11 janeiro 2012

O Método Científico Segundo Alguns Filósofos

Para Aristóteles, ciência é conhecer as quatro causas: 1) causa material. É a substância concreta de que um objeto é composto. Exemplo: o bronze de uma estátua; 2) causa eficiente. É o processo que produziu o objeto. No exemplo acima, é o trabalho do artista ao esculpir a estátua; 3) causa formal. É a estrutura interna que determina a realidade de um objeto; 4) causa final. É a finalidade para a qual uma coisa foi produzida.

Para Galileu, um fato demonstrado pela experiência seria verdade, se Aristóteles não o negasse. Na sua lide da verificação experimental, Galileu teve que combater os teólogos (porque acreditavam literalmente na Bíblia) e os filósofos aristotélicos (porque negavam as verdades contrárias às doutrinas científicas de Aristóteles). Quanto aos teólogos, não tinha muito o que fazer. Quanto ao dogmatismo dos filósofos aristotélicos, aqueles que negavam a evidência, porém, Galileu entendia que isso era devido à tendência da psique humana de obedecer ao poder e à autoridade vigentes.  

Para Bacon, o método científico baseia-se na indução, que é um saber das obras, não das palavras. No passado, era sábio quem conseguia, através da retórica, vencer dialeticamente um adversário; no presente, o confronto deve ser posto em relação à natureza. Deve-se, assim, recusar o método dedutivo, que considerava a verdade como uma consequência de afirmações precedentes, e adotar o método indutivo, porque baseado em estatísticas observáveis.

Para Descartes, o método científico deveria se basear nos raciocínios concatenados. Volta à dedução, que supõe obter novas verdades a partir de proposições absolutamente certas. Para isso, usa o modelo da geometria de Euclides, capaz de deduzir centenas de teoremas de cinco postulados iniciais.

Para Hume, o princípio fundamental de todo pensamento científico é o de causa-efeito: a previsão de determinados eventos pode ser deduzida em função das causas que os produziram. Não podemos, porém, levar essa tese às suas últimas consequências. Dá-nos, como exemplo, o choque entre duas bolas de bilhar: “certamente veremos uma continuidade espacial e temporal porque a bola atingida se move logo depois da primeira e começa seu movimento onde a outra se detém”... “Hume está pronto a admitir que é possível relevar também uma constância dos fenômenos, porque encontramos regularidades típicas no movimento dos corpos. Mas isso implica apenas hábito, não necessidade lógica: se nunca tivéssemos visto um choque entre duas bolas de bilhar seriamos incapazes de prever o seu movimento”.

Para Kant, há necessidade de diferenciarmos os juízos analíticos dos juízos sintéticos. Os juízos analíticos dizem respeito à explicação dedutiva; os juízos sintéticos, ao contrário, são típicos da tradição empirista. Tanto os juízos analíticos quanto os juízos sintéticos têm suas limitações. Kant propõe a junção dos dois juízos. “Faz-se necessária, portanto, uma nova abordagem global de conhecimento, ultrapassando as tradições do Racionalismo e do Empirismo”.

Fonte de Consulta: NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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