24 agosto 2011

O Processo de Sócrates

Em 399, Sócrates foi objeto de uma acusação apresentada por três homens, Anitos Meletos e Licon. É mais um processo religioso do que político.

As três acusações são:

1) Não reconhecer os deuses da cidade;
2) Introduzir novos seres divinos;
3) Corromper a juventude.

De acordo com Jean-Joël Duhot, em Sócrates ou o Despertar da Consciência, o desenrolar do processo sofreu um deslize: “Os juízes deviam pronunciar duas vezes. Na primeira vez, tratava-se de determinar se o acusado era culpado, o que foi feito no caso de Sócrates, mas com uma fraca maioria. A segunda vez decidia a pena. Os acusadores pediam a morte e o acusado devia propor uma nova pena, mas a decisão cabia ao tribunal. O processo se decidiu nesse momento: Sócrates começou dizendo que merecia ser sustentado no Pritaneu, honra insigne, pelo bem que fizera à cidade, e propôs como pena uma multa ridícula. Seus amigos intervieram em seguida propondo uma soma muito mais importante, mas era tarde demais, e o tribunal teve o sentimento se que Sócrates zombava dele. Votou a morte com uma maioria mais forte do que tinha votado a culpabilidade”.

Sabe-se, também, que os seus discípulos haviam programado uma evasão, cuja concretização dependia da aprovação de Sócrates. Como defendia a obediência à lei, recusou tal proposta.

Defender ideias filosóficas, até o constrangimento no momento da morte anunciada, corrobora o estatuto de mártir e a grandeza de seu pensamento.

Ler O Processo, capítulo 3, de Sócrates ou o Despertar da Consciência, por Jean-Joël Duhot. Tradução de Paulo Menezes. São Paulo: Loyola, 2004.

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