31 dezembro 2018

Sabedoria e Antiguidade


Documentário Sabedoria e Antiguidade: Gregos, exibido na TV a cabo Discovery Civilization. Dublado em português.


06 dezembro 2018

Livro para Ensinar Filosofia e Ética

John L. Taylor, em 100 Ideias para Ensinar Filosofia e Ética, da editora Vozes, fornece aos professores do ensino médio, algumas instruções práticas para que o aprendizado da filosofia seja prazeroso e produtivo ao mesmo tempo. Para ele, os professores deveriam empreender com os alunos uma jornada de pesquisa. Acha que o trabalho do educador é proporcionar aos alunos ferramentas de que precisam para pensar pela própria cabeça.

O livro está dividido em 8 partes:

1) Pontos de partida (1 a 12)

Os professores deveriam ensinar filosoficamente, isto é, à semelhança de Sócrates, que se valia das perguntas, cujo diálogo se realizava em dois momentos: ironia e maiêutica. As perguntas são feitas para iniciar uma conversa; a conversa é a base da filosofia. Em filosofia, digamos não ao monólogo.

2) Encorajar a pesquisa (13 a 33)

O método da dúvida é o ponto de partida para a descoberta da verdade. Não é porque todos pensam de um certo modo que aquilo se torna uma verdade. Observe Descartes: preferia rejeitar muitas verdades a aceitar um erro. Lembre-se de que os paradoxos estimulam o pensamento filosófico. Conversar sobre sonhos mostra diferença entre como as coisas são e como podem ser.

3) Falando de filosofia (34 a 45)

As melhores aulas são aquelas em que a classe investiga um determinado tema. É preciso lidar com os extremos: uns alunos falam demais, outros não dizem nada. Os jogos cerebrais são um ponto de partida para discussão filosófica. Uma vez que os alunos tiverem reconhecido as ideias filosóficas com quais concordam, o passo seguinte é o debate. A regra de ouro das apresentações verbais é: menos é mais.

4) Leitura e pesquisa (46 a 53)

Antes de avaliar um argumento, procure descobrir qual é o argumento. Lembre-se de que a pesquisa começa sempre com perguntas. Nesse caso, o conceito dos cinco Ws - quem, quê, onde, por que e quando? - é muito útil para iniciar o trabalho. A pesquisa é muito mais fácil quando a gente acha uma boa fonte para começar.

5) Argumento filosófico (54 a 70)

Investigar o significado de uma palavra é uma boa maneira de adentrar a discussão filosófica. Não caia na armadilha de pensar que toda palavra tem apenas um significado. Comparar e contrastar. Trabalhar em colaboração para refinar a definição. Exercitar na trinca de palavras. Exemplo: fé, crença e confiança. Basta apenas um cisne negro para refutar a afirmação de que todos os cisnes são brancos. Cuidado com as falácias.

6) Escrevendo filosofia (71 a 81)

Imagine que você está levando o seu leitor a uma viagem. Use sempre a ACA (Argumento/Contra-Argumento/Avaliação) em seus ensaios. Lembre-se do princípio da caridade: seja tolerante para com os escritos dos outros. O Feal (Formule, explique, aplique, ligue) é muito útil nos parágrafos escritos. Sinalize ao leitor: é bom saber para onde estamos indo; há sempre alguém que irá ler o que escrevemos.

7) Projetos de filosofia (82 a 91)

Eis um tema interessante para um projeto: "Pode a ciência explicar a natureza da felicidade?" É a pergunta que leva o projeto adiante. Procure a pergunta correta e terá meio caminho andado. Escreva enquanto avança no trabalho. A tática da tentativa e erro é muito salutar, pois podemos ir, paulatinamente, mudando aquilo que não condiz com os objetivos do trabalho.

8) Para além da sala de aula de filosofia (92 a 100)

Um clube de filosofia permite que um aluno explore um assunto junto com os outros. Convidar um filósofo para visitar a escola e dar uma palestra é uma boa maneira de estimular os alunos. Um ambiente virtual de aprendizagem (AVA) é uma excelente ferramenta para o alunos desenvolverem suas habilidades de raciocínio e debate.




