20 julho 2013

Pascal, Blaise

Blaise Pascal (1623-1662) foi matemático, cristão e filósofo. Escreveu várias obras científicas. Os Pensamentos, ideias condensadas em fórmulas curtas e fortes, porém, é seu trabalho mais conhecido.

O ponto central de sua filosofia: contestar as pretensões da razão filosófica e científica de alcançar a verdade total. Para ele, embora a ciência tenha um poder extraordinário, ela não é capaz de explicar a origem do Espírito e do Universo. Tem pouco apreço pelos argumentos filosóficos que procuram atestar a existência de Deus. “O homem não pode entender o que é a corporeidade e menos ainda o que é espírito e, de maneira alguma, como um corpo pode estar unido a um espírito”.

Pascal distingue dois tipos de razão, a do silogismo e a do coração. Por isso, ele diz: “O coração tem razões que a própria razão desconhece.” Para explicar as razões do coração, escreve: com o coração “conhecemos os primeiros princípios e é em vão que o raciocínio, que não participa deles, tenta combatê-los”. Com o coração se alcança a certeza de uma forma “totalmente interior e imediata”. Entende que o coração é uma faculdade como a própria razão o é.

A vida do ser humano é miséria e morte, mas também dimensão pensante. Pode ser destruído por um sopro de vento, mas também é dotado de consciência. “... mesmo que o universo o destruísse, o homem ainda seria mais nobre do que aquilo que o mata. Porque sabe que morre, e o que o Universo tem de vantagem sobre ele, e o Universo não sabe nada disso”.

A aposta de Pascal. Ao homem coloca-se uma dupla alternativa: Deus existe ou não existe, e é preciso apostar em uma delas, como num jogo. As vantagens a favor da primeira alternativa (Deus existe) são indiscutíveis: no caso de ganhar, o homem ganha uma existência infinita; e, no caso de perder, não perde nada.

Os Pensamentos, redigido após a sua morte por parentes e amigos, tem uma tese central, que é a proeminência da religião sobre a filosofia e a ciência. A intenção de Pascal era a de sensibilizar os incrédulos. Pascal tem que usar a razão e a argumentação, únicos instrumentos que seu interlocutor reconhece. Vislumbra o tema miséria e grandeza do homem e pensa essa contradição. A obra pode ser considerada, também, uma crítica ao racionalismo de Descartes. Nesse sentido, usando o solo da razão e da experiência para investigar a condição humana, diz: "O coração tem suas razões que a razão não conhece".

Fonte de Consulta

TEMÁTICA BARSA - Filosofia. Rio de Janeiro, Barsa Planeta, 2005.




Nenhum comentário: