19 novembro 2010

Notas sobre o Existencialismo

O existencialismo tomou corpo depois da Segunda Grande Guerra. Poemas, romances, jornalismo especializado, cafés filosóficos, teatro e cinema deram-lhe ressonância. O ponto central era a busca da liberdade.

A origem do existencialismo moderno encontra-se em Kierkegaard, que viveu entre 1813 e 1855, um século antes do boom existencialista. O ponto de partida de Kierkegaard foi a sua discordância com a filosofia abstrata e generalista de Hegel (1770–1831). Ele acreditava que a escolha individual e concreta tinha mais peso do que a generalização de seu antecessor. Daí a ênfase no individualismo e no hic et nunc (aqui e agora).

Em Kierkegaard há dois tipos de existencialismo: o humanista e o cristão. Os filósofos posteriores a Kierkegaard preferiram aceitar apenas o humanista. Deixaram de lado o existencialismo cristão, retomado muito tempo depois por Gabriel Marcel.

Heidegger (1889-1976) abeberou-se dos ensinamentos de Kierkegaard e de Nietzsche, que era ateu. Transferiu os estudos da consciência para o dasein, estar no aqui e no agora, no concreto.

A filosofia de Sartre tem três períodos distintos: na sua primeira fase, teve a influência de Husserl, onde escreveu A Náusea; na segunda fase, sofre Influência de Heidegger; na terceira, a mais produtiva, de Hegel e Marx.

O ponto marcante da filosofia de Sartre é a coloração que deu ao termo liberdade, num mundo sem Deus, em que o indivíduo tem que se fazer por si mesmo.
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10 novembro 2010

Questões Existenciais Segundo Alguns Filósofos

Para Sêneca (4 a.C. - 65 d.C.), o sábio deve buscar a impassibilidade, em que o racional controla o emocional. Para ele, as emoções são doenças do espírito que perturbam o individuo, fazendo-o preferir a solidão. Acha que a qualidade do sábio é a indiferença e a finalidade da sua existência é a apatia, que nasce da supressão de qualquer desejo.

Para Leibniz (1646 -1716), aquilo que se nos configura como mal (dor, morte, pecado) não é absolutamente uma condição da imperfeição do universo. Segundo o seu ponto de vista, um mundo sem dor não seria melhor do que o atual: as piores coisas têm a sua significação na economia do todo, pois a economia nada mais é do que a realização de um fim pelos meios mais simples.

Para Voltaire (1694-1778), em seu livro Cândido ou o Otimismo, Cândido representa o otimista que, diante das piores desgraças, tais como, furtos, doenças e catástrofes naturais, acha que o mundo assim mesmo não poderia ser diferente porque vivemos no melhor dos mundos possíveis.

Para Rousseau (1712-1778), em seu livro Emilio ou da Educação, Emílio é educado segundo as leis da natureza. Nesse sentido, o mestre deve antes facilitar o seu aprendizado do que lhe passar uma tonelada de informações. É pela curiosidade do aluno que o mestre o introduzirá nos aspectos científicos da vida, sem lhe destruir a iniciativa e a pureza.

Para Pascal (1623-1662), por trás do frenesi da vida cotidiana, está sempre a fuga de nós mesmos, a tentativa de nos atordoarmos para não enfrentar a questões verdadeiras e importantes da existência: a inevitabilidade de morte. As pessoas desejam mais ser distraídas do que ensinadas a viver sozinhas consigo mesmas.

Para Kant (1724-1804), há duas coisas realmente capazes de comover o seu espírito: o céu estrelado e a constatação da lei moral interior. Entre as duas existe oposição e complementaridade: “Não somente porque uma é externa e a outra interna à pessoa, mas também porque o sentido de pequenez sugerido pelo confronto com o espetáculo do universo enfatiza, por contraste, a consciência da absoluta potência, da auto-suficiência e da universalidade comumente denominada voz da consciência”.

Para Kierkegaard (1813-1855), o desespero é o sentimento que todo o ser humano padece por não ser capaz de realizar-se plenamente. Apenas a concepção religiosa pode responder ao problema do significado último da existência.

Fonte de Pesquisa

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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A Necessidade de Conhecer os Outros

"Conhecer melhor outros é conhecer a si mesmo".

O ser humano, sendo um animal social, tem necessidade de conhecer os outros, uma vez que só não é nada. Todo ser humano tem personalidade, desejos e emoções. É na convivência com os opostos, ou seja, com os outros que cada um de nós deve robustecer o seu caráter e a sua personalidade.

Mas quem são os outros? Os outros são os entes queridos, os amigos, as pessoas que encontramos no metrô, no ônibus, no consultório médico. Cada um desses outros tem vontade e desejos. Alguns de seus sentimentos são velados, outros expressos publicamente. Observe o relacionamento entre chefe e subalterno. Um pode estar querendo passar a perna no outro, mas os dois mantêm as aparências, como se tudo estivesse correndo a mil maravilhas.

Aprender a conhecer os outros é adquirir um sentido novo, o sentido psicológico, e para isso convém refletir muito sobre cada uma de nossas ações. Nesse sentido, a Psicologia informa-nos que há sete véus do caráter: o inconsciente; os meios interiores; a sensibilidade racional; a forma do rosto; a estrutura do corpo; os gestos e as maneiras de ser; o vestuário.

Baseando em pesquisas, os psicólogos retratam que pessoas com óculos são consideradas mais inteligentes do que aquelas que não os usam; as mulheres com batom são tidas como frívolas e ansiosas, enquanto as que não o usam são avaliadas como sendo mais conscienciosas, mais sérias e de conversa agradável.

A própria linguagem corrente emprega um vocabulário em que cada gesto possui uma tradução psicológica: vivo, desconfiado, medroso, colérico. Muitas vezes atraiçoamo-nos pelo gesto, na medida em que ele é uma alusão que nos espera. Abrir correspondência, sentar-se, esperar em fila de ônibus e tratar com gerentes de bancos podem ser motivos para o mapeamento do caráter e da personalidade.

"Mentimos com as palavras, mas os gestos revelam o que somos". Sejamos, pois, autênticos, tanto nos gestos quanto nas palavras.

Fonte: GAUQUELIN, Michel (Org.). Conhecer os Outros. Tradução de Cassiano Reimão e Virgílio Madureira. Lisboa/São Paulo: verbo, 1978.
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05 novembro 2010

A Morte de Deus e Mentalidade científico-Tecnológica


A morte de Deus, apregoada por Nietzsche, não foi devidamente entendida, porque ela se confunde com a mentalidade científico-tecnológica, baseada no empirismo, no positivismo, na ideologia da secularização e no cientificismo. Na concepção de Nietzsche, a morte de Deus está atrelada à noção de valores.

Por quê, para Nietzsche, Deus está morto? Observando a cultura ocidental, percebeu que Deus simbolizava uma série de valores que mais representavam as relações vividas entre o homem e o seu mundo. Deus, na realidade, era uma maneira simples de se referir à negação da história, da liberdade, do futuro e da própria vida. A sua proclamação da morte de Deus tinha por objetivo chamar a atenção dos indivíduos quanto à distância (destes) para com os valores mais nobres da dignidade humana.

