18 fevereiro 2012

O Corpo Humano Segundo Alguns Filósofos

Para Sócrates, o filósofo deseja morrer. O sábio deseja apressar a libertação da alma espiritual do cárcere corpóreo, não prolongando a vida eternamente.

Para Platão, os gêneros sexuais eram três, ou seja, masculino, feminino e o andrógino, um ser dotado de órgãos sexuais, masculinos e femininos. “O amor homossexual é antes preferível ao heterossexual, porque não voltado à procriação e, portanto, mais inclinado a um desenvolvimento no sentido puramente espiritual”.  

Para Agripa, o homem é um cosmo em miniatura. No final da Idade Média e no Renascimento afirmou-se a ideia de uma equivalência estrutural entre o ser humano e o cosmo. “O homem, síntese viva da inteira natureza, possui em si todos os elementos da criação: é terra, água, ar, fogo (inteligência), participa tanto do mundo animal quanto do espiritual mundo angélico. Pode-se chegar ao universo partindo do homem, e vice-versa”.

Para Paracelso, o corpo humano é um sistema químico. “O corpo humano, efetivamente, deve ser considerado como um sistema químico, passível de cura por meio de minerais como o enxofre, o mercúrio, o sal. Apesar de fundamentarem-se, ainda, em crenças mágicas, alquímicas e ate astrológicas, essas ideias marcam o inicio da medicina moderna”.

Para Morus, o homem deve ter direito à eutanásia. “Uma das reformas, previstas por Tomás Morus diz respeito à licitude da eutanásia, ou seja, ao direito de o moribundo terminar dignamente a sua vida, pondo fim, com o suicídio assistido, a sofrimentos não curáveis pela ciência médica”.

Para Descartes, o corpo humano assemelha-se ao modelo hidráulico. Explica-o através da metáfora da fonte: “o corpo atua segundo os mesmos princípios que regulam o funcionamento dos mecanismos hidráulicos que, nos jardins mais admirados, movimentam água e estátuas”.

Para Schopenhauer, sentir-se um corpo vivente, é o único conhecimento essencial ao ser humano. “Refletindo sobre a própria corporeidade é fácil descobrir que a essência do Eu consiste na vontade de viver”.

Para Bérgson, o corpo está entre o passado e o futuro. “O corpo enquanto matéria modificada pelo tempo constitui uma espécie de memória biológica, um arquivo da experiência passada. Mas, enquanto sistema de necessidades voltado para a ação, o corpo é também projeção em direção ao futuro”.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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O Homem Segundo Alguns Filósofos

Para Platão, o corpo é obstáculo ao conhecimento. “O corpo, e tudo o que ele significa (percepção, paixão, instinto, emoção), deve ser anulado para que a razão seja exercitada. Tudo aquilo que não é pura espiritualidade racional pode ser descrito em termos de patologia da alma”.

Para Ficino, o homem é copula mundi, o centro do universo. “O homem é o termo médio (cópula), o centro, uma entidade intermediária na hierarquia da criação, a meio caminho entre o animal e o anjo”.  

Para Pico Della Mirandola, o homem é um camaleão. “A doutrina do homem camaleão, pela qual o homem não possui uma virtude específica, mas contém em si todas as qualidades de todos os outros seres viventes, é de alguma maneira compatível com a teoria oriental da metempsicose, segundo a qual as almas dos mortos se reencarnam em outros corpos, humanos ou animais”.  

Para Descartes, o homem se resume no penso, logo existo. “Depois de ter duvidado de tudo, só uma coisa permanece não discutível: quem duvida pensa, é um ser pensante”.  

Para Pascal, nada somos para o infinito. Defende a tese do realismo trágico: “O homem é uma estranha mescla de louvável grandeza e reprovável miséria, um paradoxo lógico, um monstro incompreensível até para si mesmo”.

Para Nietzsche, o Super-Homem é o sentido da terra. “O Super-Homem está além da racionalidade, despreza todo valor ético, vive num mundo dionisíaco, reconhece o engano inerente a todas as filosofias, percebe o passar do tempo como o eterno retorno. O homem atual é somente uma fase de passagem, é uma corda estendida sobre um abismo, entre o feio de que se origina e o Super-Homem para o qual tende”

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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A Realidade Segundo Alguns Filósofos


Para Heráclito, não nos banhamos duas vezes no mesmo rio. Nada existe de estável e definitivo na natureza; tudo muda continuamente. Cada coisa é e não é, ao mesmo tempo. Nós mesmos somos e não somos, porque existir, viver, significa tornar-se, ou seja, mudar a própria condição atual por uma outra.

Para Parmênides, o ser é uma esfera bem redonda. “Os atributos do ser não podem ser encontrados por via experimental ou sensorial, mas deduzidos com coerência lógica do próprio conceito de ser”.

Para Aristóteles, a estrutura interna de cada coisa depende de seu fim. “Entre as quatro causas possíveis, identificáveis como a origem de qualquer coisa, destaca-se pela importância a causa final: aquilo que, em última análise, faz as coisas serem como são é a finalidade para a qual nasceram”.

Para Galileu, deve-se indagar a natureza para descobrir as suas verdadeiras leis. “Isso só é possível adequando a mente humana ao específico caráter matemático e geométrico com que o grande livro da natureza foi escrito por Deus. A matemática, portanto, constitui a linguagem específica da ciência”.  

Para Leibniz, a Mônada é o elemento constitutivo da realidade. “A Mônada não é matéria, mas energia, força viva no estado puro, ou seja, o superior princípio que torna vivas e operantes as leis físicas da natureza”.

Para Hegel, o real é racional e o racional é real. Na primeira parte do aforismo, Hegel afirma que “o mundo não é um amontoado caótico de substâncias, mas o desdobramento progressivo de uma espiritualidade racional (chamada respectivamente de Absoluto, Espírito, Ideia, Razão, Deus), que se exprime inconscientemente na natureza e conscientemente no homem”. Na segunda parte, segundo a qual a racionalidade coincide com a realidade, indica que a “razão não exprime uma abstração, um dever-ser ideal ou utópico, mas a estrutura profunda do mundo real”.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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17 fevereiro 2012

A Substância Segundo Alguns Filósofos

Para Parmênides, afirmar uma negação é incorrer em erro lógico. “Como passagem de uma condição de ser a uma de não-ser, toda mutação, qualquer que seja a sua espécie, é sempre pura aparência: a verdadeira estrutura do mundo consiste em um ser imutável e eterno”. 

