08 novembro 2011

Ordem e Desordem

A ordem dá-nos a impressão de um controle sobre a realidade. Acontece que a desordem é muito mais corriqueira do que a ordem. Veja a entropia* na termodinâmica.

Em termos do par ordem/desordem, Marchel Conche diz que “A ordem não passa de um caso particular da desordem”: é uma desordem cômoda, eficaz ou significativa. Observe a ordem alfabética. Por que o termo a deve vir antes do b, e o b antes do c? Porque as pessoas concordaram com essa ordem. Não poderia ser outra?

Onde queremos chegar com essa pequena reflexão? Que a desordem não é tão ruim como muitos apregoam. Ela, muitas vezes, pode ser útil, pois se tudo estivesse ordenado, ninguém encetaria uma busca para procurar um objeto, um apontamento, um livro disperso na estante.

Sintetizando: a ordem é uma desordem cômoda; a desordem, uma ordem incômoda.

*Entropia. Do grego entropié, volta, retorno. "A entropia é a quantidade termodinâmica que mede o nível de degradação da energia de um sistema" (Jacques Monod). O termo passa a ter uma aplicação geral, designando a medida de desordem de um sistema, uma vez que o equilíbrio térmico é considerado o estado mais provável em que se encontra o universo. A entropia significa, assim, a extinção e a "morte", por perda de energia, do universo. (1)

(1) JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

2 comentários:

Diogo Tadeu Souza Inácio disse...

Não concordo. Acredito que não exista a desordem. Na verdade, a desordem é a imposição de uma nova ordem. Logo, a desordem, nada mais é do que a ordem com a qual não concordamos, o que é incompreensível para nós. Exemplo: Se uma força da natureza, um furacão, atinge determinada região de uma cidade que me afete emocionalmente (o bairro no qual eu cresci), e eu encontre todas as coisas em desordem, essa desordem é uma ilusão. Pois, após os nervos se acalmarem e estudando os aspectos do furacão em si, eu perceberia que cada coisa ou objeto, está no seu devido lugar. No lugar que deveria estar após o cataclismo. Estando, portanto, em ordem. Só não é a ordem que me agrada!

edvaldo gomes barbosa barbosa disse...

Geralmente confundimos termos ontológicos com psicológicos. Ontologicamente ORDEM/DESORDEM não tem significado algum diante do real: a realidade é perfeita e não carece de palavras para continuar existindo e exercer sua potencia. Quanto ao fenômeno percepcionado e confundido com a satisfação humana, nasce da comparação entre dois acontecimentos e julgamos ordenado tudo aquilo satisfatório às nossas necessidades materiais e espirituais predeterminadas. Sempre que nos deparamos com uma potencia natural externa ou interna em relação a determinado modelo, seja científico, moral ou filosófico, logo utilizamos essas palavras de ordem psicológica.Concluindo: uma fruta podre, um cadáver fétido são apreciados por vermes e abutres e rejeitados pela nossa realidade corporal. Em outras palavras, os odores são realidades ontológicas e em si nada tem de agradável ou desagradável. Ordem e Desordem seguem o mesmo raciocínio. A questão é puramente psicológica.