A chamada teologia da morte de Deus, em vigor na década de 1950-1960, reflete muito mais as influências da mentalidade científico-tecnológica do que as ideias de Nietzsche. A tradição científico-tecnológica, baseada na ponderabilidade, elimina os imponderáveis (Deus). O real conhecimento explicativo e contemplativo é deslocado para o palpável, o mensurável, o numérico. Deus é assim alijado do pensamento dos cientistas modernos. Conhecer não é ver essências, mas manipular a matéria.

A tradição científico-tecnológica toma corpo e, de uma forma mais ou menos generalizada, monopoliza as atividades do ser humano, pois Deus já não pode ser usado como hipótese explicativa, dentro da lógica física, astronômica, tecnológica ou mesmo biológica. Tudo o que não está sujeito ao sensível é considerado ilusão. A própria mente fora proibida de se aventurar além dos limites da experiência.
O ser humano tem que abrir a sua mente para as realidades superiores da existência. Para isso, deve tomar consciência de sua tarefa, ou da sua missão, no sentido de procurar a sua evolução moral e espiritual. O Espiritismo, não resta dúvida, será de grande valia para esse passo que a humanidade deverá dar, mais cedo ou mais tarde, pois, como sabemos, a lei do progresso é compulsória.

Estejamos sempre libertos dos preconceitos e das ideias preconcebidas. Saibamos ouvir atentamente as mensagens de luz, veiculadas pelos Espíritos Superiores.

Fonte: ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. São Paulo: Encyclopaedia Britannica, 1987.

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30 outubro 2010

Heidegger, Martin

Heidegger, Martin (1889-1976) filósofo alemão, discípulo de Husserl (que desenvolveu a fenomenologia) e umas das influências do existencialismo. Em 1923, foi nomeado professor titular na Universidade de Malburgo e sucedeu a Husserl na cátedra de filosofia em Freiburg (1928), chegando a reitor da universidade em 1933. Em sua obra principal, O Ser e o Tempo (1927), Heidegger procurou trazer a filosofia de volta para o que ele considerava uma questão de extrema importância: "O que é o ser?".

Para Heidegger, a existência só pode ser compreendida a partir da análise do Dasein (o ser-aí), do ser humano aberto à compreensão do ser. Embora reverencie as figuras de Platão e Aristóteles, acha que o sentido da pergunta pelo Ser foi perdido e caiu no esquecimento. Concentra-se na determinação própria da existência em lugar de colocá-la entre parênteses, dela fazendo abstração. Afirma, também, que a existência humana está baseada numa finitude radical; o homem é um ser-para-a-morte e sente angústia por isso.

Analisando o cotidiano, percebe que as pessoas estão presas ao “falatório”, inconsciente e inconsequente, repetindo o que todo mundo diz. Pondera que a busca incessantemente da novidade e do boato cria uma ambiguidade entre o autêntico e o inautêntico. Nesse caso, o Dasein está sempre à mercê da decadência e da queda, da inautenticidade e da alienação. Esta situação gera a angústia, uma espécie de “inquietação metafísica” em meio aos tormentos pessoais do ser humano.

Como estamos vendo, o ser humano tem duas alternativas: realizar-se na existência autêntica ou perder-se na existência inautêntica. Como se encontra jogado no mundo à sua revelia, está sempre à mercê do medo e da angústia. Mesmo assim é capaz de verdade, quer dizer, de desvelar ou revelar a si mesmo a temporalidade essencial de sua existência, de ser-para-a-morte. Ou seja, a angústia que revela a temporalidade e a mortalidade do Dasein, permite, assim mesmo, o acesso à existência autêntica.

Ser capaz de verdade remete o ser à sua transcendência. Transcender-se é projetar-se, ou seja, é constituir um mundo enquanto conjunto de possibilidades. A transcendência, enquanto estrutura da realidade humana, explica a liberdade e a verdade, entendida como aletheia, revelação ou descobrimento do ser. “Ora, a transcendência é a própria liberdade, que assim se revela como a origem do princípio, de razão e o fundamento último, o ‘abismo’ além do qual não é possível remontar”.

Fonte: ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL. São Paulo: Encyclopaedia Britannica, 1987.
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Kierkegaard, Sören Aabye

Kierkegaard, Sören Aabye (1813-1855). Filósofo e escritor dinamarquês. Estudou Filosofia e Teologia e desde 1841 viveu na Alemanha. Apesar de ter morrido novo, deixou aproximadamente umas trinta obras, que assinou com pseudônimos vários. Dentre as suas obras, citamos: Tremor e Terror (1843); O Conceito de Angústia (1844); As Migalhas Filosóficas (1844); O Diário, escrito ao longo de vários anos.

Kierkegaard foi marcado por desilusões pessoais e familiares e, principalmente, pelo rompimento de seu noivado com Regina. Isso o fez um homem voltado para o pessoal, o existencial, contrapondo-se ao impessoal, o geral. Nesse sentido, combateu a metafísica de Hegel, que era abstrata e procurava o universal, defendendo a necessidade de uma “filosofia existencial”, a do ser humano concreto, daquele que vive intensamente o aqui e o agora.

Tanto em Kierkegaard quanto em Pascal, o saber filosófico dá passagem à vida religiosa. A divergência entre eles: Pascal optou por uma atitude contemplativa; Kierkegaard, não. Para ele, o cristianismo autêntico, aquele que Cristo pregou, é “escândalo e loucura”. Por isso, a sua crítica à fé acomodada que se refugia nas organizações religiosas. A sua religiosidade vivida incluía o pecado como consciência de si. Diz que Adão só pôde conhecer a sua condição finita quando se rebelou contra Deus. Antes disso, era inocente e ignorava a sua própria condição.

Em suas lucubrações, a fé induz ao pavor, porque além de não contar com o apoio da razão, exige que o ser humano vá além dela e caia no absurdo. Como se explica? Para ele, a existência é sempre liberdade, ou seja, possibilidades que se apresentam diante do indivíduo, e que tem de escolher. A escolha, porém, conduz o sujeito à angústia. Ele diz: “a angústia é a realidade da liberdade quanto à possibilidade”, que entre todas as possibilidades que se abrem diante do ser humano encontra-se também a do nada. A angústia nada mais é do que a “vertigem da liberdade”.

A passagem da ignorância à inocência, da inocência ao pecado, realiza-se em três níveis de consciência: 1) estético, no qual o indivíduo busca a felicidade no prazer, cuja fugacidade entretanto leva ao desespero inevitável; 2) ético, em que procura alcançar a felicidade pelo cumprimento do dever, sendo no entanto condenado ao eterno arrependimento por suas faltas; 3) religioso, em que o homem busca Deus, entretanto a verdadeira fé é angústia da distância de Deus. 

Por fim, lembremo-nos de que todos os filósofos, que deram destaque ao indivíduo e à existência, são devedores do seu pensamento. Entre eles estão: Heidegger, Jaspers e Sartre.

Fonte de Consulta: TEMÁTICA BARSA. Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005. (Volume de Filosofia)
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27 outubro 2010

Alguns Existencialistas: Pequeno Resumo

Soren Aabye Kierkegaard (1813-1855), filósofo e escritor dinamarquês, Martin Heidegger (1990-1976), filósofo alemão, discípulo de Husserl, Jean-Paul Sartre (1905-1980), filósofo e escritor francês, Gabriel Marcel (1809-1973), filósofo, jornalista e dramaturgo francês e Maurice Mearleau-Ponty (1908-1961), filósofo francês, são os principais representantes do corrente filosófica denominada existencialismo.

