01 fevereiro 2012

A Origem das Coisas Segundo Alguns Filósofos

Para Tales, o princípio primordial (o arché) deve ser identificado na água. Embora a proposta seja superficial, a sua importância reside no fato de se apresentar, pela primeira vez, uma solução racional, em vez de mítica. O motivo que aflorou em Tales foi: as sementes, como todo alimento, são úmidas.

Para Anaximandro, o arché está no apeiron, termo grego que indica o ilimitado, o infinito, uma realidade primeira, sem limites e sem fronteiras. Diz-se que ele chegou a esta proposta, tomando por base a oposição entre forças antagônicas: o quente opõe-se ao frio, o seco opõe-se ao úmido. Em se tratando do cosmo, o mesmo raciocínio pode ser feito. Como o universo se mostra definido, limitado, determinado em cada um de seus componentes, deve-se pensar que ele se tenha originado e seja sustentado por um princípio diametralmente contrário: o apeiron

Para Heráclito, o arché está o fogo, que cria e transforma todas as coisas. Heráclito trata o fogo muito mais como uma metáfora do que como um elemento natural específico. Observe a comparação que faz com a moeda: “pela sua capacidade de transformar uma coisa em outra, o fogo pode ser substituído pelo símbolo do dinheiro, que, por sua vez, é capaz de trocar uma mercadoria por qualquer outra”.

Para Pitágoras, o arché está no número. O número, porém, para Pitágoras não era um ente abstrato, puro conteúdo da mente, mas um elemento essencial da realidade. Ele possui também uma dimensão espacial, apresentando-se como um ente intermediário entre a aritmética e geometria.

Para Demócrito, o arché está no átomo.  Compara os átomos às letras do alfabeto que, combinando umas com as outras, pode-se formar um número infinito de palavras. “Entre os átomos existem apenas diferenças quantitativas (grandeza, forma geométrica) e, portanto, a diversidade qualitativa das coisas (aparente) explica-se pelo grande número de combinações”.

Fonte de consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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