita: 5.1. Tradição Filosófica; 5.2. A Filosofia Espírita Não Está nos Fenômenos; 5.3. Especulativa Versus Afirmativa. 6. Conclusão. 7. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo destes escritos é demonstrar que não precisamos ser exímios conhecedores da filosofia, nem mesmo ter frequentado uma Universidade, porque o ato de filosofar encontra-se naturalmente em nosso âmago. Basta apenas exercitá-lo pela discussão, pelo debate e pela troca de ideias.

2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A filosofia não é uma atitude de resignação serena face aos caminhos da existência: não se trata de uma atitude, mas de um saber. A filosofia não é igualmente uma Weltanschauung (visão de mundo), pois que se pretende dela que seja explícita e sistemática. Não se identifica nem com a ideologia, na medida em que não se coloca ao serviço de uma causa, nem com a religião, visto que se esforça por apelar unicamente à razão. Finalmente e, sobretudo, a filosofia diferencia-se da ciência ao explicar a totalidade do real a partir de elementos que não se situam no plano fenomenal. Pode-se, por conseguinte, considerar a filosofia como um saber racional radical, incidindo sobre a totalidade do real e dando deste uma explicação última. (Thines, 1984)

03 setembro 2008

Pseudoprofundidade

A filosofia, fornecendo-nos subsídios para a verdadeira argumentação, faz-nos artífices do raciocínio correto. Com isso, desvia-nos dos sofismas e de tudo o que possa tisnar a verdade dos fatos. A pseudoprofundidade, não resta dúvida, é um desses desvios. Reflitamos um pouco sobre este assunto.

A pseudoprofundidade é a utilização de técnicas — nem sempre naturais e sinceras — capazes de dominar o público. Geralmente é exercida por um guru, indivíduo cheio de insigths, que tem grande influência sobre um determinado grupo social. O setor de marketing abriga uma gama enorme deles. Depois de se tornar mundialmente famoso, passa a divulgar as suas teorias, entrelaçadas com seus próprios jargões.

Falar o “óbvio”, mas de forma pausada, palavra por palavra, é um procedimento muito utilizado por esses profissionais. Dinheiro, morte e amor são os seus temas preferidos. Exemplo: “o dinheiro serve para compras coisas”; “todos desejamos amar e ser amado”; “a morte é fim de tudo”. Ninguém contesta essas palavras, pois elas soam como verdadeiras. Quem poderá dizer que a morte não é o fim, se, depois dela, essa pessoa não existe mais? Contudo, trata-se de um slogan, uma palavra-força usada para captar a atenção e a simpatia dos ouvintes.

Nessa mesma linha de pensamento, esses gurus usam frases longas e complicadas em vez de curtas. Pense nas palavras feliz e triste. Para exprimir que uma pessoa está feliz ou triste, eles usam a seguinte frase: “orientações atitudinais positivas e negativas”. Caso esse bem-estar ou mal-estar possa ser passado para outra pessoa, eles diriam: “Orientações atitudinais positivas e negativas são altamente transferíveis de uma pessoa para outra”. Dependendo ainda do tom de voz, o impacto sobre a plateia pode ser muito maior.

Além das palavras longas e complicadas, usam também os termos “energias” e “equilíbrios”, que fornecem ao interlocutor a ilusão de profundidade. Eles podem dizer: “Antes de sair para as suas atividades diárias, aplique “energias” curadoras em volta de si mesmo”; “o seu equilíbrio depende de sua atitude mental”; “pense grande e será grande”; “querer é poder”. Quer dizer, há sempre uma técnica oratória para fisgar o ouvinte. De certa forma, assemelha-se ao reflexo condicionado de Pavlov, aplicado à propaganda, ou seja, usa a intensidade e repetição para melhor atrair.

Saibamos acatar a autoridade da verdade, esteja ela onde estiver. A busca do conhecimento tem este preço.

 

04 julho 2008

Pensar a Vida

A vida é uma ocupação com as coisas: comer, beber, dormir, trabalhar e divertir-se. A ocupação é, antes de tudo, uma preocupação. Ocupar-se, fazer algo segue imediatamente ao preocupar-se, ao ocupar-se previamente com o futuro.