Para Kierkegaard, o homem é um ser que se caracteriza pelo desespero que se origina das contradições de sua existência e de sua distância de Deus: “O homem é uma síntese de infinito e finito, de temporal e eterno, de liberdade e necessidade” (Desespero Humano). Argumenta que o desespero surge em qualquer nível (ético, estético e religioso) da consciência.

Para Heidegger, a existência só pode ser compreendida a partir da análise do Dasein (o ser-aí). O ser humano tem, assim, duas alternativas: realizar-se na existência autêntica ou perder-se na existência inautêntica. Como se encontra jogado no mundo à sua revelia, está sempre à mercê do medo e da angústia. Mesmo assim é capaz de verdade, quer dizer, de desvelar ou revelar a si mesmo a temporalidade essencial de sua existência, de ser-para-a-morte. Ou seja, a angústia que revela a temporalidade e a mortalidade do Dasein, permite, assim mesmo, o acesso à existência autêntica.

Para Sartre, a náusea é o ponto de partida da filosofia existencialista. Procura demonstrar que o Ego não está na consciência mas no exterior, no mundo, onde encontra o seu lugar de existência. No mundo, o ego aparece em “perigo”. O cogito, porém, surge ofuscado pela inquietude da “facticidade”. Mesmo “estilhaçado”, o cogito se abre à liberdade, pois existir é superar a existência em direção à impossível essência, mas esse movimento é também transcendência.

Para Gabriel Marcel, o mistério forma a dimensão metafísica do ser e dá um sentido à fé e à liberdade. A sua filosofia é mais discursiva do que sistemática: prefere a reflexão às simples conclusões tiradas. Acredita na pessoa humana, não como mero expectador, mas como participante ativo da vida e do mundo. Dizia-se socrático e questionador mais do que existencialista (não gostava que o chamassem de existencialista). A noção de transcendência é a única diferença de suas teses com a dos existencialistas.

Para Mearleau-Ponty, a fenomenologia “recoloca as essências na existência e não pensa ser possível compreender o homem e o mundo de outro modo senão a partir de sua facticidade”. Filósofo do vivido, mostra que, para o filósofo, não pode existir lugar definitivo (Igreja, partido) da verdade, na medida em que o refúgio ou abrigo num tal lugar esqueceria a dimensão histórica do vivido.

Fonte: Enciclopédias
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01 outubro 2010

Otimismo e Pessimismo

O otimismo é uma atitude fundamental que leva o indivíduo a visualizar sempre as pessoas, as coisas, as situações, sob os seus aspectos bons, agradáveis, positivos. Da mesma forma, o pessimismo é uma atitude fundamental, a qual, porém, leva a supervalorizar os aspectos negativos e sombrios.

O otimista e o pessimista veem a mesma coisa, sob ângulos diferentes; por isso reagem de modo diferente. Numa prova que deve durar 2 horas, quando se anuncia que passou uma, a reação do pessimista é: "Que horror! Já passou uma hora!" A reação do otimista é: "Que bom! Ainda tenho uma hora!"

O pessimismo funciona, em geral, como inibidor da ação, mas propicia o desenvolvimento do senso crítico; o otimismo é um estimulante, mas quando sucumbe à ingenuidade, pode levar a desilusão e irresponsabilidade.

Tanto o otimista quanto o pessimista precisam ser realistas, ou seja, ver as coisas como elas realmente são. Muitas vezes, pelo excesso de zelo, podemos desviar o nosso olhar para um dos dois lados, sem medir a consequência dessa atitude, desse comportamento. Por um lado, podemos ser bastante ingênuos e acreditar em tudo o que nos falam; de outro lado, podemos duvidar de tudo e ver tudo pelo lado das sombras, das trevas.

Toda educação deve procurar ser realista, mas envolvida num clima de otimismo, que permita um desenvolvimento que não atrofie a confiança e a alegria de viver.

NOTA: Com exceção do 4. º parágrafo, o resto é cópia de: ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M.E.C., 1967.
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29 setembro 2010

A Energia Psíquica e seu Uso

A corrente de pensamento egoísta pode contaminar o espaço.

Quando depurarmos radicalmente a nossa maneira de pensar, canalizaremos nossa energia psíquica para as formas mais elevadas da criatividade. Se tornarmos o “pensar bem” um hábito, em pouco tempo, faremos com que todos os nossos pensamentos atuem no sentido do justo e do belo. Isso não é conto de fadas, é uma lei científica, a lei de pensar com lógica e retidão.

Alguns modos de usar a energia psíquica: pensando com claridade; servindo abnegadamente; perdoando não sete, mas setenta vezes sete; tentando nos livrar, e as pessoas que convivem conosco, de nossos temores e ansiedades; provocando a expansão de nossa consciência; buscando a inspiração do Alto para os nossos afazeres diários; exercitando a auto-estima; mantendo-nos calmos e serenos.

Todos os grandes líderes da humanidade, principalmente Buda e Jesus, praticavam a meditação profunda. A meditação carrega nossos pensamentos com enorme carga de energia psíquica. A manutenção dos pensamentos elevados tem íntima relação, não só com a meditação, mas também com a concentração e a contemplação. É sumamente importante cuidarmos do fluxo da energia psíquica, para que o seu uso não ultrapasse os limites da racionalidade, e provocando doença e não saúde.

Inofensividade, palavra justa, olvido de si mesmo, espírito de economia e esforço para procurar a perfeição são atitudes úteis à fortificação de nossa energia psíquica. Por quê? Porque a dúvida, o preconceito, a malícia, a presunção, o estelionato, a fraude, o dolo, o crime e a falsificação dão mais trabalhos e preocupações do que daria o trabalho honesto. “Se o ladrão adivinhasse o trabalho que teria de passar por ser desonesto, seria honesto, por mera questão de esperteza”.

Apesar de todo o tipo de dificuldade, tenhamos sempre um grande estoque de entusiasmo, fundamentado na responsabilidade e na abnegação.
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22 setembro 2010

Os Complexos Têm Cura?

“As moléstias da mente prejudicam os poderes do corpo”. Ovídio

Os complexos — de inferioridade, Frankenstein, Édipo etc. — incrustam-se em nosso psiquismo, porque não soubemos nos defender quando eles nos visitaram pela primeira vez.

O complexo é um sistema de ideias, sentimentos, recordações e impulsos inter-relacionados, carregados de emoção, que geralmente são reprimidos e que dão origem a um comportamento anormal ou patológico. Os complexos são mentais, e sendo mentais não podem ser curados por alguma injeção de soro ou pela ingestão de comprimidos ou pós. (1)

De acordo com Dodson, em O Universo do Poder Mental, os complexos têm cura. Há, neste livro, vários métodos e estímulos para a erradicação desse mal. O complexo é uma atitude mental assumida por nós mesmos. Nesse caso, podemos substituí-la por outra, ou seja, por ideias que enobreçam o esforço próprio, o caráter e a personalidade.