Para Aristóteles, a metafísica é necessária, é a ciência do ser. Todas as ciências precisam de uma filosofia primeira que é a metafísica. “A medicina estuda o ser enquanto corpo vivo, a política estuda o ser da sociedade, a ética o ser como ação, a matemática, o ser como quantidade; somente a filosofia estuda o ser enquanto ser, em abstrato e independentemente de qualquer determinação particular”.

Para Descartes, a dúvida metódica conduz-nos à existência de um sujeito espiritual, capaz de produzir pensamento: ao lado da substância pensante (res cogitans), existe a substância material (res extensa). Pensa que o único modo de demonstrar a existência do mundo material consiste em refletir sobre a existência de Deus. “Logo, ao lado da espiritual, existe também uma realidade material, que se caracteriza por ser extensa ao espaço. Res cogitans e res extensa, espírito e matéria, mente e corpo, são as duas substâncias metafísicas do real”.

Para Leibniz, a mônada é um átomo espiritual. Para entendê-la, deveríamos compará-la à mente humana. A mônada é “um microcosmo, um espelho vivo do universo para o qual tudo é, ao menos potencialmente, inteligível. Como um verdadeiro átomo espiritual, possui todas as características da espiritualidade: percebe – ou seja, conhece o mundo a partir de um particular ponto de vista – e apetece, ou seja, deseja –, tendendo sempre à realização de um fim, de um projeto".

Para Spinoza, Deus é substância: para existir não precisa de nada. Partindo da definição clássica do conceito de substância como aquilo que não precisa de nada para existir, ele conclui que: 1) só uma substância pode existir (monismo); 2) tal substância deve ser Deus; 3) a matéria e o espírito não devem ser considerados substâncias, mas sim atributos (manifestações) da única substância; 4) a substância divina é livre – porque age somente sob o impulso da necessidade da sua natureza – e eterna; 5) sendo única, tal substância não admite nada fora de si mesma e, portanto, deve compreender o mundo inteiro.

Para Hume, a substância é um feixe de percepções. “No âmbito do pensamento empírico, voltado para a concretude da experiência, devemos concluir que na realidade existem somente determinadas qualidades particulares dos objetos que a mente, depois de apreendê-los separadamente, reagrupa e liga um termo lingüístico para facilitar a memória e a comunicação”.  

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NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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O Significado de Conhecer Segundo Alguns Filósofos

Para Platão, conhecer é buscar o que se ignora. Recorrendo à doutrina da reminiscência, diz que conhecer é, para a alma, lembrar o que já sabia antes de encarnar num corpo.

Para Aristóteles, a estrutura interna de cada coisa depende de seu fim. “Entre as quatro causas possíveis, identificáveis como a origem de qualquer coisa, destaca-se pela importância a causa final: aquilo que, em última análise, faz as coisas serem como são é a finalidade para a qual nasceram”.  

Para Cusa, conhecer é estabelecer uma proporção entre o conhecido e o desconhecido, entre o que se conhece e o que se vai conhecer. Por isso, “o processo de acréscimo do conhecimento deve ser lento e gradual; os objetivos de qualquer investigação cognitiva não podem ultrapassar muito o nível atual dos conhecimentos”.

Para Bacon, devemos estudar os erros para evitá-los. “O engano muitas vezes é decorrência da presença, no intelecto humano, de uma série de ídolos, ou seja, de crenças inconscientes, suposições, prejulgamentos e preconceitos que condicionam a aquisição do novo saber”.

Para Kant, o ato cognitivo não é uma adequação da mente ao objeto conhecido. São os esquemas mentais, que funcionam como filtros, já presentes na mente que determinam o que podemos conhecer do objeto. Assim, “no centro da filosofia do conhecimento devem ser postas essas formas a priori da mente, universais e necessárias”.

Para Fichte, cada Eu se põe a si mesmo. O inteiro sistema do saber funda-se em um ato de espontânea, intuitiva e incondicionada autocriação do sujeito pensante. “A validade de um ato cognitivo não depende mais de uma presumida correspondência entre o objeto pensado e o objeto pensante, mas funda-se numa atividade totalmente interior do sujeito e independente do mundo”.

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NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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Como se Deve Viver Segundo Alguns Filósofos

Para Aristóteles, a virtude está no justo meio. A capacidade em dispor as coisas pelo justo meio adquire-se pelo exercício, em se excluem os vícios do excesso e da escassez. A coragem, por exemplo, é a virtude média entre a temeridade e a covardia.

Para Diógenes, a vida é simples. Entendia a sabedoria como uma recusa da vida comum. Foi o primeiro de uma lista de filósofos que: “munidos de um manto e de uma tigela, orgulhoso de sua pobreza, perambulavam como mendigos pelas cidades da Grécia pregando o ascetismo, o retorno à vida natural, o desprezo pelas comodidades”.  

Para Epicuro, o objetivo da vida feliz é o prazer. Há necessidade de separarmos o falso prazer do verdadeiro. Acha que “a solução mais sábia está em submeter a busca da felicidade ao juízo da razão. É preciso, portanto, eliminar os medos inúteis (da morte, dos deuses, da dor), moderar as necessidades de modo que o seu gozo não se transforme no contrário e, principalmente, ter como meta a tranquilidade de espírito, a serenidade”.

Para Zenão de Cítio, o ser humano devia viver conforme a natureza, ou seja, conforme a virtude. “Assim como o animal é inevitavelmente guiado pelo instinto, o homem deve fazer-se guiar pela razão, porque nesta reside a sua íntima natureza. Isso significa que o homem sábio deve evitar qualquer forma de paixão”.

Para Sêneca, há vantagem em ser espontâneo. Seguir a razão não significa tornar-se escravo da racionalidade; buscar o crescimento espiritual não significa desprezar o corpo. “Simplicidade, espontaneidade, presteza são qualidades do sapiente, ou seja, daquele que se aceita pelo que é. Ao contrário, a ansiedade, a artificialidade de comportamentos, o frenesi de viver sem descanso, o desejo de viajar sem destino são sintomas patológicos de uma personalidade que não aceita a própria natureza”.

Para Marco Aurélio, a fonte do bem está na máxima: Olha dentro de ti: aí se encontra a fonte do bem, sempre capaz de jorrar, se souberes sempre cavar em ti mesmo. “A filosofia consiste na reflexão sobre a existência, na indagação interior, na meditação sobre a vida. O lugar onde se vive e o papel social não têm a menor importância”.

Para Morus, quando todos trabalham, todos trabalham menos. Em sua ilha da Utopia, “Todos os cidadãos são iguais entre si, todos se revezam nos trabalhos de agricultura e artesanato, e o trabalho é dividido de tal forma que impede o surgimento de diferenças sociais”.