03 dezembro 2018

Sêneca, Lúcio Aneu

"Quem não souber morrer bem terá vivido mal." (Sobre a tranquilidade do espírito)

Sêneca nasceu em Córdoba, Espanha, em 4 a.C. Morreu em 65 d.C. Levado muito jovem para Roma, teve mestres estoicos, que lhe abriram a mente para a reflexão filosófica e um modo austero de viver. Fez carreira como advogado e político. Para ele, a filosofia só tem valor se for mais prática do que teórica.

Era um escritor assistemático e eclético. Muitas vezes contraditório, aproveitava tudo o que achava verdadeiro de outras doutrinas. Seguindo a linha da tradição cínico-estoica, pensava que a filosofia só tem significado como studium virtutis, ou seja, dá ênfase ao ponto de vista prático. Suplanta o materialismo estoico: "o corpo é cárcere da alma; a alma é o verdadeiro homem que tende a libertar-se do corpo". Acredita que a consciência é uma espécie de conhecimento claro, originário, impossível de eliminar, do bem e do mal.

Em seus livros De Clementia, De Beneficiis, De Otio etc. faz reflexão sobre a liberdade, a justiça, a tirania e participação dos cidadãos na vida pública. A filosofia de Sêneca está expressa em seus Ensaios Morais e nas Epístolas Morais a Lucílio, uma série de dez diálogos e 124 cartas em latim, nos quais oferece conselhos práticos sobre os mais variados assuntos: providência, amizade, brevidade da vida, terrores da morte, medos infundados, ira, virtude, vida feliz, prática do bem, clemência, vida simples, tranquilidade etc.

Em todos os seus textos, o autocontrole tem importância suprema. Para Sêneca, os homens só podem ser considerados grandiosos na medida em que aprendem a controlar a si próprios e a dominar seus desejos. O sofrimento é apenas um teste capaz de fortalecer os indivíduos, ao passo que a raiva, a tristeza e o medo são armadilhas emocionais com o poder de escravizá-los.

Fonte de Consulta

JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
LEVENE, Lesley. Penso, Logo Existo: Tudo o que Você Precisa Saber sobre Filosofia. Tradução de Debora Fleck. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013.
LOGOS – ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE FILOSOFIA. Rio de Janeiro: Verbo, 1990.

Notas de livro:

Em Roma, tornou-se conhecido como advogado e ascendeu politicamente, passando a ser membro do Senado romano e, mais tarde, questor. 

Em 41, foi desterrado para a Córsega sob a acusação de adultério. Na Córsega, Sêneca viveu cerca de dez anos com grande privação material. Dedicou-se aos estudos e redigiu vários de seus principais tratados filosóficos, entre os quais os três intitulados Consolationes (Consolos), nos quais expõe os ideais estoicos clássicos de renúncia aos bens materiais e de busca da tranquilidade da alma por meio do conhecimento e da contemplação. 

Em 49, o imperador Cláudio, manda chamar Sêneca para se encarregar da educação de seu filho, Nero, tornando-o, no ano de 50, pretor. Sêneca casou-se com Pompeia Paulina e organizou um poderoso grupo de amigos. Logo após a morte de Cláudio, ocorrida em 54, escreve a obra Apocolocyntosis divi Claudii (Transformação em abóbora do divino Cláudio). Nessa obra, Sêneca critica o autoritarismo do imperador e narra como ele é recusado pelos deuses. 

Quando Nero foi nomeado imperador, Sêneca tornou-se seu principal conselheiro e tentou orientá-lo para uma política de justiça e de humanidade. No começo, conseguiu, mas depois redigiu uma carta ao Senado para justificar a execução de Agripina, esposa de Cláudio, no ano de 59, pelo filho. Nessa ocasião, foi muito criticado por sua postura frente à tirania e à acumulação de riquezas de Nero, incompatíveis com as suas próprias concepções. 

O escritor e filósofo destacou-se por sua ironia. 

Acusado de participar na Conjuração de Pisão, em 65, recebeu de Nero a ordem de suicidar-se, que executou com o mesmo ânimo sereno com que pregava em sua filosofia. 

SÊNECA, Lúcio Aneo. Da vida retirada; Da tranquilidade da alma; Da felicidade. Tradução de Lúcia Sá Rebello e Ellen Itanajara Neves Vranas. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018.