Para que possamos absorver o poder superior do cosmo, não devemos forçar para que alguma coisa aconteça; permitamos apenas que aconteça. Quando forçamos, estamos sendo influenciados por condições externas; deixando-as seguir o ritmo normal, elas são direcionadas para o rumo certo, rumo este que está de acordo com o poder divino.

Há muitas orientações sobre a condução do nosso pensamento

Quando estivermos cansados, não permitamos que o espírito assim se sinta. Pensemos que é uma coisa passageira e que isso não pode influenciar a quietude de nosso espírito imortal. A dor, o cansaço e o sofrimento são do corpo. O espírito está sempre vivo, desperto, ativo. Paulo, em suas prédicas, já nos dizia que é imperioso levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados e persistir no caminho da evolução espiritual.

Na mente cósmica não há dor ou sofrimento. Em vista disso, dizer para nós mesmos que estamos calmos, sossegados e descontraídos, porque o poder divino nos ilumina, é um excelente exercício. Acrescentemos: serei inspirado por essas falanges do espaço. Nada há a temer. O medo é apenas um preconceito dos nervos.

Estendamos esses pensamentos aos nossos vícios. Digamos: eu rejeito todo o pensamento que macule o meu corpo físico, tais como, o álcool e o fumo. O meu corpo, ligado ao infinito bem, não pode ansiar por coisas materiais que lhe possam fazer mal e prejudicar. O fumo aumenta a infelicidade por meios artificiais.

A mudança comportamental não é tarefa fácil. Contudo, qualquer esforço hoje pode render frutos dulcíssimos num futuro próximo.

(1) DODSON, Samuel. O Universo do Poder Mental. Tradução de Luzia Machado da Costa. Rio de Janeiro: Record, s.d.p., p. 103.
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26 agosto 2010

Frases e Pensamentos

"O homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem - uma corda sobre um abismo."
Friedrich Nietzche, Assim Falou Zaratustra

"Os filósofos... são irresistivelmente tentados a fazer e responder perguntas à maneira da ciência."
Ludwig Wittgenstein, O Livro Azul

"Os mais sábios têm a maior autoridade."
Atribuído a Platão

"O modo mais seguro de se caracterizar a tradição filosófica europeia é afirmar que ela consiste numa série de notas de rodapé a Platão."
Alfred North Whitehead

"A filosofia é uma batalha contra o enfeitiçamento de nossa inteligência por meio da linguagem."
Ludwig Wittgenstein, Investigações Filosóficas

"A vida não examinada não merece ser vivida."
Atribuído a Sócrates

"Não deveríamos fingir fazer filosofia, e sim realmente fazê-la, pois precisamos não da aparência de saúde, mas de saúde verdadeira."
Epicuro

"Todo homem, por natureza, deseja saber."
Aristóteles

"Sou um cidadão do mundo."
Diógenes

"Deves aceitar a verdade de onde quer que ela venha."
Moisés Maimônides

"Ousa pensar."
Immanuel Kant

"Se buscas realmente a verdade, deves ao menos uma vez em tua vida duvidar, tanto quanto possível, de todas as coisas."
Descartes, Discurso do Método

"Se eu quisesse duvidar de que isto é minha mão, como poderia evitar duvidar de que a palavra 'mão' tem algum sentido."
Ludwig Wittgenstein, Sobre a Certeza

"Topos os objetos da razão ou da indagação humanas podem ser divididos em dois tipos ... relações de ideias e questões de fato."
David Hume, Investigação acerca do Entendimento Humano

"Não seria possível ... eu ter em mim a ideia de um Deus, se Deus não existisse realmente."
René Descartes, Meditações

"A felicidade é o único fim da ação humana."
John Stuart Mill, O que é o Utilitarismo

"A mente ... deve se desviar do mundo da mudança (e dos sentidos) até que seus olhos possam ... encarar diretamente a realidade."
Platão, A República

"Sabores, cores e cheiros só existem no ser que sente."
Galileu Galilei, O Ensaiador

"Direita parece como esquerda e vice-versa porque os raios visuais entram em contato com os raios emitidos pelo objeto de uma maneira contrária à usual."
Platão, tentando explicar a inversão operada pelos espelhos, no Timeu

"Antes ser um homem insatisfeito que um porco satisfeito."
John Stuart Mill, Sobre o Utilitarismo

"Leis morais têm de se aplicar a todo ser racional como tal."
Kant, Fundamentos da Metafísica dos Costumes

"Aquilo na alma que é chamado de mente não é, de fato, ante que pense, algo real."
Aristóteles, Tratado da Alma

"Duas coisas enchem de ... assombro e reverência ... O céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim."
Immanuel Kant, Crítica da Razão Prática

"Ações humanas nunca podem ser explicads pela razão, mas são inspiradas inteiramente pelos sentimentos."
David Hume, Investigação sobre os Princípios da Moral
Extraído de: LAW, Stephen. Guia Ilustrado Zahar: Filosofia. Tradução de Maria Luiza X de A. Borges. 2. ed., Rio de Janeiro: Zahar, 2009.
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11 agosto 2010

Fenomenologia do Ethos

Fenomenologia é definida como "um estado puramente descritivo dos fatos vividos de pensamento e de conhecimento". Ethos (grego), e sua tradução mores, em latim, embora tomando sentidos diversos na política, na moral e na música, significa caráter, comportamento, valores e costumes. Juntando os dois termos, diremos que fenomenologia do ethos é a descrição do comportamento, do caráter e dos valores éticos do ser humano. Nesse caso, há uma infinidade de aspectos a serem considerados. Vejamos alguns.

Em termos políticos, o ser humano tem necessidade de moradia, saúde, alimentação e infra-estrutura. O Estado tem o dever de lhe prover o bem comum, que implica a distribuição justa dos recursos públicos. Na tirania, a busca do bem comum já está comprometida. Na democracia, os políticos podem atender a esse objetivo segundo um ethos autêntico ou um ethos demagógico.

O ethos retórico trata, em linhas gerais, das qualidades do orador perante o público. Quando se fala do ethos do discurso, fala-se da persuasão pelo caráter (= ethos) do orador. O discurso tem uma natureza que confere ao orador a condição de ser digno de fé. São os traços de caráter que o orador deve mostrar ao auditório (pouco importa a sua sinceridade). O ethos, muito mais que o logos, é bastante útil ao orador, principalmente ao orador político, que procura agradar mais pela emoção do que pela razão.

Em termos morais, há diversas opiniões sobre o que consiste o bem a-fazer o o mal a-evitar. Uns acham que obedecendo a Deus, já estamos praticando o bem; outros, que crer ou não em Deus tem pouca relevância. No fundo, contudo, há um acordo, ou seja, aquele que diz respeito ao procedimento autenticamente humano, aquele que não pode ser anti-humano, que é “fazer aos outros o que gostaríamos que a nós fosse feito”.

A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do amor. O verdadeiro exercício do amor longe está das proibições e interdições de que a moral propõe. É uma autodeterminação que envolve a autonomia da vontade na busca da atualização do ser. Assim, não é agir de qualquer jeito, mas de forma ordenada, generosa, que promova a pessoa e os direitos do outro, sobretudo quando esses direitos são espezinhados.

