11 dezembro 2014

Mentalidade

Tese: Para se formar um caráter superior há necessidade de se desenvolver a mentalidade. 

Mentalidade. Estado de espírito, maneira de pensar, modo de julgar, qualidade mental de um certo indivíduo. Mentalidade superior é aquela que pensa naquilo que quer executar, sem dar atenção ao que as circunstâncias, o ambiente ou os companheiros podem sugerir-lhe. 

QuestõesComo se apresenta o estado mental da humanidade? É possível desenvolver a mentalidade? Como? Será combatendo as trevas?

Lourenço Prado, em Forças Invisíveis, lembra-nos de alguns aspectos importantes sobre este tema. Ele diz:

Não podemos produzir luz agindo sobre as trevas, nem produzir a perfeição agindo sobre coisas que não trazem em si a possibilidade de perfeição.

Desenvolver é expressar aquilo que já existe no íntimo. Porém, se nada houvesse em nosso íntimo, por mais que nos esforcemos, nada conseguiríamos.

Não é possível iluminar um lugar escuro espancando as trevas.

O imperfeito tem falta de alguma coisa e é por isso que é imperfeito. Ora, o que falta deve ser fornecido por alguma outra fonte, antes de poder produzir-se a melhora ou o aperfeiçoamento esperado.

Ampliar as qualidades que já existem em nós e não combater o que é externo.

Enquanto pensamos em nossas imperfeições, estamos criando pensamentos imperfeitos, os quais só produzirão imperfeições em nossa vida.

Concentremos nossa atenção na Harmonia, e os desequilíbrios desaparecerão de nossa vida; cultivemos o Amor e receberemos amor dos que nos rodeiam.

Fonte de Consulta

PRADO, Lourenço (Rosabis Camaysar). Forças Invisíveis. São Paulo: Editora Francisco Valdomiro Lorenz (Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento), 2000. 


09 dezembro 2014

Fogo

O que é o fogo? A resposta não é muito fácil. O fenômeno da combustão (fogo) teria sido explicado pela observação dos fenômenos naturais - tempestades, fricção de ramos secos de madeira, erupções vulcânicas etc. Embora se diga que é uma explicação científica, parte-se muito mais de uma interpretação intuitiva e pessoal. Em se tratando dos gravetos de madeira, a fricção produz realmente o fogo?

Gaston Bachelard, em A Psicanálise do Fogo, defende a tese de que o fogo tem um sentido psicológico e, por isso, pode falar de psicanálise do fogo: começa dizendo que a fonte inicial do estudo do fogo é impura: "a evidência primeira não é uma verdade fundamental". Ele afirma que, ao tentarmos explicar o que é o fogo, caímos numa zona objetiva impura em que se misturam as intuições pessoais e as experiências científicas. O fogo tem um sentido social e um sentido natural. 

O sentido social do fogo é mais importante do que o sentido natural. Esta observação leva-nos ao complexo de Prometeu, semelhante ao complexo de Édipo, mas com enfoque no aspecto intelectual: a inteligência do filho quer ultrapassar a inteligência dos seus pais e dos seus mestres. O fogo está associado a uma interdição social, ou seja, como ele queima, a criança deve ficar longe dele. A criança, então, rouba o fósforo do seu pai e vai fazer uma experiência num lugar deserto e distante de sua casa. 

O fogo é um fenômeno que explica tudo. O que muda lentamente se explica pela vida; o que muda rapidamente se explica pelo fogo. Na mitologia, o fogo representa tanto o bem quanto o mal. Há mitos ligados ao temor pelo poder destruidor do fogo; há mitos também ligados à gratidão pelos seus benefícios, à sua pretensa virtude rejuvenescedora. É como se estivesse brilhando no Paraíso e abrasando no Inferno. Enaltece a criança que brinca ao lado da lareira, mas castiga a desobediência de se aproximar demasiadamente de suas chamas. 

O fogo, junto à lareira, assume aspectos filosóficos. O devaneio diante do fogo - reflexão sobre si mesmo - inspira ao ser vivente o desejo de mudança: crescer, melhorar, progredir, rejuvenescer. A destruição é criativa, ou seja, jogar o velho no lixo e abrir a mente para o novo, para a renovação. Bachelard pensa que esse devaneio dá origem ao complexo de Empédocles: "um verdadeiro complexo em que se unem o amor e o respeito ao  fogo, o instinto de viver e o instinto de morrer". Nesse caso, o sonho é mais forte que a experiência. 

Saiamos da metáfora e caiamos na real. Não deixemos que as aparências tomem o verdadeiro valor das coisas. 

Fonte de Consulta

BACHELARD, Gaston. A Psicanálise do Fogo. Tradução Paulo Neves. São Paulo: Martins Fontes, 2008. (Tópicos)


26 novembro 2014

Cérebro: Fatos e Crenças

No livro O Novo Cérebro, o Dr. Nélson Spritzer diz que não vai tratar da auto-ajuda, mas da auto-propulsão, pois para ele não existe o acaso, mas a sincronicidade.

Começa afirmando que o nosso cérebro pode ser comparado ao funcionamento de um computador: os programas são crenças e sistemas lógicos gerados na mente. As crenças e os sistemas lógicos operam nosso hardware, o cérebro. 

O problema dos fatos e das crenças. 

Qual a diferença entre fatos e crenças? Fatos não se discute, se aceita. Quando você menciona somente os fatos, a possibilidade de aceitação é imediata. Em realidade, discutimos sobre crenças.

Fatos são como as coisas são e crenças são o que pensamos sobre os fatos. O que nos limita na vida, ou nos torna pessoas de sucesso, são nossas crenças sobre os fatos e não os fatos em si: os fatos são neutros. Não são bons nem ruins. O modo como cremos sobre eles faz toda a diferença. 

As crenças podem ser racionais e irracionais. 

Para ele, quem usa crenças irracionais exerce muito controle sobre nós. Observe os grandes ditadores:

Hitler difundia a crença da "superioridade da raça ariana", a crença do IIIº Reich, a crença dos "inimigos do povo" - os judeus.

Stalin enfatizava a crença da conspiração revisionista dos inimigos do regime.

Mao preconizava a sua Revolução Cultural.

O grandes líderes, religiosos ou não, também lidavam com as crenças das pessoas: Jesus, Maomé, Moisés, Martin Luther King, Gandhi.

Acha que quando nos decidimos por algo, usamos primeiro a emoção e depois a razão para justificar. 

O Dr. Nélson Spritzer é médico, Mestre em Cardiologia (UFGRS) e Doutor em Nefrologia (Escola Paulista de Medicina), com inúmeros trabalhos científicos apresentados e publicados no Brasil e no exterior, incluindo prêmios internacionais por pesquisas científicas originais na área da Cardiologia. 

