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28 março 2014

Niilismo

Niilismo – do latim nihil, nada, é o pensamento obcecado pelo nada, a doutrina da morte de Deus. Pode-se, também, dizer que é “a absolutização do nada”. No espírito do vulgo, o niilismo andou associado às ideias de assassínio e de revolução, pois os niilistas procuravam derrubar as instituições por meio da força. 

Górgias é apontado como o primeiro niilista da história ocidental. Dele vem a frase: “Nada existe; se alguma coisa existisse, não a poderíamos conhecer; e, se a conhecêssemos, não seria comunicável”. Além dele, podemos apontar outros pensadores: Fridegísio de Tours procurou provar que o nada possui algum ser – alguma substancialidade; Mestre Eckhart declara que Deus e o nada, “o anjo, a mosca e a alma” são a mesma coisa; Charles de Bovelles defende a “negação originária das criaturas e da matéria” que é o nada; Leonardo da Vinci anotou: “Entre as grandes coisas que estão abaixo de nós, o ser do nada é imensamente grande”? (1)

No século XIX, por volta de 1860-1870, o niilismo constitui uma corrente de pensamento professada pelos russos Dobroliubov, Tchernychewski e Pisarev. Esta corrente é caracterizada pelo pessimismo metafísico do prolongamento do positivismo de Comte, e, pelo ceticismo com relação aos valores tradicionais: morais, teológicos e estéticos. O princípio fundamental era o individualismo absoluto, a negação dos deveres impostos pela família, pelo Estado e pela religião. (1)

Nietzsche foi o expoente máximo do niilismo. Num fragmento redigido em seus últimos anos de lucidez, ele diz: Niilismo: falta-lhe a finalidade. Carece de resposta à pergunta “para quê?” Que significa o niilismo? Que os valores supremos se depreciaram (VIII, II, 12). Deduz-se que o niilismo é a falta de referências tradicionais, dos valores ideais para as respostas aos porquês da vida. A desvalorização dos valores supremos levaria o ser humano à perda dos seguintes princípios: a) Deus; b) fim último; c) ser; d) bem; e) verdade. Nessa linha de pensamento, lembremo-nos das obras 1984, de Orwell, O Mundo Novo, de Huxley e O Declínio do Homem, de Konrad Lorenz: todas elas mostram-nos a perda da liberdade humana, que se poderia sintetizar na seguinte frase: “Na convicção de lhe dar tudo, essa sociedade reduz o homem a nada e o atira ao abismo do niilismo”. (2)

Passemos do niilismo filosófico ao niilismo religioso. De acordo com as teses materialistas, o nada nos aguarda depois de nossa passagem por este mundo. O Espiritismo, porém, nos apresenta outra versão. De acordo com os seus postulados, percebemos que o Espírito é imortal e viveremos no além-túmulo, sujeitos à Lei do Progresso. O estado de felicidade ou de infelicidade dependerá do que fizemos de bom ou de ruim nesta vida. 

Reflitamos sobre o conteúdo filosófico do niilismo. Entretanto, não nos esqueçamos de analisá-lo sob a ótica do Espiritismo. 

(1) VOLPI, Franco. O Niilismo. Tradução de Rido Vannucchi. São Paulo: Loyola, 1999.

(2) REALE, Giovanni. O Saber dos Antigos: Terapia para os Dias Atuais. Tradução de Silvana Cobucci Leite. São Paulo: Loyola, 1999.

Áudio da Exposição "Niilismo e Espiritismo" em 12/04/2014

01 julho 2008

Gigantografia e Niilismo

gigantografia, metáfora das mensagens violentas e exasperadas bem calculadas, utilizadas pelos escritores, com a finalidade de influenciar, além da razão, os sentimentos e a imaginação de seus leitores. Entre tais escritores, citam-se George Orwell, em seu 1984 e Aldoux Huxley, em seu Admirável Mundo Novo. Vejamos como cada um pinta o futuro da humanidade terrestre.

O romance de Orwell foi escrito em 1947 e revisado em 1948, ano em que o comunismo stalinista estava no seu apogeu. Na sua gigantografia do absolutismo estatal, ele inverte os dois últimos algarismos do ano em curso, projetando a situação econômica, política e religiosa para 36 anos à frente. De acordo com o seu pensamento, em 1984 o mundo estaria dominado pelo Estado totalitário, em que o ser humano iria vagarosamente perdendo a sua liberdade e a sua identidade, transformando-se numa larva humana.

Aldous Huxley, em 1931, já havia concluído o livro Admirável Mundo Novo, no qual destaca o racionalismo científico e o produtivismo tecnológico, a sua gigantografia. Ele, na sua maneira de interpretar a realidade futura, não combate o Estado como fizera Orwell, mas destaca a sutileza do progresso econômico na perda da liberdade do indivíduo. Comenta que o ser humano se deixou induzir pelas facilidades econômicas, invertendo, inclusive, o sentido da vida: a religião, a arte e os insights de criatividade são considerados pecados.

Felizmente, as profecias de Orwell não se deram na data prevista, pois o comunismo russo foi dissolvido entre 1987 e 1991, através do processo histórico da perestroika, iniciado com Gorbatchev, em 1985, quando se tornou secretário-geral do Partido comunista soviético. O mesmo não se pode dizer das profecias de Huxley, porque a sociedade caminha para essa posição de alienação do ser humano. Os homens do poder utilizam todos os meios para manipular os seus habitantes, embora não-violentos.

Diante desse quadro estarrecedor da conduta humana, os pensamentos de Nietsche sobre o niilismo e a morte de Deus fazem-nos refletir sobre a busca de um novo sentido da vida, que não seja meramente material, mas que tenha, em primeiro lugar, a conotação espiritual. A frase de Huxley: "Dê-me televisão e hambúrguer e não me venha com sermões sobre liberdade e responsabilidade", deveria ser substituída por esta: "Dê-me sabedoria e virtude e eu voarei até os céus".

Urge voltarmos à sabedoria dos antigos, que nos descortinam um sentido mais acurado para a nossa vida. Eles nos chamam a atenção para o aprendizado, a prática da virtude e a busca de uma moral elevada.

Fonte de Consulta

REALE, GIOVANNI. O Saber dos Antigos: Terapia para os Dias Atuais. Tradução de Silvana Cobucci Leite. São Paulo: Loyla, 1999.