04 outubro 2005

Violência

Violência – Da raiz vis significa o uso da força para atingir determinados objetivos. A violência serve muitas vezes para estimular o crescimento das atividades econômicas, pois os indivíduos para se defenderem, começam a produzir mais armas, mais grades de proteção, alarmes etc. Os meios acabam justificando fins, isto é, como há o crime e o assalto, o cidadão precisa defender-se. Observe a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque: até hoje não se descobriu as armas químicas, motivo da ocupação norte-americana.

Geralmente, costuma-se fazer comparações entre o comportamento agressivo dos animais e o comportamento do homem. Colocam-se alguns ratos dentro de um labirinto; depois de algum tempo, eles estão brigando um com o outro. Por comparação, diz-se que o homem apinhado nos grandes centros é portador de agressividade. Contudo, não é preciso estudar o animal para explicar a violência no homem. A observação da superpopulação de uma favela, em várias cidades do mundo, é o suficiente.

A communis opinio entende que a violência origina-se do ódio. Pesquisas em Ciências Sociais nos mostram que a violência é mais natural do que se pode imaginar. O ódio não é uma reação automática à miséria e ao sofrimento como tais; ninguém reage com um sentimento de ódio a uma doença incurável. O indivíduo sente ódio quando percebe que um acontecimento está impregnado de algum tipo de injustiça. Quando acha que aquele status quo pode e deve ser mudado, o que pode transformar o ódio em violência.

Registremos também a ocorrência da violência, tanto manifesta como velada. Tomemos, como exemplo, o relato bíblico em que Deus expulsa Adão e Eva do paraíso. A violência não está manifesta, mas velada, pois ninguém bateu em ninguém. Se Deus é todo bondade e todo misericórdia, como Ele poderia, ao mesmo tempo, mostrar o seu contrário, expulsando os seus próprios filhos, simplesmente porque o desobedeceram? O perdão não estaria mais de acordo com sua mansuetude?

A sociedade, influenciada pelas idéias de grandes pensadores, tais como Hobbes, Darwin e outros, acabam ajudando a automatizar a violência em nossas ações. Hobbes fala que "o homem é lobo do próprio homem", Darwin, que estudou a evolução das espécies, empresta à sociedade a "seleção dos mais aptos", em que o homem acaba pisando o seu semelhante para conseguir a sua ascensão ao poder. A lei de cooperação, ensinada por Jesus, é deixada de lado como coisa retrógrada. Contudo, como a verdade não admite contestação, mais dias menos dias, ela refulgirá com todo o seu brilho.

Quer queiramos ou não, o tempo, o grande mestre da humanidade, acaba por colocar todas as coisas no seu devido lugar. E a norma trazida por Jesus será o lema de toda a humanidade, ou seja, "cada um deve fazer aos outros o que gostaria que os outros o fizessem".

São Paulo, 26/11/2003

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