23 outubro 2005

Marcha da Verdade

Em filosofia, a verdade é a correspondência entre o observador e a coisa observada. Todas as vezes que a nossa visão microcósmica coincidir com o grande mundo macrocosmo, podemos dizer que estamos de posse da verdade (relativa, é claro).

No transcorrer da vida, somos sempre levados para os caminhos que desejamos percorrer. É uma espécie de determinismo orientando os nossos passos. Por esta razão, diz-se que quem nasceu para ser prego nunca chegará a ser martelo. Como cada um de nós tem um projeto de vida distinto, o que para uns chega rápido para outros pode demorar muito. É que o destino gosta das peripécias da existência, dando-nos o tempo suficiente para nos preparamos para a missão que temos de cumprir.

Quer queiramos ou não, a verdade segue sua marcha firme e segura. Não são poucas as orientações dos grandes mestres da humanidade alertando-nos para tal mister. Observe a exortação de Cristo quando nos diz que não há nada secreto que não venha à luz. Essa advertência leva-nos a pensar que nada do que esteja sendo burilado em nosso interior, tanto para o bem como para o mal, ficará para sempre escondido. Um dia, quando menos esperarmos, estaremos nos beneficiando daquilo que foi preparado hora por hora, dia por dia, mês por mês, ano por ano.

O tempo, essa lima que corrói silenciosamente, mostra, no momento certo, todo o desfecho do bem e do mal. Não é pois por crescer em poder que o falso chegará a ser verdadeiro; muitas vezes, a verdade se esconde no fundo, e são necessários muitos anos para descobri-la. Por isso, todos os que sofrem no caminho que a fé os lançar, não deveriam se lastimar das agruras do destino, mas, ao contrário, pedir forças ao Alto para suportar com galhardia a realização plena dos desígnios de Deus.

Seguir uma determinada rota, apesar das asperezas do dia-a-dia, mostra o quanto uma alma está cônscia de seus deveres. A todo o momento estamos sendo convidados para os vícios e os prazeres sensuais, os quais, se atendidos, levam-nos a estacionar à beira do caminho. Quão apertado é o caminho que nos leva à perfeição, pois para percorrê-lo temos de renunciar aos gozos da matéria, inclusive aos ímpetos do próprio personalismo. Contudo, Jesus Cristo assevera: "Aquele que perseverar até o fim será salvo".

A verdade iniciou a marcha e nada poderá detê-la. Quer dizer, estejamos preparados para aceitá-la sempre que nos bater à porta.

São Paulo, 18/06/2001

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