Para Hume, as escolhas morais fundam-se no sentimento. Os comportamentos dos indivíduos estão mais sujeitos ao sentimento do que à razão. “Na realidade, seguimos as regras de moralidade e de justiça não com base em deduções abstratas, mas segundo um sentimento específico da sua utilidade coletiva”.  

Para Kant, um comportamento pode ser considerado moral quando é universalizável. Por isso, a crença no imperativo categórico, ou seja, no comportamento que se prende a uma norma que ultrapassa o caso concreto, a utilidade ou o interesse pessoal.

Para Fichte, o dogmatismo ou idealismo depende do caráter do sujeito. A escolha não é feita segundo um convencimento racional, mas segundo as qualidades morais do sujeito. “quem é idealista, interiormente livre, professa o idealismo e vive em mundo efetivamente livre; quem é dogmático, ao contrário, acredita viver em mundo dominado pela necessidade objetiva somente porque, dentro de si, já é desprovido de amor pela liberdade”.

Para Schopenhauer, a única solução é esquecer que se existe. De acordo com o seu pensamento, a vontade de viver condiciona todos os aspectos da existência, produzindo alternadamente sofrimento e tédio. Para combater a vontade de viver, “aconselha o silêncio, o jejum, a castidade, a renúncia sistemática, a fuga temporária da realidade por meio da arte ou de práticas orientais de meditação”.

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NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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A Matéria Segundo Alguns Filósofos

Para Zenão, o movimento não existe. Ele demonstra que “afirmar a realidade de qualquer manifestação do não-ser (o movimento, a translação dos corpos, a multiplicidade, a velocidade) leva a conclusões ainda mais paradoxais”.

Para Demócrito, a alma também é feita de átomos. Acha que para a matéria não vale a mesma divisibilidade infinita de que gozam os números matemáticos. “Pode-se subdividir um número ao infinito, mas partindo de uma partícula de matéria progressivamente chega-se a um mínimo indivisível (e invisível): o átomo, expressão grega que significa, literalmente, sem divisão”.

Para Plotino, Deus não criou o mundo, mas emanou-o. “Não foi um ato de livre criação que produziu a realidade material, como querem os cristãos, mas um processo automático de irradiação. Assim como o perfume exala (emana) de uma flor, o mundo transborda de Deus”.

Para Giordano Bruno, habitamos um dos infinitos mundos. Até então, acreditava-se no universo finito. Ele afirma que o “Universo é infinito e homogêneo em cada parte; não existe uma esfera das estrelas fixas nem o último céu (Empíreo). É razoável supor também que outros corpos celestes são habitados por seres inteligentes”.

Para Galileu, a natureza possui qualidades objetivas e subjetivas. Para provar a sua tese faz considerações sobre o tato, o menos confiável entre os cinco sentidos. “De fato, é suficiente tocar um objeto para perceber de imediato a sua forma porque, mesmo de olhos fechados, ninguém confunde uma esfera com um cubo. Por outro lado, o contato com os objetos produz também reações absolutamente subjetivas: as cócegas, por exemplo, dependem mais do estado do sujeito (da reatividade da sua pele) que da natureza do objeto”.

Para Berkeley, a matéria não existe, é apenas uma ideia na mente. “A matéria não existe, existem somente Deus e o espírito humano. As qualidades objetivas que parecem tão concretas e que Galileu julgava inopináveis são apenas uma representação da mente”.

Para Leibniz, em cada gota existe um jardim cheio de plantas. Contrariando Descartes e Demócrito, diz que a matéria pode ser dividida ao infinito. “Chegando ao limite infinitesimal, em um certo sentido, no fundo da matéria, encontra-se um princípio incorpóreo, a Mônada espiritual”.

Para Schelling, a matéria é vida adormecida. Um mesmo princípio está subordinado à natureza orgânica e inorgânica. “Não existe nada de morto no universo, tudo está concatenado com todo o resto de modo a formar um grande animal, um macrocosmo estruturalmente semelhante a um ser humano”.

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NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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16 fevereiro 2012

O Estado Segundo Alguns Filósofos

Para Maquiavel, o fim justifica os meios. O que conta para um político não é a substância, mas a imagem. Tendo em vista o bem comum, pode perfeitamente abandonar a ética individual. “Se necessário, o príncipe pode chegar até à traição; o importante é que justifique o seu comportamento com uma aparência de legitimidade”.  

Para Hobbes, o Estado soberano é um Deus mortal. Acha que o homem só cumpre a lei quando é atemorizado pelo Estado; quanto mais forte o Estado, menos serão as transgressões. “Hobbes foi o teórico do absolutismo político; considerava o Estado uma entidade digna de veneração, um Deus mortal pouco abaixo de Deus imortal, um Leviatã, o invencível monstro descrito na Bíblia (Livro de Jó)”.

Para Locke, a proteção do cidadão, com relação ao abuso de poder, assenta-se na divisão de poderes. Em se tratando do Estado, elucida, também, os limites da tolerância: “Uma sociedade democrática não pode aceitar qualquer seita secreta e obediente a um país estrangeiro, assim como não pode permitir o ateísmo, sinônimo de imoralidade e falta de responsabilidade”.

Para Rousseau, o Estado deve pautar-se pela vontade geral, e não a da maioria. É uma posição contrária à democracia: “O bem comum não pode ser estabelecido pela simples soma estatística das opiniões individuais – por exemplo, pelo voto, posto que somando tantos egoísmos não se obtém absolutamente altruísmo e consciência civil”.

Para Kant, o Estado deveria respeitar uma constituição republicana mundial. Mesmo reconhecendo que a agressividade é própria da psicologia humana, ainda assim crê firmemente na utopia pacifista. “Não poderiam existir guerras civis em um Estado de direito capaz de salvaguardar os princípios fundamentais da igualdade social, da liberdade individual, da representação e da divisão de poderes”.

Para Hegel, o Estado é uma família em ponto grande; é substância ética consciente de si mesma. Com isso, diviniza a noção de Estado. “Reafirmando a unidade interna típica da família (tese), e após ter passado pela dispersão da sociedade civil (antítese), o Estado coloca-se como um organismo vivo e necessariamente compacto e unitário, uma verdadeira família ampliada”.

Para Marx, a história é luta de classes. Em seu materialismo histórico e dialético, mostra as transformações da sociedade. Para tanto, baseia-se na dialética de Hegel. “O mundo feudal, o capitalismo burguês e a futura sociedade comunista são respectivamente a tese, a antítese e a síntese de uma tríade dialética global”.

