30 dezembro 2011

Projeto de Vida e Jogo

A vida, antes de ser uma ocupação é uma preocupação. A preocupação é o projeto de nossa vida. Ter um projeto é realçar uma meta, olhar para o futuro, que deve estar sempre aberto, correndo os riscos necessários à sua concretização. Se o projeto já está pronto, não há o que fazer.

Um projeto de vida implica consciência na ação. É a disposição de ter certas vontades e não outras. Uma meta certa que vamos atingir não nos mobiliza; o impossível, também não. Por isso, o risco. Ninguém pode ter projeto pelos outros. O pai não pode ter projeto pelo filho. Podemos ter projetos junto com os outros. Um grupo não pode ter projeto para outro grupo.

O projeto de vida, que depende de nosso sistema de valores, aproxima-se do jogo. No jogo, tencionamos ganhar do adversário. Para isso, planejamos a melhor maneira de vencer honestamente, ou seja, seguindo as suas regras.  

Há, porém, distinções entre projeto e jogo.
  • Tal como o projeto, o jogo tem uma meta.
  • A meta nos projetos diz respeito à realidade; no jogo, os objetivos são sempre simbólicos.
  • O projeto é factual; o jogo, ficcional.  
  • O centro de gravidade do projeto é o futuro; no jogo, ele está no presente.
  • No projeto, as regras são meios; no jogo, elas são o fim. 

Fonte de Consulta: Vídeo de aula do professor Nilson José machado, da Universidade São Judas. 
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21 dezembro 2011

Método: Anotações de Dicionários

1) Método. Derivado do grego méthodos, formado pelo prefixo metá, "além de", "através de", "para", e o radical odós, "caminho". Poder-se-ia, então, traduzir a palavra por "caminho para" ou, então, "prosseguimento", "pesquisa". O método é um processo intelectual de abordagem de qualquer problema mediante a análise prévia e sistemática de todas a as vias possíveis de acesso à solução. Opõe-se, pois, a um modo de trabalhar confiado exclusivamente na improvisação ou na inspiração repentina. O método é apenas uma disciplina mental, e não pode, por si, suprir o talento nem muito menos a genialidade. Entretanto, um talento, mesmo modesto, trabalhando metodicamente, pode conseguir resultados maiores e mais duradouros, do que um grande gênio habituado à boêmia intelectual. (1)

2) Método experimental. A montagem planejada de um dispositivo para empreender observações ou mensurações sobre particulares de tipos definidos, distribuídos de maneira mais ou menos igual entre dois grupos: o grupo experimental, onde o estímulo está presente, e o de controle, onde ele não está. (2)

3) Método científico. A sequência: levantamento de um corpo de conhecimento ==> escolha do problema neste corpo de conhecimento ==> formulação ou reformulação do problema ==> aplicação ou invenção de uma abordagem para tratar do problema ==> solução tentativa (hipótese, teoria, projeto experimental, instrumento de medida etc.) ==> aferir a solução tentativa ==> avaliar a solução tentativa à luz do teste e do conhecimento básico ==> revisão ou repetição de quaisquer dos passos prévios ==> estimativa do impacto sobre o conhecimento básico ==> avaliação final (até nova informação). (2)

4) Método Socrático. Maneira de ensinar questionando e analisando mais do que transmitindo informações. O ensino efetivo combina ambos os métodos. O método socrático pode ser adequado para esvaziar por punção o know-how de artesões. Imagine o que um Sócrates poderia aprender acerca dos pormenores dos processos industriais se ele trabalhasse como engenheiro ou administrador de nível médio numa fábrica moderna. (2)

5) Método Maiêutico. Do grego maieutikos, o que age como parteira. O método maiêutico consiste extrair ideias por meio de perguntas; a imagem é a de que as ideias já existem na mente “grávida” do sujeito, mas precisam de um “parto” para se tornarem manifestas. (3)

6) Método Hipotético-Dedutivo. Método associado sobretudo à filosofia da ciência e enfatiza os méritos da falsificação. Na sua forma mais simples, propõe-se uma hipótese e deduzem-se dela certas consequências, que depois são testadas pelo confronto com a experiência. Se a hipótese for falsificada, aprendemos com a tentativa e ficamos em condições de produzir uma hipótese melhor... (3)

7) Métodos de Mill (ou Cânones). Os cinco princípios indutivos que, segundo J. S. Mill, regulam a investigação científica, designadamente: (I) o método da concordância. Se duas manifestações de um fenômeno partilharem apenas uma característica, esta é sua causa ou seu efeito; (II) o método da diferença. Se uma manifestação em que um fenômeno ocorre é uma manifestação em que não ocorre diferem apenas numa outra característica, esta é a causa do fenômeno, ou é o seu efeito; (III) o método conjugado da concordância e da diferença, que combina os dois anteriores; (IV) o método dos resíduos. Se subtrairmos de um fenômeno aquilo que já se sabe ser o efeito de alguns acontecimentos antecedentes, então o que resta é o resultado dos antecedentes restantes; (V) o método da variação concomitante. Os fenômenos que variam juntos estão conectados por uma relação causal. Embora os métodos cientificamente façam sentido, dependem de uma análise anterior dos fatores relevantes, e não são aplicáveis de imediato a casos onde a causalidade funciona de forma mais “holista”, em virtude de um conjunto de fatores interligados. (3)

