17 fevereiro 2012

A Substância Segundo Alguns Filósofos

Para Parmênides, afirmar uma negação é incorrer em erro lógico. “Como passagem de uma condição de ser a uma de não-ser, toda mutação, qualquer que seja a sua espécie, é sempre pura aparência: a verdadeira estrutura do mundo consiste em um ser imutável e eterno”. 

Para Aristóteles, a metafísica é necessária, é a ciência do ser. Todas as ciências precisam de uma filosofia primeira que é a metafísica. “A medicina estuda o ser enquanto corpo vivo, a política estuda o ser da sociedade, a ética o ser como ação, a matemática, o ser como quantidade; somente a filosofia estuda o ser enquanto ser, em abstrato e independentemente de qualquer determinação particular”.

Para Descartes, a dúvida metódica conduz-nos à existência de um sujeito espiritual, capaz de produzir pensamento: ao lado da substância pensante (res cogitans), existe a substância material (res extensa). Pensa que o único modo de demonstrar a existência do mundo material consiste em refletir sobre a existência de Deus. “Logo, ao lado da espiritual, existe também uma realidade material, que se caracteriza por ser extensa ao espaço. Res cogitans e res extensa, espírito e matéria, mente e corpo, são as duas substâncias metafísicas do real”.

Para Leibniz, a mônada é um átomo espiritual. Para entendê-la, deveríamos compará-la à mente humana. A mônada é “um microcosmo, um espelho vivo do universo para o qual tudo é, ao menos potencialmente, inteligível. Como um verdadeiro átomo espiritual, possui todas as características da espiritualidade: percebe – ou seja, conhece o mundo a partir de um particular ponto de vista – e apetece, ou seja, deseja –, tendendo sempre à realização de um fim, de um projeto".

Para Spinoza, Deus é substância: para existir não precisa de nada. Partindo da definição clássica do conceito de substância como aquilo que não precisa de nada para existir, ele conclui que: 1) só uma substância pode existir (monismo); 2) tal substância deve ser Deus; 3) a matéria e o espírito não devem ser considerados substâncias, mas sim atributos (manifestações) da única substância; 4) a substância divina é livre – porque age somente sob o impulso da necessidade da sua natureza – e eterna; 5) sendo única, tal substância não admite nada fora de si mesma e, portanto, deve compreender o mundo inteiro.

Para Hume, a substância é um feixe de percepções. “No âmbito do pensamento empírico, voltado para a concretude da experiência, devemos concluir que na realidade existem somente determinadas qualidades particulares dos objetos que a mente, depois de apreendê-los separadamente, reagrupa e liga um termo lingüístico para facilitar a memória e a comunicação”.  

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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