O ethos espírita está embasado nos ensinamentos de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. O comportamento ético-espírita só pode fixar-se e expandir-se em terra fértil. Para isto, o adepto do Espiritismo deve, em primeiro lugar, limpar, adubar e regar o “terreno interior”, a fim de criar condições favoráveis de receber a semente evangélica para, posteriormente, fazê-la frutificar cento por um.

O estudo do ethos, como dissemos, leva-nos para uma infinidade de reflexões: escolhamos aquelas que possam aumentar a nossa capacidade de compreender a nós mesmos e ao mundo que nos rodeia.
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04 agosto 2010

Sócrates Foi um Verdadeiro Filósofo

De acordo com Platão, Sócrates era um mágico, um feiticeiro, um xamã. Mênon, Alcibíades e Aristófanes relataram que ficavam drogados, extasiados diante do mestre. As palavras de Sócrates enfeitiçavam-nos de tal modo que todos eles temiam perdê-lo, pois estava se aproximando a hora de sua partida, notadamente com a ingestão da cicuta.

Sócrates dizia-se guiado pelo seu demônio, seu guia protetor. Ele não lhe pedia autorização para fazer isso ou aquilo, mas recebia avisos deste quando fosse desviar-se do verdadeiro caminho, do caminho da verdade. Descartes, o autor do discurso do método, defensor do racionalismo, teve como ponto de partida três sonhos premonitórios, que lhe alertaram para o seu trabalho lógico.

Sócrates foi um filósofo, um verdadeiro filósofo, pois não tinha receio de contrariar os seus pares. Além do mais não cobrava pelas suas elucidações. E sabia diferenciar as questões de ciência das questões de filosofia. A ciência tenta explicar os meios; a filosofia, os fins. A ciência faz hipóteses, observa e conclui através dos objetos sensíveis, especialmente pela experimentação; a filosofia não, a filosofia está preocupada com o fim, com os valores, principalmente os valores do bem, do belo e do justo.

Se levarmos em conta os seus ensinamentos, somente os filósofos são verdadeiramente livres, porque nada fazem para tirar proveito próprio. Os políticos, os cientistas e os demais seres humanos, ao contrário, almejam poder para tirar alguma vantagem. Nesse caso, eles não podem ser considerados totalmente livres.

Sócrates foi um filósofo autêntico, pois vivia de acordo com o que pensava e influenciou muito mais pelo exemplo do que pelos seus discursos.

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08 julho 2010

Fé e Razão Segundo Alguns Filósofos

Para São Tomás de Aquino, Deus não reconhece divergências entre fé e razão. Teologia e filosofia são disciplinas distintas, porém colocadas em escala hierárquica. A filosofia pode perfeitamente ser considerada como uma teologia natural, submetida à teologia da revelação. Dar mais importância à razão é inverter a ordem natural. Nesse caso, o ser humano pode ser vítima da ilusão.

Para Lutero, é a fé (e não as obras) que conduz o ser humano à salvação. Para isto, tem que se entregar à vontade de Deus. Não é simplesmente colecionando o maior número de ações boas, o que torna Deus um contabilista, mas entregando-se de corpo e alma à vontade do Criador.

Para Galileu, a Bíblia deve ser interpreta. Acha ele que, em princípio, não deveria haver oposição entre os dizeres dos profetas e as descobertas científicas, pois tanto a natureza religiosa quanto a natureza material provêm do mesmo Criador. A oposição existe no sentido de que as palavras da Bíblia devem ser interpretadas, distinguindo-se o sentido real do literal. Como a ciência está no livro de Deus, não é a ciência que deve se adaptar à Bíblia, mas a interpretação da Bíblia é que deve adaptar-se às teorias científicas.

Para Hegel, há continuidade e superação nas relações entre religião e filosofia. Para ele, a filosofia exprime de forma racional o que a religião prega de forma mítica. Nas duas formas de saber, o conteúdo doutrinal é o mesmo, mas não devidamente explicitado na narrativa religiosa. Assim, o mito da vinda do Cristo pode intuir a autoconsciência humana, principalmente pelos exemplos contados a seu respeito.

Para Feuerbach, a religião é uma forma de alienação, pois todo o progresso religioso traz como consequência um abaixamento da humanidade. Ao glorificar Deus o homem se diminui. Nesse caso, o ateísmo torna-se um dever ético para que o homem possa reencontrar a si mesmo. Temos que transformar os homens amigos de Deus em amigos dos próprios homens.

Para Soren Kierkegaard, a fé induz ao pavor, porque além de não contar com o apoio da razão, exige que o ser humano vá além dela e caia no absurdo.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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07 julho 2010

Fides et Ratio

Fides et Ratio é a décima segunda Encíclica do Papa João Paulo II, editada em 14 de setembro de 1998. O seu objetivo é esclarecer as relações entre fé e razão, deturpadas ao longo do tempo, quer pela filosofia, quer pela religião, quer pela ciência, quer pelo próprio ser humano. Segundo João Paulo II, e razão são as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade.

Esta Encíclica está dividida em 7 capítulos, a saber: capítulo primeiro – A Revelação da Sabedoria de Deus; capítulo segundo – Credo ut Intellegam (Creio para Compreender); capítulo terceiro – Intellego ut Credam (Compreendo para Crer); capítulo quarto – A Relação entre Fé e Razão; capítulo quinto – Intervenções do Magistério em Matéria Filosófica; capítulo sexto – A Interação da Teologia com a Filosofia; capítulo sete – Exigências e Tarefas Atuais. Há, também, uma introdução e uma conclusão.

João Paulo II enfatiza o conhecimento pela fé, sem desprezar os anseios da razão natural. Afirma que a Igreja é portadora das verdades obtidas pela fé, porque as suas premissas fundam-se nos ensinamentos trazidos pela Revelação dada por Deus a Jesus Cristo, o seu Filho amado. Sem estas orientações não se consegue obter a compreensão mais ampla e transcendental da verdade.

Os capítulos desta Encíclica encerram um estudo histórico: na Antiguidade, mostra a passagem do mito ao logos; na Idade Media, a influência da religião e da teologia sobre a filosofia; na Idade Contemporânea, a exacerbação da ciência e da técnica em detrimento da fé. Para ele, temos que voltar à reta razão e não somente aos exercícios do pensamento filosófico e científico.

Apóia-se em muitas citações do Velho e do Novo Testamento; não se esqueceu de Paulo, nem tampouco de Santo Tomás de Aquino. Este distingue teologia e filosofia, mas não as separando necessariamente. Para Santo Tomás, ambas podem tratar do mesmo objeto (Deus). Contudo, a filosofia utiliza as luzes da razão natural, ao passo que a teologia se vale das luzes da razão divina manifestada na revelação.

Faz suas as palavras de Santo Tomás de Aquino, dizendo que há distinção, mas não oposição entre as verdades da razão e as da revelação, pois a razão humana é uma expressão imperfeita da razão divina, estando-lhe subordinada. Por isso, o conteúdo das verdades reveladas pode estar acima da capacidade da razão natural, mas nunca pode ser contrário a ela.

Entendamos que fé e razão são duas potências do espírito humano que devem ser atualizadas ao longo do tempo. Não há como separá-las. Por outro lado, comecemos o nosso raciocínio pela fé, entendendo-a como um sentimento inato do ser humano. A razão deve vir depois para tornar esse sentimento racional, ou seja, não deixar que ele (sentimento) se desvie para a fé cega.
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02 julho 2010

Formulação e Resolução de Problema

“É mais importante formular do que resolver problema”.

