15 outubro 2005

Aqui e Agora


As circunstâncias nas quais estamos inseridos nem sempre dependem de nossa vontade, pois, quer queiramos ou não, se tivermos de passar por uma dificuldade, ela se apresentará à nossa frente. Podemos assim ser impotentes na escolha de uma situação, mas não na execução dos atos que dali advém. Quer dizer, optar pelo exercício do bem ou do mal depende muito mais da nossa fortaleza moral do que das sugestões que recebemos do meio ambiente.

Um dos princípios básicos para o engrandecimento do espírito é ter a mente aberta. Nesse sentido, todas as vezes que formos a um determinado evento, ou seja, palestra, aula, reunião, diversão, convém irmos isentos de idéias preconcebidas. Por quê? Porque a ideia preconcebida ou preconceito, que é um conceito formado antecipadamente, dificulta a verdadeira captação dos fatos. Observe, por exemplo, quando precisamos tratar com uma pessoa e uma outra nos fornece alguns detalhes de sua personalidade. O que acontece? Muitas vezes, expressamo-nos defensivamente, e criamos barreiras ao bom relacionamento.

As informações da mídia, se não soubermos filtrá-las, causam muito mais mal do que bem ao nosso conhecimento. Por quê? Enchemos o nosso cérebro de nomes, dados estatísticos, fatos extraordinários, ou seja, uma quantidade enorme de notícias fragmentadas, sem a devida explicação, análise e reflexão. Por outro lado, para que possamos aprender profundamente um assunto, há necessidade de nos debruçarmos sobre ele, vendo os prós e contras, o factível e o não factível, no sentido de formar um conceito mais justo e mais de acordo com o verdadeiro significado do tema em questão.

Assemelhar-se às crianças é bastante produtivo quando se trata de obter novos conhecimentos. Observe as suas perguntas e respostas, que muitas vezes deixam o adulto perplexo. Quando ela pergunta, ela quer saber, mas sem segundas intenções; quer saber por saber. Quando responde, dificilmente falta com a verdade, pois para ela é natural dar uma resposta objetiva. Ou seja, enquanto nós, os adultos, geralmente escolhemos o verbo, a palavra, os gestos próprios para dissimular um sentimento, elas agem espontaneamente, naturalmente, sem defesas.

Se nos preocupássemos menos com a nossa representação na sociedade, quem sabe viveríamos mais livres e felizes. Decidirmo-nos por uma vida simples e humilde não é tarefa fácil, pois a imagem da fama, do sucesso, do bem-estar raramente nos abandona. E isso tudo estimulado pela sociedade individualista e consumista dos dias atuais, em que a coisificação do ser humano passa a desempenhar papel de destaque. Cada um de nós não é uma pessoa, mas sim um número estatístico que possui x renda, x propriedades, x diplomas. A simplicidade e pureza de coração causa espanto a nós mesmos: por que ser pacífico num mundo violento?

Estejamos atentos às circunstâncias que nos rodeiam. Estar consciente do aqui e do agora é mais produtivo do que saber de cor todos os versículos da Bíblia.

São Paulo, 07/05/2001

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