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NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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14 fevereiro 2012

Moral e Política Segundo Alguns Filósofos

Para Maquiavel, há vícios benéficos e virtudes perniciosas. A moral, na política, não deve vir de fora, mas ser autonormativa. “Isso não significa que o príncipe (o chefe político) deva ser imoral ou indiferente ao bem e ao mal, mas que às vezes o que para um indivíduo é ruim (por exemplo, a crueldade) torna-se necessário ao governo do Estado”.

Para Voltaire, a discórdia é a peste, e a tolerância, o remédio. Defende que o respeito às opiniões alheias deveria provir do bom senso, ou seja, da nossa ignorância sobre qualquer problema de uma dada relevância. Isso se aplica à religião, à ciência e, principalmente, à política.

Para Rousseau, o homem, nascido livre, está acorrentado. No seu Contrato Social, evoca a necessidade de cada pessoa renunciar a sua liberdade em prol da sociedade. “Somente um homem não mais educado na escola do egoísmo e da propriedade privada poderá fazer escolhas políticas com base não nos seus interesses particulares, mas tendo em vista o bem-estar do conjunto da sociedade, segundo o princípio da vontade geral”.

Para Fichte, a sustentação da linguagem original confere ao povo alemão a sua supremacia sobre os demais. “Isso os torna os únicos depositários, no mundo moderno, da antiga sabedoria original e confere a eles o dever de civilizar o resto da humanidade”.

Para Nietzsche, devemos ressaltar a moral dos vencedores e a dos perdedores. Na Grécia antiga a saúde, a juventude, a sexualidade, o orgulho da própria força eram considerados virtudes. O Cristianismo trouxe-nos a moral dos perdedores, pois “Os novos valores que se impuseram são ainda os mesmos pelos quais somos educados: o pudor do corpo, a vergonha da sexualidade, a humildade, o amor pela pobreza, a renúncia a viver em plenitude, o desejo da morte”.

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NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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13 fevereiro 2012

O Amor Segundo Alguns Filósofos

Para Platão, os tipos de amor estão dispostos numa escala hierárquica. O enamoramento pela beleza do corpo está situado no nível mais baixo. Complementa: “O amor passional, mesmo precisando ser superado para se alcançarem formas cada vez mais elevadas de espiritualidade, pode ser de alguma forma justificado como o início de um possível percurso de crescimento espiritual”.

Para Campanella, a raça humana deveria ser melhorada pela vigilância estatal sobre as atividades amorosas dos Solares. “Com base crença de que as conjunções astrais existentes no momento da concepção influem de modo decisivo sobre o nascituro, até mesmo a hora dos acasalamentos deveria ser determinada por Amor, um dos três técnicos que, junto com Sapiência e Potência, governam a cidade sob a direção político-filosófica de um Grande metafísico”.

Para Morus, a condição da mulher na Utopia é muito melhor daquela vivida em sua época. “As mulheres podem participar das atividades bélicas, mesmo se, afirma o filósofo, as melhores guerras são aquelas que não são necessário travar; em algumas circunstâncias podem obter o divórcio e, no caso de praticarem o adultério ou de manterem relações sexuais antes do casamento, são punidas exatamente como os homens”.

Para Kierkegaard, o sedutor é o instante fugaz. “A vida estética representada pela figura do Don Juan, protótipo do sedutor, é típica daquele que busca a máxima satisfação no tempo presente e foge a qualquer forma de repetição, procurando tornar inimitável e único cada instante de vida. O esteta abomina a monotonia, mas dado que o instante é sempre, por definição fugaz, chega logo ao tédio e ao desespero”.

Para Schopenhauer, não existe amor sem sexo. No sentimento do amor há uma ilusão: “Por trás de toda manifestação de amor, mesmo a mais pura e sutil, está o instinto procriador, uma escondida determinação biológica voltada ao acasalamento e á reprodução da espécie”.

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NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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A Vida Segundo Alguns Filósofos

Para Pitágoras, o ar é cheio de almas. Foi o primeiro filósofo ocidental a sustentar a teoria da metempsicose. “Devido a uma culpa original, a alma é obrigada a reencarnar em sucessivas substâncias corpóreas (nem sempre humanas, mas também animais), em um ciclo que só é interrompido após a purificação”.    

Para Demócrito, a vida nasceu do vórtice atômico. Explica que “a agregação de átomos em corpos sólidos e compactos deve-se a fenômenos puramente mecânicos, particularmente à força centrípeta agregadora desenvolvida pelo movimento em vórtice”.

Para Giordano Bruno, o mundo é um grande animal. A sua tese é explicada da seguinte forma: “Tudo é vivo, porque cada parte da realidade, mesmo no mundo mineral, está presente um princípio formal e vital, ou seja, aquela estrutura interna, aquela necessidade que faz cada coisa ser o que é. O que chamamos mente não existe somente no homem mas também, obviamente de modo inconsciente, nos animais, nas plantas, nas gemas e nos minerais”.

Para Bérgson, a inteligência não explica a vida. Segundo seu ponto de vista, “a vida é um impulso construtivo que, a cada momento, explora todas as variações possíveis, sem seguir um projeto preciso; é uma onda que arrasta e ultrapassa qualquer obstáculo, sem nunca, todavia, abandoná-lo definitivamente”. Em cada reino da natureza, a vida foi vencendo os seus obstáculos. No reino hominal, tece comentários sobre o instinto e a inteligência: “O instinto animal está cercado  por um halo de inteligência e a inteligência humana não funcionaria se não se baseasse também na contribuição do instinto”. Disto resulta que “a inteligência não consegue explicar a vida, mas a vida explica a inteligência”.

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NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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12 fevereiro 2012

O Significado de Pensar Segundo Alguns Filósofos

Para Heráclito, todos têm o logos, mas só os despertos o sabem. O logos é o pensamento, a razão, a inteligência, o discurso; é, também, o princípio de tudo, a lei que regula o funcionamento do cosmo. Todos participam do logos universal. “Alguns, os adormecidos, limitam-se às percepções imediatas, vivem como que num sonho e desenvolvem opiniões subjetivas; outros – os filósofos ou os despertos – utilizam o logos de modo consciente e conseguem penetrar profundamente na verdade da natureza”.

Para Parmênides, somente a razão vê o real. Os cinco sentidos testemunham toda a transformação da realidade. “É verdade que a vida cotidiana requer o uso dos órgãos dos sentidos, mas por meio deles não se chega à verdade. A razão, não o olho, vê o real”.