Pensar significa refletir sobre o passado e fazer previsões sobre o futuro. Contudo, mesmo adotando essa atitude, é possível que nossas cogitações sejam imprecisas. Em realidade, pensar a vida é uma tomada de consciência do presente liberta dos atos passados e sem receios do futuro.

A vida é a soma do número de dias que se usufrui durante uma existência terrena. Nossa medida de tempo é espacializada, visto tomarmos o Sol e a Terra como pontos de referência. Um dia de vinte e quatro horas é o tempo decorrido pelo movimento de rotação da Terra ao redor do Sol. O que significa trinta, quarenta ou cinquenta anos de vida? Presos aos números, esquecemo-nos de que a vida é realização do "eu espiritual".

A civilização moderna, aumentando nossas necessidades, cria o desejo pelo novo. Não queremos deixar nada quieto. As inovações são positivas, porém, quando mudamos por mudar, causamos um viés em nosso pensamento. Estabelece-se um antagonismo entre o "eu superficial" e o "eu profundo" de Bergson ou entre o "inautêntico" e o "autêntico" de Heidegger. Há que se tomar cuidado para não aceitar o falso pelo verdadeiro.

O "eu superficial sobrevive ao meio de informações vindas pelo rádio, televisão, cinema, jornais. A maioria de nós adota uma posição cômoda, esperando que os outros tracem o nosso destino. Martin Heidegger (1889-1976), filósofo existencialista alemão, esclarece-nos com um exemplo. Diz-nos ele: suponha que você esteja no meio de uma floresta sem estradas e sem caminhos. Essa situação exige que cada um de nós seja obrigado a construir o seu próprio caminho.

Pensar a vida nada mais é do que agir filosoficamente, isto é, sem preconceitos e sem posições já assumidas anteriormente. Temos de enfrentar os nossos problemas livres do espírito de sistema.

Fonte de Consulta

MENDONÇA, E. P. de. O Mundo Precisa de Filosofia. 2. ed., Rio de Janeiro, Agir, 1970.

GARCIA MORENTE, M. Fundamentos de Filosofia - Lições Preliminares. 4. ed., São Paulo, Mestre Jou, 1970.


02 julho 2008

Sobre a Arte de Pensar

A admiração, já apregoada pelos primeiros filósofos gregos da antiguidade, é um dos requisitos fundamentais na arte de pensar. Ela pode ser vista sob dois aspectos: passivo e ativo. Na admiração passiva, captam-se contemplativamente os estímulos da realidade; na admiração ativa, exige-se o uso da dialética, pois esta obriga-nos a perguntar e responder, tal qual fazia Sócrates, com a sua ironia e a sua maiêutica. Cabe-nos estabelecer uma relação equilibrada entre essas duas formas de construção do conhecimento.

A invenção é o arcabouço teórico do pensamento. É a partir dela que o nosso pensamento se exercita. A maioria das vezes é expressa pela fórmula "lucem demonstrat umbra", ou seja, é a sombra que nos faz conhecer a luz. Pensar, muitas vezes, é suplantar uma situação confusa, nebulosa e irracional. Assim, o pensamento parte sempre do falso para o verdadeiro, do erro para a verdade, da sombra para a luz. Sobre a invenção, Napoleão dizia: "desenvolvo sempre o meu tema de muitas maneiras".

Escolher é excluir. Quando pensamos em algo, recusamos tudo o mais. Para que possamos desenvolver plenamente a arte de pensar, há necessidade de abandonarmos aquilo que não nos interessa, aquilo que não faz parte do nosso projeto de vida. Para tal, o procedimento correto seria: escolha de um assunto de nosso interesse, aprofundando-o o máximo possível, para daí extrair os sucos saborosos do aprendizado. O diaphora eidopois (a diferença que especifica) deve ser muito enfatizada, para entendermos o uso correto das palavras.

