27 junho 2008

Santo Agostinho e São Tomás de Aquino

Santo Agostinho (354-430) e São Tomás de Aquino (1227-1274) foram, respectivamente, os maiores pensadores da Patrística e da Escolástica. Santo Agostinho valeu-se da filosofia de Platão, enquanto Santo Tomás de Aquino da de Aristóteles. Com isso, cada qual, em sua época, pode influenciar não só a religião católica como muitos pensadores cristãos que lhes sucederam.

Tanto Santo Agostinho como Santo Tomás de Aquino afirmam que Deus, sendo eterno, transcendente, todo bondade e todo sabedoria, criou a matéria do nada e, depois, tudo o que existe no universo. Para Santo Agostinho, as ideias ou formas estavam no Espírito de Deus. Santo Tomás de Aquino acrescenta a noção dos universais em seus raciocínios. Dizia que Deus é a causa da matéria e dos universais. Além disso, Deus está continuamente criando o mundo ao unir universais e matéria para produzir novos objetos.

Nenhum deles colocava em dúvida a imortalidade da alma. Santo Agostinho dizia que alma e corpo são distintos, mas não soube explicar como a alma se liga ao corpo. De acordo com Santo Tomás, a alma humana — princípio imaterial, espiritual e vital do corpo — foi criada por Deus. Acreditava que a alma espiritual é agregada ao corpo por ocasião do nascimento, e continua a existir depois da morte do corpo, formando, pois, por si mesma, um novo corpo, um corpo espiritual, por meio do qual atua por toda a eternidade.

Em suas teorias, reportam ao "desprezo do mundo". Contudo, Santo Agostinho mostra-se incapaz de decidir entre o mundo e desprezo por ele. A despeito dessa dúvida, apega-se firmemente à ideia de que a Igreja, como a encarnação mundana da cidade de Deus, deve ter supremacia sobre o Estado. Santo Tomás de Aquino, da mesma forma que Aristóteles, doutrinava que o homem é naturalmente um ser político e procura estar em sociedade. Este homem deve tributar lealdade à Igreja e a Deus, mas tem, também, que obedecer ao Estado porquanto este, por sua vez, recebeu o seu poder da Igreja.

Fé, Razão e Revelação são os pontos fundamentais de suas teorias. Santo Agostinho demonstra claramente sua vocação filosófica na medida em que, ao lado da fé na revelação, deseja ardentemente penetrar e compreender com a razão o conteúdo da mesma. Santo Tomás consegue, por seu turno, estabelecer o perfeito equilíbrio nas relações entre a Fé e a Razão, a teologia e a filosofia, distinguindo-as mas não as separando necessariamente. Ambas, com efeito, podem tratar do mesmo objeto: Deus, por exemplo. Contudo, a filosofia utiliza as luzes da razão natural, ao passo que a teologia se vale das luzes da razão divina manifestada na revelação.

Fiquemos com o lado bom de seus raciocínios, ou seja, a crença num Deus único, causa primária todas as coisas. Refutemos, porém, a supremacia que deram à Igreja, considerando-a como a monopolizadora da revelação de Deus.

Fonte de Consulta

FROST JR., S. E. Ensinamentos Básicos dos Grandes Filósofos. São Paulo, Cultrix.
São Paulo, 09/03/2001

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4 comentários:

Bruna Roxy disse...

Bem,o assunto sobre a nossa existência e o por que do por que,é algo que deveria ser mais discutido pelos jovens,que hoje,meio que não conseguem ter um pensamento mais maduro a respeito de Deus e da religião,pensando apenas em popularidade.Mas,creo que neim todos são assim,eu,por exemplo,me questiono do por que do mundo,do por que das coisas,e se tem um nascimento pra tudo,então,como foi a criação de Deus???Isso,só ele nos responderá um dia...
Atenciosamente

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Bruna

Thiago disse...

Très bien,um texto expicativo,centrado,objetivo e conteudista,tudo o que é necessario saber sobre o assunto esta contido aqui,o texto é tão bom que posso fazer uma alusão considerando-o uma essência do assunto,parabéns!

Anônimo disse...

Bom eu gostaria de saber quais são as principais diferenças de sua teoria, mas fora isso é mto bom,
Thiago

Anônimo disse...

Eu creio q quando vc fala sobre a "supremacia da igreja" é preciso levar em consideração a epoca dos pensadores, q eu nao vejo como q eles tenham colocado a igreja como uma supremacia, pois o centro do pensamento de ambos não seja o poder da igreja e sim, como vc msm disse DEUS oestudo das verdades eternas, acho q falar de supremacia seria apenas uma oportunidade para fazer uma critica á igreja, já que nunca o pensamento destes santos, foi centrado em mostrar algum poder da igreja.