SPRITZER, Dr. Nélson. O Novo Cérebro: Como Criar Resultados Inteligentes. Porto Alegre: L&PM, 1995.

14 novembro 2014

Que é um Conceito

ConceitoÉ a apreensão ou representação intelectual e abstrato da quidade (essência) de um objeto. Concepção. Em sentido geral, é o conjunto de conceitos ou ideias abstratas organizado logicamente num corpo doutrinal. Exemplo: concepção de mundo, de vida, de cosmos. Em sentido restrito, é a operação mental onde se elaboram os conceitos. Pode-se dizer que, em regra geral, conceito é um particular, como um lápis e uma mesa, com a diferença de que ele é mental

O conceito opõe-se à percepção e à intuição. Limita-se a apreender a essência, sem nada afirmar ou negar. É a forma mais simples do pensamento. Contudo, não podemos esquecer da célebre frase de Kant: "A percepção é cega sem o conceito, enquanto o conceito é vazio sem a percepção". 

No estudo do conceito, devemos enfatizar a relação entre compreensão e extensão de um conceito. A compreensão é o conjunto de caracteres de um objeto. Extensão é o maior ou menor número de objeto a que o conceito pode ser aplicado. Daí o princípio: quanto maior a compreensão, menor é a extensão, e inversamente. Exemplificando: a compreensão do cão (animal domesticado) deve estar relacionada com a extensão do simples animal.

Os conceitos estão no centro da atividade cognitiva: a aprendizagem é uma aquisição de conceito; a crença é uma atitude cognitiva acerca de uma proposição; a inferência é uma aplicação de conceitos; o raciocínio é um correlacionamento de inferências. 

Os aspectos relevantes no estudo do conceito são: o invariante. O conceito é um universal que representa particulares. O critério. Para se poder julgar que uma coisa pertence à categoria, o conceito deve especificar uma regra que permita estabelecer sobre a inclusão da coisa na categoria. A aquisição e o formato. A abstração pode ser adquirida por diferentes tipos de representação. A organização. As coisas podem ser agrupadas em categorias e as categorias também podem ser agrupadas em categorias superiores. 


Fonte de Consulta

Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia.
HARDY-VALLÉE, Benoit. Que é um Conceito? Tradução de Marcos Bagno. São Paulo: Parábola, 2013.


11 novembro 2014

Por uma Consciência Livre

Tese: Eliminar tudo o que possa tisnar a consciência. 

Fomos, ao longo do tempo, adquirindo hábitos que tisnam a consciência e, muitas vezes, não o percebemos. 

Na informática, usamos programas piratas, sendo que o correto é comprarmos um programa para cada computador. Por que não optamos pelo uso dos oferecidos gratuitamente?

Para obtermos uma aposentadoria, alegamos ter uma doença, forjamos documentos, pagamos subornos etc. Por que não esperamos o tempo oportuno, dentro da lei?

Tomamos livro emprestado e jamais o devolvemos. Que tal devolvermos aqueles que se encontram em nosso poder?

...

Suponha que esses e outros hábitos menos saudáveis comecem a nos perturbar, a deixar a nossa consciência pesada. 

Então, está na hora de começarmos a mudar, independentemente do que a maioria acha. Observe a corrupção que assola o nosso país: são poucos os que se indignam com isso. A maioria pensa: todos roubam. Alguns roubam, mas fazem. 

Convém batermos na tecla da liberdade de consciência, mas de uma consciência bem formada. Mesmo que poucas pessoas possam entrar em contato com nossos escritos, há um móvel invisível propagador, ou seja, as nossas radiações mentais podem entrar em sintonia com outras de mesmo teor, formando uma corrente poderosa para debelar as más tendências e, em contrapartida, fortalecer as boas. 

O Brasil está precisando de vibrações de paz e harmonia, a fim de formarmos uma sociedade fundamentada na moral e na ética.  

05 novembro 2014

Galileu e a Ortodoxia da Igreja

Galileu Galilei (1564-1641) estudou medicina e matemática. Em certa altura de sua vida, premido por necessidades financeiras, pois era professor de matemática de meia-idade e precisava melhorar de status e de finanças, interessou-se pelos rumores do novo invento, o "óculo espião". A invenção do telescópio foi a oportunidade de impressionar um novo mecenas entre as famílias ricas da Itália do século XVII. Não tinha ideia do alcance dessa descoberta para a ciência do cosmo.

O progresso é uma lei natural, ou seja, quer queiramos quer não, ele segue o seu rumo. Podemos, pela nossa ignorância, dificultar o seu curso, mas jamais poderemos detê-lo. Na ciência, formulam-se hipóteses; depois, pelo método teórico-experimental, essas hipóteses são testadas para verificar a sua veracidade. O telescópio, que diminui a distância das estrelas à vista humana, serviu como um instrumento para a verificação das hipóteses. As estrelas sempre estiveram lá, porém não as conseguíamos ver; com o telescópio, elas puderam ser observadas e analisadas.

O uso do telescópio para suas observações astronômicas fortaleceram as comprovações das hipóteses heliocêntricas de Copérnico. O uso da matemática abriu caminho para a ciência moderna. Entretanto, teve de lutar contra a ortodoxia da Igreja, pois esta defendia as ideias ptolomaicas, ou seja, que a Terra era o centro do Universo e não o Sol como pressuponha Copérnico. A Igreja pode ensinar o caminho para ir ao céu, mas não sabe explicar como ele foi feito.

No resto de sua vida, Galileu teve de lutar contra a Igreja. De início, as descobertas eram simples observações que não implicavam qualquer interpretação. Depois, tomou outro rumo: defesa das ideias de Copérnico. Numa audiência com o papa, fora pedido para ele fazer um estudo comparativo entre os dois sistemas, o ptolomaico e o coperniciano, mas sem emitir juízo de valor a favor de um deles. Desrespeitou o acordo, optando por defender Copérnico. Consequência: teve de abjurar para não ser morto.

Este fato histórico mostra a força das ideias. Podemos negar, encobrir e distorcer a realidade, mas, no final das contas, a verdade emerge com toda a sua força. Isto acontece porque a lei de progresso é uma lei natural: ela independe de nosso juízo de valor. Observe o aparecimento do computador: quantos de nós não o negaram? Hoje, a informática está diuturnamente em nossas mais simples ações.

Naquela época, a verdade estava com a doutrina de Igreja. Hoje, a ciência tem um desenvolvimento sem par na história da humanidade.

