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13 fevereiro 2025

Notas sobre a Autoridade

Autoridade. Do lat. auctoritas, que por sua parte deriva-se do verbo augere, aumentar, crescer, criar e dá, como substantivo, autor.

O argumento de autoridade fundamenta-se na posição de alguém, considerado como conhecedor competente de determinada matéria. Na religião, baseia-se nas revelações, as quais são obtidas por meio de indivíduos escolhidos pela divindade. Na ciência, possui valor relativo, pois exige verificação e confirmação. Na filosofia, o argumento da autoridade é falho, pois na filosofia a única e verdadeira autoridade é a demonstração.

Em se tratando da ciência e da filosofia, a prova é o elemento preponderante. Observe que a ciência é o conhecimento das causas cujas afirmações são provadas. A prova pode ser a experimental ou a demonstração lógica. A ciência observa e experimenta, e a filosofia demonstra. O filosofar apenas opinativo é um filosofar prático e não teórico, é um filosofar primário.

Santo Agostinho distingue autoridade divina da humana: Auctoritas autem partim divina est, partim humana; sed vera, firma, summa ea est quae divina nominatur. (A autoridade, contudo, é parte divina e parte humana; mas a verdadeira, firme, suprema, é a que se chama divina). Portanto, Deus é a mais alta autoridade.

Alguns tipos de autoridade

Autocracia. O poder de si mesmo, gerado de si mesmo. A capacidade de exercê-lo e legislar acima de qualquer outro. Consiste no poder entregue a uma autoridade arbitrária, a qual se acha nas mãos de um homem ou de um grupo, ou de um partido. Assim: despotismo, oligarquia, ditadura. Opõe-se à democracia.

Autoridade carismática.  É a ascendência que exerce uma pessoa sobre outra ou grupos sociais, dando-lhes a impressão e a convicção de possuir um poder que transcende a natureza humana.

Democracia. É o sistema político no qual os cidadãos, independentemente de castas, classes, estamentos, exercem a autoridade, quer por si mesmos (democracia plebiscitária) quer por intermédio de delegados ou representantes do povo (democracia eletiva).

Ditadura. Sistema político no qual uma pessoa ou um pequeno grupo tem a total autoridade sobre a vida política de um povo, sobre o qual legisla e executa suas leis, sem subordinação de qualquer espécie a nenhum outro poder.

Fonte de Consulta 

SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed. São Paulo: Matese, 1965.


23 fevereiro 2011

A Autoridade em Filosofia

movimento iluminista do século XVIII pretende libertar as pessoas da tradição e da autoridade, para submeter todo o conhecimento ao império da razão. Por isso, prega uma crítica ao conhecido. Criticar é fazer triagem: krinein, em grego, significa “selecionar, discernir”. Enquanto Aristóteles invocava a autoridade dos anciãos, por causa da idade avançada, Descartes apelava para a negação de todo o conhecimento adquirido para, do zero, construir o seu próprio saber.

luneta de Galileu, que lhe permitiu o questionamento da autoridade, é um exemplo do uso da razão e da demonstração. Como os homens resistem às descobertas que põe em dúvida aquilo que sempre acreditaram, e procuram a qualquer preço integrá-la em sua teoria antiga, Galileu teve de fazer esforços hercúleos para defender a sua teoria heliocêntrica, pois foi o primeiro a contestar as afirmações da Aristóteles sobre a Física.

Descartes e Galileu pensam que não se encontrará a explicação da natureza através de uma leitura assídua dos autores. Quanto mais assídua, mais fácil será passar ao largo da verdade. O acúmulo dos conhecimentos livrescos não substitui o exercício da razão. O verdadeiro filósofo não pode se tornar “doutor em memória”. Ele precisa exercitar a sua razão, como na frase celebre de Kant: “Sapere Aude! Tenha coragem de construir o seu próprio conhecimento.

Descartes chama a nossa atenção para os discursos que louvam o enigma, pois podem encobrir a verdade dos fatos. Esses conhecimentos podem ofuscar a luz natural. Por luz natural, Descartes entende a razão, a capacidade de distinguir o falso do verdadeiro. Daí que devemos submeter toda a autoridade ao exame e à autoridade da razão. Podemos nos valer do que os outros pesquisaram, mas tudo isso deve fazer parte de nosso estoque de conhecimento, que foi ruminado pela nossa razão.

Fazer dos outros filósofos um princípio de autoridade, leva-nos a abdicar de nossa razão, pois como seres pensantes, não podemos nos fiar cegamente em tudo o que os outros disseram.

Fonte de Consulta

RAFFIN, Françoise. Pequena Introdução à Filosofia. Tradução de Constância Morel e Ana Flaksman. Rio de Janeiro: FGV, 2009. (Coleção FGV de bolso. Série Filosofia)