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01 outubro 2020

Idade Média: Metafísica ou Teologia?

O Ocidente latino começa, a partir da segunda metade do século XII, a tomar contato com as obras árabes e gregas, que expunham os avanços do saber nas mais diferentes áreas, incluindo matemática, medicina, ótica, física, metafisica.

O aparecimento das traduções gregas e árabes acirra o debate de ideias. Procura-se verificar quais são as relações entre os limites da filosofia e a possibilidade mesma de atribuir-se caráter científico à teologia cristã. Boécio afirmava que a teologia, além de ser uma disciplina científica, era a disciplina filosófica suprema. Quer dizer, a teologia de que falava Boécio era, na verdade, apenas uma parte de outra disciplina: a metafísica.

Avicena, por sua vez, defende que todo o conhecimento humano faz parte da filosofia. A diferença reside na caracterização da ciência suprema. Esta é a metafísica e não a teologia. Se a teologia cristã se identifica com a teologia aristotélica, então ela deveria ser subordinada à metafísica. Isso é o mesmo que admitir que os ensinamentos cristãos estavam subordinados às verdades dos pagãos e infiéis, o que era inaceitável.

Para resolver este problema, ganhou força a distinção entre a teologia dos filósofos, parte da metafisica, e a teologia propriamente cristã. Porém, qual das duas é superior? Tomás de Aquino (1225- 1274), por exemplo, em sua obra, trabalha para estabelecer os limites entre a filosofia (conjunto das disciplinas científicas) e a teologia. Parte Da Trindade de Boécio, intercalando comentários de texto e questões.

Para Tomás de Aquino, os filósofos investigam o que a razão humana pode conhecer acerca de Deus, e os teólogos tomam como ponto de partida as Sagradas Escrituras. Admitindo-se que há verdades sobre a natureza divina que escapam à compreensão humana, os filósofos são incapazes de fornecer um conhecimento completo sobre a natureza de Deus. Eles necessitam das verdades reveladas que estão na Bíblia. Assim, as ciências investigam o que a razão humana pode conhecer, a teologia cristã ensina o que ultrapassa os limites do conhecimento humano.

Fonte de Consulta

STORCK, Alfredo. Filosofia Medieval. Rio de Janeiro: Zahar, item "A Filosofia do Século XIII".

 


09 dezembro 2009

Metafísica e Número

“Desde a mais alta antiguidade o mundo foi considerado uma construção matemática, cuja harmonia não podia ser, naturalmente, senão de essência divina”.

Metafísica é a ciência primeira, o esforço que o ser humano faz para chegar à essência do Universo, de Deus e de tudo o que existe no mundo. Poderia ser um sinônimo de Filosofia, caso não houvesse a sua ligação indevida com o “sobrenatural”. Neste artigo vamos analisar a sua relação com os números.

O número exerce um poder sem limite. É ele que nos posiciona na vida. Estamos sempre no meio deles, fazendo contas, pagando dívidas, comprando mantimento. Antoine de Saint-Exupéry, em O Pequeno Príncipe, assim se expressa: “As pessoas crescidas adoram os números. Quando você lhes fala de um novo amigo, elas nunca perguntam o essencial: ‘Qual é o som de sua voz? Quais são os seus brinquedos preferidos? Ele coleciona borboletas?’ Elas sempre perguntam: ‘Qual é a sua idade? Quantos irmãos têm? Quanto ela pesa? Quanto ganha seu pai?’”

Algumas citações. De acordo com a Bíblia, Deus ordenou todas as coisas “segundo o número, o peso e a medida”. Leibniz: “Enquanto Deus calcula e exerce seu pensamento, o mundo se faz...” e, em sua convicção, ele acrescenta: “O ateu pode ser geômetra, mas não sabe o que é geometria”. Descartes disse: “Eu não incluo, em minha física, outros princípios que não aqueles que aceito em matemática”. Hegel: “Nada há de real além do racional e nada há de racional além do real”.

Para Pitágoras, todas as coisas eram números e qualquer número era uma divindade. Deus era representado pelo número 1, a Matéria pelo número 2 e o Universo pelo número 12, resultante da multiplicação de 3 por 4. Havia, assim, uma unidade divina, absoluta e primordial, na qual ele vê a mônada das mônadas, ou seja, a imortalidade da alma, a pluralidade das existências e a organização harmoniosa do universo, em que os números têm um poder ilimitado.