Fonte de Consulta

MOSLEY, Micahel e LYNCH, John. Uma História da Ciência: Experiência, Poder e Paixão. Tradução de Ivan Weisz Kuck. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

30 outubro 2014

Ciência: Senso Comum, Acaso e Dinheiro

Em seu avanço, a ciência parece estar sempre lutando contra o senso comum. Isso acontece porque temos opiniões e queremos que elas sejam respeitadas. Em assuntos científicos, porém, a opinião da maioria não importa, pois muitas de suas verdades são contraintuitivas e seu progresso independente de nossa maneira de ver o mundo. A ciência não é democrática.

No âmago da ciência, há um elemento denominado acaso. Muitas de suas descobertas surgiram como um insight, a ponto de Luis Pasteur, o pai da teoria dos germes e um dos criadores do método de pasteurização, dizer: "O acaso favorece quem está intelectualmente preparado". Não basta ter sorte; o importante é estar no lugar certo e na hora certa.

Em algumas dimensões da realidade, além da personalidade do cientista, as pressões financeiras exerceram papel preponderante. No estudo dos astros, o uso do telescópio por Galileu foi em grande parte movido por dinheiro. "Quando ouviu os primeiros rumores sobre o novo e maravilhoso invento, o "óculo espião", ele se entusiasmou e agiu porque estava em difícil situação financeira - ele era um professor de matemática de meia-idade, sem muitas perspectivas, e precisava melhorar de status e de finanças".

Kepler, no início do século XVII, trabalhando sozinho em Praga, descobriu as leis do movimento planetário. Sem a Reforma, que abalou a sua crença nas autoridades estabelecidas, e sem o apoio financeiro e político do imperador do Sacro Império Romano, Rodolfo II - obcecado por horóscopo, ele não teria a oportunidade de coletar os dados acerca do Universo. Durante cinco anos, preencheu centenas de páginas de cálculos até ver concluída a sua obra. Mais tarde, escreveu: "Se você, caro leitor, se aborrece com estes cálculos enfadonhos, tenha pena de mim, que tive de repeti-los 70 vezes." 

Fonte de Consulta

MOSLEY, Micahel e LYNCH, John. Uma História da Ciência: Experiência, Poder e Paixão. Tradução de Ivan Weisz Kuck. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.



21 outubro 2014

O Fracasso Pode Levar ao Êxito

“Quando você fracassa em algo, muitas vezes a coisa mais difícil do mundo é voltar a tentá-la — e firmar-se nisso até transformar o fracasso em sucesso.”

Desilusão, fracasso e embaraço são desculpas para a comodidade de nosso ego. Essas desculpas, porém, nos são extremamente caras, pois dificultam a busca de soluções para o nosso problema, inclusive restringe-nos a possibilidade de enfrentar uma verdade sobre nós mesmos.

Quando damos força ao infortúnio, deprimimo-nos emocional e mentalmente e, com isso, atraímos outras desgraças. Forma-se uma espécie de círculo vicioso. O que foi plantado no passado, passa-nos a atormentar no presente, formando novos tormentos que não têm mais fim.

Para isso, adotemos o código do homem de ação.

  • Mantenhamos uma atitude mental positiva e otimista diante de todas as situações aparentemente negativas.
  • Procuremos corrigir os enganos rapidamente — logo que possível.
  • Tenhamos em mente que o desejo atrai as oportunidades; o medo, o fracasso.
  • Sigamos o princípio da aprendizagem: aprender a fazer fazendo.
  • Por último, conscientizemo-nos de que o passado não deve atormentar o presente.

“O que se planta no "solo da consciência" cria raízes: um fracasso produzirá outro fracasso e este levará a novas derrotas — a menos que a cadeia progressiva dos fracassos seja extirpada.” 

14 outubro 2014

Frases para Ajudar a Pensar

"Recentemente fiz uma revisão da sabedoria popular e um dos provérbios que criei é Nada prejudica mais que o sucesso, porque você não aprende nada com ele. A única coisa com a qual sempre aprendemos é o fracasso. O sucesso apenas confirma nossas superstições." (Keneth Boulding)

Haverá alguma coisa que se altere, como resultado da minha preocupação a respeito?

Só os inseguros lutam por segurança. A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. Ele é a verdadeira fonte de toda arte e ciência.

Você é capaz de aceitar alguma coisa nova, ou se apega rigidamente a seu comportamento habitual?

Você ensinou realmente durante trinta anos, ou ensinou um mesmo ano, trinta vezes?

A perfeição significa imobilidade. Se você tem para si próprio padrões perfeitos, então nunca tentará coisa alguma e não fará muita coisa, porque a pefeição não é um conceito que se aplique a seres humanos.

Não se deve ensinar ninguém a ser competitivo, a tentar ou mesmo fazer bem alguma coisa.

08 outubro 2014

Pensamento Evolutivo

"O conhecimento por si só é uma coisa abstrata. Ele só tem valor quando é repassado aos outros."

A base do pensamento evolutivo começou há centenas e centenas de anos. No início dos tempos, as especulações eram míticas. Exemplo: um trovão era interpretado como a fúria dos deuses. Conhecimento mítico é o conhecimento que não é racional, mas o ser humano precisa dele, pois tem necessidade de dar uma resposta à sua curiosidade.

Nos séculos VI e VII a.C., os gregos descobriram a filosofia, que é o uso racional do conhecimento. O que fizeram do conhecido mítico até então acumulado? Houve uma compartilhação entre o racional e o mítico. Aos poucos, foi-se substituindo o conhecimento mítico pelo racional.

Antes o conhecimento era global: tudo fazia parte da filosofia. Com o passar do tempo, esses conhecimentos se especializaram e se tornaram ciência. A Psicologia, por exemplo, é uma das ciências mais recentes a se desprender do tronco comum da filosofia. Uma questão para refletir: a especialização da especialização do saber não faz o ser humano perder a noção do todo? 

O conhecimento do senso comum. O homem tem necessidade de resolver os seus problemas; resolve-os através de erros e acertos, mas não sabe o por quê. Fica na superfície; não se aventura a buscar a essência. Exemplo: um chá caseiro cura um resfriado. A pessoa sabe que cura, mas não tem informações científicas sobre aquela erva. Outro exemplo: viajar de avião é perigoso. Um engenheiro de aviação pode nos mostrar que é mais seguro do que andar a pé pela cidade. 

