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28 fevereiro 2026

Descartes e a Filosofia Moderna

As ideias desenvolvidas por Aristóteles (384-322 a.C.) influenciaram as especulações filosófico-religiosas da Idade Média. Esse período, denominado de Escolástica, retratava a dependência da Filosofia à Religião. Exercitava-se o intelecto, baseando-se nas regras do silogismo. Procuravam explicar logicamente o cristianismo, lutando por excluir o espírito místico do pensamento até então. A finalidade maior era conciliar fé com razão.

René Descartes (1596-1650) insatisfeito com as informações adquiridas dos mestres e dos livros, faz tábua rasa, e, constrói o seu próprio método de obtenção do conhecimento. O verdadeiro ponto de partida da Filosofia cartesiana é a matemática, visto oferecer evidência e certeza. Os princípios incondicionados desta ciência, permite a Descartes romper com o modelo de pensamento estabelecido pela Escolástica.

Para Descartes, a Filosofia depende da matemática. O fato dá origem a uma ideia fundamental: a verdadeira filosofia deve ser um tratado do método. Estabelece, assim, suas quatro célebres regras: 1) não admitir verdadeira coisa alguma que não se saiba com evidência que o é; 2) dividir cada dificuldade em quantas partes seja possível e em quantas requeira sua melhor solução; 3) conduzir ordenadamente os pensamentos, começando pelos objetos mais simples e fáceis de conhecer, para ascender, gradualmente, aos mais compostos; 4) fazer uma recontagem tão integral e razões tão gerais, que se chegue a estar certo de não omitir nada.

Seu método inclui a dúvida metódica. Como se explica? Parte do conhecimento centrado em si mesmo. Dizia: “Cogito ergo sum”, penso, logo existo. Mas o cogito, ao evidenciar a existência de quem pensa, permite estabelecer o seguinte raciocínio: se eu existo, sei que sou finito. Porém, a ideia do finito implica ao mesmo tempo a do infinito. Para Descartes, o infinito é Deus. Descobre Deus pela sua própria razão e não vindo de fora como o Deus de Platão e dos escolásticos.

As regras do seu método, o estabelecimento da dúvida, o conhecimento centrado na razão e o conceito de subjetividade transcendental influenciaram o pensamento filosófico posterior, tendo Spinoza, Malebranche, Leibniz e Kant como seus maiores seguidores. Hoje, a metafísica, traz em seu bojo, as influências cartesianas, quando muda o enfoque dado ao ser para o sujeito.

A Filosofia, ao contrário da ciência, pertence a uma história. Não resta dúvida que Descartes foi um dos grandes construtores dessa História da Filosofia. Estudemo-lo, assim, com mais ardor. 



 

 

16 julho 2020

Paradigma

Paradigma. Do grego paradeigma significa modelo ou exemplo. Platão usou o termo "paradigma" como modelo: o mundo das ideias, o mundo dos seres eternos do qual o mundo sensível é imagem. Aristóteles, por sua vez, usou-o como "exemplo": indução de um enunciado particular para o enunciado geral. A polissemia do paradigma abrange: "modelo a ser imitado", "abordagem padrão", "orientação teórica", "estilo de pensamento" e outras coisas mais.

O norte-americano Thomas Samuel Kuhn (1922-1996), físico e filósofo da ciência, em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas, define paradigma como “realizações científicas que geram modelos que, por período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.”

Podemos enumerar alguns tipos de paradigmas; educacional, cartesiano, programação, trabalhista, complexidade, entre outros. Em se tratando da educação, necessitamos de paradigmas inovadores que se baseiem na aprendizagem crítica, aquela que faz o aluno pensar por si mesmo. O uso do paradigma cartesiano é bastante útil, pois seu método faz-nos dividir o problema em partes para que possamos melhor entender o todo. (1)

Cosmovisão, paradigma e crise. A cosmovisão é uma visão de mundo, uma maneira de interpretar a realidade. Na base da interpretação há um modelo, um paradigma. Para que haja mudança nesse status quo, há necessidade de uma crise, que leva a outro paradigma. Como este surge? Pela consciência da anomalia, ou seja, pela observação de uma falha na natureza responder satisfatoriamente às expectativas paradigmáticas vigentes.

Roberto Crema, em seu livro Introdução à Visão Holística, estuda a crise pelo qual o planeta está passando, cuja solução encontra-se no paradigma holístico, uma ponte sobre todas as fronteiras. Chama-nos a atenção sobre o salto quântico da física moderna que abalou o paradigma cartesiano-newtoniano. No centro dessa discussão está o princípio da incerteza, introduzido por Werner Heisenberg, ganhador do Nobel da Física e diretor do Instituto Max Planck.

Princípio de incerteza. É uma lei científica que postula a impossibilidade de saber, ao mesmo tempo com a absoluta precisão, a posição e a velocidade das partículas. "Quanto mais enfatizamos um aspecto em nossa descrição, mais o outro se torna incerto, e a relação precisa entre dois é dada pelo princípio da incerteza".

Como vimos, há muitos paradigmas disponíveis. Saibamos escolher aqueles que nos ajudem a pensar corretamente sobre o eu, o outro e a nossa relação com o demais integrantes da sociedade.

(1) https://www.significados.com.br/paradigma/




10 junho 2009

Objetivismo e Modo de Vida Correto

objetivismo e o modo de vida correto são um dos ramos da filosofia moderna. O objetivismo é proveniente da Ayn Rand; o modo de vida correto, do Budismo.

Ayn Rand (1905-1982), nascida Alissa Zinovievna Rosenbaum, foi uma controversa filósofa estado-unidense de origem judaico-russa, mais conhecida por sua filosofia do Objetivismo, e seus romances The Fountainhead ("A Nascente", sendo que o filme é conhecido no Brasil por "Vontade Indômita") e Atlas Shrugged ("Quem é John Galt?" no Brasil).

O objetivismo pode ser resumido em quatro princípios:

1) A realidade existe, independentemente da observação do homem, de seus sentimentos, desejos, esperanças ou medos

2) A razão é o único meio do homem para perceber a realidade, sua única fonte de conhecimento, seu único guia de ação e seu meio básico de sobrevivência

3) O homem, cada homem, é um fim em si mesmo e não um meio para o fim de outros homens. Deve existir em função de seus próprios propósitos, não se sacrificando por outros nem sacrificando outros por ele

4) A liberdade, num sistema político onde os homens se tratam como negociantes livres, em trocas voluntárias, com mútuo benefício e nunca como vítimas e executores, senhores e escravos.

Buda preconizava o discurso correto, a ação correta e o modo de vida correto. Em se tratando do modo de vida correto, há cinco aspectos relevantes:

1) não prejudicar os outros;

2) encontrar a "felicidade apropriada";

3) crescer espiritualmente;

4) simplifique;

5) ajudar os outros;

Embora seja difícil aplacar esses princípios, deve-se tê-los como modelos, tais como são os ensinamentos de Jesus. O não prejudicar os outros é não prejudicar o próximo, o planeta. O encontrar a "felicidade apropriada" é viver com os próprios recursos, sem excesso. Crescer espiritualmente é ver o lado espiritual dos trabalhos repetitivos. Simplifique, ou seja, nada de supérfluo, nada de extravagâncias. Ajudar os outros é ajudar a si mesmo.