11 agosto 2010

Fenomenologia do Ethos

Fenomenologia é definida como "um estado puramente descritivo dos fatos vividos de pensamento e de conhecimento". Ethos (grego), e sua tradução mores, em latim, embora tomando sentidos diversos na política, na moral e na música, significa caráter, comportamento, valores e costumes. Juntando os dois termos, diremos que fenomenologia do ethos é a descrição do comportamento, do caráter e dos valores éticos do ser humano. Nesse caso, há uma infinidade de aspectos a serem considerados. Vejamos alguns.

Em termos políticos, o ser humano tem necessidade de moradia, saúde, alimentação e infra-estrutura. O Estado tem o dever de lhe prover o bem comum, que implica a distribuição justa dos recursos públicos. Na tirania, a busca do bem comum já está comprometida. Na democracia, os políticos podem atender a esse objetivo segundo um ethos autêntico ou um ethos demagógico.

O ethos retórico trata, em linhas gerais, das qualidades do orador perante o público. Quando se fala do ethos do discurso, fala-se da persuasão pelo caráter (= ethos) do orador. O discurso tem uma natureza que confere ao orador a condição de ser digno de fé. São os traços de caráter que o orador deve mostrar ao auditório (pouco importa a sua sinceridade). O ethos, muito mais que o logos, é bastante útil ao orador, principalmente ao orador político, que procura agradar mais pela emoção do que pela razão.

Em termos morais, há diversas opiniões sobre o que consiste o bem a-fazer o o mal a-evitar. Uns acham que obedecendo a Deus, já estamos praticando o bem; outros, que crer ou não em Deus tem pouca relevância. No fundo, contudo, há um acordo, ou seja, aquele que diz respeito ao procedimento autenticamente humano, aquele que não pode ser anti-humano, que é “fazer aos outros o que gostaríamos que a nós fosse feito”.

A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do amor. O verdadeiro exercício do amor longe está das proibições e interdições de que a moral propõe. É uma autodeterminação que envolve a autonomia da vontade na busca da atualização do ser. Assim, não é agir de qualquer jeito, mas de forma ordenada, generosa, que promova a pessoa e os direitos do outro, sobretudo quando esses direitos são espezinhados.

O ethos espírita está embasado nos ensinamentos de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. O comportamento ético-espírita só pode fixar-se e expandir-se em terra fértil. Para isto, o adepto do Espiritismo deve, em primeiro lugar, limpar, adubar e regar o “terreno interior”, a fim de criar condições favoráveis de receber a semente evangélica para, posteriormente, fazê-la frutificar cento por um.

O estudo do ethos, como dissemos, leva-nos para uma infinidade de reflexões: escolhamos aquelas que possam aumentar a nossa capacidade de compreender a nós mesmos e ao mundo que nos rodeia.

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