08 outubro 2014

Homem: Unidade e Contradição

O homem se apresenta como unidade e contradição. Há uma série de instâncias antagônicas, dentre as quais, citamos: o homem como ser animal e social; o ser humano como homem e mulher; o homem dentro e fora de si mesmo; razão versus coração; teoria e práxis; o passado e o futuro.

O homem é um ser social que se realiza em contato com outros seres humanos. Como animal, estaria submetido à espécie, o que não ocasionaria conflito. O conflito surge quando, superando a animalidade, torna-se pessoa e transforma-se num fim em si mesmo. O problema: terá de viver com outros seres humanos, que também são um fim em si mesmo, exigindo o devido respeito.  

O ser humano apresenta-se sexualmente como homem e mulher. As características físicas e psíquicas de cada sexo são diferentes, pois ambos têm missões distintas. A força do homem, porém, converteu-se em lei e a mulher transformou-se num objeto de posse e satisfação sexual do homem. O sexo, que devia coroar as instâncias do amor, escravizou a mulher, com as consequentes deformações masculinas.

Além das tensões entre pessoas, há um antagonismo dentro da própria pessoa: os anseios mais nobres do espírito. O homem é um ser limitado, sujeito aos apetites da carne; ao mesmo tempo, é também um ser espiritual. Há, assim, uma luta entre os ideais mais nobres do espírito e aqueles que o mundo sensível lhes oferece. Uma meta elevada exige sacrifícios que só podem realizar-se às custas dos desejos primários. 


Razão e coração são pólos de antagonismo. Como se explica? O conflito está na busca fria e abstrata de uma verdade universal, que pertence a todos, e os anseios do coração, que é pessoal. A verdade abstrata é a razão, o conhecimento, a lógica das relações. A verdade do sujeito, aquela que compromete todo o seu ser, é exclusiva, é aquela que o sujeito captou dentro de sua limitação. 


A contraposição entre teoria e práxis. A teoria e a prática são duas vertentes de uma mesma realidade. A teoria diz respeito à vida intelectual, de estudos, de aplicação, de meditação. A prática sugere o uso das mãos, da ação, da operosidade. Muitas vezes o ser humano tem que escolher uma dessas duas facetas em detrimento da outra. Viver nada mais é do que dar preferência a um desses dois campos da existência.

A ambiguidade entre passado e futuro. A vida é um fluir, é um deslocamento do passado ao futuro. No presente, podemos assumir uma atitude de defesa do presente que se vai cristalizando no passado ou uma atitude mais revolucionária que se projeta no futuro. Por isso, o conservadorismo e o progressismo, a segurança do passado e a esperança do porvir.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.




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