Para Sócrates, o fundamental é saber que não se sabe. A presunção do saber é o maior empecilho para a descoberta da verdade. “Sócrates defende esses argumentos com uma abordagem irônica e intencionalmente paradoxal: invertendo os valores do bom senso, o elogio socrático do não-saber provoca no interlocutor uma benéfica sacudida intelectual”.

Para Platão, o conhecimento é fruto da recordação. Para ele, “A alma conhece as coisas recuperando a lembrança adormecida daquilo que viu no mundo extraterreno antes de reencarnar”.

Para Cusa, o conhecimento assenta-se na douta ignorância. “Em relação a Deus, tudo o que se pode fazer é confessar a total impossibilidade de entender: o homem é como um caçador sempre em busca de uma presa em fuga, porque a sua mente, se de um lado pode conceber Deus como perfeição absoluta, do outro, é totalmente incapaz de preencher com conteúdos positivos essa ideia de perfeição”.

Para Descartes, deve-se usar o método para raciocinar corretamente. O pensamento científico deve se estruturar de forma diferente da do pensamento cotidiano. Acha que “a investigação científica deve ser absolutamente desinteressada – ou seja, indiferente a qualquer utilidade ou interesse social”.

Para Condillac, todo conhecimento deriva da experiência. Formula “uma doutrina completamente materialista e voltada para os sentidos: nada existe na mente humana senão as percepções que ela recebe do exterior a cada momento”.

Para Locke, a mente não inventa ideias. “A mente limita-se a reelaborar sob forma de abstração crescente dados e observações que recebe do exterior, segundo a fórmula empirista nada existe no intelecto que não tenha antes passado pela percepção”.

Para Kant, em toda a sensação existe um a priori. “A vista não funciona como uma máquina fotográfica: uma parte da percepção (a sua forma) depende exclusivamente do sujeito, dos esquemas a priori (espaço-temporais) que estruturam a sua psique”.

Para Hegel, tudo aquilo que dizemos finito não existe. O finito deve ser estudado como parte de um todo. “O finito existe unicamente como parte do infinito e em cada coisa existente se pode perceber o desenvolvimento necessário do espírito”.

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NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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A Linguagem Segundo Alguns Filósofos

Para Parmênides, a linguagem consiste na doutrina do ser, sintetizada na célebre fórmula o ser é, o não-ser não é. A sua argumentação baseia-se no seguinte: “Enquanto aquilo-que-é pode ser dito – portanto, pensado –, aquilo-que-não-é afasta-se, por definição, de qualquer formulação linguística e intelectual. É impossível pensar o nada. No cotidiano, usamos o verbo ser de modo impróprio e acabamos por atribuir realidade a condições de ausência, a coisas que não existem: a escuridão e o silêncio, por exemplo, são condições de não-ser da luz e do som, portanto, pela lógica não existem”.

Para Górgias, a linguagem fundamenta-se no poder mágico das palavras. Para tal demonstra a não-culpabilidade de Helena na Guerra de Troia. Argumenta que Helena foi raptada contra a sua vontade, mas não com violência, pois teria sido seduzida pelas palavras de Paris. Usando com destreza a linguagem, pode-se produzir modificações físicas em que escuta: rubor, medo, simpatia, antipatia etc.

Para Demócrito, as palavras são estranhas às coisas que representam. São simplesmente sinais convencionais. Nas diversas línguas empregam-se nomes diferentes para o mesmo objeto. “As palavras não possuem, em si, como som, nenhum significado; são puras convenções que adquirem sentido somente pelo uso comum com base no critério de utilidade recíproca”.

Para Rousseau, a linguagem nasceu sob o estímulo das emoções, não da utilidade social, como sustentava Demócrito. “Para resolver todos os problemas práticos da vida bastam os gestos e as ações; é somente para significar o amor e o ódio que as palavras se tornam imprescindíveis. A primeira linguagem dos homens era, portanto, poética, expressiva, ligada aos estados de ânimo. Depois vieram as gramáticas: ganhou-se em clareza, mas perdeu-se em poesia”.

Para Hobbes, as operações mentais são reduzidas a um puro cálculo matemático. O pensamento e a linguagem podem ser descritos por meio da composição e decomposição de palavras e sinais: “Dois termos são adicionados em uma afirmação e subtraídos na negação; quanto mais afirmações se adicionam em uma dedução, mais deduções concatenadas entre si formam a demonstração. Raciocinar é, portanto, computar, ou seja subtrair, somar, calcular”.

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NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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A Paz Possível Segundo Alguns Filósofos

Para Heráclito, a guerra é pai de todas as coisas. O devir se realiza por meio de uma contínua passagem de um contrário ao outro. Daí, parecer que a guerra é o que regula o mundo. Isto é verdade, mas muito superficial, ou seja, sob o antagonismo dominante, pode-se perceber uma lei de harmonia, porque as coisas em oposição, para existir, precisam umas das outras. “Entre os opostos há uma guerra constante, mas também uma secreta harmonia, uma mútua necessidade: não existiria saúde sem doença, saciedade sem fome. Dito de outra forma: não pode existir uma subida que, ao mesmo tempo, de um outro ponto de vista, não seja também uma descida”.

Para Maquiavel, a moderação é necessária, mas a bondade sistemática compromete a ordem da sociedade, produzindo danos maiores do que o uso da violência. “Certamente, o ideal, para o príncipe, seria ser ao mesmo tempo amado e temido, mas na prática as duas coisas não são facilmente conciliáveis. Quem governa o Estado, portanto, deve decidir a cada vez com base na oportunidade. Em todo caso, o que não deve fazer é submeter as práticas de governo às normas que regem a ética individual”.

Para Voltaire, o fanatismo é uma apologia da alma e, portanto, não deve se combatido. Enfrentar um fanático, fazendo-o entender, pela lógica, a inconsistência de suas teses, é perda de tempo e pode agravar o mal. “Superstição e preconceitos não podem ser desmentidos com argumentações lógicas, porque não nascem no terreno da razão. Resta a risada como único remédio nos casos extremos, o gracejo capaz de desmontar a agressividade. Mas isso nem sempre é possível e permanece sem resposta o problema que conclui o trecho: o que fazer quando um fanático tenta degolar-vos porque está convencido de que esta é a vontade de Deus?”

