16 fevereiro 2012

O Estado Segundo Alguns Filósofos

Para Maquiavel, o fim justifica os meios. O que conta para um político não é a substância, mas a imagem. Tendo em vista o bem comum, pode perfeitamente abandonar a ética individual. “Se necessário, o príncipe pode chegar até à traição; o importante é que justifique o seu comportamento com uma aparência de legitimidade”.  

Para Hobbes, o Estado soberano é um Deus mortal. Acha que o homem só cumpre a lei quando é atemorizado pelo Estado; quanto mais forte o Estado, menos serão as transgressões. “Hobbes foi o teórico do absolutismo político; considerava o Estado uma entidade digna de veneração, um Deus mortal pouco abaixo de Deus imortal, um Leviatã, o invencível monstro descrito na Bíblia (Livro de Jó)”.

Para Locke, a proteção do cidadão, com relação ao abuso de poder, assenta-se na divisão de poderes. Em se tratando do Estado, elucida, também, os limites da tolerância: “Uma sociedade democrática não pode aceitar qualquer seita secreta e obediente a um país estrangeiro, assim como não pode permitir o ateísmo, sinônimo de imoralidade e falta de responsabilidade”.

Para Rousseau, o Estado deve pautar-se pela vontade geral, e não a da maioria. É uma posição contrária à democracia: “O bem comum não pode ser estabelecido pela simples soma estatística das opiniões individuais – por exemplo, pelo voto, posto que somando tantos egoísmos não se obtém absolutamente altruísmo e consciência civil”.

Para Kant, o Estado deveria respeitar uma constituição republicana mundial. Mesmo reconhecendo que a agressividade é própria da psicologia humana, ainda assim crê firmemente na utopia pacifista. “Não poderiam existir guerras civis em um Estado de direito capaz de salvaguardar os princípios fundamentais da igualdade social, da liberdade individual, da representação e da divisão de poderes”.

Para Hegel, o Estado é uma família em ponto grande; é substância ética consciente de si mesma. Com isso, diviniza a noção de Estado. “Reafirmando a unidade interna típica da família (tese), e após ter passado pela dispersão da sociedade civil (antítese), o Estado coloca-se como um organismo vivo e necessariamente compacto e unitário, uma verdadeira família ampliada”.

Para Marx, a história é luta de classes. Em seu materialismo histórico e dialético, mostra as transformações da sociedade. Para tanto, baseia-se na dialética de Hegel. “O mundo feudal, o capitalismo burguês e a futura sociedade comunista são respectivamente a tese, a antítese e a síntese de uma tríade dialética global”.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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