8) Metódica (ou Hiperbólica), Dúvida. Do grego hyperbolé, exagero, excesso. Qualificação dada por Descartes à dúvida radical, também chamada de metafísica e “fingida”, geral e universal, pela qual, uma vez em sua vida, de modo teórico e provisório, o homem precisa desfazer-se de todas as suas opiniões anteriores a fim de ter condições de “estabelecer algo de firme e de certo nas ciências”. Descartes a chama de “hiperbólica” porque trata como absolutamente falso tudo aquilo que é duvidoso e porque rejeita universalmente, como sempre enganador, aquilo pelo qual ele foi algumas vezes enganado. Os graus dessa dúvida vão do conhecimento sensível às matemáticas, ao sonho e, enfim, à ação do gênio maligno. (1)

Este é o método usado por Descartes nas duas primeiras Meditações, para investigar o alcance do conhecimento e o seu fundamento na razão ou na experiência. O método procura colocar o conhecimento sobre um fundamento seguro e, para esse efeito, somos convidados a suspender os nossos juízos sobre qualquer proposição cuja verdade possa ser questionada, ainda que unicamente como uma possibilidade remota. Os critérios para o que pode ser aceito tornaram-se aos poucos mais instintivos, à medida que somos convidados a duvidar do que nos é dado pela memória, pelos sentidos e até pela razão, porque tudo isso pode nos enganar. Esse processo acaba sendo dramatizado pela figura do gênio maligno, ou malin génie, cujo objetivo é nos enganar, de tal modo que nossos sentidos, lembranças e raciocínios nos conduzem sempre ao erro. O propósito, então, é encontrar um ponto de certeza que esteja a salvo do gênio maligno, o que Descartes formulou no famoso “Cogito ergo sum”: “Penso, logo existo.” É a partir dessa estreita base que o uso correto das nossas faculdades deve ser restabelecido, mas parece que, desse modo, Descartes não fica com qualquer material com que possa reconstruir o edifício do conhecimento. Descartes tem uma base, mas não tem como construir seja o que for sobre ela sem invocar princípios que não estejam a salvo do gênio maligno, e que por isso não satisfazem os critérios que, aparentemente, impôs a si mesmo. É possível afirmar que Descartes usa as “ideias claras e distintas” para demonstrar a existência de Deus, cuja benevolência justifica depois o nosso uso das ideias claras e distintas (“Deus não é enganador”): Este é o célebre círculo cartesiano. A atitude do próprio Descartes perante esse problema não é muito clara: por vezes, parece estar mais interessado em construir um corpo estável de conhecimento que as nossas faculdades naturais apoiarão, e não um corpo de conhecimento que obedeça aos critérios mais severos com que começou. No segundo conjunto da Respostas, por exemplo, Descartes rejeita a possibilidade da “falsidade absoluta” do nosso sistema natural de crenças, defendendo o nosso direito de reter “qualquer convicção tão firme que seja incapaz de ser destruída”. A necessidade de adicionar uma crença natural como esta a seja o que for que a razão assevere acabou se tornando o fundamento da filosofia de Hume, e está na base de muitas das reações à dúvida metódica do século XX. (2)

(1) ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M.E.C., 1967.
(2) BUNGE, M. Dicionário de Filosofia. Tradução de Gita K. Guinsburg. São Paulo: Perspectivas, 2002. (Coleção Big Bang)
(3) BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de Filosofia. Consultoria da edição brasileira, Danilo Marcondes. Tradução de Desidério Murcho ... et al. Rio de Janeiro: Zahar, 1977.
(4) JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

Observação: cópia dos dicionários acima.
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25 novembro 2011

Novo Pensamento e Movimento do Novo Pensamento

A metafísica do Novo Pensamento ou Movimento do Novo Pensamento surgiu no século XIX, nos Estados Unidos. O seu idealizador foi Phineas Parkhurst Quimby. Na sua estrutura organizacional, há uma mescla de várias correntes filosóficas e religiosas: Deus, energia criadora, pensamento positivo, lei de atração, meditação, oração etc. Para os adeptos desta nova “religião”, o pensamento evolui e desabrocha e, com isso, modifica a nossa experiência neste mundo.

A essência do novo pensamento é estar sempre em pérpetua modificação, porque se for finito, ele se encerra em si. A mente em crescimento constante não está no passado ou no que já tem; não aceita dogmas, ideias preconcebidas. Ela quer se transformar, subir ao mais alto grau de evolução que possa alcançar. Por isso, o esforço despendido no progresso do ser humano e da humanidade é uma constante.

O Novo Pensamento fundamenta-se na mente (e principalmente na sua modificação). Por isso, o Novo Pensamento tem sido difundido como a última invenção em como progredir a mente. É uma atitude da própria mente e não da filosofia ou da religião. Parte do principio de que somos seres em evolução: física, mental e espiritual. A mudança e crescimento são as chaves para alcançar a perfeição.

O Novo Pensamento distingue-se do movimento New Age. O movimento New Age, iniciado por Marilyn Ferguson, com o seu livro Conspiração Aquariana, em 1989, tinha por objetivo juntar grupos díspares, tais como, a homeopatia, a gnose, a medicina alternativa, o esoterismo e as técnicas de meditação oriental. O novo pensamento baseia-se exclusivamente na mente. Ele não está interessado com os dogmas e nem o que acontece depois da morte. Simplesmente quer que a mente cresça para o grau de perfeição que possa alcançar.

Sintetizando: o Movimento do Novo Pensamento é composto de diversas denominações religiosas, organizações seculares, autores, filósofos, e indivíduos que compartilham um conjunto de crenças metafísicas referentes aos efeitos do pensamento positivo, Lei da atração, cura, força vital, visualização criativa e poder pessoal.

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11 novembro 2011

Da Hominização à Humanização

A hominização é o processo que, por aperfeiçoamentos sucessivos, caracteriza a evolução dos primatas ao homem. Segundo Comte-Sponville, em seu Dicionário Filosófico, “A humanidade não é uma essência, é uma história, e essa história é, antes de tudo, natural: a humanização é esse processo biológico pelo qual o Homo sapiens se distingue progressivamente – por mutações e seleção natural – das espécies de que descende”.

Em se tratando da humanização, podemos dizer que todos nós nascemos homem ou mulher para, depois, nos tornarmos humanos. Esse processo é o prolongamento normativo da hominização.

Passar do estado de hominização ao estado de humanização é o esforço que todo o ser humano deve encetar. Para isso, há necessidade de desenvolver o intelecto e a moral. É o fortalecimento das virtudes de que nos fala a maioria dos filósofos.
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08 novembro 2011

Ordem e Desordem

A ordem dá-nos a impressão de um controle sobre a realidade. Acontece que a desordem é muito mais corriqueira do que a ordem. Veja a entropia* na termodinâmica.

Em termos do par ordem/desordem, Marchel Conche diz que “A ordem não passa de um caso particular da desordem”: é uma desordem cômoda, eficaz ou significativa. Observe a ordem alfabética. Por que o termo a deve vir antes do b, e o b antes do c? Porque as pessoas concordaram com essa ordem. Não poderia ser outra?

Onde queremos chegar com essa pequena reflexão? Que a desordem não é tão ruim como muitos apregoam. Ela, muitas vezes, pode ser útil, pois se tudo estivesse ordenado, ninguém encetaria uma busca para procurar um objeto, um apontamento, um livro disperso na estante.

Sintetizando: a ordem é uma desordem cômoda; a desordem, uma ordem incômoda.

*Entropia. Do grego entropié, volta, retorno. "A entropia é a quantidade termodinâmica que mede o nível de degradação da energia de um sistema" (Jacques Monod). O termo passa a ter uma aplicação geral, designando a medida de desordem de um sistema, uma vez que o equilíbrio térmico é considerado o estado mais provável em que se encontra o universo. A entropia significa, assim, a extinção e a "morte", por perda de energia, do universo. (1)

(1) JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

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07 novembro 2011

Mantendo o Foco

Onde está, presentemente, o maior atrativo para que desviemos o nosso foco, o nosso projeto de vida?

A internet é uma forte candidata. Por quê? Ela é rica em informações. Além disso, nos últimos tempos, as redes sociais estão se ampliando cada vez mais. O Facebook, por exemplo, já atinge 800 milhões de usuários. Pergunta: até que ponto a participação nessas redes sociais está nos desviando de nossa tarefa, principalmente aquela de produzir pensamentos próprios e mais substanciais?

Diz-se que 90 por cento do que está na internet é repique, ou seja, um passando para o seu amigo o que o outro disse. E o pensamento próprio, onde ele entra?

Parece-nos que manter o foco naquilo que prescreve a nossa própria consciência é muito mais útil do que participar de tudo o que aparece na internet.
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04 novembro 2011

Propensão e Deficiência

A propensão é esporádica; a deficiência, permanente.

Não nos iludamos com as propensões e as deficiências. As mais leves e inofensivas também devem ser combatidas, pois elas afetam a vida psíquica. Observe a história do camponês que, descobrindo dois filhotes de tigre, levou-os para a sua casa no intuito de domesticá-los. Certo dia, faltando comida aos dois filhotes, estes, para se alimentarem, acabaram atacando e matando o seu próprio dono.

Poder-se-ia perguntar: Quais são as deficiências generalizadas no ser humano? Resposta: Falta de vontade, impulsividade, obstinação, vaidade, falsa modéstia, falsa humildade, indolência, irritabilidade, impaciência, desordem, cobiça, rancor, rigidez, petulância etc.