Para Kant, a paz mundial de todas as nações do mundo só seria possível se estas se reunissem numa federação unitária de Estados livres e instaurasse um direito internacional fundado numa constituição liberal no nível planetário. “Apesar da impossibilidade de eliminar o antagonismo presente nas relações humanas, a paz perpétua e a coexistência pacífica entre os povos são possíveis e realizáveis desde que se estendam no nível internacional os princípios de justiça social elaborados pelas constituições em vigor nos Estados liberais”.

Para Hegel, criticando Kant, nunca poderia existir uma república da humanidade, posto que não existe um espírito da humanidade, mas somente um espírito dos povos. Acha que “A soberania política deve residir exclusivamente no estado nacional, e dado que as nações, entre si, se encontram numa condição natural, de ausência de qualquer forma de contratualidade recíproca, resulta que a guerra continua sendo o único modo de resolver as divergências. Todavia, não somente a guerra é inevitável; ela também é necessária à saúde espiritual dos povos, cuja união (autoconsciência) se fortalece definindo-se por oposição ao inimigo”.

Para Freud, a agressividade deve ser inclusa entre os dons instintivos do homem – e, portanto, não elimináveis. “O desenvolvimento da civilização certamente impôs um autocontrole cada vez maior, fazendo com que o indivíduo moderno consiga vigiar sua própria conduta de modo muito mais rígido do que no passado. Tudo isso, porém, não é fruto de um crescimento geral, de uma mutação do homem em sentido pacifista, mas de pura e simples auto-repressão interior”.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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11 fevereiro 2012

A História é Progresso Segundo Alguns Filósofos

Para Comte, o progresso resume-se na sua lei dos três estados: o estado teológico representa a infância da humanidade; o metafísico, a juventude; e o positivismo, a maturidade. “A humanidade na sua origem vivia numa condição espiritual teológica ou fictícia: todo o evento natural era explicado pela intervenção de potências sobrenaturais mais ou menos numerosas. O nascimento da filosofia na antiga Grécia sugeriu explicações igualmente abstratas, mesmo se não mais de origem mítica, tais como a essência, a causa final e outras noções elaboradas pela metafísica. São todos conceitos que não significam nada, pois tentam somente explicar a natureza com palavras apropriadas: como dizer que o fogo aquece porque contém a virtude calorífica ou porque possui a essência do calor. O terceiro estado, científico ou positivo, renuncia a colocar-se perguntas sobre a íntima natureza das coisas, limitando-se, com maior modéstia, mas resultados fecundos, a individuar as leis que regem o mundo físico”.

Para Marx, a classe burguesa nasce da superação da classe feudal, dando origem à sociedade capitalista. “Mas, pela lei do devir dialético, o desenvolvimento do capitalismo comporta o surgimento do proletariado e das contradições que produzirão a sua superação. A sociedade comunista não nascerá em conseqüência de uma tensão ética e utópica, de pregações moralistas contra os desastres sociais produzidos pela propriedade privada, mas acabará inevitavelmente por se impor, como única solução possível do desenvolvimento histórico. Logo, a revolução proletária é absolutamente inevitável: não é um ato de justiça, porque a classe operária não tem qualquer ideal a realizar, mas o necessário resultado do devir real da história. O comunismo não é um ideal ao qual a realidade terá que se conformar, mas o movimento real que abole o estado de coisas existente”.

Para Darwin, o progresso fundamenta-se em sua teoria da evolução biológica: o mecanismo da seleção determinaria um avanço, lento, mas contínuo e progressivo, das formas de vida para estados cada vez mais complexos e aperfeiçoados. A crítica: “As Coisas não são bem assim: a natureza não é econômica, mas perdulária, porque desperdiça uma enorme massa de energia em tentativas evolutivas destinadas ao fracasso; não é nem mesmo inteligente, porque não faz escolhas, mas persegue todas as soluções possíveis; não se parece absolutamente com um engenheiro que realiza um projeto, mas talvez com um funileiro que repara os buracos conforme a necessidade do momento. Logo, a espécie humana não representa o ponto mais alto de um percurso orientado, mas somente um dos muitos possíveis resultados da evolução”.

Para Croce, a realidade, mesmo nos seus aspectos mais multiformes, está toda inserida no interior de um único processo de desenvolvimento, capaz de unir, reciprocamente, por meio da sucessão de tese, antítese e síntese, a natureza e o espírito, a matéria e a inteligência. Croce acha que esse sistema totalizante deve ser rompido em quatro setores distintos: a arte, a filosofia, a economia e a ética. “Somente no interior de cada um desses blocos valem as oposições dialéticas hegelianas (belo/feio, verdadeiro/falso, útil/inútil, bem/mal), mas no exterior, entre os diversos momentos da espiritualidade, existe apenas a distinção. Cada uma das quatro formas do espírito, em suma, possui uma dinâmica própria interna e um âmbito próprio de aplicação não comensurável com as outras. A arte é conhecimento intuitivo do particular; a filosofia é conhecimento lógico do universal; a economia é a investigação da utilidade particular; a moral, a busca da utilidade universal. Porém, distinção não significa incomunicabilidade absoluta, porque cada um desses momentos condiciona o seguinte. A arte coloca sugestões à filosofia, as duas artes práticas (economia e moral) são valorizadas pelo conhecimento acumulado nas artes teóricas (arte e filosofia). Em resumo: a vida do espírito não se desenvolve em sentido linear, como imaginava Hegel, mas por meio de uma circularidade entre esses quatro momentos”.

Para Husserl, a crise da ciência não é interior às disciplinas específicas. “Se, por exemplo, o estudo da história, como afirma a ciência positivista, deve limitar-se aos fatos documentáveis, reduzir-se-á a história inteira da humanidade a uma sucessão cíclica de civilizações que a cada vez nascem, desenvolvem-se e morrem, sem nem mesmo tentar identificar o sentido de tal percurso. É verdade que não existe em absoluto um sentido da história e que qualquer pesquisa de um seu significado último se reduz a uma interpretação, um ponto de vista condicionado, se não por outra coisa, pela subjetividade do historiador. Tudo isso é o que o Positivismo procurava evitar, perseguindo um ideal de impessoalidade e objetividade da ciência; todavia, observa Husserl, é, em suma, a única coisa que conta, quando não se considera o estudo da história como uma atividade desligada da vida”.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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10 fevereiro 2012

O Nascimento da Sociedade Segundo Alguns Filósofos

Para Campanella, tanto a família quanto a propriedade privada deveriam ser abolidas e substituídas por um ambiente de vida totalmente comunitário. Somente essas radicais reformas podem gerar um novo tipo de homem, superando o egoísmo e o individualismo.

