04 agosto 2009

Paidéia Grega e Formação Cultural

Paidéia – do grego paidos (criança) significava inicialmente “criação de meninos”. É por isso que Werner Jaeger, grande estudioso da cultura grega, diz-nos: "Não se pode utilizar a história da palavra paideia como fio condutor para estudar a origem da educação grega, porque esta palavra só aparece no século V". Dessa forma, a palavra paidéia tomou outro rumo, ou seja, formação geral que tem por tarefa construir o homem como homem e como cidadão.

A paidéia grega ou a humanitas latina dizem respeito à formação da pessoa humana individual, a qual se fundamentava nas “boas artes”, ou seja, na poesia, na eloqüência, na filosofia etc. A República de Platão é a expressão máxima da estreita ligação que os gregos estabeleciam entre a formação dos indivíduos e a vida da comunidade. A afirmação de Aristóteles de que o homem é um animal político, devendo viver em sociedade, tem o mesmo significado.

A filosofia socrática do gnôthi se autón, “conhece-te a ti mesmo”, vai ser o elo propulsor da paidéia. Para os gregos, que davam muita importância à educação, o que interessava era a introspecção e a contemplação, características essenciais do filosofar. O filosofar levava-nos à aristocracia, governo dos melhores, e no caso, os melhores eram os filósofos. Aristóteles, com a sua dinâmica social, em que as pessoas deviam viver na pólis, complementa esse pensamento. Daí, o termo aristocracia social.

A Idade Média, dominada pelas verdades reveladas pela religião, modificou a função original da filosofia. Na Antigüidade, a filosofia era a busca do conhecimento, tanto externo quanto interno. Na Idade Média, a filosofia servia mais para os religiosos se defenderem da heresia e das crenças alheias. O caráter aristocrático e contemplativo, típico do ideal clássico, ainda permaneceu na Idade Média, mas com objetivos completamente diferentes e até antagônicos.

A filosofia moderna fundamenta-se no bildung (formação). Utiliza os mesmos quadros conceituais da paidéia antiga, ou seja, conhecimento de si mesmo, introspecção e contemplação, mas caminha em outra direção, toma outro rumo. Não é o encontro com o eu, mas um afastamento dele, pois procura desconstruir a tradição, o clássico. Observe a filosofia de Descartes: começa como se fosse uma tabula rasa, no sentido de passar uma borracha no passado, na tradição.

Observemos os fatos e extraímos deles a nossa própria interpretação. Como já se disse, “o que é clássico tem o condão de nunca se tornar obsoleto”. O mundo está cheio de novidades. Selecionemos aquelas que nos são úteis e descartamos as demais.

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