Observemos a suscetibilidade, que é sinônimo de melindre. A pessoa suscetível (melindrosa) ofende-se por qualquer motivo (e mesmo sem motivo algum). Busca sempre pretextos para defender o seu ponto de vista, sem se importar com os que estão à sua volta. O antídoto é a equanimidade, que serve para refrear essa debilidade. O indivíduo melindroso pode se exercitar, também, na disciplina e na inalterabilidade.

Ensinamento: uma deficiência tanto mais se debilita quanto menos se lhe dá ocasião de manifestar-se.
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28 outubro 2011

Convenções e o “Devia”

As convenções são acordos tácitos que a tradição ou o senso comum criaram ao longo do tempo. Algumas são boas, mas a maioria é ruim. Há necessidade de verificarmos se elas não estão comandando a nossa vida, como uma espécie de controle externo ao nosso ”eu”.

Façamos um pequeno teste. Por que você se sente mal? Resposta. Sinto-me mal porque meu chefe me desconsiderou, minha esposa pisou a bola e meu filho me deu um calote. Por que você se sente feliz? Porque meu chefe me deu um aumento, minha esposa me ama e meu filho não causa problemas. Os dois tipos de repostas caracterizam o controle externo de nossa vida. Diz-se que 75% das pessoas são guiadas por tais fatores externos.

Criaram-se regras de etiqueta. Para tal ocasião, você “devia” se vestir assim. Há um convite de casamento. Você “devia” comprar um presente e se apresentar no dia e horário estipulados. Mesmo que não tenhamos vontade de comparecer, obrigamo-nos a ir por causa do “devia” da convenção social.

Uma pergunta crucial: até que ponto os “devia” estão nos sobrecarregando de coisas desnecessárias, sem o menor interesse para a nossa evolução intelectual, moral e espiritual?

Vejamos alguns pensamentos a respeito do assunto:

“Nunca dispus de uma política que pudesse aplicar sempre. Simplesmente tentei fazer o que, a cada momento, fosse capaz de ter significado”. (Abraham Lincoln)

“Nunca podemos estar certos de que a opinião que procuramos sufocar seja uma opinião falsa e, mesmo que tivéssemos certeza, o fato de sufocá-la ainda seria um mal”. (John Stuart Mill, em On Liberty)

“Os ‘devia’ produzem sempre um sentimento de esforço, que é tanto maior quanto mais a pessoa tenta atualizar os “devia” em seu comportamento... Além disso, em razão das exteriorizações, os mesmos sempre contribuem para perturbar as relações humanas, em um sentido ou em outro”. (Karen Horney, em Neurosis and Human Growth)

Fonte de Consulta: Rompendo a Barreira das Convenções, cap. VII de Seus Pontos Fracos, por Wayne W. Dyer. Tradução de Mary Cardoso. Rio de Janeiro: Record, copyright 1976.
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14 outubro 2011

Modos não Confiáveis de Descobrir a Verdade

Verdade por adágio. Ao confiarmos demasiadamente nos ditados populares, o nosso pensamento pode estar em erro. Muitos deles são profundos e contêm parte da verdade, mas não a verdade total. Exemplo: “Não se pode ensinar truques novos a cachorros velhos”. A frase refere-se a pessoas idosas. Há, contudo, pessoas idosas com grande capacidade de aprendizado. O erro deste ditado está na generalização precipitada, pois se presume, conforme o texto, que nunca se pode ensinar algo novo às pessoas idosas.

Verdade por autoridade. Aceitar que uma declaração é verdadeira porque uma autoridade a disse. Em muitos aspectos de nossa vida, devemos nos valer de especialistas, principalmente os ligados à medicina. Agora, aceitar que uma afirmação filosófica seja verdadeira, porque um filósofo famoso a disse, vai grande distância.

Verdade por consenso. Tomar afirmações como verdadeiras simplesmente porque há sobre elas uma concordância generalizada. A história nos mostra os grandes erros, cometidos pela população, que depois foram corrigidos pelos livres pensadores. Onde não há consenso, um método ainda menos confiável para determinar a verdade é basear-se na opinião majoritária. Sobre questões capitais, a maioria pode estar desinformada.

Fonte: WARBURTON, Nigel. Pensamento Crítico de A a Z: Uma Introdução Filosófica. Tradução de Eduardo Francisco Alves. Rio de Janeiro: José Olympio, 2011.
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Profundidade e Pseudoprofundidade

Profundidade é a distância que existe entre a superfície e o fundo. Figuradamente, caráter do que não é superficial, o que se vai ao fundo, à essência. Pode ser, também, algo difícil de se entender; complexidade. Em filosofia, é sobretudo uma metáfora para indicar a quantidade de pensamento que um discurso pode conter ou suscitar. Pode-se dizer que aprofundar algo é ir além das aparências.

Toda filosofia exige um certo grau de profundidade. Para irmos além do lugar comum e dos preconceitos que estão engendrados na sociedade, precisamos cavar um pouco mais. Observe as redes sociais: na sua maioria, os 800 milhões de usuários do Facebook tratam mais de questões corriqueiras do que qualquer outro assunto.