Os números são símbolos. O que está por detrás deles é a busca da origem das coisas. Observe a Cabala — decifração dos textos sagrados pelo simbolismo dos números e das letras. Ela é, antes de tudo, a explicação de uma cosmogonia (formação do Universo), baseada nos números, considerados potências conscientes e ativas.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/metaf%C3%ADsica

12 novembro 2008

Metafísica

A palavra metafísica sofreu mudanças ao longo do tempo. Inicialmente, era o título dado por Androginos Rodes (século I) à obra de Aristóteles que vem após a Física. Presentemente, quer dizer o que está além da física e compreende os problemas da ontologia, da ontoteologia, da teleologia, da racionalidade e tudo o que diz respeito às causas primeiras, tais como, Deus, Espírito e Matéria.

metafísica, no sentido de "tudo o que está além da matéria", coincide com o próprio desenrolar da filosofia. Observe que a filosofia surgiu como uma tentativa de explicar o mundo e sua origem a partir da razão e não por intermédio do oráculo, do mito. No mito a verdade é revelada pelos deuses; na metafísica ela deve ser buscada, achada com o recurso da razão, com o esforço do ser humano.

02 julho 2008

O Ser e a Metafísica

A filosofia é a área falante por natureza. É através dela que o homem aprende a pensar. Contudo, para pensar bem, terá de cavar muita terra, pois o verdadeiro conhecimento não se encontra na superfície, mas no fundo.

No questionamento do ser surge a metafísica. Mas o que se entende por metafísica. É simplesmente algo além da física, como parece indicar a etimologia da palavra? Não. De acordo com os filósofos da antiguidade, a metafísica diz respeito aos primeiros princípios, o arché, o primeiro motor. Lembremo-nos de que na antiguidade não se falava em metafísica. O termo surgiu na Idade Média para significar a "ciência que contém os primeiros princípios do conhecimento humano".

Na perspectiva histórica, Sócrates foi o primeiro filósofo a tratar das causas primeiras. Até a sua vinda, buscava-se o conhecimento fora do indivíduo; com ele, para dentro de si mesmo, como atesta a sua famosa frase: "conhece-te a ti mesmo". A contribuição de Sócrates, ao estudo da metafísica, deu-se em dois momentos: ironia e maiêutica. Na ironia buscava a apreensão do verdadeiro conhecimento contido nas palavras; na maiêutica, procurava produzir um novo conhecimento das palavras. No momento inicial, confundia; depois, dava à luz uma nova ideia.

Platão foi o segundo filósofo a dar a sua contribuição. Em seu mito da caverna elucida a questão. Para ele, a humanidade vive dentro de uma caverna, cuja simbologia é opinião, falso saber, aparência da realidade. Para penetrar na realidade das coisas, as pessoas precisam sair das sombras, e ir ao encontro da luz, entendida por ele como ideias. Assim, o sistema filosófico platônico consiste no discurso das ideias. Discurso que mostra as formas ou os aspectos em que o ser se revela. Sua filosofia tornou-se conhecida como a filosofia das ideias.

Aristóteles, o terceiro filósofo que contribuiu para a compreensão da metafísica, chamava-a de filosofia primeira: philosophia prôte (cf. Met., I, 2, 928a, 4). A substância constitui o conceito fundamental da metafísica aristotélica, por que diz como o ser aparece e consiste em si. A substancia denota uma forma de presença clara e distinta, independente no ser, dotada de força própria (dýnamis). A toda presença autônoma no ser e no agir, Aristóteles chamava de substancia (ousía prôte = presença em sentido próprio).

A questão do ser é a base da filosofia. Ele assume papel relevante na metafísica, pois o ser, em qualquer situação em que for colocado, será o ponto central e fundamental de toda a argumentação.

Fonte de Consulta

BUZZI, Arcângelo R. Introdução ao Pensar: O Ser, o Conhecimento, a Linguagem. 28. ed., Petrópolis, Vozes, 2001.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/metaf%C3%ADsica