O conhecimento científico, ao contrário do conhecimento do senso comum, é um conhecimento que vai à busca das causas, das leis e da essência dos fenômenos. Os seus princípios são: 

  • Transcende aos fatos - tem que descobrir a essência. 
  • Exatidão e clareza - todos podem fazer uso do conhecimento. 
  • Deve ser comunicável - sem comunicação não se torna conhecimento. 
  • Deve ser verificável - o que descobri no meu quarto pode ser feito em qualquer lugar do mundo.
  • Fazer predições - descoberta uma lei, pode-se prever o que acontecerá.
  • É aberto - uma verdade científica de hoje pode ser uma mentira amanhã. 

Fonte de Consulta




Homem: Unidade e Contradição

O homem se apresenta como unidade e contradição. Há uma série de instâncias antagônicas, dentre as quais, citamos: o homem como ser animal e social; o ser humano como homem e mulher; o homem dentro e fora de si mesmo; razão versus coração; teoria e práxis; o passado e o futuro.

O homem é um ser social que se realiza em contato com outros seres humanos. Como animal, estaria submetido à espécie, o que não ocasionaria conflito. O conflito surge quando, superando a animalidade, torna-se pessoa e transforma-se num fim em si mesmo. O problema: terá de viver com outros seres humanos, que também são um fim em si mesmo, exigindo o devido respeito.  

O ser humano apresenta-se sexualmente como homem e mulher. As características físicas e psíquicas de cada sexo são diferentes, pois ambos têm missões distintas. A força do homem, porém, converteu-se em lei e a mulher transformou-se num objeto de posse e satisfação sexual do homem. O sexo, que devia coroar as instâncias do amor, escravizou a mulher, com as consequentes deformações masculinas.

Além das tensões entre pessoas, há um antagonismo dentro da própria pessoa: os anseios mais nobres do espírito. O homem é um ser limitado, sujeito aos apetites da carne; ao mesmo tempo, é também um ser espiritual. Há, assim, uma luta entre os ideais mais nobres do espírito e aqueles que o mundo sensível lhes oferece. Uma meta elevada exige sacrifícios que só podem realizar-se às custas dos desejos primários. 


Razão e coração são pólos de antagonismo. Como se explica? O conflito está na busca fria e abstrata de uma verdade universal, que pertence a todos, e os anseios do coração, que é pessoal. A verdade abstrata é a razão, o conhecimento, a lógica das relações. A verdade do sujeito, aquela que compromete todo o seu ser, é exclusiva, é aquela que o sujeito captou dentro de sua limitação. 


A contraposição entre teoria e práxis. A teoria e a prática são duas vertentes de uma mesma realidade. A teoria diz respeito à vida intelectual, de estudos, de aplicação, de meditação. A prática sugere o uso das mãos, da ação, da operosidade. Muitas vezes o ser humano tem que escolher uma dessas duas facetas em detrimento da outra. Viver nada mais é do que dar preferência a um desses dois campos da existência.

A ambiguidade entre passado e futuro. A vida é um fluir, é um deslocamento do passado ao futuro. No presente, podemos assumir uma atitude de defesa do presente que se vai cristalizando no passado ou uma atitude mais revolucionária que se projeta no futuro. Por isso, o conservadorismo e o progressismo, a segurança do passado e a esperança do porvir.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.




26 setembro 2014

Vida Intelectual

A vida é um conjunto dos fenômenos de toda a espécie, incluindo nutrição e reprodução, que se estende do nascimento até a morte. Intelecto é a faculdade de perceber, conceber, compreender; na Escolástica, designava a capacidade e a atividade cognitiva a que depois se chamou entendimento e inteligência. Intelectual é o que pertence à inteligência, ao intelecto, que está no entendimento.

A vida intelectual (ou racional), também chamada de vida intelectiva, designa o conjunto das operações propriamente racionais. Segundo a tradição aristotélico-tomista, a vida intelectiva integra as funções de ordem cognoscitiva, tendencial ou afetiva. Nesse sentido, opõe-se tanto à vida vegetativa como à vida sensitiva, constituindo o plano mais elevado dos três.

Para compormos uma obra intelectual, convém criarmos em nosso interior uma zona de silêncio, um hábito de recolhimento, uma atitude de desapego. Esse clima interior deixa-nos livres para pensar. Em seguida, convém o intelectual se dispor a pensar, ou seja, captar parte da verdade que o mundo lhe oferece. Nesse quesito, convém separarmos a memória de papagaio da memória profunda.

A intelectualidade é uma vocação. A vocação é uma disposição interior que nos leva a escolher determinadas tarefas em detrimento de outras, as quais somos completos ignorantes. Na vocação intelectual, convém não nos satisfazermos com leituras soltas e trabalhos superficiais. Devemos nos assemelhar aos atletas olímpicos que tudo fazem para ganhar uma competição.

O futuro herda do passado. Negligenciando a hora presente, estaremos necessariamente comprometendo o futuro. Aqui cabe a expressão ex nihilo nihil fit (do nada nada se espera). A ideia de perfeição deve acompanhar os nossos passos, pois o tempo perdido não volta mais.

O trabalhador intelectual deve ter momentos de solidão para uma reflexão, para pôr em ordem os pensamentos, para melhorar um entendimento. Contudo, não deve ser um isolado, pois tem uma missão: ajudar todos aqueles que não tiveram oportunidade de aprender algumas verdades que a vida intelectiva lhe proporcionou.

A virtude própria do homem de estudo é a estudiosidade. S. Tomás classificava a estudiosidade sob a forma da temperança moderada. A intelectualidade deve estar relacionada com os outros aspectos da vida, para evitar que o seu possuidor descambe para os excessos.

Fonte de Consulta

LOGOS – ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE FILOSOFIA. Rio de Janeiro: Verbo, 1990.


SERTILLANGES, A.-D. A Vida Intelectual: seu Espírito, suas Condições, seus Métodos. Tradução de Lilia Ledon da Silva. 3. ed., São Paulo: É Realizações, 2014.


Notas extraídas do livro A Vida Intelectual, de Sertillanges

24 setembro 2014

Determinismo e Fatalidade

Determinismo, destino, fatalidade e livre-arbítrio são termos que se complementam no exame de nossas ações. Dentre eles, a fatalidade é o mais enfático. Diz-se que é fatal ou sucedido ou a suceder-se, marcado pelo destino, portanto, do que, necessariamente, tem de acontecer, ou necessariamente aconteceu. Nesse caso, o sujeito não tem mais nada a fazer a não ser aguardar os acontecimentos.

Os gregos antigos acreditavam no poder absoluto das forças do universo. Embora não se sentissem satisfeitos com isso, achavam-se impotentes e deviam obedecê-las. Os pitagóricos, por exemplo, pressupunham o universo como um sistema fechado. Para desvendá-lo, precisavam relacionar as suas partes constituintes, o que seria feito pela decifração dos números. Lembremo-nos de que, para Aristóteles, o universo era governado pelo número.