Onde entra a pseudoprofundidade? Principalmente, nas declarações que fazemos parecer profunda, mas não são. Onde podemos encontrar esses discursos enganosos?

1) Nas pessoas que falam por paradoxos. 
Exemplos:
  • Conhecimento é só mais um tipo de ignorância.
  • Mexer-se deixa você parado no mesmo lugar.
  • O caminho da virtude deve passar primeiro pelo vício.
2) Nas pessoas que tentam imprimir metáforas
Exemplos:
  • Ao nascer, somos todos crianças;
  • Todos somos iguais perante Deus.
3) Nas pessoas que fazem perguntas retóricas, deixando-as no ar.
Exemplos:
  • Os seres humanos serão um dia realmente felizes?
  • Podemos chegar a conhecer a nós mesmos?
Fonte: WARBURTON, Nigel. Pensamento Crítico de A a Z: Uma Introdução Filosófica. Tradução de Eduardo Francisco Alves. Rio de Janeiro: José Olympio, 2011.
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07 outubro 2011

Filosofia: Quatro Tipos de Oposição

A Filosofia nunca foi agressiva. A sua moderação, contudo, não nos faculta dar um pouco de razão a todos.

Para auxiliar o nosso raciocínio, lembremo-nos dos quatro tipos de oposição, expostos por Aristóteles:
  • 1) A correlação, na qual os opostos relacionam-se um com o outro, como, por exemplo, entre o duplo e a metade;
  • 2) A contrariedade, na qual existe entre os opostos uma via de meio, com entre o branco e o preto;
  • 3) A relação entre possessão e privação, na qual se destaca a falta de algo que deveria estar ali, como, por exemplo, entre a visão e a cegueira;
  • 4) A contradição, na qual toda a via de meio é excluída, como, por exemplo, entre uma afirmação e uma negação.
Como bem se sabe, a posição de Aristóteles consistia em privilegiar a contrariedade em relação aos demais tipos de oposição.

Uma concepção mais enérgica do conflito é aquela proposta por Plotino e Agostinho, para quem a oposição maior é entre o bem, concebido como ser, e o mal concebido como ausência.

Fonte: PERNIOLA, Mario. Contra a Comunicação. Tradução de Luisa Raboline. Rio Grande do Sul: Unisinos, 2006. (página 56)
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05 outubro 2011

Moral

Moral. Do latim morales, “relativo aos costumes”. A raiz mores significa costumes e também comportamento. Por isso, define-se a moral como o “conjunto de normas que orientam o ser humano para a realização do seu fim”. A moralidade, por sua vez, para ser viável, necessita de um código moral, coercitivo e permissivo, no sentido de equilibrar ônus e recompensas. Observe que na moral religiosa, eles vêm depois da morte; na moralidade humana, nesta própria vida.

A moral não tem necessidade de um porvir. O presente lhe basta. Por quê? O valor de uma ação não depende de seus efeitos esperados, mas simplesmente da regra à qual se submete. Se nos fosse anunciado o fim do mundo, em nada abalaria a nossa moral, pois para ela tanto faz estar neste mundo como em outros.

Sócrates estava à frente de sua época. Ele dizia: 1) ninguém faz o mal voluntariamente; 2) é melhor ser ofendido do ofender. Essas afirmações se chocam com as “morais médias”, que reconhecem a cada um a necessidade de possuir um mínimo de bens, e o direito de defender os seus interesses legítimos. Por isso, enfatiza que em nenhum caso se deve fazer o mal, inclusive aos inimigos. Como era evidente para todo o mundo que se devia fazer bem aos amigos e mal aos inimigos, estas afirmações foram revolucionárias e fora de época.

Seguindo o seu raciocínio, vemos que o maior dos males é cometer uma injustiça. Pregava, assim, que não se devia responder a injustiça com a injustiça. É sempre melhor sofrer um agravo do que cometê-lo. Quem sofre, tem meios de se consolar. Quem os comete, não. Deverá “pagar” pelo que fez.

Kant, por sua vez, analisa as nossas ações tendo em mente os tópicos “acordo com o dever” e “por dever”. Quando a pessoa age de acordo com o dever, ela apenas obedece às ordens: não há esforço da criatura. Quando age por dever, coloca todo o seu ser em cada ação, lutando contra as suas próprias inclinações.

Exercitemos a moral, sem sermos moralistas. Querer controlar os outros, sob o guante de nosso ponto de vista, é prejudicial à verdadeira moral, que procura estimular aperfeiçoamento do ser humano, afastando-o do mal. Lembremo-nos de que, segundo Sócrates, “fazer o mal é ter uma alma doente”.
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30 setembro 2011

Os Cuidados com a Comunicação de Massa

“O que aparece é bom, o que é bom aparece”.
Guy Debord, em A Sociedade do Espetáculo

A comunicação de massa é o oposto do conhecimento. Tem mais a função de obscurecer as mentes e extinguir consciências. É onde reina a performance populista. A simplificação, os apelos emocionais e a repetição de slogans dão-lhe um colorido todo especial. É inimiga das ideias, pois a sua banalização derruba o aspecto conceitual em favor do emocional.