Formular é muito diferente de resolver problema. Por quê? Porque formular é buscar ideias novas, testando-as e destruindo-as, se necessário for. Ao propormos uma nova ideia, poderemos estar contribuindo tanto para a ciência quanto para a filosofia. O fato de que as grandes descobertas científicas vieram de pessoas que trabalhavam sozinhas, deve ser um estímulo para as nossas reflexões solitárias.

Os inovadores são raros, pois há necessidade de se buscar o inesperado. A inovação é sumamente importante. Um bom problema é meia descoberta. Nem sempre a ideia nova vem da mesma área do cientista. O telefone de ligação automática foi inventado por um empresário de casa funerária; a xerografia, por um advogado; o pneu, por um veterinário. Acrescenta-se que a necessidade de mudar uma estrutura conceptual de ideias é outra razão por que a originalidade é tão raramente encontrada.

Para os indivíduos criadores, uma montanha sem mapa não é um obstáculo; é apenas uma nova altitude a ser escalada. Eles sentem a necessidade de buscar ordem, a qual não aparece na superfície. Por isso, é sumamente importante que corram riscos, ou melhor, que o procurem com paciência e sapiência. Ainda mais: devem ser devotados à tarefa, trabalhando durante a noite, nos fins de semana e nos feriados.

Alguns cientistas preferem trabalhar intensamente durante longas horas na solução de um problema. Se não aproveitarem a competência atávica que parece nascer, o resultado pode malograr. Eles dizem: “Se formos interrompidos, poderemos levar um ano para cobrir o mesmo terreno que de outro modo poderíamos fazer em apenas sessenta horas”.

Não deixemos que os compromissos de curto prazo destruam os de longo prazo. Concentremo-nos em nosso trabalho, evitando a perda de tempo com telefonemas e conversações ocas.
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30 junho 2010

Funcionamento da Mente Segundo Alguns Filósofos

Para Aristóteles, há uma hierarquia dos seres vivos baseada na capacidade de conhecimento. Nos animais, que só têm sensibilidade, há pouco conhecimento. Nos seres humanos, que têm memória e faculdades intelectivas, as quais permitem experimentar, ou seja, fazer ciência, a possibilidade de conhecer é infinitamente superior.

Para Campanella, na Cidade do Sol, o sistema didático baseia-se nos sete círculos de muralhas. Cada uma delas é marcada com representações (figuras) referentes ao inteiro conhecimento humano. Basta que uma criança vá observando as figuras, e o conhecimento vai lhe penetrando sem esforço.

Para Descartes, uma ideia é verdadeira quando ela se apresenta a nossa intuição com todas as características da evidência (modalidade psicológica pela qual a mente representa a si mesma certas verdades como claras e distintas, certas e inopináveis). Sendo clara em si mesma, é dotada de um grau de certeza, e não tem necessidade do filtro da razão, imposto pela dúvida metódica.

Leibniz, ao tratar da Mônada, afirma que a consciência não é um ingrediente necessário ao pensamento e à sensação. Ele diz que há percepções tão pequenas que não podem ser compreendidas pela consciência, mesmo agindo sobre os órgãos dos sentidos. Exemplo: acostumar-se com um ruído faz com que ele não seja mais notado.

Locke, polemizando com Descartes, demonstra com argumentos extraídos da experiência a inexistência de ideias inatas: as crianças, os loucos e os selvagens não possuem qualquer ideia de Deus. Daí, afirmar que não há nada inato no ser humano, pois tudo provém da experiência. Para ele, o ser humano nasce como se fosse uma tabula rasa, ou seja, um papel em branco sobre o qual a prática do mundo externo e a reflexão do sujeito imprimirão o conhecimento. Com isso, demonstra ser falsa a teoria de que as ideias claras e distintas precedem a experiência.

Para Kant, a mente deve criticar a si mesma, estabelecendo um limite para o seu raio de ação. Ele acha que a mente tem uma tendência para ir além dos seus limites, havendo necessidade de se impor um controle. Há, no ser humano, um impulso instintivo de ultrapassar o âmbito da experiência verificável para formular conjecturas hipotéticas e doutrinas metafísicas.

Freud, através da sua teoria do complexo de Édipo, sintetiza a sexualidade pervertida da criança: inconscientemente, o garoto sente atração sexual pela mãe; a garota, pelo pai.

Para Bérgson, a intuição é o instinto da inteligência. Ele acha que não podemos afirmar a superioridade da inteligência em relação ao instinto: existem coisas que somente a inteligência é capaz de buscar, mas por si só não encontrará nunca; somente o instinto poderia descobri-la, mas não as buscará nunca.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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16 junho 2010

O Uno, o Múltiplo e as Religiões

Ao longo do tempo, os filósofos e os diversos pensadores da humanidade têm feito reiterados esforços para conciliar o uno com o múltiplo. Nesse sentido, pregam que uma abordagem racional da vida exige que o ser humano preste atenção no pluralismo baseado no princípio da contradição. O problema surge quando o Deus de uma religião resiste à aceitação do Deus de outra religião. Quantas não foram as guerras de fundo religioso?

Contrapondo-se às guerras, há os esforços para paz. A segunda Assembléia Mundial de Religiões, realizada em Chicago em 1993, declarou que não pode haver paz entre as nações se não houver paz entre as religiões. Em 24 de janeiro de 2002, ao terminar o Dia de Oração pela Paz no Mundo, os chefes religiosos presentes em Assis, a convite de João Paulo II, proclamaram um compromisso, denominado “Decálogo de Assis para a Paz”, em que se refuta a violência e se enfatiza a concórdia.

O pluralismo religioso é um fato. Não o podemos negar. Observe as religiões mundiais: todas elas são moderadamente fundamentalistas, pois cada uma delas se acha na posse da verdade. Somente por ela, o indivíduo terá condições de se salvar, de ir para o céu. Imaginemos um cristão: quer tenha consciência ou não, o adepto de outra religião também poderá ser salvo, mas somente por meio de Cristo ou através de uma ligação com a Igreja de Cristo.

Michael Amaladoss, em seu livro Promover Harmonia, reporta-se a três exemplos de conflitos das religiões: 1) lenço de cabeça islâmico nas escolas francesas; 2) crucifixo numa sala de aula da Baviera; 3) Uma islamita divorciada abandonada na índia. Todos esses casos geraram discussões sobre os limites da fé religiosa, obrigando o Estado a arbitrar sobre o que é uma questão laica e uma questão religiosa.

O apego à própria religião deve ser combatido. Cada um de nós deveria olhar além do próprio umbigo. O cristão poderia raciocinar da seguinte forma: quantos são os cristãos no mundo? Pelas estatísticas, aproximadamente 2,5 bilhões de pessoas. Se somente Cristo salva, o que acontecerá com os outros 4 bilhões? Irão para o fogo do inferno? Não é uma incoerência?

Somente Deus é absoluto. A revelação divina pode nos ajudar a encontrar Deus, mas não é garantia para a verdade absoluta, pois a verdade não é monopólio de ninguém, mas patrimônio comum das inteligências.

