18 março 2011

Os Místicos na Idade Média

O misticismo medieval procura alcançar a união com Deus. É uma corrente de pensamento baseada na purificação ascética em que se abandonam todas as certezas proporcionadas pelo conhecimento conceitual. São Bernardo de Claraval, São Francisco de Assis, Hugo de São Victor, Meister Eckhart e Tomás de Kempis são alguns nomes desse movimento. O objetivo é fornecer subsídios para que o homem passe do profano ao sagrado.

O profano, cuja etimologia é aquilo que está “fora do templo” contrasta com o sagrado, que se pressupõe pertencer ao templo. Desta forma, no profano, Deus é concebido conforme a pura razão; no sagrado, Deus é uma experiência religiosa fundamentada no temor. No profano, Deus é uma noção abstrata; no sagrado, um sentimento misterioso que revela ao ser humano toda a sua fragilidade.

São Bernardo de Claraval (1090-1153) e sua reação, denominada cisterciense, é um marco desse misticismo. Ele prega o retiro monástico, em que o monge deve viver de forma humilde, isolado do mundo, preocupando-se exclusivamente com a salvação de sua alma. Ao contrário do que ocorria na escolástica, em que Deus era motivo da disputatio, ele deveria procurar Deus somente dentro de seu coração. Deveria, também, fazer voto de pobreza e produzir para o seu próprio sustento. A arquitetura do mosteiro era simples, sem figuras, para não atrapalhar a contemplação de Deus.

A mística germânica tem seu representante: Johann Eckhart (1260-1327), mais conhecido como Meister Eckhart. Para Eckhart, Deus é um ser perfeito, o Uno, o elemento de conciliação de todos os opostos. O caminho de ascensão a Deus é um caminho via negativo, ou seja, a alma deve se desligar de imagens e de conceitos. “No nada que então advém irrompe a divindade, e o que era vazio, não-ser, inunda-se de uma luz e de um saber incomparáveis”.

Tomás de Kempis (1379-1471) é incluído no devotio moderna, o movimento ascético como consequência dos ensinamentos do mestre Eckhart, que floresceu nos Países Baixos. Embora distante das controvérsias medievais, a Imitação do Cristo, de Tomás Kempis, ressoando ainda a voz de Bernardo de Claraval, torna-se uma obra de maior difusão de todos os tempos.

O medo, a mística e o mistério estão sempre rondando o ser humano. Aproveitemos as lições desses grandes mestres do passado.

Fonte de Consulta

TEMÁTICA BARSA. Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005. (Filosofia)

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