23 outubro 2012

Reflexão


A reflexão, fenomenologicamente observada, manifesta-se como um segundo ato de conhecimento (o primeiro é a intenção direta).

Ao evocarmos a intenção direta e o segundo ato, verificaremos que uma noção ampla do juízo em geral e do juízo reflexivo em especial influencia notoriamente o comportamento de um crítico do conhecimento. Sem elo, poder-se-ia perder em afirmações frouxas e superficiais, por ausência de um eixo diretor.

Há, assim, a intenção direta e o segundo ato. A reflexão, propriamente dita, diz respeito ao segundo ato. Mas, se o segundo ato, é uma espécie de repetição da intenção direta, reduziríamos a visão reflexa a uma outra face do mesmo ato. Uma simples abstração nos faria ver separadamente as duas intenções, conduzindo-nos à ilusão final das dualidades dos atos.  

Para que haja a verdadeira reflexão, a intenção direta deve opor-se à reflexão, no sentido de se distinguirem como dois atos efetivamente distintos e não apenas como intensificação um do outro. A simultaneidade proporciona a aparente impressão de que um ato seja a intensificação do outro; a observação cuidadosa nos liberta deste equívoco, conduzindo-nos à consciência de nós mesmos e enaltecendo a nossa racionalidade.

Fonte: Evaldo Pauli, Que é Pensar? Teoria Fundamental do Conhecimento. Santa Catarina: Biblioteca Superior de Cultura, 1964.

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