A distinção dos termos é outra faceta na arte de pensar. Sob esse mister, não são poucas as palavras que apresentam dubiedades. Para isso, precisamos dar às palavras o seu sentido exato, e se não for possível, o mais próximo de um perfeito entendimento. Usamos constantemente as palavras amor, humildade, egoísmo e orgulho. Será que consideramos os dois lados da questão, como por exemplo, o egoísmo virtuoso e o vicioso? Dentro desse contexto, podemos afirmar que há muitos ateus que são mais religiosos do que os próprios religiosos, porque ter uma religião não significa necessariamente que a pessoa seja religiosa.

A contradição é o esgrima do pensamento. Santo Tomás, em sua Suma Teológica, usava constantemente o sed contra est (mas em contrário se diz). Isso quer dizer que deveríamos rejeitar todo o pensamento que parece correto, a fim de adquirir um conhecimento mais próximo da verdade. As frases, "supor que o impossível exista é um dos preceitos da arte de inventar" e "a arte de pensar consiste em supor, por um momento, que as coisas poderiam ser o contrário do que são", servem perfeitamente para ilustrar essa questão.

O pensamento sempre precisa de combustível. Se não lhe dermos o alimento de que necessita, ele pode se atrofiar. A solução: nunca estejamos de todo ociosos: ora lendo, ora escrevendo, ora refletindo, eis o exercício por excelência.

Fonte de Consulta

GUITTON, J. Nova Arte de Pensar. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1966.

 

Que é e o Que Deve Ser

O ser humano, no seu dia-a-dia, age de acordo com a lei do menor esforço. Ele prefere atividades que lhe proporcionem prazer, bem-estar e ausência de contradição. Se algo lhe traz perturbação — obrigando-o a pensar — tem logo o desejo de deixar aquilo de lado e ocupar-se de outra coisa como, por exemplo, entretecer-se com jogos, buscar companhia e chafurdar-se na bebida. Ele não tem o hábito de pensar, amar e deleitar-se com a dificuldade. Só o faz quando se vê impossibilitado de fugir.

O nosso agir está preso a um imaginário social, a um estado utópico. Observe o trabalho dos marqueteiros em época de eleição: sabedores de que a emoção comanda a ação da maioria dos viventes, eles elaboram a propaganda política de forma a exaltar um candidato super-homem, que irá resolver todos os problemas da nação. Diante dessas imagens temos a impressão de viver em dois mundos, um real em que predomina o desemprego, a insegurança e o medo, e o outro, imaginário, em que tudo é pintado de verde a amarelo.

O sonho, a utopia, o vir a ser faz-nos desviar do que é. O que é é mais difícil, porque nos faz debruçar sobre os problemas, pensar em como resolver questões, em como arranjar dinheiro para pagar as contas no final do mês. É nesse sentido que se fala que o homem, por estar preso a um passado delituoso e a um futuro florido, esquece de viver o único momento que é real, ou seja, o momento presente. É justamente sobre esse momento, sobre essa realidade que deveríamos envidar todos os nossos esforços de compreensão.

O que é mostra-nos que devemos perceber a realidade, tal qual ela é, isto é, sem subterfúgios. E quais são esses subterfúgios? Pode-se contar às pencas: é a leitura de um livro, a ida ao cinema, o ligar o rádio, o assistir à televisão, o conversar com os amigos, as conversas ociosas, as tagarelices das rodinhas do fim de semana, a maledicência, a crítica e tantos outros. Essas distrações contribuem para a perda de tempo, tempo esse que poderia ser empregado na compreensão do que está acontecendo conosco.

Quais são os frutos de enfrentar o que é? Quais são as consequências desse auto percebimento? Paz de espírito, plenitude da vida e compreensão. Aqueles que se aceitam tais quais são acabam por diminuir o conflito interior. Eles não lutam a favor do que devia ser, eles simplesmente refletem sobre o que está acontecendo aqui e agora. Eles não dizem: "vou deixar para amanhã"; eles afirmam: "aproveitemos o dia de hoje, porque as horas que passam não voltarão jamais".