Mario Perniola usa o neologismo “Sensologia” para descrever a transformação da ideologia numa nova forma de poder, que acredita ter um consenso plebiscitário fundado em fatores afetivos e sensoriais.

Para mais informações, leia o livro Contra a Comunicação, de Mario Perniola, pela Editora Unisinos, do Rio Grande do Sul.
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28 setembro 2011

Pecados Capitais


Estamos acostumados a repetir que os pecados capitais são sete: o orgulho, a avareza, a luxúria, a inveja, a gula, a cólera e a preguiça.

Comte-Sponville, em seu Dicionário Filosófico, atualiza essa lista, nos seguintes termos: o egoísmo, a crueldade, a covardia, a má-fé, a suficiência, o fanatismo e a tibieza.

Mas, afinal, o que se entende por pecado capital? Ele é o mais grave? Não. Pecado capital (capital vem do latim caput, cabeça) é o pecado que vem à frente, o pecado que vem em primeiro lugar. Os outros derivam dele (no caso, deles).

Para mais informação, consultar:

COMTE-SPONVILLE, André, André. Dicionário Filosófico. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
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21 setembro 2011

Filosofia é Amor à Sabedoria?

Jean-Joël Duhot, no capítulo 4 da segunda parte, “O Filósofo e os Sofistas”, do livro Sócrates ou o Despertar da Consciência, acha que houve um erro de tradução no “amor à sabedoria”. Sophia não significa “sabedoria”, como também sophos não quer dizer “sábio”.

Explicação: Na Grécia da Antiguidade, conhece-se o xamã, mas não o sábio. Geralmente, phronesis (prudência) e sophrosyne (moderação, temperança) são os dois termos traduzidos às vezes por “sabedoria”. Trata-se, pois, da sabedoria prática.

A sophia é a habilidade, o saber-fazer, o saber em sentido geral, e o sophos é o homem hábil ou que sabe.
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14 setembro 2011

Ceticismo e Termos Correlatos

O ceticismo é a doutrina filosófica que tem a dúvida como carro-chefe. Apregoa que o conhecimento do real é impossível à razão humana. Nesse caso, devemos renunciar à certeza, suspender o juízo e submeter toda afirmação a uma dúvida constante.

Há dois tipos céticos: 1) o sistemático; 2) o moderado. O cético sistemático sustenta a impossibilidade da razão humana de conhecer as coisas; por isso, duvida de tudo. O cético moderado inclui a dúvida em seu método de pesquisa (muito usado pelos cientistas).

Alguns de seus termos correlatos: dogmatismo, agnosticismo, crítica e crise. O dogmatismo admite a capacidade de o homem atingir a certeza absoluta. Desta maneira, opõe-se ao ceticismo (que não admite tal possibilidade). Lembremo-nos de que os grandes filósofos (na sua maioria) são dogmáticos. Por quê? Quem pode duvidar da demonstração de um teorema, da exatidão de uma fórmula matemática, ou mesmo do próprio existir?

O agnosticismo é uma versão do ceticismo radical, pois nega a possibilidade de se conhecer os fatos como eles realmente são. Na religião, é a suspensão de toda crença religiosa. Diz-se, inclusive, que o agnóstico é um ateu envergonhado que tem medo de ser acusado de dogmático.

A crítica é um termo ambíguo, pois comporta uma interpretação filosófica (espírito crítico) e uma pejorativa (voltada para os defeitos). Deveríamos, assim, duvidar com o espírito crítico e não com o espírito de crítica. O espírito crítico avalia, sopesa, pondera, busca argumentos lógicos para a sua decisão. O espírito de crítica está sempre pronto a criticar por criticar.

Crise. Na antiguidade correspondia à fase terminal de uma doença. Hoje, significa um momento de desequilíbrio sensível. Fala-se, assim, da “crise do determinismo”, “crise do Ocidente” do século XX. Em Economia, há a crise por insuficiência de produção (crise de 1929) e crise por superprodução.

Resumindo: o ceticismo, fundamentando-se na dúvida, leva-nos ao dogmatismo, ao agnosticismo, à crítica e à problematização da certeza (que tínhamos dos conhecimentos adquiridos ao longo do tempo).
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09 setembro 2011

Sócrates como "Parteira"

Como Sócrates, sendo um sofista, combateu os sofistas?

O termo “sofista” não é uma corrente de pensamento; designa, antes, uma atividade profissional: os professores. Os sofistas ganhavam muito dinheiro vendendo saberes; Sócrates afirma nada saber. Nesse caso, não tem nada para vender.

A concepção de conhecimento, em Sócrates, dá-se pela maiêutica. Na maiêutica, Sócrates apresenta-se como uma parteira (ofício de sua mãe), mas no sentido metafórico, ou seja, faz os homens parirem conhecimento.