O determinismo pode ser visto como: a) doutrina ontológica – em que tudo ocorre segundo leis ou por desígnio; b) determinismo causal – em que todo o evento tem uma causa; c) determinismo genético – em que somos o que os nossos genomas prescrevem. Observe que essas teses são parcialmente verdades, pois há processos espontâneos, como a desintegração radioativa espontânea e a descarga neurônica. Quanto aos genomas, os fatores ambientais são tão importantes quanto os dons genéticos.

Livre-Arbítrio — quer dizer o juízo livre, é a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos. Pode-se dizer que é a autonomia que Deus nos deu para errarmos. Qual a relação entre livre-arbítrio e fatalidade? Expliquemos com a seguinte situação: ao nascermos somos postos em determinada circunstância: por exemplo, entre os drogados. Isso é fatal, ou seja, tínhamos que nascer naquele lugar e com aquelas pessoas; o livre-arbítrio diz respeito a ceder ou resistir ao vício da droga.

Deus, em sua infinita bondade, criou as leis naturais. Por essa razão, diz-se que no momento em que quisermos refutar a verdade, seremos por ela refutados. Neste estudo do determinismo, principalmente o determinismo científico, devemos levar em conta o princípio da legalidade juntamente com o princípio do ex nihilo nihil fit.

Fonte de Consulta

BUNGE, M. Dicionário de Filosofia. Tradução de Gita K. Guinsburg. São Paulo: Perspectivas, 2002. (Coleção Big Bang)


Computador e Tempo

“Seja a mudança que você deseja para o mundo.”
Ghandi

De acordo com o filósofo Paul Virilio, estamos imersos em uma sociedade em que o tempo é dado pelo computador. Antes, tínhamos presente, passado e futuro. Nos tempos modernos, tudo é presente e instantâneo. Aconteceu, virou manchete. Está sendo desencadeada uma guerra no outro lado do mundo, o computador nos oferece a oportunidade de ter esta informação quase que simultaneamente.

Em se tratando do tempo, há duas maneiras de vê-lo: objetivamente e subjetivamente. O relógio registra o tempo objetivo, a marca das 24 horas. O tempo subjetivo depende de nosso estado de espírito. Registremos apenas que ter a impressão de que o tempo corre rapidamente não é uma ilusão, ainda que o relógio diga o contrário: são duas verdades que temos de refletir e aprender com elas.

O computador veio para liberar tempo, pois realiza os trabalhos repetitivos que demandam muito tempo. Com isso, o ser humano poderia ficar mais tempo com a família, parentes, vizinhos e os diversos tipos de lazer. O que foi que aconteceu? O tempo se tornou escasso e multidividido. A maioria das pessoas faz duas coisas ao mesmo tempo. Um exemplo: atende-se ao telefone enquanto se digita no teclado.

Antes da vinda do computador, o ser humano usava outros meios para se comunicar: cartas, telefone, fax etc. A relação com o tempo mudou de forma radical. A comunicação se faz pelas redes sociais: o e-mail está sendo substituído pelo Facebook. O problema que se apresenta: dificuldade de se administrar o excesso de informação. 

O uso excessivo da internet tem consequências graves: muitos alunos, em sala de aula, estão com elevado déficit de atenção. Uma Universidade dos Estados Unidos fez uma experiência com alguns alunos, que quiseram servir de cobaia, ou seja, ficarem três dias sem celular e sem computador. Resultado: passaram a sentir os mesmos sintomas dos dependes de drogas: ânsia de vômito, febre, convulsões

Saibamos usar o computador. Evitemos, porém, a INTOXICAÇÃO DA INTERNET.

Fonte de Consulta

LENOIR, Frédéric. A Cura do Mundo. Tradução Nicolás Campanário. São Paulo: Loyola, 2014.



17 setembro 2014

Atitude

Atitude é uma reação avaliativa quanto ao posicionamento do indivíduo diante de um objeto. É um dos conceitos básicos da Psicologia Social. Segundo Jean Meynard, “É uma disposição ou ainda uma preparação para agir de uma maneira de preferência a outra. As atitudes de um sujeito dependem da experiência que tem da situação à qual deve fazer face”. É a “Predisposição a reagir a um estímulo de maneira positiva ou negativa”.

Parecer de alguns pensadores sobre a atitude: Dewey, em Conduta e Natureza Humana, considera essa palavra um sinônimo de hábito e de disposição. Lewis, em Uma Análise do Conhecimento e Valor, diz que na atitude o que está presente é captado em seu significado prático e antecipador, como um indício daquilo que está além, no futuro. Stevenson, em Ética e Linguagem, chama de atitude o impulso para a ação que, não se sabe por que, é qualificada de "emotiva", mas acha difícil demais definir precisamente a atitude e, por isso, assume-a no significado mais genérico de disposição para a ação. 


Um estudo das atitudes inclui:

Características fundamentais: 1) intensidade – a mesma atitude favorável a um determinado objeto varia de intensidade, de indivíduo para individuo; 2) conteúdo cognitivo – pessoas com atitudes de rejeição a um determinado objeto podem ter conhecimentos distintos sobre o objeto; 3) Diferenciação – uma atitude frente a um objeto pode ser clara (ou nebulosa) para o seu possuidor; 4) Isolamento – uma atitude tomada pelo indivíduo pode estar conectada (ou isolada) das demais atitudes do sujeito. 

Fatores que atuam sobre o desenvolvimento das atitudes: 1) Determinantes culturais - a cultura marca os limites para a atitude se desenvolver, mas dentro desses limites há muito espaço para a diversidade individual. 2) Influência dos pais e dos familiares - contribuem com a orientação e o exemplo. 3) Personalidade - uma personalidade autoritária poderá descambar para as atitudes extremas. 

A mudança das atitudes pode ser feita: 1) Pela mudança de posição do indivíduo dentro do grupo. 2) Pela mudança da situação social do indivíduo. 3) Pelo maior contato com o objeto da atitude. 4) Pelo maior conhecimento do objeto através de informações de outros. 

A preservação das atitudes pode ser feita: 1) Afastamento - evitar toda a informação contrária à opinião já estabelecida, através do afastamento físico. 2) Seletividade da percepção - quando o afastamento não é possível, o indivíduo pode passar a só perceber a informação que confirma sua atitude prévia. 3) Reinterpretação dos dados - a informação será reinterpretada de modo a tornar-se favorável à atitude já estabelecida. 

Fonte de Consulta

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M.E.C., 1967.