O auto percebimento traz-nos um ensinamento valioso. Faz-nos tomar consciência do nosso egoísmo, de nossa fraqueza, do nosso medo. E uma vez tomado consciência, o processo de transformação torna-se mais fácil.


Pensar por si Mesmo

O exercício filosófico estimula-nos a tratar objetivamente todos os temas que se nos apresentam. A técnica utilizada é a mesma que apregoa Kant, ou seja, não devemos ser espectador de frutas em vitrine, mas operadores conscientes do nosso próprio pensar. Quer dizer, se somos apenas receptores passivos do conhecimento, não entramos propriamente no ato de filosofar; porém, se passarmos à "ação filosofante", apropriando-nos da ideia, da questão, do juízo dados, eles farão sentido para nós, pois, em vez de deixá-los do lado de fora, o nosso pensamento se apodera deles.

A análise filosófica deve ser o ponto de partida para adquirir o hábito de pensar por nós mesmos. De acordo com a etimologia grega a palavra análise significa não só decompor e discernir as diferentes partes de um todo, como também reconhecer as diferentes relações que elas mantêm entre si, quer com o todo. Em outras palavras, analisar é ousar refletir, questionar e pôr em dúvida o conhecimento vigente tal qual sugeriu Descartes na sua obra O Discurso do Método. Precisamos, pois, sem precipitação, cruzar, descruzar, comparar e buscar o máximo de aprofundamento que a nossa mente possa alcançar.

Perguntas e respostas fundamentam a análise filosófica. Nesse sentido, cada tipo de pergunta requer uma resposta específica. Com "o que é", pergunta-se qual a natureza de, portanto, busca-se uma definição. "Pode-se" ou "pode..." ou "é possível..." verbo e locução que concentram três ideias: possibilidade lógica, física e moral. "Em que" ou "como" ou "em que medida" pede-se para justificar o enunciado, explicar em virtude do que ele é justo. "É preciso" ou "deve-se" ou "é forçoso..." interroga-se sobre a questão da necessidade, da exigência. "É justo afirmar que..." ou "será verdade que..." ou "o que você acha de..." não se pede a nossa opinião, como se estivéssemos sendo entrevistados, mas uma reflexão sobre um juízo.

E quando o pensamento entra em pane? O que fazer? 1.º) decompor a palavra em todas as suas formas: verbo, adjetivo, substantivo, advérbio etc.; 2.º) fazer uso dos sinônimos e dos antônimos; 3.º) nada rejeitar a priori, pois somente após um confronto com o enunciado do problema é que teremos condições de aceitar ou não; 4.º) utilizar a técnica do "em outras palavras", a qual permite reformular a mesma ideia; 5.º) somente recorrer a um autor se o mesmo tratar do tema em questão.

A reflexão filosófica deve ser de fundo e não de forma. Muitas vezes direcionamos a nossa energia mental para assuntos que só servem para preencher o tempo. Lembremo-nos de que esta atitude não representa o verdadeiro exercício filosófico. Este, para ser verdadeiro, deve atender à nossa necessidade interior de construção do conhecimento. Percebamos, pois, que é somente com esse esforço hercúleo que o aprendizado torna-se propriedade do ato de pensar.

Estejamos sempre prontos para recomeçar. Quer queiramos ou não, a vida se nos apresenta eternamente de forma criativa, pois todo o momento é sempre único na passagem do tempo.

Fonte de Consulta

ARONDEL-ROHAUT, M. Exercícios Filosóficos. São Paulo, Martins Fontes, 2000.

 

Pensar por nós Mesmos

O que significa pensar por nós mesmos? Seria transformar o pensamento em ação? Debruçar sobre a leitura de livros? Escrever um livro? Parafrasear o pensamento do próximo? Aprofundar um tema? Estas são, dentre muitas outras, questões substanciais acerca do pensar.

Dever e responsabilidade são, respectivamente, os primeiros elementos na tentativa de pensarmos por nós mesmos. Por que? Porque quando estivermos cônscios de nossos deveres para com o próximo, a nossa responsabilidade concomitantemente ajusta-se a esse status quo. Assim sendo, as nossas atitudes e comportamentos tendem a colocar em prática os pressupostos de nossos objetivos, induzindo-nos a prestarmos mais atenção aos estímulos que nos cercam, no sentido de dirigirmos melhor a nossa conduta para o papel que devemos desempenhar na sociedade.