Fonte de Consulta

AMALADOSS, Michael S. J. Promover Harmonia: Vivendo num Mundo Pluralista. Tradução de Nélio Schneider. Rio Grande do Sul, Unisinos, 2006.
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09 junho 2010

Pensamento e Fisiologia do Pensamento

Pensamento. A palavra pensamento é fácil de ser intuída, mas difícil de ser explicada com palavras. O pensamento é definido em termos das atividades mentais, como inteligência ou razão, em que são descartados os sentimentos e as volições. Liga-se também à atividade discursiva ou intuitiva. Fisiologia. Ciência que trata dos fenômenos vitais e das funções pelas quais se manifesta a vida. Parte da biologia cujo objeto é o estudo das funções dos organismos vivos, vegetais e animais.

A fisiologia do pensar diz respeito às relações matéria-espírito, corpo-alma, corpo-mente, matéria-consciência, físico-químico e, atualmente, mente-cérebro. Para Kant, a fisiologia do pensar resume-se em passar da sensação (estímulo desorganizado), para a percepção (sensação organizada), para concepção (percepção organizada) e para a ciência (conhecimento organizado).

A cultura grega deu ênfase à razão. A razão fazia o indivíduo raciocinar e aplicar-se ao conhecimento das virtudes. Acontece que o pensamento dos pré-socráticos e dos orientais não são interrogativos, mas poéticos-noemáticos, em que o racional é deixado em segundo plano. Mesmo assim, esses pensamentos poéticos-noemáticos não são superficiais, mas essenciais à própria elaboração do pensável.

A mente é vista como atividade ou processos mentais, em que estão presentes a consciência, a intencionalidade, a subjetividade e o caráter representacional. Para explicar a estrutura da mente há a teoria clássica das faculdades, em que se pressupõe hierarquia de poderes, ou seja, a inteligência e a vontade são superiores à imaginação, por exemplo. Presentemente, temos o construtivismo e o inatismo. No construtivismo, todas as estruturas mentais são construídas pelo sujeito com relação ao seu meio ambiente. No inatismo, a mente possui estruturas inatas que são ativadas em contato com o meio ambiente.

A ciência moderna tenta relacionar computador e cérebro. No computador, há a máquina (hardware), os programas (softwares).e a informação. Os programas usam a máquina para processar a informação. Analogamente, o cérebro é o hardware; as estruturas mentais, o software. O processamento das informações se dá de duas maneiras: modularidade e conexionismo. A tese da modularidade pressupõe que o cérebro funcione por “módulos independentes” e pelos “sistemas centrais”, tais como as relações entre os computadores independentes e o computador central. O conexionismo é a interpretação mais recente do funcionamento do cérebro. De acordo com esta teoria, o cérebro não processa a sua informação em série (uma operação depois da outra), mas simultaneamente, em paralelo.

Para o Espiritismo, o pensamento, como essência, é um atributo do Espírito, sinônimo de inteligência. Nesse caso, ele não pode ser considerado matéria. Acontece que também é usado no sentido material. Daí, alguma confusão. Os processos mentais entram em cena. Em vez de conceituá-los adequadamente, simplesmente dizemos que o pensamento é matéria e vamos tocando o barco. Sócrates, na antiguidade, já nos alertava sobre a necessidade bem definirmos os termos antes de iniciarmos uma discussão.

O pensamento, como inteligência, raciocínio e informação não é matéria. É simplesmente um atributo do Espírito, que é imaterial ou composto de alguma matéria ainda desconhecida por nós. Os processos mentais, que ocorrem no cérebro, possibilitam-nos o uso do termo fisiologia do pensamento, em que são considerados as vibrações, as radiações, os passes, a fotografia do pensamento e as emanações fluídicas.



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26 maio 2010

Cinco Conceitos de Justiça

Os cinco conceitos de justiça são:

1) A cada um a parte que lhe cabe. É a justiça distributiva que aplica o princípio da proporcionalidade. Há um bem comum. Este bem deve ser distribuído proporcionalmente para todos os membros da comunidade.

2) A cada um segundo as suas obras. Não se leva em conta aquilo que as pessoas são, nem esforços ou méritos, nem seus dons ou facilidades, somente o que elas fizeram ou podem fazer.

3) A cada um segundo a sua contribuição à obra coletiva. É o princípio que considera como justo quando se trata de remunerar com salário um trabalho. Deve ganhar mais quem mais contribui para a produção do bem. Leva-se em conta o tempo de serviço e outras vantagens adquiridas. Este caso é uma extensão do anterior.

4) A cada um segundo os seus méritos. É um conceito puramente moral. Esse critério de justiça exige que se avaliem as qualidades essenciais da própria pessoa, incluindo seus vícios e suas virtudes.

5) A cada um segundo as suas necessidades. Este conceito de justiça é aplicado aos bens de consumo. Mesmo que uma pessoa não possa trabalhar, ela deveria receber o necessário para poder viver.

Exemplo: uma torta deve ser dividida entre os alunos de uma classe. No primeiro caso, as partes seriam estritamente iguais; no segundo e terceiro caso, dar-se-ia uma parte maior a quem fez mais trabalhos de casa; no quarto caso, dar-se-ia em função dos esforços de aprendizagem e não de acordo com a quantidade apresentada; no quinto caso, dar-se-ia em função da condição social do aluno: os alunos pobres receberiam mais do que os alunos ricos, pois estes já têm o suficiente em suas casas.

Para mais informações, leia o capítulo “Justiça, Estranha Virtude”, por Francis Wolff, in: NOVAES, Adauto (Org.). Vida Vício Virtude. São Paulo: Senac, 2009.


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Dificuldades para Captar a Verdade

A verdade é comumente definida como uma relação entre o Sujeito e o Objeto. O Sujeito capta o Objeto e retorna ao mesmo como uma crítica conceituada. Se a imagem que teve do Objeto coincidir com a do próprio Objeto, diz-se que está de posse da verdade; se não coincidir, que está em erro.

Há, porém, muitas dificuldades quando queremos aprofundar essa relação. Precisamos incluir os condicionamentos do Sujeito, a sua familiaridade, os seus desejos, os seus interesses, as suas crenças, o seu sistema de valores. Ainda mais: há necessidade de verificar se suas percepções estão em perfeito estado, isto é, que não haja deficiências, como é o caso de enxergar sem luz, de sentir o cheiro de alguma coisa, estando resfriado.

As religiões e seus dogmas têm grande influência nos valores que o indivíduo forma para si e para os seus. Em tese, todas professam a verdade, verdade que leva o seu adepto à salvação. Se a sua crença religiosa leva à salvação, as outras estão em erro. Esta pessoa não é capaz de pensar que o outro também pode estar com a verdade. É por isso que a pluralidade das crenças leva aos conflitos e às diversas guerras que tivemos ao longo da história da humanidade. 

O problema do status social. Tomemos, por exemplo, um acidente de trânsito, em que um motoqueiro é atropelado por um automóvel. Haverá tantas versões quantas forem as pessoas indagadas. Se perguntarmos a um outro motorista de automóvel, ele dirá que o motoqueiro é imprudente, que atrapalha o trânsito, que fura a fila etc. Se perguntarmos a um outro motoqueiro, ele dirá que o motorista do automóvel tem raiva deles, que os trata com desprezo.

