19 julho 2013

As Nuvens: Aristófanes

Para compreendermos como a filosofia de Sócrates o levou à morte, devemos nos valer da comédia de Aristófanes, As Nuvens, que criou uma “morte de Sócrates” ficcional, cerca de 12 anos antes do julgamento. Platão, inclusive, diz que essa peça teve importância capital na condenação de Sócrates.

É uma comédia sobre Estrepsíades, que fez dívidas enormes, por causa de sua mulher (esbanjadora) e de seu filho (admirador de cavalos). Estrepsíades inscreve-se como aluno de um sofista, para aprender “a transformar um argumento fraco em argumento forte” e, com isso, livrar-se de seus credores. O sofista escolhido é Sócrates, que tem a cabeça nas “nuvens”.

Estrepsíades fica satisfeito de repetir os pontos de vista de Sócrates, de que ele deveria rejeitar os velhos deuses em favor das divindades modernas. Ele, porém, se mostra muito senil para assimilar os conceitos de Sócrates. No fim, o filósofo desiste dele, como um caso perdido.

O filho de Estrepsíades, Feldípedes, parece mais capaz de aprender, mais sujeito a aceitar os ensinamentos socráticos. Ele toma o lugar de seu pai como estudante da escola. Sócrates ensina-lhe as noções do Argumento Melhor e do Argumento Pior. O Argumento Melhor diz respeito ao autocontrole, à ginástica, ao treinamento militar e às duchas frias. O Argumento Pior refere-se à esperteza, à retórica e à zombaria do autocontrole.

Estrepsíades, incentivado por Sócrates, recusa a pagar os seus credores, trapaceando-os com enganosos trocadilhos. Tornando-se igual ao seu filho, ele trata os credores como cavalos rebeldes: acoita-os com um chicote. O filho, porém, logo começa a bater no pai e ameaça bater também na mãe. Nisso, Estrepsíades percebe o erro cometido e acha que nunca deveria ter escutado Sócrates, nunca desobedecido os velhos deuses. Ele põe fogo na escola de Sócrates, matando-o, juntamente com seus alunos.

As últimas palavras de Sócrates são um clamor desesperado: “Ah, não, coitado de mim, é terrível! Vou sufocar!”

Fonte de Consulta

WILSON, Emily. A Morte de Sócrates. Tradução de Maria de Fátima Siqueira de Madureira Marques. Rio de Janeiro: Record, 2013.


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