SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Considerações Iniciais. 3. Conceito de Filosofia: 3.1. Antiguidade; 3.2. Idade Média; 3.3. Idade Moderna. 4. O Filosofar: 4.1. Atitude Filosófica; 4.2. Os Questionamentos; 4.3. Espírito Crítico. 5. A Filosofia Espírita: 5.1. Tradição Filosófica; 5.2. A Filosofia Espírita Não Está nos Fenômenos; 5.3. Especulativa Versus Afirmativa. 6. Conclusão. 7. Bibliografia Consultada.
1. INTRODUÇÃO
O objetivo destes escritos é demonstrar que não precisamos ser exímios
conhecedores da filosofia, nem mesmo ter frequentado uma Universidade, porque o
ato de filosofar encontra-se naturalmente em nosso âmago. Basta apenas
exercitá-lo pela discussão, pelo debate e pela troca de ideias.
2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A filosofia não é uma atitude de resignação serena face aos caminhos da existência: não se trata de uma atitude, mas de um saber. A filosofia não é igualmente uma Weltanschauung (visão de mundo), pois que se pretende dela que seja explícita e sistemática. Não se identifica nem com a ideologia, na medida em que não se coloca ao serviço de uma causa, nem com a religião, visto que se esforça por apelar unicamente à razão. Finalmente e, sobretudo, a filosofia diferencia-se da ciência ao explicar a totalidade do real a partir de elementos que não se situam no plano fenomenal. Pode-se, por conseguinte, considerar a filosofia como um saber racional radical, incidindo sobre a totalidade do real e dando deste uma explicação última. (Thines, 1984)
3. CONCEITO DE FILOSOFIA
A origem do conceito de filosofia está na sua própria estrutura verbal,
ou seja, na junção das palavras gregas philos e sophia,
que significam "amor à sabedoria". Filósofo é, pois, o amante da
sabedoria.
3.1. ANTIGUIDADE
Os filósofos gregos da Antiguidade fornecem-nos uma visão completa da
Filosofia. A atitude desinteressada na busca do conhecimento objetivava à
última redução do real, sem compromissos particulares e limitados. Utilizavam o
método demonstrativo não apenas aplicando a um plano lógico,
mas metafísico. A finalidade era favorecer a reta razão, a perfeição interior e
a autoconsciência do homem.
3.2. IDADE MÉDIA
Na Idade Média não existia uma Filosofia, mas correntes de opiniões,
doutrinas e teorias, denominadas de Escolástica. Santo Tomás de Aquino e Santo
Agostinho são seus principais representantes. Buscava-se conciliar fé com
razão. O método utilizado é o da disputa: baseando-se no silogismo
aristotélico, partiam de uma intuição primária e, através da controvérsia,
caminhavam até às últimas consequências do tema proposto. A finalidade era o
desenvolvimento do raciocínio lógico.
3.3. IDADE MODERNA
Na Idade Moderna, as ciências se desprendem do tronco comum da
Filosofia. Restam à Filosofia as reflexões sobre a Ontologia ou Teoria do Ser,
a Gnoseologia ou Teoria do Conhecimento e a Axiologia ou Teoria dos Valores. O
método utilizado é o da intuição: intelectual, emotiva e volitiva.
Discutem-se problemas relacionados ao ser, ao pensamento e à conexão entre
ambos. A finalidade é a transformação da sociedade pela autoconsciência do
indivíduo. (Mendonça, 1961)
4. O FILOSOFAR
4.1. ATITUDE FILOSÓFICA
O espanto, que caracterizava a busca do saber na
antiguidade, é a postura correta do ato de filosofar. A criança, sem defesas e
com a sua inquirição desprovida de interesses, é um exemplo a ser seguido. A
dúvida, a crítica, a reflexão e a contradição devem ser sempre lembradas. Além
disso, deve-se evitar o preconceito.
4.2. OS QUESTIONAMENTOS
No âmbito da filosofia, o que realmente tem valor são os questionamentos
que fazemos com relação a nós mesmos, à vida, ao outro e ao mundo.
Perguntamo-nos: por que existo? Qual a finalidade de minha existência? Como
proceder em relação ao meu próximo? Devo ajudá-lo? Até que ponto? O filosofar é
compreender que cada um de nós tem responsabilidade para com os outros, no
sentido de respeitar a sua própria condição. Voltaire, o mais livre de todos os
pensadores, dizia: "Não concordo com nada do que você diz, mas defenderei
até a morte o seu direito de dizê-la".
4.3. ESPÍRITO CRÍTICO
O ato de filosofar exige o espírito crítico e não o espírito de crítica.
O espírito crítico analisa os prós e os contras, enquanto o espírito de crítica
está sempre disposto a denegrir a imagem das coisas e das pessoas.
5. A FILOSOFIA ESPÍRITA
5.1. TRADIÇÃO FILOSÓFICA
A Filosofia Espírita se apresenta naturalmente integrada na tradição
filosófica.
Dos pitagóricos, passando pela contribuição da doutrina da forma e
matéria, de Aristóteles, enaltecendo os pensamentos de Descartes, Espinosa e
Kant, a tradição filosófica é terreno vasto e profundo em que podemos descobrir
as razões da Filosofia Espírita.
A Filosofia Espírita sintetiza, em sua ampla e dinâmica conceituação,
todas as conquistas reais da tradição filosófica, ao mesmo tempo em que inicia
o novo ciclo dialético da nova civilização em perspectiva.
5.2. A FILOSOFIA ESPÍRITA NÃO ESTÁ NOS FENÔMENOS
Kardec afirma, na introdução de O Livro dos Espíritos, que a
força do Espiritismo não está nos fenômenos, como geralmente se pensa, mas na
sua "filosofia", o que vale dizer na sua mundividência,
na sua concepção de realidade.
Segundo Gonzales Soriano, o Espiritismo é "a síntese essencial dos
conhecimentos humanos aplicada à investigação da verdade". É o pensamento
debruçado sobre si mesmo para reajustar-se à realidade.
Trata-se, pois, não de fazer sessões, provocar fenômenos, procurar
médiuns, mas de debruçar o pensamento sobre si mesmo, examinar a concepção
espírita do mundo e reajustar a ela a conduta através da moral espírita.
(Pires, 1983)
5.3. ESPECULATIVA VERSUS AFIRMATIVA
O Espiritismo – doutrina codificada por Allan Kardec – é um conhecimento
afirmativo. Afirmativo, mas não dogmático. É um tipo de conhecimento que temos
de sedimentar em nossos Espíritos. Às vezes, por não termos condições de
absorvê-lo, saímos por aí dizendo que ele não resolve os nossos problemas e,
por isso, precisamos procurar um lugar mais forte (Centro de
Umbanda, por exemplo).
6. CONCLUSÃO
Deixemos a inutilidade de lado e acolhamos a luz, venha ela de onde
vier. Filosofar, tendo por base os princípios da Doutrina Espírita, é um exercício
dos mais proveitosos, porque nos conduz ao domínio da verdade.
7. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
THINES, G., LEMPEREUR, A. Dicionário Geral das Ciências Humanas.
Lisboa: Edições 70, 1984.
MENDONÇA, E. P. O Problema do Conceito de Filosofia - Tese de
Concurso para Provimento da Cadeira de Filosofia, 1961.
PIRES, J. H. Introdução à Filosofia Espírita. São
Paulo: Paidéia, 1983.
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