Em certa passagem do Teeteto, ele diz: “Deus me força a fazer os outros darem à luz, mas me proíbe de parir”. Sócrates faz os discípulos fazerem incríveis progressos sem nada lhes ensinar. Este era o grande segredo de Sócrates: as pessoas ficavam engravidadas de conhecimento somente pela frequentação do seu mestre.


DUHOT, Jean-Joël. Sócrates ou o Despertar da Consciência. Tradução de Paulo Menezes. São Paulo: Loyola, 2004, segunda parte, cap. 3.
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Ascensão da Alma em Sócrates

Para o ser humano elevar-se à divindade, o Sócrates de Platão estipula três meios: a dialética, as matemáticas e o amor.

  • A dialética elimina os erros, abala as certezas e enaltece a dúvida.
  • As matemáticas servem para passarmos do sensível ao inteligível, do múltiplo ao Uno.
  • O amor produz a dinâmica ascensional da alma.
DUHOT, Jean-Joël. Sócrates ou o Despertar da Consciência. Tradução de Paulo Menezes. São Paulo: Loyola, 2004, p. 114.
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31 agosto 2011

Inquisição

Inquisição. Do latim inquisitione. Significa, primeiramente, pesquisa ou investigação. Escrita com maiúscula torna-se uma investigação particular, muito mais policial do que teórica. É um Tribunal eclesiástico, também chamado Santo Ofício, encarregado de procurar e de perseguir os crimes em matéria de religião. Na Idade Média, a pena maior dada ao herege era a morte pelo fogo.

A finalidade da Inquisição é combater a heresia. Nos primeiros tempos do cristianismo havia apenas a excomunhão dos hereges. Nos fins do século XII, os tribunais (sínodos) adotaram outra postura: atormentavam-nos primeiro para espoliá-los depois, porque os bens dos infelizes eram imediatamente confiscados. A denúncia, a delação e os rumores eram os principais instrumentos de trabalho da tarefa inquisitória. Tão logo apareciam os rumores, os auxiliares (chamados “familiares”) já se punham em campo para a averiguação e a delação.

Não se sabe a data em que começou. A maioria dos pesquisadores costuma apontar o sínodo de Toulouse, em 1229, logo após o êxito da cruzada contra os albigenses, muito numerosos. Embora se pense que a Inquisição fosse monopólio da Igreja, o Estado também tinha grande participação. Talvez mais do Estado do que da Igreja, pois os reis, para centralizar o poder, recorriam ao Santo Ofício.

A filosofia clandestina, movimento filosófico-literário dos séculos XVI a XVIII, teve papel importante no combate aos desmandos da classe dominante, principalmente aqueles provenientes da Inquisição, que tinham por base "questionar judicialmente aqueles que, de uma forma ou de outra, se opõem aos preceitos da Igreja Católica". Os reis e os eclesiásticos determinavam o que era bom ou ruim para o povo. Qualquer ideia contrária, que ferisse a lógica por eles determinada, tinha que ser imediatamente banida. É contra esse status quo que esses filósofos se rebelaram.

A Inquisição produziu muitas vítimas. Giordano Bruno (1548-1600), filósofo, astrônomo e matemático italiano, foi queimado na fogueira. Galileu Galilei, que escapou por pouco da fogueira (retratou-se) por afirmar que o planeta Terra girava ao redor do Sol (heliocentrismo). Muitos cientistas foram perseguidos, censurados e até condenados por defenderem ideias contrárias à doutrina cristã. As "bruxas medievais" que nada mais eram do que conhecedoras do poder de cura das plantas também receberam um tratamento violento e cruel.

Esta pesquisa sobre a Inquisição enseja-nos a seguinte reflexão: até que ponto não somos inquisidores da fé alheia, impondo-lhes o nosso modo de pensar?

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26 agosto 2011

Os Sonhos e os "Demônios" de Sócrates

Para Sócrates, os sonhos podem ser advertências divinas. No Críton, foi advertido em sonho do dia em que sua execução ia ocorrer. Na Apologia, afirma-se investido de uma missão divina revelada em sonhos.

Diotima, no Banquete, define o daimon: intermediário entre os deuses e os homens, transmite aos homens mensagens divinas, quer de dia, quer de noite, através dos sonhos, ou por intermédio dos oráculos.

Na Antiguidade, um daimon é ao mesmo tempo um mediador e um mensageiro (anjo). Na realidade, o famoso “demônio”, de Sócrates não é um demônio. Não emprega o nome daimon, mas seu adjetivo, daimonios — demônico.

Sócrates relata que o demônico começou desde a sua infância. Dizia: “Uma voz que só se produz para me afastar do que vou fazer, mas não me impele nunca a agir”. Trata-se, pois, de uma voz que só transmite proibições divinas.

DUHOT, Jean-Joël. Sócrates ou o Despertar da Consciência. Tradução de Paulo Menezes. São Paulo: Loyola, 2004, p. 94 a 96.

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24 agosto 2011

O Processo de Sócrates

Em 399, Sócrates foi objeto de uma acusação apresentada por três homens, Anitos Meletos e Licon. É mais um processo religioso do que político.

