01 julho 2008

Utilidade e Utilitarismo

Útil - do latim utile significa aquilo que pode ter algum uso ou serventia. Em filosofia, o "útil" caracteriza-se pela intermediação, ou seja, vale por tudo aquilo a que se dirige, não por si mesmo. Por exemplo: um lápis é útil, porque seu fim é escrever. Assim, o útil é sempre instrumento, sempre intermediação.

O termo utilidade, geralmente usado em economia, significa o poder que tem uma mercadoria ou serviço, de proporcionar satisfação, por corresponder a uma necessidade. A Economia não investiga a ética ou a moral das necessidades. Alimentos, cigarros, bebidas possuem utilidade e têm significação econômica, quando satisfaz necessidades. A Economia como ciência positiva analisa o que é e não o que deveria ser.

A utilidade, como estamos vendo é de caráter subjetivo, mas não implica valores éticos. Do termo utilidade, deriva-se o princípio da utilidade marginal decrescente, ou seja, à medida que aumentamos a quantidade de um bem, a sua utilidade total aumenta, enquanto a sua utilidade marginal diminui a partir de uma certa quantia, chegando até a um valor negativo. Supondo-se que uma pessoa esteja com fome: o primeiro pedaço de pizza terá um valor alto, o segundo maior ainda, mas depois do terceiro ou quarto, o pedaço extra começa a diminuir de valor.

O utilitarismo, também derivado do adjetivo útil refere-se à doutrina moral dos ingleses Jeremy Bentham (1748-1832) e John stuart Mill (1806-1873). Bentham encontrara um panfleto escrito por Joseph Priestley que dizia: "A maior felicidade para o maior número". Fincou pé nessa verdade, dita por ele sagrada, e tentou aplicar o conceito dentro da jurisprudência de seu país. Do mesmo modo, J. S. Mill espelhando-se nessa frase construiu normas de ações para a boa conduta em sociedade.

De acordo com esta doutrina ética, a correção de uma ação deve ser julgada pela contribuição que faz ao aumento da felicidade humana e à diminuição da miséria humana. Segue-se (por reflexão) que o prazer é a única coisa boa em si e a dor a única coisa má. A felicidade induz ao prazer e à liberação da dor. Disto resulta o prazer egoístico, em que o atendimento dos interesses pessoais leva ao aumento da felicidade da sociedade.

Saibamos diferenciar esses termos. Com isso vamos aumentando o estoque de conhecimento, usando-o mais corretamente.

Fonte de Consulta

URMSON, J. Enciclopedia Concisa de Filosofia y Filosofos. 2. ed., Madrid, Catedra, 1982.
SELDON, A. e PENNANCE, F. G. Dicionário de Economia. 3. ed., Rio de Janeiro, Bloch, 1977.

São Paulo, 12/06/1997

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