01 julho 2008

A Gênese do Progresso

O progresso significa o desenvolvimento de um ser, de uma ciência ou de uma atividade. Refere-se a qualquer adiantamento observado. Historicamente, tem relação com o passado e o futuro. J. B. Bury expressa-o nos seguintes termos: "A ideia de progresso é a síntese do passado e a profecia do futuro". Como, porém, deve ser considerado o progresso? Materialmente? Espiritualmente? Ou moralmente? O que significa, em termos substantivos, "avanço" ou a passagem do "inferior para o superior"? Há alguma diferença fundamental entre progresso e evolução?

A origem do progresso pode ser encontrada na Antiguidade. Há, contudo, historiadores que não aceitam a ideia de progresso nessa fase, pois defendem a tese de que esses filósofos não tinham consciência de um passado histórico suficientemente longo para que o progresso pudesse ser evidenciado. Robert Nisbet, em a História da Ideia de Progresso, nega tal afirmativa mostrando o elo que os filósofos faziam entre o passado e o futuro. Dizia que esses filósofos empregavam constantemente a palavra "no decurso do tempo", "pouco a pouco" e "passo a passo''.

Há, com relação à Idade Média, uma acepção de que cuidavam somente da teologia e do sobrenatural sem ligar para as coisas do mundo. É um equívoco, pois na Alta Idade Média já se tinha em formação todo o arcabouço da Renascença, que se consubstanciou no desenvolvimento da ciência e, com ela, todo o avanço da tecnologia que vemos nos dias de hoje. Ainda: com a paralisação do comércio, o ser humano foi obrigado a voltar-se para dentro de si mesmo, antecipando-se ao que viria depois.

Em termos de conhecimento, é difícil separar o passado do presente. Muitas vezes pensamos ter descoberto a América, mas uma pesquisa mais acurada comprova que aquela ideia já fora veiculada por outros pensadores. Descartes, por exemplo, trouxe-nos o cogito ergo sum (penso, logo existo). Contudo, para chegar a tal assertiva, ele se valeu dos seus antecessores, principalmente da argumentação de Santo Agostinho, em seu livro Cidade de Deus, quando este proclamou a sua própria existência.

Notamos que a relação entre o passado e o futuro marca as fases de progresso que a humanidade alcançou ao longo da civilização. Da época dos utensílios de pedra até os avanços dos computadores modernos, há todo um processo de instrumentalização que ampliou sobremaneira a visão de mundo do ser humano e liberou mão de obra para outros setores do conhecimento humano. Hoje vivemos o período da economia da informação, em que a ideia é mais importante do que a coisa física, como máquinas e ferramentas.

Reconheçamos os esforços de todos aqueles que nos precederam. Procuremos, de nossa parte, dar prosseguimento a esse progresso, fazendo-nos agentes vivos da história da humanidade.

São Paulo, 25/9/1993

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