Os aspectos denotativos e conotativos. Suponha a palavra “vaca”. Ela denota um animal, cujo conceito (imagem mental) é a mesma em toda a parte do mundo. Entretanto, conota muitos outros significados. Na Índia, é considerado um animal sagrado. Este símbolo tem forte poder no relacionamento entre as pessoas. Nesse caso, quando quisermos ofender uma pessoa, basta tratarmos mal a sua vaca, que repercutirá sobre o seu possuidor. Não faz muito tempo, houve uma celeuma sobre a quebra de uma imagem de Nossa Senhora da Aparecida.

Além das dificuldades conotativas, religiosas, de condicionamento e de status social, deparamo-nos com a mentira. A mentira é uma espécie de imposição para nos fazer crer que algo é diferente do que realmente é. Os discursos políticos, por exemplo, precisam ser estudados e analisados nos seus mínimos detalhes, pois muitos deles trazem um viés dos dados e da análise da conjuntura nacional e mundial.

Lembremo-nos de que quanto mais nos desvencilharmos dos nossos condicionamentos e dos nossos preconceitos, mais aptos estaremos para nos aproximarmos da verdade. Dizer “é possível que estejamos em erro” é muito útil, pois obriga-nos a revisar aquilo que tínhamos por verdade inconteste.

Fonte de Consulta: Capítulo IV (A Verdade Pode Ser Plural?), de Promover Harmonia: Vivendo em um Mundo Pluralista, de Michael Amaladoss, S. J. Rio Grande do Sul: Unisinos, 2006.

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12 maio 2010

Justiça e Verdade

Justiça. Em seu sentido restrito, é a vontade de conceder o direito a si próprio e aos outros segundo a igualdade. Em seu sentido moral, respeitar cada um a si mesmo e ao próximo. Verdade. É uma adequação entre o Sujeito (inteligência) e o Objeto (realidade). Do latim adaequatio intellectus et rei. Em sentido mais elevado, uma completa interpenetração de inteligência e ser.

Para Aristóteles, a justiça é o principal fundamento da ordem do mundo. Ela não está dissociada da pólis, da cidade, ou da vida em sociedade. Ela não é adquirida nos livros ou mesmo pelo pensamento. Ela tem que ser construída na vida prática, isto é, pela obediência às leis da pólis e pelo bom relacionamento com os cidadãos.

Justiça humana e justiça divina. A justiça humana, através de leis estabelecidas pelas autoridades de um determinado país, julga e castiga os delitos cometidos. Uma pessoa fica reclusa por vários anos. Atendeu à lei do homem. E com relação à justiça divina? A justiça divina vê o sujeito na sua totalidade, incluindo as suas diversas encarnações. Pode-se dizer que a justiça humana pune os crimes factuais; a justiça divina, os essenciais. Nada fica incólume. Nesse caso, é possível que o sujeito tenha cumprido a sua pena na Terra, mas não o tenha saldado com relação à justiça divina, que vê o que se passa no íntimo do ser.

Tudo o que é justo é verdadeiro? Em principio, tudo o que é justo deve também ser verdadeiro. Acontece que vivemos num mundo imperfeito. Nesse caso, podemos cometer muitas injustiças em nome da justiça, pois como determinar com exatidão o que é justo e o que é injusto? Conta-se o caso de um habitante de um mundo superior em visita ao nosso. Em suas observações, detectou: 1) uma pessoa ser presa por ter roubado um pedaço de pão para saciar a sua fome; 2) outra, que havia dizimado centenas de seres humanos em batalhas sangrentas, ser condecorada. Disse: vamos esperar mais uns 500 anos para ver como estará a justiça no Planeta Terra.

Costumamos reclamar que Deus é injusto e que não merecemos tanto sofrimento. Pergunta-se: as aflições são justas? Dada a limitação do nosso conhecimento, achamos que Deus é injusto, que Ele nos manda uma prova além de nossa força. Tudo isso é puro engano. Cada um de nós está no devido lugar, para a realização do seu progresso material e espiritual. Nada que se nos acontece, acontece por acaso.

Os filósofos da antiguidade já nos diziam que, no justo momento em que quisermos refutar uma verdade, seremos por ela refutados. Cristo, nas suas pregações, disse: “Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar conhecido" (Mateus 10.16b). Daí, a certeza de que diante da verdade só nos resta aceitá-la de bom grado, seja agradável ou desagradável.

A justiça, a verdade e o bem são os conceitos mais sagrados para a humanidade. Saibamos apreendê-los e colocá-los em prática em nosso dia-a-dia. 

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07 maio 2010

Virtudes Cardeais

Platão, no livro IV da República, descreve as qualidades que uma cidade deve ter para o seu funcionamento racional. Essas qualidades são enumeradas em função de quatro virtudes, chamadas de fundamentais, e que mais tarde denominaram-se virtudes cardeais. Elas são: prudência (sabedoria), fortaleza (coragem), temperança e justiça.

Vale a pena notar que essas virtudes, primeiramente, dizem respeito à cidade, no sentido de termos cidades retas, ou cidadãos que agem segundo a reta razão. Somente depois é que o termo passou a ser aplicado ao próprio cidadão. Isso tem certa razão, pois Platão achava que não havia diferença substancial entre o público e o privado. As coisas devem valer muito mais pelas ideias que lhe são próprias.

Prudência (sabedoria). O que é uma cidade sábia? É a cidade que age segundo certa ciência, a ciência de saber escolher. Nesse caso, escolhe-se o melhor, segundo a natureza de cada coisa, pois Platão entendia a virtude como a potência que cada objeto tem em si mesmo. Por exemplo, a função da planta é produzir frutos Assim, a direção da cidade deveria ser feita pelo rei-filósofo, pois ele, segundo a sua natureza, era o mais sábio para o fazer, porque veio para desempenhar essa função.

A fortaleza (coragem) é um sentimento ou virtude que evoca a força. Observe o guerreiro. Ele não pode ser covarde, pois se assim o for não terá condições de defender a cidade dos inimigos. Daí, dizer que a coragem é a defesa da opinião própria, mesmo quando atacada por todos os lados e por todas as pessoas. A paciência, ligada à fortaleza, é a disposição interior de enfrentar as vicissitudes da vida: dor, morte, desilusão.

A temperança, segundo Sócrates, é uma ordenação e ainda um poder sobre certos prazeres. Assim, a temperança refere-se à contenção dos prazeres sensitivos dentro dos limites estabelecidos pela razão. Diz-se que a moderação é a temperança no comer, a sobriedade é a temperança no beber e a castidade é a temperança no prazer sexual.

No estabelecimento da cidade, Platão disse que “cada um deve ocupar-se de uma função na cidade, aquela para a qual a sua natureza é mais apta por nascimento” (Rep., V, 433 c). Isto equivaleria também à justiça, pois implica “executar a tarefa própria e não fazer a dos outros”. (Rep., IV, 433 a). hodiernamente, poderíamos dizer que a justiça consiste na atribuição, na equidade, no considerar e respeitar o direito e o valor que são devidos a alguém, ou alguma coisa.

Como vemos, temos muito que aprender a respeito das virtudes. O mais importante é não deixarmos que esse termo caia no esquecimento, como sói acontecer nos dias presentes, sendo este o principal empecilho para o nosso desenvolvimento moral e espiritual.

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