O pensar por nós mesmos pode ser auxiliado pela filosofia de Kant, quando ele analisa o sapere aude! "Tem coragem de fazer uso do teu próprio entendimento, tal é o lema da filosofia". Nesse contexto, ele fala da menoridade e da maioridade na arte de pensar. Para Kant, menoridade é pensar pela cabeça do outro, quer seja um homem famoso, um juiz ou guru; a maioridade, por outro lado, é enfrentar toda a situação com o espírito crítico e coragem intelectual. Estar, sozinho, no meio de uma floresta é um bom exercício. Sem ninguém que nos guie, temos de encontrar a saída.

Pensar não requer verbosidade. Os Espíritos superiores, quando se comunicam conosco, fazem-no de modo sintético, ou seja, com o mínimo de palavras possíveis, sem prejuízo do conteúdo a ser transmitido. Para que perder tempo, enchendo de letras e mais letras os papéis que, depois, serão transformados em livros para que outros percam tempo lendo o que escrevemos? Respeitemos o nosso próximo: transmitamos a nossa mensagem de modo claro, objetivo e sem segundas intenções.

Vez ou outra o nosso pensamento recebe fluxos negativos e uma mórbida obsessão ecoa em nosso psiquismo. Assim mesmo, é imperioso lutar para não sermos tragados pelas influências menos felizes. Nesse mister, convém não nos deixarmos guiar pela imaginação catastrófica. Devemos, sim, direcionar a nossa mente para os fins que nos propomos, embora tudo a derredor pareça ir contra. Quem sabe se todos esses incômodos não estão nos fortalecendo para o que há de vir?

Pensar por nós mesmos é, acima de tudo, estar debaixo da vontade de Deus. E estar com Deus, mesmo que seja no Inferno, é estar no Paraíso.

Fonte de Consulta

BUZZI, Arcângelo R. Introdução ao Pensar: O Ser, o Conhecimento, a Linguagem. 28. ed., Petrópolis, Vozes, 2001.

Pensar Direito

Em qualquer lugar onde estivermos, apresentar-nos-ão problemas, dificuldades, afirmações, dúvidas etc. Pergunta-se: o que fazer diante desses fatos? Crer porque a pessoa que nos disse é uma autoridade no assunto? Aceitar porque não temos informações sobre a questão? Nada fazer porque temos preguiça de pensar a respeito? Enfim, qual a melhor atitude a tomar?

Diante de uma questão ou de um problema, entendemos que a primeira atitude deve ser a de ouvir atentamente o que o interlocutor tem a dizer. Posteriormente, lucubrar sobre o que foi dito, verificando o quanto sabemos ou o quanto nos falta saber do assunto. Mais precisamente, exercitar o raciocínio buscando argumentos sólidos. Significa tentar explicar, proceder a uma análise, ou seja, enfrentar o problema na sua plenitude, até chegar a uma maior compreensão do mesmo.

Inteirado dos argumentos e verificada a nossa limitação em relação ao que foi proposto, proceder à pesquisa. Ir à enciclopédia para saber a etimologia e o significado da palavra; ir ao dicionário bilíngue, caso o termo seja estrangeiro; ir ao dicionário de símbolos, quando a palavra assim o exigir. Tudo isso ajuda a termos uma visão mais ampla da palavra e usarmos a linguagem que melhor se adapte ao significado que queremos expressar. Partir do conhecido para o desconhecido solicita esse procedimento científico. Nesse mister, lembremo-nos de que a maioria das discussões começa pela não definição do termo que queremos comunicar.

Em se tratando de números, prestar atenção no que foi enunciado, pois os números não mentem, mas os mentirosos os usam para mentir. Em economia há erros crassos ao relacionarmos coisas distintas. Um deles é comparar salário líquido com a renda do outro, em um país onde o imposto de renda progressivo é enorme; outro, é comparar renda, que pode ser consumida, com a riqueza, que representa um patrimônio físico de um país ou de uma empresa, o que pode ou não se transformar em renda.