Para Hobbes, no gênero humano, diferentemente de no animal, não existe sociabilidade instintiva. Entre os indivíduos não existe um amor natural, mas mistura de temor e necessidade recíprocos que, se não fosse disciplinada pelo Estado, originaria uma incontrolável sucessão de violências e excessos. Ao Estado cabe o papel de suprimir qualquer tentativa de fazer prevalecer o interesse pessoal.

Para Locke, há continuidade entre a condição natural-primitiva e a social-política do homem. “A formação de uma sociedade não deve ser pensada como um evento artificial, em oposição a um instinto solitário e natural do indivíduo, mas como o aperfeiçoamento de uma exigência fundamental de socialização presente mesmo nas civilizações mais atrasadas”.

Para Rousseau, o homem não nasce cativo, mas torna-se prisioneiro ao viver em sociedade. Ele defende a superioridade ética do homem selvagem. “Vivendo sozinho, sem possuir nada de seu e empenhado na cotidiana luta pela existência, em contato direto com a natureza, o homem primitivo não conhecia a mentira e a agressividade. Matava para alimentar-se, mas não tinha sequer noção de delito”. Acha que a maldade do homem moderno assenta-se na natureza artificial das relações sociais. Acrescenta que o nascimento da propriedade privada é a causa do egoísmo, da inveja e dos piores vícios.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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09 fevereiro 2012

Deus Segundo Alguns Filósofos


Para Aristóteles, Deus é o motor imóvel. Este motor não é uma divindade criadora do mundo; é a causa final. Segundo Aristóteles, como para todos os Gregos, o mundo sempre existiu e de modo algum foi criado. Deus é o ponto de chegada, meta final para a qual tende a inteira realidade.

Para Agostinho, se Deus realizou a criação com base em um ato consciente e voluntário, Ele pode ser considerado responsável pela imperfeição do mundo? A solução agostiniana: o mal, em si mesmo, não existe, é ausência, limitação do bem. O mal é puro não-ser, assim como a escuridão não tem uma realidade substancial, mas existe somente por via negativa, como ausência de luz.

Para Plotino, Deus é uma realidade tão diversa que exclui qualquer possibilidade de compreensão. Podemos apenas dizer que é Uno, uma vez que a multiplicidade parece ser uma peculiaridade do mundo terreno.

Para Dionísio, podemos falar de Deus apenas pela via negativa; dizer o que Ele não é. Assim: Deus não pode ser definido como luz, senão acrescentando que também é escuridão; não pode ser definido como amor, porque a sua distância do ser humano o impede de conhecer o mundo. Deus, o Uno, é inefável, isto é, absolutamente transcendente e incomensurável, estranho a qualquer critério humano.

Para Cusa, em Deus estão presentes, de modo infinito e perfeito, todos os elementos que em nosso mundo se opõem irredutivelmente. Como o conhecimento humano é fundado na proporção e na medida, o infinito, a verdade e Deus, que escapam a qualquer critério proporcional, permanecerão sempre incognoscíveis para o homem.

Para Spinoza, da definição de Deus como substância (aquilo que não precisa de nada para existir) decorre uma série de considerações: Deus é único, perfeito, auto-suficiente, dotado de infinitos atributos, que só em parte os homens conseguem perceber e compreender. Spinoza sustenta que Deus é a natureza e a natureza é Deus. E, posto que Deus é infinito, assim também deve ser a natureza, não obstante nos pareça finita e determinada.

Para Leibniz, se um individuo pensa em levantar um braço, e efetivamente o fenômeno se realiza, não é porque a sua vontade espiritual tenha influído sobre o corpo; mas porque as duas dimensões que formam o individuo, espírito e corpo, foram perfeitamente sincronizadas pela sabedoria divina.

Para Feuerbach, toda a religião é uma antropologia invertida. Segundo ele, as qualificações de Deus nada mais são do que as ideias tipicamente humanas. Deus é onisciência, porque conhecer e saber são valores imensamente apreciados pelo gênero humano; é amor, porque todos nós amamos e gostaríamos de amar mais; é justiça, porque essa é a virtude de que mais sentimos falta.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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08 fevereiro 2012

A Filosofia Segundo Alguns Filósofos


Para Sócrates, a filosofia assemelha-se ao ofício da parteira. Sua tarefa não é propor afirmações verdadeiras, mas favorecer o nascimento da verdade na alma do interlocutor. Para atingir esse objetivo, usa a maiêutica e a ironia, um trabalho investigativo, baseado no colóquio individual, na arte de escutar e de objetar, visando abalar as defesas intelectuais preestabelecidas.

Para Platão, a tarefa do filósofo é posta em forma de metáforas, extraídas do Mito da Caverna. A caverna escura é o nosso mundo; os escravos acorrentados são os homens; as correntes são as paixões e a ignorância; as imagens ao fundo da caverna são as percepções sensoriais; a aventura do escravo fora da caverna é a experiência filosófica; o mundo fora da caverna corresponde ao mundo das ideias, o único, verdadeiramente; o Sol que ilumina o mundo verdadeiro é a ideia do Bem, que conduz ao conhecimento; o regresso do escravo é o dever do filósofo de envolver a sociedade na experiência da verdade; a incapacidade do escravo em readaptar-se à vida na caverna é a inadequação dos filósofos; o escárnio do escravo é o destino reservado ao escravo; a morte final do escravo-filósofo é a morte de Sócrates

Para Aristóteles, o desejo de conhecer nasce do assombro diante do mundo. Acha que todo o tipo de conhecimento produz uma sensação de prazer. Afirma que mesmo antes de existir a filosofia os homens já filosofavam, porque não se pode viver sem questionar o mundo que nos cerca. Diz, também, que a reflexão filosófica é uma atividade desinteressada; por isso, é necessário que o homem resolva os problemas de sobrevivência antes de se dedicar a esta prática.

Para Kant, o conhecimento é condicionado por esquemas mentais preexistentes no sujeito.  Esse paradoxo pode ser ilustrado com uma metáfora de ordem jurídica: “em um tribunal em que o juiz e o imputado são a mesma pessoa, a razão, se se quiser estabelecer quais são os próprios limites da ação, deve chamar-se em juízo e analisar a si mesma para verificar os limites da própria legalidade – ou seja, determinar como e quando se produz um conhecimento verdadeiro e quando, ao contrario, o erro”.