Comportamento

Um código moral é essencial para a sobrevivência de uma sociedade. Sem este, haveria a necessidade de todos viverem livremente e no maior interesse das outras pessoas. Na cultura ocidental, a influência dominante é o sistema ético baseado na tradição judaico-cristã.

Em se tratando do comportamento, devemos ter em mente os valores essenciais, que são aqueles sem os quais não podemos viver. Sócrates referiu-se ao conhecimento ou autoconhecimento; Aristóteles, à felicidade. De um modo geral, podemos dizer que os valores essenciais são: verdade, justiça, paz, felicidade. Lembremo-nos da advertência de Aristóteles: “Não agimos corretamente porque temos virtude ou excelência, mas as temos porque agimos corretamente.”

O absolutismo moral determina que certas ações são totalmente certas e outras totalmente erradas. Nesse sentido, os dez mandamentos podem ser considerados absolutos. No Ocidente, contudo, o absolutismo moral não é mais definido pela lei, mas por um ideal. Esse ideal é conhecido como a Regra de Ouro: tratar os outros como gostaríamos que nos tratassem. Daí, o imperativo categórico de Kant: “Age só segundo máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei universal”.

Os princípios religiosos são úteis à formação de nossos comportamentos. É preciso, porém, tomar cuidado, pois quando agimos somente em função dos princípios religiosos, podemos cair na armadilha proposta por Blaise Pascal (1623-1662): "Os homens nunca fazem o mal tão completamente e alegremente como quando o fazem por convicção religiosa.” Lembremo-nos de que quando uma lei religiosa persiste é porque a sua “verdade” baseia-se muito mais em valores universais do que os princípios daquela dita religião. 

Nem sempre é errado violar uma lei, principalmente quando ela exija que o sujeito faça algo imoral ou contrário à sua consciência. A consciência moral é que nos dita as normas. Ouçamos Martinho Lutero (1483-1546): “Não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável. Não posso fazer outra coisa, esta é a minha posição. Que Deus me ajude. Amém.” 

Muitos afirmam que o karma determina o nosso comportamento. Não é verdade. Karma significa “impressões”, “tendências”, ou “possibilidades”. Karma não é o ato ou a ação, e sim a intenção que determina o efeito cármico da ação. O karma afeta a natureza de seu renascimento, mas não afeta as suas ações. O karma fornece uma situação mas não a resposta do sujeito diante daquela situação.

Para bem vivermos, consultemos a nossa consciência e respeitemos as normas da sociedade em que estivermos inseridos.

Fonte de Consulta

BENEDICT, Gerald (Gerald Samuel). Filósofo em 5 Minutos. Tradução de Patrícia Azeredo. Rio de Janeiro: BestSeller, 2014.






15 setembro 2014

Jung e o Ocultismo

Carl Gustav Jung (1875-1961) era filho de um pastor rural suíço. No seu segundo período na Universidade descobriu um livro sobre Espiritismo, passando depois aos interesses ocultistas mais abrangentes. Três anos mais tarde, voltou ao tema “paranormal”, em virtude de duas explosões, aparentemente sem sentido, que ocorreram em sua casa, uma rachando um sólido tampo de mesa, e a outra quebrando a lâmina de uma faca de trinchar. 

Jung soube, mais tarde, que uns parentes haviam formado um círculo em torno de uma médium, de quinze anos. A partir daí, Jung começou a frequentar essas sessões, por um período de dois anos, cujo material recolhido serviu para sua tese de doutorado. 

Jung fora discípulo de Freud. Freud era relutante quanto ao sobrenatural, principalmente para evitar a fraude. Jung, por sua vez, começou as suas investigações da mente humana examinando uma suposta médium. Até o fim do século XIX, Freud manteve distância do ocultismo, e numa ocasião tentou fazer Jung prometer transformar sua teoria sexual das neuroses num inabalável baluarte "contra a lama negra do ocultismo". Em contrapartida, Jung o chamou de numenosum, uma categoria sagrada e absoluta. 

A experiência com a médium "Srta. S. W." concedeu a Jung os primeiros fundamentos da sua teoria de personalidades subsidiárias, estimulando-o ao estudo dos aspectos filosóficos do ocultismo. Ele não estava interessado no fenômeno em si, mas no conteúdo das comunicações, que dividiu em duas categorias: 1) romances; 2) elaboração de uma complexa cosmologia de tipo gnóstico. 

O sobrenatural foi uma preocupação constante de Jung, desde a infância até a idade adulta. 

Fonte de consulta

CAVENDISH, Ricardo (org.). Enciclopédia do Sobrenatural. Tradução de Alda Porto e Marcos Santarrita. Porto Alegre: L&PM, 1993.





10 setembro 2014

Perguntas na Filosofia

“É melhor conhecer algumas perguntas do que todas as respostas.” James Thurber (1894-1961)

A maioria das perguntas que povoa o nosso dia é sobre fatos: que horas são? Qual o melhor caminho que devemos seguir para chegar em tal lugar? Qual o preço deste artigo? As perguntas importantes caminham em outra direção: introspecção combinada à mente aberta. Nesse sentido, “toda pessoa deve ter espaço e liberdade suficientes para planejar o uso do próprio tempo; a oportunidade de atingir níveis mais altos de atenção, um pouco de solidão, um pouco de silêncio”. Simone Weil (1909-1943)

Fazer perguntas é um meio de se libertar. É uma oportunidade para fugir do dogma, do costume e das opiniões de especialistas. Elaborar perguntas exige tempo, reflexão, honestidade e até coragem. Devemos amar as perguntas e viver as respostas. 

O livro de Gerald Benedict, intitulado Filósofo em 5 minutos, dá-nos 80 respostas para 80 perguntas absurdamente difíceis. Entre os temas escolhidos, temos: 

Conhecimento. Para algo ser conhecido tem que ser verdadeiro e se basear na “crença verdadeira justificada”. O conhecimento está mais preocupado com a certeza, e a crença com a confiança. 

Individualidade. O eu muda de acordo com os estímulos. 

Cosmos. As origens da vida e do Universo estão sempre nos atormentando. 


Humanidade. “O homem é o único animal cuja própria existência é um problema que ele precisa resolver.”

Espiritualidade. Aquilo que procuramos está dentro de nós mesmos. 

Religião. Já foi dito anonimamente que “filosofia são as questões que podem não ter respostas. Religião são as respostas que não podem ser questionadas". 

Crença. A crença indica confiança enquanto a fé implica risco. 

Comportamento. “É um fato social toda maneira de agir, fixa ou não, capaz de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior.”

Fonte de Consulta

BENEDICT, Gerald (Gerald Samuel). Filósofo em 5 Minutos. Tradução de Patrícia Azeredo. Rio de Janeiro: BestSeller, 2014.


