1) Virtude – do latim vir, virtus.
A noção exprime em primeiro lugar o poder e mais geralmente a força de
vontade. Não existe virtude fraca.
A virtude
designa igualmente e por extensão, a eficácia ou aptidão
real para agir que pertence propriamente ao sujeito: a virtude de um
medicamento, por exemplo. Para Platão e Aristóteles, existe, aliás, uma virtude
de cada coisa quando esta realiza sua natureza de maneira excelente:
virtude do cavalo, que é de correr bem, virtude do homem, sobretudo, que é de
desabrochar suas faculdades sob a égide da razão.
A virtude
moral é uma disposição adquirida ou inata habitual para realizar o
bem, segundo Aristóteles. O mesmo autor acrescenta que, inimiga do excesso
prejudicial, ela se situa no meio-termo. (Durozoi, 1993)
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2)
Mitologia. A virtude, filha da verdade, era mais do que uma deusa
alegórica. Os Romanos levantaram-lhe um templo. Tinham igualmente erigido um à
Honra, sendo necessário passar por uma para chegar ao outro, idéia pela qual
pretendiam fazer compreender que a Honra não residia senão nas ações virtuosas.
A virtude era representada por uma figura de mulher simples e modesta, vestida
de branco, e cuja atitude impunha o respeito. Sentava-se sobre bloco de pedra
de forma cúbica, usava uma coroa de louro, ou então empunhava um pique ou um
cetro. Era por vezes figurada com asas abertas, a fim de significar que, pelos
seus esforços generosos, se elevava acima da vulgaridade. A virtude encontra-se
ligada à lenda de Hércules e à de Plutão. (Grande Enciclopédia Portuguesa e
Brasileira)
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3) Entendido
de modo geral como disposição habitual e firme para o bem agir, a virtude
apresenta obviamente algo de grande importância, tanto para os indivíduos como
para a convivência social.
Atualização
do tema: será humanizante a unificação e estabilização que a virtude
inegavelmente aporta, pelo menos a nível de comportamentos? Por outras
palavras, a virtude personaliza ou "robotiza"? E não custa
compreender a razão desta dúvida, tendo em conta a generalizada identificação
de virtude com bons hábitos. Ora, a palavra hábito sugere inevitavelmente
automatismo, estereotipia, rotina. (Polis)
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4) Debaixo
do pensamento romano a virtude perdeu todo o encanto e graça que comportava a
sua acepção grega (Arete). A virtude é uma disposição estável em ordem a
operar no bem; revela mais que uma simples potencialidade ou uma aptidão para
uma determinada ação boa: trata-se de uma verdadeira inclinação. Esta
inclinação pode ser muito mais intencional e voluntária do que natural e
sensível: um homem pode agir voluntariamente em uma direção oposta a que
impulsionam os seus sentidos. Esta é a razão de que, apesar de sua estabilidade
e de seu próprio vigor, a virtude seja com freqüência de caráter conflitivo: é
uma luta, uma vitória sobre os atrativos de sinal contrário; a consciência do
conflito virtual, de uma oposição interna e externa, da mesma tentação,
não é um mal. É um aviso.
As
virtudes teologais são disposições para crer em Deus (fé), esperar Nele (esperança)
e obedecê-Lo por amor (caridade). As virtudes cardeais são os eixos de todas as
atividades humanas orientadas para o bem: a prudência regula
as atividades da inteligência; a justiça, as da vontade; a fortaleza,
as do poder de ação; a temperança, as do desejo. A teoria da
conexão entre as virtudes afirma que todo ato moralmente bom é fruto de uma
convergência de virtudes porque este deve ser sempre prudente, justo, decidido
e temperado. (Chevalier, 1976)
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5) Virtudes
são todos os hábitos constantes que levam o homem para o bem, quer como
indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente, quer coletivamente. É esse o
conceito de virtude (de vir, homem). É a potência racional que
inclina o homem à prática de operações honestas, tendentes para o bem. Pode-se,
assim, falar de virtudes morais e virtudes intelectuais. As que tendem para o
bem honesto são morais, as que tendem para a verdade são intelectuais. Caridade
é uma virtude moral. A sabedoria e a ciência virtude intelectual. A caridade é
a mãe de todas a virtudes. Ela é a raiz de todas as virtudes, porque ela é a
bondade suprema para consigo mesmo, para com os outros, para com o Ser
Infinito. (Santos, 1965)
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6) A
virtude é tudo aquilo que faz com que cada coisa seja o que ela é. Transfere-se
ao homem. Este caráter está expresso, segundo Aristóteles, pelo justo meio;
é-se virtuoso quando permanecemos entre o mais e o menos, na devida proporção
ou na moderação prudente. A virtude se refere às atividades humanas e não
somente às morais.
Santo Agostinho
diz que a virtude é uma "boa qualidade da mente, por meio da qual vivemos
retamente". A virtude é, como diriam os escolásticos, e em especial São
Tomás, um hábito do bem, ao contrário do hábito para o mal ou vício. Como
gênero próximo, mostra-se que a virtude é um hábito; como diferença específica,
que é um bom hábito.
A
concepção moderna da virtude se afasta essencialmente das bases estabelecidas
na Antiguidade e na Idade Média. Em seu significado mais geralmente aceito
continua sendo definida como a disposição ou hábito de agir de acordo com a
intenção moral, disposição moral, que não se conserva sem luta contra os
obstáculos que se opõem a tal modo de agir, e por isso a virtude é concebida,
também, como o ânimo, a coragem de agir bem ou, segundo Kant dizia, como a
fortaleza moral no cumprimento do dever. (Pequeno Dicionário Filosófico)
Bibliografia
Consultada
CHEVALIER,
Jean (dir.). Diccionario de las Religions. Tradução espanhola por
José Miguel Yurrita. Bilbao, Spain: Mensajero, 1976.
DUROZOI,
G. e ROUSSEL, A. Dicionário de Filosofia. Tradução de Marina
Appenzeller. Campinas, SP: Papirus, 1993
GRANDE
ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial
Enciclopédia, [s.d. p.]
PEQUENO
DICIONÁRIO FILOSÓFICO. São Paulo: Hemus, 1977.
POLIS -
ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.
SANTOS,
M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed. São
Paulo: Matese, 1965.