Para Hegel, a filosofia não deve imaginar como o mundo deveria ser, mas limitar-se a explicá-lo. "Ela sempre chega depois, quando a realidade já se constituiu, assim como a coruja de Minerva só levanta voo no crepúsculo, quando o dia já terminou. A sua tarefa, portanto, é meramente interpretativa e foram absurdas as tentativas dos filósofos que procuraram estabelecer como a realidade deveria ser. O problema é entender aquilo que é, fazer emergir da realidade o conteúdo racional, pois a realidade mesma já é per se razão. 

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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Beleza e Religião

A beleza é uma das propriedades fundamentais de todo ser, através da qual se manifestam os sentimentos estéticos no ser humano. A beleza pode dar-se na natureza, que nos exalta os sentimentos; no ser humano, carregada ainda de sentimentos eróticos; nas obras artísticas, em que o ser humano pode projetar mundos maravilhosos.  

De um modo geral, a Bíblia trata sumariamente da beleza, em vista de esta estar no campo do imediato, enquanto a religião busca a transcendência. Embora a Bíblia não tenha se aprofundado na beleza, encontramos diversas passagens que tratam do assunto. Um exemplo: Sara e Rebeca são apresentadas como mulheres de beleza excepcional que cativam os homens onde quer que fossem.

Para a religião, o “demônio da beleza” enfeitiça o ser humano. Pensadores religiosos acham que a beleza feminina é tentação para desviar o homem de sua missão. Exemplos: Sansão é seduzido e traído pela esposa; Betsabeia arrasta David para o adultério e o crime; apesar de sua sabedoria, Salomão incorreu na idolatria, cativado pela beleza de mulheres estrangeiras.

O Novo Testamento, dando muita atenção à conversão interior, deixa pouco espaço para a beleza exterior das coisas. A beleza da alma é preferível à beleza de penteados, vestidos custosos e adornos. A preocupação básica do cristianismo, não resta dúvida, foi a de impedir que um culto sensível à beleza corporal viesse desvirtuar a beleza interior do espírito.

Por esta razão, os grandes pensadores cristãos procuravam, em seus escritos, enaltecer sempre a beleza integral, verdadeiro reflexo da beleza divina.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

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07 fevereiro 2012

Coragem

Coragem vem do latim cor, coração, em razão de os romanos acharem que a coragem tem mais a ver com coração do que com a razão. A coragem é uma atitude enérgica e firme diante do perigo. O contrário é: covardia, pusilanimidade, fraqueza. Pode-se dizer que é a justa medida acerca dos sentimentos do medo e da confiança. Medo não de doença, pobreza ou reputação, mas a ausência de medo da morte, em certas circunstâncias, como a guerra e os diversos combates pela defesa da pátria.

O estado de caráter da pessoa corajosa é a imperturbabilidade diante dos mais atrozes perigos. É a pessoa que aguenta firme as coisas certas, temendo-as também porque sabe da responsabilidade pelos seus atos morais. Quem não tem medo de nada, em circunstância alguma, não pode ser chamada de corajoso. A temeridade é mais imprudência do que coragem. Por isso, o corajoso é aquele que enfrenta o perigo que lhe aparecer à sua frente. Não o procura arbitrariamente.

O indivíduo verdadeiramente corajoso tenta vencer o medo físico, e embora avalie o risco de tal empreendimento, não se furta a ele. É aquele que age de maneira conveniente, apesar do medo. Muitas vezes a coragem de um indivíduo é posta à prova não nos perigos físicos, mas nos embates morais com relação aos preconceitos, à intolerância, à ingratidão e às situações de escárnio em que vê submetido.

Na Magna Moralia, Aristóteles dedica todo o capítulo XX do livro I à coragem. À semelhança do que escreveu em Ética a Nicômaco, afirma que a coragem só se relaciona com alguns perigos e não com todos. Quem não receia a doença não pode ser considerado corajoso, mas louco. O mesmo acontece com quem não receia certos fenômenos da natureza como os terremotos e as inundações o homem corajoso é "o que mantém o sangue-frio nas circunstâncias em que a maior parte ou a totalidade dos homens tem medo".

Em se tratando das qualidades do corajoso, somente a situação de perigo pode dizer se um homem  é corajoso ou não. Quem não possui experiência, como as crianças, não pode ser chamado de corajoso. Os que só agem em função das paixões também não podem ser chamados de corajosos. Quando estas se esgotam, deixam de ser corajosos.

Em síntese, o verdadeiro homem de coragem é aquele que, possuído pela razão, enfrenta o perigo em vista do bem.

Fonte de Consulta

MARQUES, Ramiro. O Livro das Virtudes de Sempre: Ética para os Professores. Portugal: Landy, 2001, capítulo 16, p. 161 a 164. 
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A Beleza Segundo Alguns Filósofos

Para Platão, a beleza deve ser comparada ao amor, que se caracteriza pela insuficiência, ou seja, amamos algo que desejamos e não o temos. Da mesma forma que o amor, o filósofo não tem a beleza, mas a deseja, anela a sabedoria sem possuí-la. O amor é fundamentalmente uma necessidade que ainda não foi satisfeita, algo essencial para a própria completude da vida.

Para Plotino, a beleza é elevação da alma. Acha que a arte é o esplendor da inteligência, que transparece no sensível. A música, por exemplo, reproduz com sons o princípio da harmonia. Por meio da arte, a alma põe em movimento um processo de purificação, começa o caminho do retorno à divindade.

Para Kant, precisamos distinguir o sensório do prazer estético propriamente dito. O prazer estético baseia-se em juízos reflexionantes, ou seja, uma apreciação que não se refere diretamente ao objeto, mas à nossa subjetividade com relação ao mesmo. Apreciamos também tudo o que é desmedido, emocionante e assustador, como é caso de achar beleza na erupção de um vulcão, na potência de um furacão, na profundeza de um abismo etc.

Para Schelling, a arte é simultaneamente objeto concreto e produto do espírito. Há o ofício, a técnica (concreto), e a inspiração (imaterial e espiritual). O primeiro adquire-se pela experiência, o segundo, vem do inconsciente. A arte nasce dessa confluência entre o consciente e o inconsciente, o técnico e o inspirado, o discursivo e o intuitivo.

Para Nietzsche, a criação artística baseia-se na polaridade do espírito apolíneo e do espírito dionisíaco. O primeiro, baseado nas formas, exprime-se nas artes plásticas; o segundo, ilimitado, e que conduz o indivíduo à saída de si mesmo, só a música e o vinho podem dar. O artista apolíneo interpreta a vida inteira como se fosse um sonho; o dionisíaco vive, sem se deter para interpretar coisa alguma, como se estivesse em estado de embriaguez.

Fonte de Consulta

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.
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