19 agosto 2014

Fundamento da Moral

O fundamento comporta vários significados, tais como origem, princípio, razão de ser; porém, ele não é princípio, nem causa, nem finalidade. O fundamento assenta-se num princípio, numa causa, mas não é o princípio, a causa. Moral é a regra da boa conduta e, portanto, da distinção entre o bem e o mal. Funda-se na observação da lei de Deus.


A moral não deve ser fundada em uma religião, em uma filosofia, em uma ciência. Sempre que o fizermos, vamos particularizando a moral, servindo de pretexto para divergências, pois uma religião quer suplantar a outra, uma filosofia quer suplantar a outra, uma ciência quer suplantar a outra. 

A moral deve ser fundamentada no universal. Quando um conceito se universaliza, ele serve para qualquer situação. Para Kant, um comportamento pode ser considerado moral quando é universalizável. Por isso, a crença no imperativo categórico, ou seja, no comportamento que se prende a uma norma que ultrapassa o caso concreto, a utilidade ou o interesse pessoal.

A moral, sendo exclusiva e universal, é a única fundamentada no direito e a única que permite fazer um juízo fundamentado sobre o valor relativo das outras. Pois as morais coletivas – ou individuais – são válidas na medida em que estão de acordo com a moral dos direitos e dos deveres universais do homem.

Em termos históricos, a cultura Greco-cristã é superior a qualquer outra, porque foi no solo Greco-cristão que se reconheceram e afirmaram pela primeira vez a igualdade de direito de todos os homens e os direitos universais do homem.

O grau de abertura de uma coletividade é o resultado da relação entre deveres para conosco e deveres para com eles. A coletividade será tanto mais aberta quanto mais essa relação tornar-se igual a 1. 

Fonte de Consulta

CONCHE, Marcel. O Fundamento da Moral. Tradução de Marina Appenzeller. São Paulo: Martins Fontes, 2006. (Coleção justiça e direito)

05 agosto 2014

Origem dos Números

A origem dos números encontra-se no termo latino “calculus”, visto que os antigos usavam pedrinhas ou conchas para contar. Para manipular os números, havia a necessidade de manter uma forma tangível, que consistia em pedrinhas, nós amarrados em varetas ou talhos em bastões. O inconveniente, porém, era a necessidade de se ter espaços enormes para estocar grandes números.

A escolha de símbolos para representar os números dependeu das modalidades técnicas das escritas das várias civilizações. Dentre esses povos, merece destaque o modo romano de gravar inscrições lapidares: eles substituíram suas bases por letras, tais como V (cinco) e X (dez), fáceis de marcar com um buril nas pedras mais duras. Além disso, criaram arbitrariamente um modo de ler, pois o I antes de X, diminui e I depois de X aumenta, tendo-se, respectivamente, 9 e 11. 

Há inúmeras maneiras de ler os números: direita para esquerda, esquerda para direita, de cima para baixo, de baixo para cima. A ordenação lógica dos algarismos, contudo, conduziu à invenção pelos babilônios da numeração de posição. Convencionou-se que o mesmo sinal não teria o mesmo valor dependendo das diferentes posições que ocupasse no algarismo completo. Um três poderia ser lido como três, trinta ou trezentos, conforme estivesse situado na primeira, na segunda ou na terceira fileira.

Essa descoberta apresentava um inconveniente, ou seja, a de representar uma posição onde não houvesse um número para representar: como distinguir um trinta e dois de um trezentos e dois de um três mil e dois? A primeira ideia que os homens tiveram para resolver esse problema foi colocar um simples ponto toda vez que não houvesse um número a marcar. Mas os babilônios, inventores dessa prática, logo perceberam que haviam criado, ao mesmo tempo, um conceito inteiramente novo: haviam descoberto o zero.

Esse zero que empregamos todos os dias não representa o número, mas a sua ausência. 

Faltava apenas encontrar uma forma gráfica para os dez algarismos de base. Os Romanos meteram mãos à obra. Atribuíram à inicial de cada algarismo escrito em letras o valor desse algarismo. L para cinquenta, C para cem, D para quinhentos, M para mil. Acrescentando a eles o V para cinco e X para dez, conseguiam inscrever os maiores números com um repertório de apenas seis algarismos. 

Os nove números e sua ausência são de fato representados pelos dez algarismos pretensamente “arábico”: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9. Pedrinhas e quadros com bolinhas cederam lugar aos mais práticos ábacos e máquinas de calcular geométricas, mecânicas e depois eletrônicas.

Fonte de Consulta

FOSTER, Michaël. Os Números. Tradução de Marina Appenzeller. São Paulo: Martins Fontes, 1986. 

30 julho 2014

Ler: Sobrevoar e Diagonalizar

A leitura é essencial para a nossa formação, seja profissional seja filosófica. Mas será que sabemos realmente ler? Quais são os tipos de leitura? Como tornar mais proveitoso o nosso contato com os livros? Em se tratando da leitura filosófica, recordemos que ela consiste em aprender a pensar. Há necessidade de nos familiarizarmos com o texto, no sentido de aprofundá-lo mediante os exercícios de reflexão. 

Ao lado da "leitura-evasão" e da "leitura-cultura", temos a "leitura-exercício". Enquanto as duas primeiras abrem caminho para o imaginário, o deslocamento do real, esta é dinâmica e não passiva. Nesse caso, ela é indissociável da anotação. Por isso, a sugestão de ler com papel e lápis na mão. Para que haja produtividade, o leitor deve praticar o sobrevoo e a diagonalização. 

Diagonalizar é ler rapidamente tentando captar as informações essenciais ao nosso interesse. A diagonalização nada mais é do que a "seleção". Para quem não tem um objetivo, qualquer caminho serve. Aqui, o sobrevoo é útil para que possamos demarcar o terreno, que mais tarde será percorrido por uma leitura mais atenta.

Para que a diagonalização seja eficaz, há necessidade de um método. Comecemos lendo imediatamente a introdução ou o prefácio. Muitas vezes, é aí que o autor condensa a sua ideia principal. Depois, procedamos a um exame minucioso do sumário, pois, quando bem feito, realça a estrutura de toda a obra. O índice analítico também é útil. Nele encontramos as principais palavras-chaves da obra. 

Somente depois de todo esse processo é que podemos ir aos capítulos, no sentido de estudar aquele que mais atende ao nosso interesse. Para bem compreender, devemos bem selecionar. Aquilo que não serve, deve ser cortado, sob pena de atrapalhar a nossa estrutura mental e espiritual. 

A síntese da obra é a última etapa. Nela, podemos anotar algumas palavras-chaves, as quais nos darão o rumo completo da referida obra.  

