02 fevereiro 2012

Temperança

A temperança é o hábito da moderação especialmente no uso de alimentos e bebidas, mas, referindo-se também por extensão, ao controle dos apetites e das paixões humanas. A temperança caracteriza o indivíduo senhor de si mesmo, capaz de dominar-se e usar os bens da vida, não como fins em si mesmos, mas como meios para atingir objetivos mais elevados.

Etimologicamente, vem do latim temperantia, de temperare, que significa temperar, regular e guardar a medida. A temperança tem ligação com continência, incontinência e intemperança. Continência significa conter-se, dominar-se. Incontinência e intemperança são os contrários de continência e temperança.

Continência e incontinência. A continência é a resistência aos vícios, uma atitude boa, razoável; a incontinência, disposição aos vícios, uma atitude má. Na continência, fazemos uso da vontade, da determinação; na incontinência, a vontade fica para trás, assemelhando-se às “tentações” do Evangelho.

Incontinência e intemperança.  A incontinência é a incapacidade de agir conforme os ditames da vontade; há um conflito entre razão e emoção. O intemperado, por seu turno, obedece apenas à parte sensitiva da sua alma; ele não vê conflito de deveres. Nesse caso, o incontinente pode ser corrigido; o intemperado, não. O incontinente sabe que está errado, mas não é capaz de resistir aos prazeres; o intemperado, decide pelos excessos de prazeres.

Aristóteles, na Ética a Nicômaco, diz: “Algumas fontes de prazer são necessárias outras são valiosas em si mesmas, mas podem ser excessivas. As necessárias são as condições corporais, isto é, as que dizem respeito à comida, sexo... Outras fontes de prazeres não são necessárias, mas são valiosas em si mesmas, como exemplo, a vitória, a honra, a riqueza e outras coisas boas similares”.

Para compreendermos a temperança na visão de Aristóteles, precisamos distinguir os prazeres da alma e os prazeres do corpo. Para Aristóteles, a temperança refere-se exclusivamente aos prazeres do corpo. O amor ao estudo, sendo um prazer da alma, nada tem a ver com a temperança. Ou seja, uma pessoa que ama esse prazer não pode ser considerada nem temperada nem intemperada. 


Lembremo-nos de que a moderação é a temperança no comer, a sobriedade é a temperança no beber e a castidade é a temperança no prazer sexual.

Fonte de Consulta

MARQUES, Ramiro. O Livro das Virtudes de Sempre: Ética para os Professores. Portugal: Landy, 2001, capítulo 15, p. 151 a 160. 

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