Os sofismas ou falácias do pensamento devem ser lembrados. O que é um sofisma? É um raciocínio falso que se apresenta com aparência de verdadeiro; argumento aparentemente válido, mas, na realidade, não conclusivo, e que supõe má fé por parte de quem o apresenta. Observe o exemplo: todo o homem é bom. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é bom. A premissa inicial teve como conclusão que Sócrates é bom, mas quem nos garante que todo o homem é bom.

Pensar direito requer uma atitude socrática, ou seja, "uma vida sem exame não merece ser vivida". Empenhemo-nos no exercício de bem expressar o nosso discurso, seja ele de que natureza for.

Fonte de Consulta

FLEW, Antony. Pensar Direito (Ou, Será que Eu Quero Sinceramente Estar Certo?). Tradução de João Paulo Monteiro. São Paulo: Cultrix, Editora da Usp, 1979

 

Como Pensar

O pensamento pode ser visto sob vários aspectos: em sentido amplo, é resultado de tudo o que se passa na nossa mente, sem lógica ou veracidade: sonhos, devaneios, imaginação, intelectualidade etc.; em sentido restrito, são as escolhas que o nosso espírito faz para a análise de algumas questões; em sentido mais restrito é aplicação de nossas potencialidades para a resolução de um problema, de uma dificuldade.

Para um desenvolvimento integral da pessoa humana, interessa-nos desenvolver o pensamento reflexivo, que é o pensamento ativo, prolongado e cuidadoso de tudo o que nos vem à mente. Nesse sentido, são elementos do pensamento reflexivo: a) um estado de perplexidade, hesitação ou dúvida; b) atos de pesquisa ou investigação tendo o fim imediato de descobrir outros fatos que sirvam para corroborar ou destruir a convicção sugerida. Em outras palavras, todas as vezes que nos debruçarmos sobre uma questão — de interesse vital para a nossa alma —, a fim de buscar soluções, conexões, ilações, estaremos de posse do pensamento reflexivo.

John Locke (1632-1704) aponta-nos algumas características das convicções errôneas: a) a dependência dos outros — são os que pensam pela cabeça dos outros; b) interesse pessoal — são os que colocam a emoção na frente da razão, sem exame lógico das coisas; c) experiência limitada — são os que se utilizam da razão, mas com uma visão tacanha. Nesta classe estão agrupados os indivíduos que se relacionam apenas com uma casta limitada de homens, leem livros de determinada espécie e querem apenas conhecer determinadas opiniões: não se aventuram no mar alto dos grandes conhecimentos.

O ato de pensar deve ser enérgico e profundo. Procurando resposta para uma necessidade, uma curiosidade, uma dúvida, um anseio, o pensamento deve ir até as últimas consequências, a fim de obter a verdade dos fatos. Quem assim procede vai adquirindo um vasto conhecimento, porque em cada etapa observa, para, pensa, pondera e deixa que os novos ensinamentos se acrescentem aos já adquiridos, de modo que o estoque de conhecimentos vá crescendo de forma suave, mas sempre progressiva.

O tipo de pergunta é bastante importante na relação ensino-aprendizagem. Não são poucos os que perguntam por perguntar, acreditando que estão desenvolvendo o diálogo socrático. Muitas vezes não passa de tagarelice mental. É necessário que as perguntas promovam o aprofundamento do estudo, pois o simples ato de perguntar acaba desviando-nos do tema em questão. É fácil de se observar, quando numa discussão em grupo, deixamos seus componentes à vontade; em pouco tempo, a conversa toma rumo totalmente distinto daquele que foi anunciado anteriormente.

Quer queiramos ou não, estamos sempre envoltos com as sugestões dos jornais, da TV, dos amigos etc. O pensamento enérgico exige renúncia ao comodismo, esforço ao raciocínio e certa solidão interior.

Fonte de Consulta

DEWEY, J. Como Pensamos. São Paulo, Editora Nacional, 1933.