Fonte de Consulta

RUSS, Jacqueline. Os Métodos da Filosofia. Tradução de Gentil Avelino Titton. Petropólis, R.J.: Vozes, 2010. 


28 julho 2014

Drogas

A palavra "droga" refere-se a uma substância química tomada de forma deliberada para obter efeitos desejados. Algumas drogas são usadas do ponto de vista médico para tratar doenças, enquanto outras são tomadas devido a seus efeitos prazerosos.

Drogas são substâncias químicas: uma série de átomos ligados para formar uma molécula. Qualquer que seja a via da administração usada, a molécula da droga deve acabar no corrente sanguínea.

As drogas como medicamento. Observe os diuréticos, que estimulam a produção de urina nos rins. Ao remover um pouco a água contida no sangue, a droga reduz o volume de sangue em circulação e consequentemente diminui a pressão sanguínea.

Menos da metade do colesterol presente no sangue se origina da dieta; o restante é sintetizado no organismo principalmente no fígado. As drogas redutoras do colesterol, chamadas estatinas, bloqueiam essa síntese agindo sobre uma enzima-chave - a HMG-CoA redutase. as estatinas surgiram como uma forma de prevenção da doença, em vez de tratar sintomas existentes. Elas não baixam a pressão sanguínea nem tratam tratam a insuficiência cardíaca - mas impedem um maior acúmulo de depósitos de colesterol nas artérias e podem até levar a uma regressão dos depósitos já existentes.

O consumo total anual de drogas medicinais no mundo inteiro é de cerca de 250 bilhões de dólares, mas o consumo de drogas recreativas é pelo menos dez vezes maior. Pessoas tanto de países ricos quanto pobres parecem ter um desejo de alterar seu estado de consciência. O problema é que a droga recreativa pode levar ao abuso. Consequentemente, à dependência. Na convenção moderna, o termo "dependência" costuma ser usado em detrimento de "vício". Os sintomas da dependência podem incluir tolerância (a necessidade de usar doses cada vez maiores da substância para atingir o efeito desejado) e dependência física (um estado físico alterado induzido pela substância, que produz sintomas físicos de abstinência como náuseas, vômito, convulsões e dor de cabeça quando o uso da substância é interrompido); mas nenhum deles é essencial ou suficiente para o diagnóstico da dependência química. A dependência pode ser definida em alguns casos unicamente como psicológica. Isso diverge das primeiras reflexões sobre esses conceitos, que tendiam a igualar vício a dependência física. 

O usuário dependente de drogas pode continuar a usar quantidades excessivas delas, mesmo sendo claramente prejudicial a seu emprego, saúde e família. Felizmente, nem todos que usam uma droga recreativa tornam-se dependentes dela. É possível que haja pessoas com uma personalidade dependente, mas suscetíveis do que as demais. As drogas apresentam riscos diferentes de dependência - desde o alto risco, como é o caso da cocaína, da heroína e da nicotina, até um risco mais baixo, o caso do álcool, do cânhamo e da anfetaminas. As mudanças que ocorrem no cérebro durante o desenvolvimento da dependência de drogas ainda são um mistério. 

Trechos copiados do livro Drogas, de Leslie L. Iversen. Tradução de Flávia Souto Maior. Porto Alegre, RS: L&PM, 2012.




22 junho 2014

Um Passeio pela Antiguidade

Roger-Pol Droit, em "Um Passeio pela Antiguidade", descortina-nos novos horizontes a respeito dos Antigos. Acha que eles estão esquecidos, que houve um rompimento entre nós e a cultura antiga. O acesso a essas obras é praticado apenas por especialistas, mas em vias de se acabar. 

Quer nos mostrar a necessidade cada vez maior de buscar essa reserva de experiências humanas, de exercícios espirituais, de regras de vida e de métodos de reflexão que eles desenvolveram naquela época. Hoje, o aprendizado de ciência e técnica absorve a maior parte do tempo do estudante. Incentiva-nos, assim, a mudar o nosso olhar sobre os antigos: "deixemos de ver a Antiguidade como algo morto, respeitável e tedioso, vagamente decorativo mas inútil para o mundo real". 



16 junho 2014

O Oráculo e o Trabalhar com Método

"O gênio é um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração." (Thomas Edison)

Os pensamentos pululam ao redor de nosso cérebro, esperando o momento propício para se transformarem em palavras, verbais ou escritas. Nesse caso, o livre pensar é útil porque nos deixamos envolver pelo mistério, pelo novo, pela criatividade. Disto resulta uma ideia nova, uma descoberta, a construção de alguma engenhoca etc. Nada disso, porém, deve nos isentar do trabalho de pesquisa, que se traduz pelo método, principalmente o método filosófico.

O método filosófico compreende principalmente a análise, o questionamento, a problemática e a reflexão. Quando trabalhamos com método, supomos que todos nós podemos dominar as dificuldades inerentes a um problema, a uma situação. Regra fundamental é ver a questão por trás do enunciado, a interrogação sob a afirmação, a dificuldade sob a aparente evidência, que são os pressupostos básicos do filosofar.

Para uma melhor compreensão deste tema, reflitamos sobre o pensamento de Kant: “Numa palavra, todos se consideram senhores na medida em que se julgam dispensados de trabalhar; e, segundo este princípio, foi-se recentemente tão longe neste caminho que agora anuncia-se de forma aberta e declarada uma pretensa filosofia para a qual não é preciso absolutamente trabalhar; basta dar ouvido ao oráculo dentro de si mesmo e utilizá-lo a seu favor para assegurar-se a plena posse de toda a sabedoria que se pode esperar da filosofia.” Quer dizer, por maior que seja o oráculo que nos acompanha, não deixemos tudo ao seu encargo; ao contrário, metamos mãos à obra.

Fazer um trabalho filosófico é, antes de mais nada, colocar uma série de questões ordenadas, imanentes ao tema e não repetitivas. Em vista do exposto, cabe-nos buscar a chave do nosso aprendizado, que é o aprofundamento de tudo o que visita os nossos pensamentos. Assim, vamos fugindo da superficialidade e buscando um conhecimento mais realista, baseado em conceitos e definições, os quais serão extremamente úteis na formação de nossos argumentos.

Pensar por si mesmo exige um trabalho árduo de vencer o comodismo de nosso cérebro. Ouçamos o nosso oráculo interior, mas não nos esqueçamos de debruçar o pensamento sobre os tratados que já se tornaram clássicos em filosofia.

Fonte de Consulta

RUSS, Jacqueline. Os Métodos em Filosofia. Tradução de Gentil Avelino Titton. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.