18 julho 2013

Filosofia à Moda Clássica

As necessidades humanas podem ser agrupadas em quatro grandes áreas: arte, ciência, política e religião. A sabedoria consiste em fazer uma síntese desses conhecimentos, síntese esta que deve abarcar os quatro ângulos simultaneamente, ou seja, qualquer assunto pode e deve ser tratado sob os quatro pontos de vista. É isso que dá equilíbrio ao ser humano.

A filosofia à moda clássica deve ser vista como a busca da sabedoria. Observe que Pitágoras não se colocava como sábio, mas buscador de sabedoria. Nesse sentido, todos nós somos filósofos, porque todos nós procuramos sabedoria. Esta sabedoria, que sintetiza as quatro grandes áreas, pode ser vista em qualquer circunstância. Na perspectiva de uma palestra, há o auditório e o palco (arte), os aparelhos de som e recursos audiovisuais (ciência), a empatia do orador com o público (política) e a confiança do orador (religião) que a palestra será proferida.

A sabedoria pode se tornar capenga quando as quatro áreas não se desenvolvem harmonicamente. É o caso do indivíduo que se dedica somente à religião, desprezando as outras três áreas: ele pode se transformar num dogmático fanático. Do mesmo modo é o cientista, que se preocupa somente com suas equações, sem dar atenção ao mistério, que é a religião. O mesmo raciocínio se estende à arte e à política. O correto é buscarmos a unidade, a síntese de todo o conhecimento humano.

Para que haja uma boa compreensão dessa filosofia à moda clássica, devemos partir de uma metodologia filosófica, de uma tradição, pois aqueles que nos precederam já descobriram verdades, que podem ser úteis ao nosso processo de aprendizagem. Partamos sempre do conhecido para o desconhecido. Não é conveniente fazermos filosofia de boteco, ou seja, cada um fala o que lhe vier na telha. A filosofia não se prende à razão, mas usa-a para racionalizar as ideias, os conceitos.

Para a construção do conhecimento a filosofia faz uso da dialética, no sentido de nos libertar dos preconceitos, das dúvidas e dos medos. Quando refletimos sobre esse tipo de sabedoria, estamos trabalhando no campo da educação, que é pôr em prática o que se conheceu dialeticamente. Não é seguir, copiar, mas raciocinar com os próprios recursos pessoais. Esta era a metodologia de Sócrates quando se deparava com alguém que não sabia determinado assunto. De pergunta em pergunta, fazia o interlocutor se lembrar do que já conhecia.

A filosofia à moda clássica mostra-nos que há um justo meio, que é justiça, que é a política e que precisa da ética: relação perfeita do ser humano consigo próprio, com o meio e com o universo. Quando aplica isso a si mesmo desenvolve o senso moral, que se traduz pela vivência da filosofia. 

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