03 outubro 2005

O Problema e sua Solução

O problema pode se descrito como uma situação de tensão sentida pela matéria viva, cada vez que um de seus afetos não encontra meio de extinção imediato ou manifesto. Diante deste conceito, os seres inanimados não teriam problema, pois não sentem este tipo de tensão. Na acepção corrente, podemos dizer que o problema é um incômodo, uma contrariedade, um mal-estar, uma oposição ao nosso pensar. Lembremo-nos também de que o problema só é realmente válido quando o sentimos em nossa própria pele. Por isso, ficar imaginando situações ou respostas que vamos dar àqueles que nos perguntarem, é perda de tempo e de energia vital.

Para que um problema se torne real, convém, primeiramente, desestruturá-lo de nós mesmos. Para isso devemos organizar uma ficha do problema, tentando responder algumas perguntas. Quem nos trouxe o problema? Por que a nós? Qual o status hierárquico dessa pessoa? Para qual finalidade? Uma vez recebido o problema, verificar se somos nós mesmos que devemos dar a resposta, se não há outra pessoa, inclusive mais capacitada do que nós. É preciso também ponderar se ele é inerente à alçada de nossa função ou da função de outro membro da empresa ou entidade em que estivermos ligados. Isso tudo se chama mapeamento do problema.

Os psicólogos, os sociólogos e outros profissionais afins desenvolveram teorias sobre o comportamento humano baseando-se nos resultados de suas pesquisas de campo. Eles descobriram que num grupo há sempre atitudes negativas e conformistas. Para eles, o negativo se expressa por uma reação ao novo. As pessoas dizem: isso não vai dar certo; vai muito além de nossa capacidade; não estamos preparados para tal investimento. No que tange ao conformismo, dizem que precisamos de uma boa dose, pois se não houver adesão dos membros de um grupo, nenhum projeto será realizado a contento.

Para a resolução dos problemas, sugere-se a formação dos "grupos problem-solving", em que o número ideal de participantes deveria oscilar entre 6 e 8 pessoas. Em cada grupo, logicamente haverá um líder. Este, desempenhando a função de coordenador, deve ser uma pessoa capaz de saber ouvir e incentivar todos os membros a expressarem as suas opiniões, pois quando alguém se cala por falta de oportunidade, ele acaba por distanciar-se do grupo e nunca mais voltar. É preferível que o líder seja empático ao invés de simpático. O empático sente como, isto é, identifica-se com o próximo; o simpático sente com, ou seja, atribui a outros afetos que lhe são próprios.

Para o bom encaminhamento do problema o sujeito deve ser criativo. Por criativo, entende-se a pessoa que é aberta ao novo, que se coloca como ouvinte, que é perspicaz e que sabe distribuir as tarefas para que todos se sintam como co-produtores da idéia. Ele não se coloca à frente dos outros para mandar, mas para ordenar o trabalho dos indivíduos no sentido de atingir um fim comum, proposto pelo próprio grupo. Se fizer o contrário, se agir exclusivamente de acordo com a sua cabeça, dificultará a livre coesão das pessoas envolvidas no processo.

Enfrentemos os bloqueios que a circunstância nos apresenta. Somente assim caminharemos para a plena execução dos deveres que a divindade nos reservou. Perseveremos e esperemos por dias melhores.

Fonte de Consulta

VIDAL, Florence. Problem-Solving: Metodologia Geral da Criatividade. Tradução de Agnes Cretella. São Paulo: Bestseller, 1977.

São Paulo, 01/11/2002

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