08 março 2019

Ansiedade e Budismo

"Perguntaram ao Buda: O que você ganhou com a meditação? Ele disse: – Nada, mas deixe-me dizer o que perdi com ela: ansiedade, raiva, depressão, insegurança, medo da velhice e da morte".

Buda revelou-nos os ensinamentos das quatro nobres verdades – a verdade do sofrimento, a verdade da origem do sofrimento, a verdade da libertação do sofrimento e a verdade do caminho da libertação , que são antigos, mas muito úteis nos dias presentes. A didática desses ensinamentos resume-se em nossa escolha: queremos perpetuar o sofrimento ou interrompê-lo em sua origem?

Um dos aspectos relevantes do Budismo é a ansiedade, inerente a todos os viventes neste planeta Terra. Esta ansiedade decorre de nossa insatisfação com as coisas em geral. Quando nos sentimos solitários, procuramos companhia; quando temos pessoas demais ao nosso lado, sentimo-nos claustrofóbicos. Embora algumas demandas sejam atendidas, ainda assim a ansiedade permanece. Daí, a neurose, o desconforto, a depressão. Para corrigir a ansiedade, geramos agressão, paixão e orgulho (kleshas), que desviam o foco de nossa ansiedade básica.

Para alcançarmos um lampejo de liberação, deveríamos reconhecer a existência do sofrimento, que a ansiedade está ocorrendo. Este é o princípio básico do Budismo. "A dor provém da ansiedade e a ansiedade vem da neurose. Uma grande quantidade de abafamento leva-nos à neurose. Os ensinamentos de Buda não nos dizem como nos livrar dessa dor ou como abandoná-la; dizem apenas que temos de entender nosso estado de ser. Algumas vezes nos acostumamos a nosso sofrimento e outras vezes sentimos falta dele, então, deliberadamente pedimos mais sofrimento".

A ansiedade manifesta-se de diversos modos: comer sem quase mastigar, não querer cortar as unhas, fazer tudo tão rapidamente, não esperar o vendedor completar a venda etc. "A única maneira de trabalhar essa ansiedade é por meio da prática da meditação, domar a mente, praticar o shamatha. Isso nada mais é do que domar a si mesmo. É melhor trabalhar com a realidade do que com idealizações".

Há oito tipos de sofrimento: nascimento, velhice, doença, morte, encontrar o que não é desejável, não ser capaz de conservar o que é desejável, não conseguir o que se deseja e ansiedade geral. Poderíamos meditar a respeito de cada um deles e observar as nossas reações. A velhice, por exemplo, tolhe-nos sobremaneira porque restringe os nossos atos, as nossas caminhadas, a nossa locomoção.

Buda, pede-nos para buscar o nirvana, ou seja, transcender a agonia e problemas como o aturdimento, a insatisfação e a ansiedade.

Fonte de Consulta

TRUNGPA, Chôgyam. As 4 Nobres Verdades do Budismo e o Caminho da Libertação. Compilado e organizado por Judith L. Lief. Tradução de Oddone Marsiaj. São Paulo: Cultrix, 2013.