09 fevereiro 2012

Deus Segundo Alguns Filósofos


Para Aristóteles, Deus é o motor imóvel. Este motor não é uma divindade criadora do mundo; é a causa final. Segundo Aristóteles, como para todos os Gregos, o mundo sempre existiu e de modo algum foi criado. Deus é o ponto de chegada, meta final para a qual tende a inteira realidade.

Para Agostinho, se Deus realizou a criação com base em um ato consciente e voluntário, Ele pode ser considerado responsável pela imperfeição do mundo? A solução agostiniana: o mal, em si mesmo, não existe, é ausência, limitação do bem. O mal é puro não-ser, assim como a escuridão não tem uma realidade substancial, mas existe somente por via negativa, como ausência de luz.

Para Plotino, Deus é uma realidade tão diversa que exclui qualquer possibilidade de compreensão. Podemos apenas dizer que é Uno, uma vez que a multiplicidade parece ser uma peculiaridade do mundo terreno.

Para Dionísio, podemos falar de Deus apenas pela via negativa; dizer o que Ele não é. Assim: Deus não pode ser definido como luz, senão acrescentando que também é escuridão; não pode ser definido como amor, porque a sua distância do ser humano o impede de conhecer o mundo. Deus, o Uno, é inefável, isto é, absolutamente transcendente e incomensurável, estranho a qualquer critério humano.

Para Cusa, em Deus estão presentes, de modo infinito e perfeito, todos os elementos que em nosso mundo se opõem irredutivelmente. Como o conhecimento humano é fundado na proporção e na medida, o infinito, a verdade e Deus, que escapam a qualquer critério proporcional, permanecerão sempre incognoscíveis para o homem.

Para Spinoza, da definição de Deus como substância (aquilo que não precisa de nada para existir) decorre uma série de considerações: Deus é único, perfeito, auto-suficiente, dotado de infinitos atributos, que só em parte os homens conseguem perceber e compreender. Spinoza sustenta que Deus é a natureza e a natureza é Deus. E, posto que Deus é infinito, assim também deve ser a natureza, não obstante nos pareça finita e determinada.

Para Leibniz, se um individuo pensa em levantar um braço, e efetivamente o fenômeno se realiza, não é porque a sua vontade espiritual tenha influído sobre o corpo; mas porque as duas dimensões que formam o individuo, espírito e corpo, foram perfeitamente sincronizadas pela sabedoria divina.

Para Feuerbach, toda a religião é uma antropologia invertida. Segundo ele, as qualificações de Deus nada mais são do que as ideias tipicamente humanas. Deus é onisciência, porque conhecer e saber são valores imensamente apreciados pelo gênero humano; é amor, porque todos nós amamos e gostaríamos de amar mais; é justiça, porque essa é a virtude de que mais sentimos falta.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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