02 março 2011

Diálogo Filosófico: Troca de Argumentos

“Para os gregos, o debate é o lugar de um ‘falar longo’ e se opõe ao ‘falar breve’ do diálogo e da discussão filosófica”.

O diálogo é uma conversa – em que os interlocutores trocam argumentos – com o objetivo de chegar a um acordo fundamentado. A Filosofia não se prende ao discurso convencional, às longas exposições, em que o orador quer demonstrar todo o seu conhecimento. Ela é basicamente um diálogo entre duas ou mais pessoas, movidas pelo desejo mútuo de descobrir a verdade.

Algumas notas:

1) Deve-se sempre começar o diálogo tentando definir os termos da discussão, para não incorrer em ambiguidades. A ambiguidade desvia-nos do tema apresentado.
2) Respeitar o direito de os outros participantes colocarem o seu ponto de vista. É deselegante monopolizar a palavra.
3) O diálogo ajuda o interlocutor sair de sua particularidade opinativa para alcançar o saber.
4) O diálogo caracteriza-se pela brevidade das réplicas. Difere, pois do debate, em que as pessoas falam mais demoradamente.
5) Deve-se limitar o número de participantes, pois o aumento de pessoas torna o diálogo inviável.
6) Evitar o simulacro do debate, em que cada pessoa fala na sua vez. O diálogo é uma conversa viva em que um concorda (ou discorda) do outro de maneira constante.
7) Fazer “ouvidos moucos” e “entender mal” torna o indivíduo inapto para o diálogo.
Para o filósofo, o diálogo é decisivo, pois ele combate o risco do pensamento solitário, que pode incorrer em erros por falta de uma crítica. Sempre que pudermos, exercitemos o debate em sala de aula. É possível aprendermos mais ouvindo do que somente falando o que julgamos saber.

Fonte de Consulta: RAFFIN, Françoise. Pequena Introdução à Filosofia. Tradução de Constância Morel e Ana Flaksman. Rio de Janeiro: FGV, 2009. (Coleção FGV de bolso. Série Filosofia)

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