25 agosto 2009

Memória e Repetição

A repetição tem uma função primordial: ajuda a memorizar aquilo que temos necessidade de aprender ou de saber. Em filosofia, costuma-se repetir o modelo de um grande autor: Kant, Hegel, Descartes. Diz-se que a filosofia é histórica, porque cada filósofo parte de onde terminou o seu antecessor. Aproveita-se do que outro fez, segue alguns de seus passos e critica outros, podendo até formular novos sistemas, novas teorias.

Como repetir sem mecanizar? Esta é a grande dificuldade do aprendizado. O ser humano não tem o hábito de pensar por si mesmo, já afirmava Kant. É mais fácil repetir o que o outro disse. Em realidade, o aprendizado não é uma repetição automática, mas uma re-conceituação feita com as próprias palavras. Um pensamento alheio tem que ser captado e trabalhado segundo o entendimento e interesse do aprendiz. De nada adianta ficarmos repetindo frases alheias; elas têm que fazer parte do nosso ser.

“Pensar é pensar junto é co-pensar”. Não existe o pensador genuíno, original. Precisamos de informações alheias. Estas nos veem por intermédio daquilo que já foi pensado pelos outros; é uma espécie de estímulo para o nosso pensar. Surge, assim, a repetição como aprendizado. Esta, porém, não pode ser feita como uma máquina ou como o papagaio que simplesmente repete o que ouviu. Ao ler ou ouvir, o aprendiz deve fazer o esforço de compreensão, de expressar aquele pensamento com suas próprias palavras.

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