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02 setembro 2025

Lógica e Argumentação

“Uma das razões mais importantes para estudar filosofia é aprender a formar e defender pontos de vista próprios.” — MARK SAINSBURY

A lógica é o estudo dos princípios que orientam o raciocínio correto. É uma disciplina que estuda a validade dos raciocínios, ou seja, se as conclusões realmente decorrem das premissas. A argumentação é o uso desses princípios com a finalidade de defender uma ideia, refutar uma objeção ou construir um discurso convincente. São as razões apresentadas para sustentar uma conclusão, tendo como objetivo convencer, persuadir, explicar.

A lógica permite-nos fazer o seguinte: 1) distinguir os argumentos corretos dos incorretos; 2) compreender por que razão uns são corretos e outros não; e 3) aprender a argumentar corretamente. Divide-se: 1) lógica formal: trabalha com estruturas abstratas (ex.: “Se todos os homens são mortais e Sócrates é homem, então Sócrates é mortal”); 2) lógica informal: aplicada ao cotidiano, analisa falácias, coerência e clareza dos argumentos.

Os elementos da argumentação são: 1) Tese (ideia principal a defender); 2) Argumentos (razões que sustentam a tese); 3) Exemplos/provas (dados, estatísticas, analogias, autoridades). Em relação à estrutura do raciocínio, temos: 1) Premissa maior: regra geral; 2) Premissa menor: caso particular; 3) Conclusão: consequência lógica. Exemplo: Todos os políticos são cidadãos. / João é político. / Logo, João é cidadão.

No estudo de lógica e argumentação, não podemos nos esquecer das falácias. Entre as falácias mais comuns, temos: ad hominem: atacar a pessoa em vez do argumento; apelo à autoridade: usar autoridade sem relação com o tema; falsa causa: assumir que uma coisa causa a outra sem prova; generalização apressada: tirar regra geral de poucos casos. Muitas vezes, distingue-se falácias de sofismas, havendo no segundo caso a intenção de enganar.

As boas práticas de argumentação podem ser resumidas: clareza: evitar ambiguidades; coerência: premissas devem se conectar; evidência: usar dados, exemplos, lógica; Refutação: prever e responder objeções.

Falácia: Raciocínio falso ou um argumento logicamente incorreto que aparenta ser válido, mas que falha em sustentar a conclusão de forma coerente.

23 outubro 2012

Os Sofistas

A palavra “sofista”, derivada do grego sophos (sábio) era, na antiguidade, sinônimo de sábio. Com o tempo, o sentido pejorativo ultrapassou o sentido real. Somente na atualidade, o sentido antigo voltou a ser defendido por um movimento, que se denominou “iluminismo grego”.

Sofistas é o termo que se usa para caracterizar um conjunto de pensadores gregos que surgiu na segunda metade do século V a.C. A fundamentação deste conceito reside no fato de eles terem sido os primeiros educadores profissionais (recebiam pagamento pelo ensino) de disciplinas humanas, tais como, política e moral e, principalmente, a retórica.

A democracia grega trouxe uma mudança radical na natureza da liderança: numa assembleia, em que o povo podia tomar decisões, a linhagem não era suficiente. Como a aspiração máxima era a vitória, um político tinha que se desenvolver na arte de persuadir e de convencer as massas, mostrando que a sua era a melhor proposta para governar a cidade, o estado.

Os sofistas davam grande valor aos sentidos. Pergunta: se os sentidos mostram coisas diferentes a diferentes indivíduos, como decidir qual delas está de posse da verdade? A resposta é: a verdade é relativa a cada um. Assim, não há uma verdade absoluta; cada coisa é o que parece ser para cada um. Este relativismo conduz ao ceticismo.

Os gregos pensavam que as leis naturais eram inamovíveis, ou seja, absolutas. A constatação, porém, de que outros povos têm culturas e valores diferentes, levou os sofistas a aceitarem o convencionalismo das leis. A partir desse momento, as leis passam a ser arbitrárias e provisórias, relativas, portanto, à comunidade e ao próprio indivíduo.

Protágoras (480-410 a.C.) foi o sofista mais famoso do seu tempo. Dele vem a famosa frase: “o homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto são, e das que não são, enquanto não são.” Dele, também, provém a ideia dos raciocínios duplos: “Em toda questão há dois raciocínios opostos entre si”, quer dizer, de cada coisa se pode dar duas versões opostas. Já que não há verdade, um juízo é tão válido quanto o seu contrário.

Sócrates, Platão e Aristóteles achavam os sofistas perigosos para a sociedade. Por isso, elaboraram grande parte de suas concepções como respostas destinadas a desmontar o edifício construído por esses pensadores.

Fonte de Consulta

Temática Barsa - Filosofia.  

 

02 julho 2008

Pensar Direito

Em qualquer lugar onde estivermos, apresentar-nos-ão problemas, dificuldades, afirmações, dúvidas etc. Pergunta-se: o que fazer diante desses fatos? Crer porque a pessoa que nos disse é uma autoridade no assunto? Aceitar porque não temos informações sobre a questão? Nada fazer porque temos preguiça de pensar a respeito? Enfim, qual a melhor atitude a tomar?

Diante de uma questão ou de um problema, entendemos que a primeira atitude deve ser a de ouvir atentamente o que o interlocutor tem a dizer. Posteriormente, lucubrar sobre o que foi dito, verificando o quanto sabemos ou o quanto nos falta saber do assunto. Mais precisamente, exercitar o raciocínio buscando argumentos sólidos. Significa tentar explicar, proceder a uma análise, ou seja, enfrentar o problema na sua plenitude, até chegar a uma maior compreensão do mesmo.

Inteirado dos argumentos e verificada a nossa limitação em relação ao que foi proposto, proceder à pesquisa. Ir à enciclopédia para saber a etimologia e o significado da palavra; ir ao dicionário bilíngue, caso o termo seja estrangeiro; ir ao dicionário de símbolos, quando a palavra assim o exigir. Tudo isso ajuda a termos uma visão mais ampla da palavra e usarmos a linguagem que melhor se adapte ao significado que queremos expressar. Partir do conhecido para o desconhecido solicita esse procedimento científico. Nesse mister, lembremo-nos de que a maioria das discussões começa pela não definição do termo que queremos comunicar.

Em se tratando de números, prestar atenção no que foi enunciado, pois os números não mentem, mas os mentirosos os usam para mentir. Em economia há erros crassos ao relacionarmos coisas distintas. Um deles é comparar salário líquido com a renda do outro, em um país onde o imposto de renda progressivo é enorme; outro, é comparar renda, que pode ser consumida, com a riqueza, que representa um patrimônio físico de um país ou de uma empresa, o que pode ou não se transformar em renda.

Os sofismas ou falácias do pensamento devem ser lembrados. O que é um sofisma? É um raciocínio falso que se apresenta com aparência de verdadeiro; argumento aparentemente válido, mas, na realidade, não conclusivo, e que supõe má fé por parte de quem o apresenta. Observe o exemplo: todo o homem é bom. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é bom. A premissa inicial teve como conclusão que Sócrates é bom, mas quem nos garante que todo o homem é bom.

Pensar direito requer uma atitude socrática, ou seja, "uma vida sem exame não merece ser vivida". Empenhemo-nos no exercício de bem expressar o nosso discurso, seja ele de que natureza for.

Fonte de Consulta

FLEW, Antony. Pensar Direito (Ou, Será que Eu Quero Sinceramente Estar Certo?). Tradução de João Paulo Monteiro. São Paulo: Cultrix, Editora da Usp, 1979