As três acusações são:

1) Não reconhecer os deuses da cidade;
2) Introduzir novos seres divinos;
3) Corromper a juventude.

De acordo com Jean-Joël Duhot, em Sócrates ou o Despertar da Consciência, o desenrolar do processo sofreu um deslize: “Os juízes deviam pronunciar duas vezes. Na primeira vez, tratava-se de determinar se o acusado era culpado, o que foi feito no caso de Sócrates, mas com uma fraca maioria. A segunda vez decidia a pena. Os acusadores pediam a morte e o acusado devia propor uma nova pena, mas a decisão cabia ao tribunal. O processo se decidiu nesse momento: Sócrates começou dizendo que merecia ser sustentado no Pritaneu, honra insigne, pelo bem que fizera à cidade, e propôs como pena uma multa ridícula. Seus amigos intervieram em seguida propondo uma soma muito mais importante, mas era tarde demais, e o tribunal teve o sentimento se que Sócrates zombava dele. Votou a morte com uma maioria mais forte do que tinha votado a culpabilidade”.

Sabe-se, também, que os seus discípulos haviam programado uma evasão, cuja concretização dependia da aprovação de Sócrates. Como defendia a obediência à lei, recusou tal proposta.

Defender ideias filosóficas, até o constrangimento no momento da morte anunciada, corrobora o estatuto de mártir e a grandeza de seu pensamento.

Ler O Processo, capítulo 3, de Sócrates ou o Despertar da Consciência, por Jean-Joël Duhot. Tradução de Paulo Menezes. São Paulo: Loyola, 2004.

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19 agosto 2011

Síntese da História da Filosofia

O objetivo deste trabalho é sintetizar a história da filosofia, salientando os aspectos relevantes em cada um de seus períodos: filosofia antiga, filosofia medieval, filosofia moderna e filosofia contemporânea.

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Que é Pensar?

  • O que se entende por bem pensar?
  • Será que sabemos pensar?
  • Há alguma diferença entre pensar e ruminar pensamentos?
  • É possível melhorar o nosso pensamento?
  • Existe alguma técnica?

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A Parte e o Todo

"O que é bom para a parte pode não ser bom para o todo"


A relação entre a parte e o todo pode ser analisada sob vários ângulos: das ciências particulares, da religião, da conduta humana etc. No sentido genérico, cada ação, que é individual, tem uma dimensão mais complexa do que podemos imaginar. Observe um indivíduo jogando lixo na rua, poluindo o ambiente. Ele está limpando um bem privado, mas poluindo o bem público, portanto, influenciando a vida de outros seres humanos, como também o cosmos que o absorve.

Paulo, muito preocupado com o caráter parcial do conhecimento humano, imaginou o paraíso como um estado no qual alguém podia conhecer totalmente: "Porque agora vemos por espelho, em enigma, mas então veremos face a face: agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido" (I Coríntios, 13,12). Paulo advertiu nesta mesma epístola sobre as conclusões inexatas que podemos tirar em virtude de nossa limitação, quando encarnados: "Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos". 

Esta advertência religiosa não pode desestimular a nossa vontade em buscar um conhecimento global da realidade. Nos estudos da ordem e da desordem, a Física mostra-nos o caráter global desta relação, pois haverá ordem ou desordem sempre em relação a um padrão, nunca somente ao indivíduo isolado. Na Economia, fala-se da indústria e da firma. A indústria seria a totalidade de todas as firmas de um determinado ramo da atividade econômica. Por exemplo, a indústria de sapatos congregaria todas as firmas que produzem sapatos. Na linguagem, uma mesma palavra pode ter vários sentidos, dependendo da colocação na frase, e mesmo da maneira como a pronunciamos. 

No âmbito da política econômica, aprendemos que aquilo que é bom para a parte pode não ser bom para o todo. Explica-se: suponha que os salários de uma certa categoria da sociedade aumente em 10%. Esta categoria teve um ganho em relação aos demais salários da sociedade. Mas, imagine que todos os salários de todas as pessoas tivessem um aumento de 10%. O que aconteceria? O resultado seria nulo, ou seja, ninguém sairia ganhando nada. 

A reflexão sobre a relação entre a parte e o todo é sumamente valiosa. Precisamos sempre ver pelo prisma do outro. Geralmente, achamos que os outros devem suprir as nossas necessidades de pronto. E se eles não puderem atender-nos? E se Deus, que é causa primária de todas as coisas, acha por bem adiar a súplica? Como fica? Entendemos que a situação deve ser ponderada imparcialmente, a fim de não criarmos um viés entre a vontade divina (total) e a nossa (parte). Nesse mister, pensar que Deus escreve certo por linha tortas, ou que quando o trabalhador estiver pronto o trabalho aparece não deve ser desprezado. 

Nada há de inútil. O fluxo de energia que jorra de uma usina pode ser interrompido pela falta de uma simples tomada. Sejamos a simples tomada. Façamos a nossa parte e deixemos o resto por conta de Deus.


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