12 janeiro 2012

Sonho, Vigília e Loucura Segundo Alguns Filósofos

Para Platão, em Fedro, a paixão amorosa, excluindo a reflexão racional, dá origem à loucura temporária. Nem toda a loucura é danosa; a do oráculo de Delfos, por exemplo, capaz de predizer o futuro, é positiva: se não conseguimos atribuir um sentido às suas frases desconexas, é somente porque não conseguimos entender a língua pela qual falam os deuses.

Erasmo de Rotterdam tece comentários sobre a loucura de Cristo e dos cristãos. Para ele, as normas sociais nem sempre se coadunam com uma vida autenticamente cristã. Há, assim, dois tipos de loucura: a) dos poderosos, ou seja, daqueles que reduzem o Cristianismo à observância dos ritos; b) dos cientistas, que desafiam o desconhecido pelo amor ao conhecimento. Estes é que são os verdadeiros cristãos, porque abandonam tudo, para imitar a loucura da cruz.  

Descartes, em sua dúvida hiperbólica, fala-nos do gênio enganador, do gênio maligno. Para ele, deve-se duvidar de todas as afirmações que não sejam intuitivamente evidentes. "Para tornar a dúvida ainda mais drástica, Descartes imagina um gênio maligno, que confunde nossas percepções. O objetivo da dúvida não é negar a existência de qualquer verdade, mas extirpar proposições tão simples quanto inopináveis".

Schopenhauer acha que a vida não passa de um sonho muito longo. Para explicitar a sua tese - todo conhecimento não é mais que uma simples representação mental (fenômeno) -, Schopenhauer trata da indistinguibilidade entre sonho e vigília. “Não existem argumentos lógicos para demonstrar que a existência inteira não seja um longo sonho, interrompido (todas as noites) por outros sonhos mais curtos. Acontece a todos, às vezes, sonhar, e existem sonhos tão realistas a ponto de insinuar a dúvida, ao seu final, se está se passando realmente do sonho à vigília e vice-versa.”

Para Freud, o sonho é substancialmente a satisfação do desejo, quase sempre de origem sexual. Esta simplificação popular da psicanálise não é exclusiva em Freud, pois os sonhos podem nascer, também, de necessidades insatisfeitas. Se um indivíduo adormece com o estômago vazio, pode perfeitamente experimentar sonhos ligados ao alimento.

Fonte de Consulta: NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Margherita De Luca. São Paulo: Globo, 2005.

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