19 agosto 2009

Temas para Debate

Os temas para debate, como o próprio nome diz, são frases ou questões que devem servir de estímulo para o exercício do pensamento. Não há necessidade de uma resposta exata, o que importa é pensar sobre o assunto. Façamos esse exercício.

1) A lógica é boa para o raciocínio, mas mal para a prática.

Pode-se começar o debate, indagando sobre a lógica. Será que todos os participantes sabem exatamente o que significa esta palavra? Suponha que, depois de algumas colocações, todos cheguem à conclusão de que a lógica é a “ciência da demonstração”. Mas, o que essa “ciência da demonstração” auxilia a vida prática? Vestir-se, fazer comida e consertar aparelhos são feitos com mais facilidade pelo conhecimento da lógica? Geralmente acontece o contrário, ou seja, as pessoas versadas nos raciocínios têm dificuldade de fazer essas coisas.
Lembremo-nos da seguinte passagem: “Tales observava os astros, e, olhos presos no céu, caiu um dia no poço. Uma serva da Trácia vem em seu socorro e, com zombaria, pergunta-lhe como cuida de saber o que se passa no céu, se não sabe ver o que tem diante de si, a seus pés”.

2. O todo é sempre a soma das partes?

O todo é quantitativamente a soma de suas partes, mas é, de qualquer forma, qualitativamente diferente, e, quase sempre, especificamente diferente. No todo, há algo mais que as partes, quer tomadas separadamente, quer como partes-de-um-todo, partes integrais, que o constituem quantitativamente ou partes essenciais quando componentes da essência ou natureza essencial de alguma coisa. (Santos, 1965)

Esta questão também é um exercício para o pensamento. Suponha o seguinte: há 12 laranjas espalhadas e uma cesta. Se colocarmos todas as laranjas na cesta, veremos que a soma das partes (quantidade) é igual ao todo (cesta de laranjas).

Suponha agora uma sala e 10 pessoas. Se colocarmos essas 10 pessoas na sala, a soma das partes (quantidade) será igual ao todo (sala com as pessoas). Acrescentemos, a este raciocínio, a sinergia, do grego “cooperação”. Quando as pessoas se comunicam entre si, diz-se que o resultado (qualidade) é maior que a soma das partes, pois houve ganho de conhecimento, criatividade.

Na mesma linha de pensamento, imagine uma orquestra, com 12 músicos. A soma de cada um dos músicos é igual ao todo, a orquestra de 12 músicos. Mas, todos tocando juntos produzem sinergia, ou seja, a música orquestrada, o que não se consegue individualmente.

Vejamos um outro exemplo: quando duas pessoas se encontram e trocam pães, elas não ficam nem mais rica nem mais pobre. Porém, quando duas pessoas se encontram e trocam ideias, as duas ficam mais ricas.

3. Relacione Essência e Acidente.

Tomemos o conceito de essência. No pensamento antigo, a essência define o fundo de uma coisa, ou seja, a sua substância, conforme declarou Aristóteles e opunha-se a acidente, já que a essência era imutável na identificação de um ser. Já o acidente poderia variar, conservando-se a essência.

Tomemos o conceito de acidente. Tradução de um termo aristotélico, muito utilizado pela escolástica, que designa o que pode, indiferentemente, estar presente ou desaparecer sem modificar o sujeito ao qual pertence. Por exemplo, é por acidente que um homem dorme ou um tecido é verde (o primeiro permanece homem quando não está dormindo, o segundo, tingido de vermelho, continua sendo tecido).

Exemplifiquemos: a essência é o nosso Espírito imortal; o acidente é o nosso corpo físico, mortal. O Espírito (essência) usa o corpo físico (acidente). No desencarne (morte), o corpo físico deixa de existir, mas o Espírito contínua vivo, mas em outra dimensão, ou seja, no mundo espiritual.

SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed. São Paulo: Matese, 1965.

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