17 setembro 2014

Comportamento

Um código moral é essencial para a sobrevivência de uma sociedade. Sem este, haveria a necessidade de todos viverem livremente e no maior interesse das outras pessoas. Na cultura ocidental, a influência dominante é o sistema ético baseado na tradição judaico-cristã.

Em se tratando do comportamento, devemos ter em mente os valores essenciais, que são aqueles sem os quais não podemos viver. Sócrates referiu-se ao conhecimento ou autoconhecimento; Aristóteles, à felicidade. De um modo geral, podemos dizer que os valores essenciais são: verdade, justiça, paz, felicidade. Lembremo-nos da advertência de Aristóteles: “Não agimos corretamente porque temos virtude ou excelência, mas as temos porque agimos corretamente.”

O absolutismo moral determina que certas ações são totalmente certas e outras totalmente erradas. Nesse sentido, os dez mandamentos podem ser considerados absolutos. No Ocidente, contudo, o absolutismo moral não é mais definido pela lei, mas por um ideal. Esse ideal é conhecido como a Regra de Ouro: tratar os outros como gostaríamos que nos tratassem. Daí, o imperativo categórico de Kant: “Age só segundo máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei universal”.

Os princípios religiosos são úteis à formação de nossos comportamentos. É preciso, porém, tomar cuidado, pois quando agimos somente em função dos princípios religiosos, podemos cair na armadilha proposta por Blaise Pascal (1623-1662): "Os homens nunca fazem o mal tão completamente e alegremente como quando o fazem por convicção religiosa.” Lembremo-nos de que quando uma lei religiosa persiste é porque a sua “verdade” baseia-se muito mais em valores universais do que os princípios daquela dita religião. 

Nem sempre é errado violar uma lei, principalmente quando ela exija que o sujeito faça algo imoral ou contrário à sua consciência. A consciência moral é que nos dita as normas. Ouçamos Martinho Lutero (1483-1546): “Não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável. Não posso fazer outra coisa, esta é a minha posição. Que Deus me ajude. Amém.” 

Muitos afirmam que o karma determina o nosso comportamento. Não é verdade. Karma significa “impressões”, “tendências”, ou “possibilidades”. Karma não é o ato ou a ação, e sim a intenção que determina o efeito cármico da ação. O karma afeta a natureza de seu renascimento, mas não afeta as suas ações. O karma fornece uma situação mas não a resposta do sujeito diante daquela situação.

Para bem vivermos, consultemos a nossa consciência e respeitemos as normas da sociedade em que estivermos inseridos.

Fonte de Consulta

BENEDICT, Gerald (Gerald Samuel). Filósofo em 5 Minutos. Tradução de Patrícia Azeredo. Rio de Janeiro: BestSeller, 2014.





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